
Com a tremenda vocação igualitária da Globo, para quem José Dirceu deve ter direito às mesmas condições carcerárias de outros prisioneiros comuns, é possível que seu próximo passo, depois de lhe ter tirado o emprego no hotel, é providenciar um enxame de baratas, piolhos e ratos para infestar a cela dele em igualdade de condições com outros condenados. “É a lei do Jabor, comentou Angeline. Se o PT em seus 13 anos de governo não conseguiu melhorar as condições das cadeias, que se nivelam todas por baixo em nome da igualdade.”
– Seria interessante que esse princípio de igualdade fosse estendido à distribuição de publicidade do Governo para tevês e jornais, continuou sarcasticamente Angeline.
– Você está brincando com coisa séria, reclamou Simplício.
– A distribuição da verba de publicidade ou o linchamento de Dirceu?, perguntou ela.
– Pelo que sei, uma coisa está ligada à outra. Já discutimos isso.
– Dirceu tentou democratizar um pouco a publicidade do Governo. Daí o linchamento, continuou Angeline.
– É, parece que no governo Dilma isso voltou para trás, disse Simplício, desapontado.
– Acho que os governos do PT têm cometido um grave erro em prejuízo da sociedade: em lugar de democratizar a verba bilionária de publicidade, coisa que de qualquer forma não conseguiram, deveriam simplesmente acabar com esse sistema de dar dinheiro para tevês e jornais por conta de publicidade. A verba deveria ser reduzida ao mínimo, talvez para cobrir apenas a divulgação de certos serviços, como o de vacinação. Mesmo nesses casos a mídia que explora concessão pública devia ser forçada a fazer esse serviço de graça.
– Dilma não seria louca de fazer isso. Derrubam ela, observou Simplício.
– Acho que Dilma poderá fazer isso se ganhar o segundo mandato. Não teria nada a perder. Aliás, se for por medo de apanhar da mídia, poderia fazer desde já porque os tevês e os jornais da direita não lhe dão trégua. Estão loucos para conseguir um candidato viável alternativo. Até o momento não apareceu.
– Pode ainda aparecer. Tem muita água pra rolar debaixo da ponte, filosofou Simplício.
– Enquanto isso, Globo e Veja, parceiros na empreitada de tirar a liberdade e agora o próprio emprego de Dirceu, terão de se contentar em inventar mais escândalos. Que todos se preparem, porque fraude até no décimo escalão da Administração federal será pretexto para manchetes, reportagens e chamada no Jornal da Globo para desmoralizar o Governo.
– Será que vão largar o pé do Dirceu e do Genoíno? Bom, depois da liberdade e do emprego, o que podem tirar deles?, disse Simplício.
– A vida.
– Mas não temos pena de morte.
– A Globo e a Veja acabarão providenciando isso. Com os contatos que têm, podem arquitetar com facilidade uma rebelião na cadeia e, sempre defendendo a igualdade de condições dos presos, podem expor os dois a um assassinato casual. Tudo em nome da democracia, da justiça e da liberdade de imprensa.
Simplício escreveu na agenda vermelha: “Cruz credo”.
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