4 de junho de 2026

Sem novidades: médica cubana acusa Veja de distorcer suas declarações

Do Correio do Povo

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17 /02/2014

Médica cubana contesta versão da Veja

 

“Eu vim para o Brasil para trabalhar, não para ficar dando entrevistas”, foi assim que Yamile Mari Min, médica cubana que atua no posto de saúde do Bairro Santa Luzia, me recebeu no início da tarde desta segunda-feira. Por diversas vezes, ela já havia sido procurada pela equipe do OCP, mas se recusava a falar. O meu objetivo era repercutir reportagem publicada pela Revista Veja, que denuncia suposta tentativa de pressão por parte do Ministério da Saúde e do governo de Cuba para que os médicos da ilha de Fidel Castro permaneçam no país. Segundo a revista, Vivian Isabel Chávez Pérez (chamada de capataz dos médicos na reportagem) exerceria esta função e teria, sob ameaças, conseguido manter as duas médicas cubanas em Jaraguá do Sul. O fato foi desmentido pelo o secretário de Saúde, Ademar Possamai (DEM), que foi citado pela revista. Segundo ele, em dezembro, as médicas estavam com dificuldades de adaptação e quase chegaram a se desligar, mas depois de contato do Ministério da Saúde, o problema foi solucionado e hoje está tudo bem. Depois de alguns minutos de conversa no consultório, Yamile foi perdendo a desconfiança e admitiu que foi procurada pela Veja na semana passada, mas disse que se negou a falar por entender que parte da imprensa vem tratando deste assunto sob a ótica estritamente política. “Eu e todos os médicos cubanos sabíamos quanto iríamos ganhar ao vir ao Brasil. Ninguém é obrigado a nada, a gente se inscreve sabendo de tudo. Eu estou aqui para ajudar o meu país”, resumiu a cubana já com sorriso no rosto e falando um bom português. Para ela, a prova da importância do programa é a satisfação da comunidade. A polêmica em torno da presença dos profissionais cubanos no Brasil está no fato de que eles recebem R$ 1mil ao mês, os outros R$ 9 mil a que teriam direito são depositados em uma conta do governo de Cuba. No término do contrato, quando retornam para casa, os médicos recebem mais um percentual do valor, o restante fica com os cofres públicos, funciona como um imposto retido na fonte em um país onde a educação e a saúde são 100% financiadas pelo governo. 

De Cuba para Jaraguá do Sul
Yamile Mari Min, médica cubana que atua no Posto do Santa Luzia e foi citada pela Revista Veja desta semana, critica decisão de Ramona Matos Rodriguez, que deixou o programa Mais Médicos e entrou com uma ação trabalhista por danos morais de R$ 149 mil contra o governo federal. Os cubanos recebem R$ 1 mil ao mês, auxílio moradia, alimentação e transporte. 

                                                                                         
A matéria da edição desta semana da Revista Veja denuncia pressão para permanência de médicos cubanos no país, citando profissionais que estão em Jaraguá do Sul. A reportagem cita suposta declaração da coordenadora de Atenção Básica no município, Nádia Silva, que teria dito: “(elas) sofreram um impacto psicológico muito grande por causa dessa diferença de tratamento (salário). Não havia uma semana que não reclamassem das dificuldades de viver aqui”. Procurada pela coluna ontem, Nadia desmentiu as informações publicadas na revista. “Na verdade saiu tudo diferente do que a gente falou. Não sei se eles tinham um interesse com a matéria, mas estamos muito chateados”, contesta a coordenadora, que admite que em dezembro as duas médicas pensaram em deixar o município, mas acredita que tenha sido por dificuldade de estar longe dos familiares e amigos. “Está tudo muito bem”, avalia.  

 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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34 Comentários
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  1. lenita

    18 de fevereiro de 2014 11:45 pm

    É que a Veja não circula em

    É que a Veja não circula em Cuba, ou elas saberiam a quem jamais deveriam ter falado nada.

    1. Ivan de Union

      19 de fevereiro de 2014 12:11 am

      “Veja não circula em

      “Veja não circula em Cuba”:

      Nem no Brasil, Lenita:  os numeros de circulacao sao falsos.

      1. lenita

        19 de fevereiro de 2014 1:34 am

        kkkkkkkk

        Garotox exxxxxxxxpertox  Ivan e  os 2 anteriores.

        1. taturanous

          19 de fevereiro de 2014 3:35 am

          idem

          que maravlha

    2. JorgeLuis

      19 de fevereiro de 2014 12:52 am

      Se a Veja circulasse em Cuba,

      Se a Veja circulasse em Cuba, pelo menos resolveria um dos problemas causados pelo embargo, que é a falta de papel higiênico na ilha.

      1. EJ

        19 de fevereiro de 2014 1:19 am

        Não serve

        O papel é muito liso. Não serve nem para isso…

      2. Klaus BF

        19 de fevereiro de 2014 11:59 am

        Sujeira!

        Ainda não adianta. As folhas da veja já são podres por natureza.

        Ps.: Suponho que você tenha visitado Cuba para afirmar que por lá não tem papel higiênico, ou é suposição baseada em informações privilegiadas?

        1. JorgeLuis

          19 de fevereiro de 2014 2:38 pm

          Foi um ironia, baseada em

          Foi um ironia, baseada em matéria da própria Veja, mas não deveria ter esquecido das aspas.

  2. Mauro Segundo 2

    19 de fevereiro de 2014 12:16 am

    Na era do smartphone, das

    Na era do smartphone, das câmeras espiãs baratas, ninguém ainda teve a idéia de gravar na íntegra as entrevistas que dá para a veja, folha de são paulo, globo, etc, para depois jogar no youtube a entrevista dada e a publicação?

    1. Lucinei

      19 de fevereiro de 2014 3:29 pm

      Exatamente. Falo isso há um

      Exatamente. Falo isso há um tempão. Media training é gravar e filmar o que esse enxame de abelhas faz. Quando a Petrobras passou a responder por escrito publicando as perguntas foi uma histeria só por parte dos veículos. O joguinho deles ficou exposto.

  3. MarFig

    19 de fevereiro de 2014 12:48 am

    Agora conta uma novidade.

    Agora conta uma novidade.

  4. Russo Salvatore

    19 de fevereiro de 2014 2:27 am

    “A Revista Playboy é a

    “A Revista Playboy é a segunda maior revista de sacanagem do Brasil, perdendo só para a Veja.”

  5. Malú

    19 de fevereiro de 2014 3:41 am

    Veja mentiu mais uma vez? Novidade!

    Novidade seria se a Veja não distorcesse uma entrevista. Os médicos cubanos ficam com uma parte do dinheiro, outra fica com o governo cubano e parte deste dinheiro será como uma poupança para quando o médico voltar ao seu país. O governo de Cuba fica também com uma parte, nada mais justo já que lá os médicos são formados gratuitamente, como também é gratuíta toda a saúde da ilha e aquele governo precisa de dinheiro para formar mais médicos. Estão fazendo tempestade em copo d’água somente por uma questão eleitoral, não porque se preocupam com o povo de Cuba, nunca se preocuparam. Fidel, sim, com seus parcos recursos, se preocupou com a saúde, educação e a sobrevivência do povo cubano. Quanto à médica cubana que está sendo usada pelo DEM, logo logo eles se desentendem. É esperar para ver.

    1. Edna Silvana

      19 de fevereiro de 2014 3:16 pm

      No Brasil também parte dos

      No Brasil também parte dos médicos são formados gratuitamente: os que estudam nas escolas públicas, Universidades Federais ou Estaduais. Esses também deverão receber tratamento diferente dos que pagam por sua faculdade?

      1. Lucinei

        19 de fevereiro de 2014 3:32 pm

        Tinham que pagar de alguma

        Tinham que pagar de alguma forma, sim. Por exemplo, um ano de serviço lá onde hoje foi necessário chamar mais médicos.

        1. FJP

          26 de fevereiro de 2014 4:18 pm

          Retorno do investimento Público

          Caro,

          Já me meti em discussões com amigos e familiares sobre este assunto – e alguns deles terminaram em gritaria – em que sempre que falo isso (devolver em serviço o investimento que o País fez nos seus cursos gratuitos) rebatem com o argumento que já pagam imposto para isso.

          Bonito não?

      2. Fatima Olliveira

        27 de fevereiro de 2014 2:05 pm

        a conta social das universidades públicas


        E por que não? Deveríamos, sim ter um sistema público que viabilizasse o pagamento do que o Estado gasta com educação para qualificar seu povo. É uma boa forma de destribuição de renda. As universidades públicas estão lotadas de gente que pode pagar,  enquanto a maioria dos pobres estão nas faculdades privadas, a maioria de péssima qualidade. Deveriam sim pagar, ao menos com trabalho. Na Alemanha, a graduação só é concluída com trabalho de dois anos, que é considerado estágio, cuja remuneração contempla apenas o suficiente para se manter. O problema é que ninguém quer pagar a conta social e política dessa proposta.

        A proposta de Cuba é de equilíbrio social, enquanto no Brasil aceitamos a política de mercado – e quem não pode que dê um jeito. Cada um por si, “livre” para vencer na vida. A revista veja só tá interessada no ibope e ela escreve direitinho o que o povo quer ouvir. No fundo, o que somos é conservadores. Argumentos contra a legalização do aborto, a cotas para negros e a favor da “cura gay” são indicadores de que a classe média, formadora de opinião, é extremamente conservadora. Jamais irá compreender e concordar com a equidade social, principlamente, se isso mexe com a sua cômoda vida de liberais.   

         

  6. José Carlos Damaceno

    19 de fevereiro de 2014 12:06 pm

    REVISTA A SERVIÇO DO PSDB

    TODO MUNDO NO BRASIL SABE QUE ESTA REVISTA É CONTRA TUDOS OS SETORES DO PT E PRINCIPALMENTE ELES ESTÃO A SERVIÇO DO PSDB SÓ NÃO VÊ QUEM NÃO QUER OU SEJA O PIOR CEGO É AQUELE QUE NÃO QUER VÊR.

  7. robson_lopes

    19 de fevereiro de 2014 1:29 pm

    A régua da maioria das

    A régua da maioria das pessoas que gostam e lêem a veja, é o dinheiro, no entanto, acredito que para muitos cubanos há coisas mais importantes para eles e para o seu país, evidente que o dinheiro é uma delas, mas para a melhoria geral da nação. Não é qualquer tipo de indivíduo, principalmente de países capitalistas, que aceitariam um imposto de 80% de modo a garantir o bem estar da população do seu país.

    1. Victor Alberto Danich

      21 de fevereiro de 2014 7:47 pm

      Médicas cubanas

      Tens toda razão Robson,

      Eu moro em Jaraguá do Sul e sou amigo das médicas cubanas Yamile e Yamila. Quando organizamos uma comitiva para visitá-las nos postos de saúde em que trabalham, a emoção do encontro foi fantástica. As lágrimas escorregavam nos rostos das médicas. Foi nesse momento que elas se sentiram em casa. O problema não era o dinheiro que elas ganham, e sim a hostilidade gratuita com que a maioria dos médicos cubanos foram recebidos, por parte de alguns que são incapazes de diferenciar os preconceitos ideológicos da generosidade do trabalho como fator de dignidade humana.

      Essa foi a razão de ter escrito o texto “Desvendando a revista Veja”

      Abraços,

      Victor

      1. Sid Marques Fonseca

        23 de fevereiro de 2014 3:51 pm

        Mais médicos/Médicos Cubanos

        Moro em Natal, município que tambem acolheu médicos de vários países.

        Tenho vários parentes médicos na família e gostaria de propor uma análise mais aprofundada e madura da questão.

        Participo, junto com minha esposa, de uma Comunidade Católica, chamada Vida Nova, que durante o ano de 2014, comemora o seu Jubileu e nesses vinte e cinco anos vem prestando um enorme serviço às famílias que por lá passaram e

        as que participam do movimento. Como fazemos parte da Arquidiocese de Natal, vou levar esse asunto, propondo que a Regional Nordeste 2 da CNBB, que envolve os estados de Alagoas, Pernambuco, Paraiba e Rio Grande do Norte, articule espaços para que os leigos possam se pronunciar a respeito.

        Quanto ao meu municipio, posso assegurar que os profissionais do Programa Mais Médicos, estão prestando um bom serviço à população, sobretudo a mais necessitada.

  8. Luis alberto

    19 de fevereiro de 2014 5:54 pm

    Acho que o que está em
    Acho que o que está em discussão não é o que os médicos cubanos pensam ou sabem sobre esse programa Mais Médicos mas sim os interesses do Brasil. Este assunto já foi exaustivamente divulgado e esta na cara que o objetivo é eleitoreiro e ao mesmo tempo apoiar financeiramente Cuba. Estamos no Brasil e o que vale são as leis daqui. Dessa forma não e admissível que um trabalhador, seja ele quem for, seja explorado e ao mesmo tempo não sejam recolhidos todas contribuições e impostos devidos. O fato dos médicos ficarem ou não no Brasil é irrelevante frente aos desmandos e irregularidades cometidos pelo governo brasileiro.

  9. Guilherme Agra

    20 de fevereiro de 2014 1:39 pm

    É irrelevante se o Cubano

    É irrelevante se o Cubano QUER trabalhar por esse valor. É rasgar a nossa constituição e as leis trabalhistas do Brasil pois:

    Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

    Está jogando no lixo o Decreto nº 5.948, de 26 de Outubro de 2006, que trata da Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, que tem definições fundamentais sobre o tema:

    Art. 2°. § 4o A intermediação, promoção ou facilitação do recrutamento, do transporte, da transferência, do alojamento ou do acolhimento de pessoas para fins de exploração também configura tráfico de pessoas.

    Art. 2° § 7o O consentimento dado pela vítima é irrelevante para a configuração do tráfico de pessoas.

    ATENTE BEM PARA O ULTIMO ARTIGO!!! Não interessa se o escravo cubano aceita trabalhar por isso, ele não tem opção, se disser que não quer sua familia que ficou em Cuba sofrerá retaliação de um estado DITATORIAL e ASSASINO. Não me venha com a balela de que trabalham por amor… blá blá blá… isso é conversa pra boi dormir da esquerda caviar, é obvio que eles desejam isonomia com os outros profissionais, trata-los de outra forma é injusto e discriminatorio além de ILEGAL. Tenta pagar meio salario qualquer empregado, mesmo que ele aceite vai te colocar na justiça e ganhar tudo com razão.. é o mesmo que vai acontecer com o estado brasileiro quando o MPT cair em cima por que está agindo na ilegalidade. Quem defende o contrario além de comungar com a escravidão está dando uma aula de ignorancia jurídica. #ForaPTralhas. 

    1. Fernando Alvares

      21 de fevereiro de 2014 10:58 am

      Trata-se de um tratado internacional

      Trata-se de um tratado internacional, estabelecido e intermediado pela OPAS, similar a inúmeros outros celebrados anteriormente por outros paises. 

      Deveria demonstrar tamanha indignação com o trabalho escravo em São Paulo onde,  Bolivianos trabalham diurtunamente nas oficinas de confecção, ou nas lavouras de cana no ND, onde brasileiros humildes são submetidos a condições de trabalho e alojamento sub humanas

      Não enganas a ninguem, tua indignação é seletiva. Não estas preocupado com a liberdade dos médicos cubanos, até porque eles estão aqui pela própria vontade, são conscientes dos direitos e deveres decorrentes de sua escolha.

      Não suportas é a ideia de que o atendimento médico proporcionado pelos médicos cubanos aos brasileros, que são solenemente ignorados pelos médicos brasileiros, possa render dividendos politicos ao partido que vc não gosta.

      A liberdade dos médicos cubanos e a saúde da população, são nada mais, nada menos, que argumentos vazios que vc usa para desqualificar seus desafetos  

    2. Horridus Bendegó

      25 de fevereiro de 2014 6:37 pm

      Aposto como vc usou um

      Aposto como vc usou um teclado Made in China’s Slaves para escrever aqui. 

  10. Victor Alberto Danich

    20 de fevereiro de 2014 7:09 pm

    Desvendando a revista Veja

    DESVENDANDO A REVISTA VEJA

    Vou começar dizendo que o sociólogo se ocupa em compreender os fenômenos sociais de modo disciplinado. Para configurar minha sugestão, diria que uma pessoa cria compromissos quando se liga a um determinado grupo, e por tanto “sabe” que o mundo é isso ou aquilo. Outra faz parte de um grupo diferente e passa a “saber” que aquela pessoa está enganada. Tal configuração social nos mostra que os indivíduos têm um ângulo de visão particular do mundo, de acordo com os interesses do grupo ao qual pertencem. Os meios de comunicação atendem essa premissa. Eles nos oferecem um panorama da realidade construída socialmente. A psicanálise já demonstrou como a opinião pública afeta a percepção dessa realidade. Não é de espantar, portanto, que as opiniões mediáticas no tocante a questões políticas, religiosas ou éticas, tenham tanto poder sobre as ideias daqueles que carecem da capacidade dialética de contestá-las. A validade de uma publicação está assentada na aceitação do grupo (se for aquele dos incluídos sociais, melhor) seduzido com sua particular visão dos acontecimentos. A dinâmica sócio psicológica que condiciona este processo é magistralmente manipulada pela revista Veja. Tal publicação se comporta como se estivesse acima das verdades dos fatos, mascarando argumentos reacionários e agressivos, através de denúncias oportunistas e produção de factoides. O terrorismo jornalístico se insinua de forma subliminar, exposto na suas manifestações mais ridículas, de modo a deixar intranquilos aos leitores cativos, revivendo e exaltando seus preconceitos mais íntimos, raramente expressados publicamente.  

    Quando se trata de fazer uma matéria sobre Cuba, o pequeno e demonizado país caribenho, recorre-se à sempre lista “tropa de choque”, representada pelos jornalistas plantonistas Diogo Schelp e Leandro Narloch, além de seus mentores mais ativos na retaguarda, Duda Teixeira e Reinaldo Azevedo.    

    Recentemente, a matéria publicada pela revista Veja (edição 2361) intitulada “A capataz dos médicos cubanos” assinada pelos repórteres Leonardo Coutinho e Duda Teixeira, com reportagem de Isabel Marchezan, é a expressão mais depurada do uso do artifício da desinformação e da mentira para desmerecer programas direcionados a mitigar os problemas da saúde, que são muitos, por meio do atendimento a pessoas que carecem de acesso a qualquer tipo de medicina preventiva. Mesmo assim, a revista envia um casuístico repórter para a cidade de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, para elaborar uma matéria sobre fatos vagos em relação a duas médicas cubanas contratadas pelo programa “Mais médicos”.

    Aproveita-se esse acontecimento para construir um cenário aterrador no qual é veiculado que uma coordenadora da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), é na verdade uma agente do governo cubano para “controlar o passo dos compatriotas”, além da fazer apologia dos mal-estar dos médicos perante esse controle. Toda a história centra-se nas médicas cubanas Yamila Valdez Gonzales e Yamile Mari Nin que, segundo a revista, são tuteladas pela agente fidelista, e encontram-se numa situação de penúria financeira, ao ponto de estarem decididas a renunciar ao programa e retornar a Cuba. A manipulação da informação torna-se flagrante, já que as médicas nem sequer aceitaram serem entrevistadas pelo jornalista da revista Veja, sabendo de antemão suas verdadeiras intenções ideológicas. O relato mentiroso desse semanário, fere a ética jornalística e revela as intenções espúrias dos seus autores, principalmente o senhor Teixeira, que parece ser o autor intelectual do discurso contido na reportagem. Seguramente essa seja sua missão, a de usar o expediente desagregador do seu papel conservador destinado a revitalizar o lado obscuro de seus seguidores, de modo a desmerecer o programa “Mais médicos”. Felizmente, O Jornal O Correio do Povo, da cidade de Jaraguá do Sul, publicou no dia 19/02/2014 uma importante matéria, escrita pela jornalista Patricia Moraes, desmentindo integralmente a publicação da revista Veja, principalmente o conteúdo deturpado das entrevista com o secretário de saúde do município, professor Ademar Possamai, que desautorizou o relato de ameaças. Segundo a doutora Yamile, a negativa de falar com o repórter da revista deveu-se ao fato de entender que parte da imprensa vem tratando o assunto com viés político, e expressa, conforme publicado na matéria do jornal Jaraguaense “Eu e todos os médicos cubanos sabíamos quanto iriamos a ganhar ao vir ao Brasil. Ninguém é obrigado a nada, a gente se inscreve sabendo de tudo. Eu estou aqui para ajudar ao meu país” – e continua – “a prova da importância do programa Mais Médicos é a satisfação de comunidade”. Enquanto ao salário, de R$ 10.000,00, elas recebem R$ 1000,00 e os nove mil restantes são depositados numa conta do governo em Cuba. Após o término do contrato, quando retornam para casa, os médicos recebem um percentual do valor depositado numa conta do governo, do qual é descontado um percentual como imposto retido. Deve-se lembrar que a educação e a saúde em Cuba são 100% financiadas pelo estado de forma gratuita e universal.   

    O ódio doentio dessa “tropa de Choque” da revista Veja, contra qualquer política pública acompanhada por práticas coletivas, os obriga a esgrimir a desinformação histórica, separando os fatos de maneira fragmentada através da desqualificação dos seus personagens e da descontextualizarão de suas ações, que sugere um comportamento destinado a desmerecer qualquer iniciativa atual que tenha conotações populares.

    Na oportunidade em que a revista Veja apareceu nas bancas em 29 de setembro de 2007, com Che Guevara na capa, com o título do “CHE, a farsa do herói”, imediatamente surgiu uma extensa polêmica sobre o tema, amplamente difundida através das redes sociais. Oportunamente, no dia 23 de outubro, Jon Lee Anderson, autor do “Che Guevara: uma vida em vermelho”, biografia do líder revolucionário editada no Brasil pela Companhia das Letras, enviou ao jornalista da New Yorker, Diogo Schelp, editor de Internacional da Veja e um dos autores da reportagem em parceria com Duda Teixeira (de novo como reserva ideológica), uma carta qualificando Schelp, entre outras coisas, um indivíduo que escreveu “um texto opinativo camuflado de jornalismo imparcial, coisa que evidentemente não é – e arremata – “Jornalismo honesto, pelos meus critérios, envolve fontes variadas e perspectivas múltiplas, uma tentativa de compreender a pessoa sobre quem se escreve no contexto em que viveu com o objetivo de educar seus leitores com ao menos um esforço de objetividade”. Nesse caso, também a entrevista com Anderson não aconteceu, apenas trocas de e-mails. A importância deste relato, é mostrar que há uma articulação sinistra para desformar fatos e descontextualizar momentos históricos. Tanto é verdade, que existe uma diferença brutal de conteúdo no especial de Dorrit Harazim, publicado na revista Veja da edição 1503 do dia 09/07/1997, com o título “O triunfo final de Che” e a publicação de 2007, assustada com o surgimento de novas revoltas populares contra um modelo econômico injusto. Nesse caso, o que tal matéria explicitava naquela época? Não era um especial simpático ao Che, já que a direção da revista, conhecida pelo seu conservadorismo, nunca permitiria publicar, e sim como aviso de que com a “busca de seus ossos, ressurgem as ideias e as aventuras do guerrilheiro mitológico”. Torna-se evidente que a revista acompanha de perto o deslanchar de novas formas de manifestações de origem popular. Em 1997, Francis Fukuyama falava do fim das ideologias e o triunfo do capitalismo. Estava em plena efervescência o modelo neoliberal. Que efeito poderia ocasionar uma matéria sobre o Che? Nessa ocasião a revista assumiu uma relativa condescendência com a figura de Guevara. No momento atual, usa uma tática diferente, apela à desconstrução do personagem para atender sua linha editorial, ajustada com a construção ideológica do modelo predominante. O método é sumamente sugestivo, espelhado nos padrões “dos comunistas de carteirinha”.

    Nesse caso, vale a pena perguntar, já que a revista cita “o sucesso da máquina de propaganda marxista na elaboração de seu maior e até então intocado mito”, a quem tal publicação serve? Aos interesses do imperialismo cultural, oligárquico e conservador? Ou terá outras motivações desconhecidas do grande público, aquele que acredita nas promessas do capitalismo do desastre?

    Entretanto, perante a linha editorial conservadora da revista, me sugere que não existe nada de mais profundo do que apenas escandalizar os incautos leitores leigos. Tal publicação carece de capacidade conspiratória organizada, já que não sabe muito bem o que publica, apenas está direcionada para atender e configurar o discurso de alguns setores de classes sociais que precisam reforçar suas concepções de desigualdade social como coisas do destino, e não como resultado de ações puramente humanas. Nada melhor do que isso para acalmar o desconforto que significa reconhecer a existência da miséria e da exclusão social, que tal revista, isso sim, esconde com suprema maestria.

    Prof. Victor Alberto Danich 

  11. jose carlos ferreira de abreu

    23 de fevereiro de 2014 7:06 pm

    A revista veja nao falou nada

    A revista veja nao falou nada demais, apena mostrou a verdade como sao tratado os medicos de paises livres ,em relaçao a paise que sao dominado por ditadores ,com qual o Brasil gosta de se associar ,em deprimento dos direitos humanos que o governa tanto prega,pois o certo era todos terem os mesmo direitos e deveres ,pois a escravidao ja passou.

    1. Victor Alberto Danich

      24 de fevereiro de 2014 8:17 pm

      É necessário ver o que a revista Veja fala

      A revista Veja publica seus artigos sem objetividade jornalística, e sim com claro conteúdo ideológico. Se for o caso, deveria relatar o histórico da chegada dos médicos cubanos ao Brasil, hostilizados enquanto desciam do avião vindo de diferentes países onde exerciam a medicina preventiva. Os mesmos algozes, agora se compadecem pelos salários que eles ganham. Uma virada bastante duvidosa, não acha?

      Justo quem levantou o alvorozo, Caiado!!!! um médico ligado ao agro-negócio e ao esquecido partido DEM. Além de uma médica cubana dissidente seduzida pelo mesmo e pela promessa de uma vida fastuosa. Só basta ver de novo as declarações mal argumentadas da Dra. Ramona na televisão para perceber a armadilha.

      Por outro lado, toda publicação tem o direito de se expressar livremente, mas sem recorrer à mentira e a desinformação, como foi devidamente comprovado no desmentido do artigo de forma pública.  

      1. Odilon Silva

        26 de fevereiro de 2014 8:43 pm

        è necessario ver o que a revista ….

        Me desculpe, sou empresário, se eu não posso contratar em regime escravo, porque o governo pode? Esta na cara que o estrago vai ser grande, para a imagem do Brasil e com vários médicos saindo do programa, pedindo asilo e entrando com ações. Como eu posso ter pela legislação brasileira um medico cubano em um posto ganhando R$1.000,00 e outro não cubano, ganhando 10 vezes mais, é contra a lei. Pior o médico que ganha 10 vezes mais pode ser até outro cubano que pediu asilo em outro pais e entrou no programa. Onde esta a lógica disto?

        1. Ariane Carvalho

          27 de fevereiro de 2014 12:45 pm

          Por favor!

          Que regime escravo??? Por favor, parem de ler os absurdos que a Veja escreve. Deixem de ser imbecis!!

    2. Maria B

      28 de fevereiro de 2014 9:32 pm

      VEja

      Muito bem, José Carlos, apoio totalmente sua opinião. Problema de Cuba se ela paga todos os custos da formação dos médicos. Um curso de medicina custa aproximadamente 700mil reais. dividido por 24 meses(tempo do contrato no Brasil) dá mais de 29 mil reais por mês. O ditador cubano está pegando 9 mil reais por mês. Parece que vai devolver uma parte quando o pessoal voltar. Apesar dos estudantes não pagarem nada pelo curso que o governo paga, acho que é uma escravidão. Tem países como o Haiti, que não pagaram nada para o governo e para os médicos. Só porque houve um terremoto e várias pessoas feriram-se e ficaram doentes (epidemia) isto não justifica eles ganharem tão pouco. Certo está os EUA em oferecer asilo para os médicos cubanos e colocarem eles para trabalharem para os americanos com o curso pago por Cuba. O sistema de saúde dos EUA deve ser muito bom, não conheço. Tenho certeza que os médicos ganham muito bem e toda população é atendida, inclusive turistas e imigrantes. A Veja é a expressão da verdade, tem uma linha bastante neutra e imparcial. Não omite fatos e torce pelo país, diferente de muitos outros. A

      Veja é defensora e portadora dos interesses do povo mais esclarecido e bem informado (tipo classe média B/A. Acho que praticamente não deveria haver deputados para nos representar. Acho que a imprensa deveria exercer este papel. Ela não defende interesses de grupos economicos poderosos. Defende o interesse de toda população sofrida. Principalmente a Classe média que não precisa de médicos escravos de Ditadura.

    3. Maria B

      28 de fevereiro de 2014 9:34 pm

      VEja

      Muito bem, José Carlos, apoio totalmente sua opinião. Problema de Cuba se ela paga todos os custos da formação dos médicos. Um curso de medicina custa aproximadamente 700mil reais. dividido por 24 meses(tempo do contrato no Brasil) dá mais de 29 mil reais por mês. O ditador cubano está pegando 9 mil reais por mês. Parece que vai devolver uma parte quando o pessoal voltar. Apesar dos estudantes não pagarem nada pelo curso que o governo paga, acho que é uma escravidão. Tem países como o Haiti, que não pagaram nada para o governo e para os médicos. Só porque houve um terremoto e várias pessoas feriram-se e ficaram doentes (epidemia) isto não justifica eles ganharem tão pouco. Certo está os EUA em oferecer asilo para os médicos cubanos e colocarem eles para trabalharem para os americanos com o curso pago por Cuba. O sistema de saúde dos EUA deve ser muito bom, não conheço. Tenho certeza que os médicos ganham muito bem e toda população é atendida, inclusive turistas e imigrantes. A Veja é a expressão da verdade, tem uma linha bastante neutra e imparcial. Não omite fatos e torce pelo país, diferente de muitos outros. A

      Veja é defensora e portadora dos interesses do povo mais esclarecido e bem informado (tipo classe média B/A. Acho que praticamente não deveria haver deputados para nos representar. Acho que a imprensa deveria exercer este papel. Ela não defende interesses de grupos econômicos poderosos. Defende o interesse de toda população sofrida. Principalmente a Classe média que não precisa de médicos escravos de Ditadura.

  12. carlos reis

    28 de fevereiro de 2014 12:10 pm

    o pior cego e quem le a veja

    o pior cego e quem le a veja

  13. Victor Alberto Danich

    11 de setembro de 2014 11:01 pm

    Papel higiênico em Cuba
    Melhor não continuar falando que pode ser feito papel higiênico a partir da revista Veja, porque a CIA é capaz de reciclar o mesmo em Guantânamo e envenenar o povo Cubano. Seria uma tragédia humanitária e ninguém saberia porque. kkkk.

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