4 de junho de 2026

Desigualdades raciais e exposição a desastres climáticos: evidências recentes do território brasileiro

Nos últimos 10 anos, o país registrou mais de 27 mil desastres climáticos. A distribuição desses eventos é racialmente desigual
Foto: Rovena Rosa /Agência Brasil

1- Desastres climáticos no Brasil: 27 mil ocorrências entre 2013-2023, concentrados em 643 municípios da PB, PE, BA e MG, com população negra.

2- Exposição desigual: Municípios mais atingidos têm 62% de população negra; menos atingidos, 48%. População negra mais vulnerável a desastres.

3- Necessidade de políticas inclusivas: Integrar desigualdades raciais em medidas de adaptação e resiliência climática para enfrentar vulnerabilidades no Brasil.

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Por Fernando Almeida Barbalho

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Com a COP30 em andamento em Belém e no contexto do Dia da Consciência Negra, as evidências mais recentes sobre a distribuição territorial dos desastres climáticos no Brasil reforçam a necessidade de integrar desigualdades raciais ao debate sobre adaptação e resiliência.

Entre 2013 e 2023, o país registrou mais de 27 mil desastres climáticos. A distribuição desses eventos é marcadamente desigual: 41% de todas as ocorrências estão concentradas em 643 municípios da PB, PE, BA e MG, estados com elevada participação de população negra. O mapa evidencia que a maior parte dos municípios no quartil superior de exposição encontra-se justamente em áreas onde a composição racial é majoritariamente negra.

A demografia dos grupos extremos de exposição aprofunda essa correlação:

  • 25% dos municípios mais atingidos concentram cerca de 34 milhões de habitantes, sendo 62% negros e 37% brancos.
  • 25% dos municípios menos atingidos reúnem aproximadamente 45 milhões de pessoas, com 52% brancos e 48% negros.
  • No conjunto do país, a composição aproximada é de 55% de população negra e 43% branca.

Os padrões observados indicam que a probabilidade de um município figurar entre os mais atingidos por eventos climáticos extremos aumenta conforme cresce sua proporção de população negra. O gráfico de distribuição reforça essa conclusão: no grupo de maior frequência de desastres, há concentração expressiva de municípios com mais de 70% de população negra; nos municípios de menor ocorrência, predomina a composição inversa, com maioria branca.

Essas evidências apontam para um componente racial estruturante da vulnerabilidade climática no Brasil, sugerindo que políticas de prevenção, adaptação e financiamento climático incorporem métricas de desigualdade racial como uma das variáveis de priorização.

Em plena COP30, reconhecer essa convergência entre clima e desigualdades raciais é fundamental para orientar estratégias de resiliência que sejam efetivas, equitativas e alinhadas à realidade territorial brasileira.

Fernando Almeida Barbalho
Technical Advisor | Economic and Social Affairs Directorate – Vice Presidency of Brazil Here you will read only my opinions and awesome posts from others

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