4 de junho de 2026

Uma experiência educacional única: O “Curso Vestibular” do Colégio Brigadeiro Schorcht

Por Henrique Marques Porto

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Vestibulandos no

Maracanã. 1973. Fotógrafo Antônio Albuquerque. Acervo do Núcleo de Memória da PUC-RJ.

Na década de 1960 o sistema de ingresso nas universidades brasileiras era extremamente injusto e excludente. A situação era muitíssimo mais grave do que é hoje. Os candidatos eram muitos e as vagas eram pouquíssimas. A concorrência era desigual. Quem era pobre só ingressava em curso superior se fosse pobre cdf, quase gênio, ou tivesse muita sorte. Para a universidade iam aqueles cujos pais tinham dinheiro para pagar boas escolas privadas ou as caras mensalidades dos cursinhos particulares. Essa era a regra. As chances de um jovem de origem humilde chegar à universidade eram mínimas. O sistema de ensino estava sendo preparado para se tornar um grande e lucrativo negócio privado em escala nacional. E de fato esse projeto extremamente danoso para o país acabou prevalecendo. Cursinhos e faculdades privadas brotaram rapidamente como erva daninha em terreno mal cuidado. Apesar da resistência dos estudantes, que iam para ruas em passeatas pedir mais verbas para a educação, mais vagas nas universidades e valorização do ensino público.

Na rede pública de ensino médio do Rio de Janeiro eram poucos os colégios que podiam sonhar com o ingresso de alunos seus na universidade. O Colégio Estadual Brigadeiro Schorcht, na distante Jacarepaguá de então, era um desses colégios. Não deve ser por acaso que o CEBS fica no delicioso endereço “Rua dos Prazeres, 71”. Não é propriamente um endereço, mas um convite, uma sugestão ou ideia.

O direito de estudar

No início do ano letivo de 1968 um grupo de alunos do Brigadeiro Schorcht se deu conta de uma particularidade de sua escola que a diferenciava das demais e que mudaria o destino de muitos jovens nos anos seguintes. Era uma informação simples, que era evidente, mas muitos não percebiam: alguns dos melhores professores do Rio em cada matéria davam aulas no Brigadeiro Schorcht. Entre eles, professores que trabalhavam nos três maiores cursinhos de vestibular do Rio na época: o “Vector”, o “Miguel Couto” e o “Bahiense”.

Alguns exemplos. Miguel Jorge era disparado o melhor professor de Matemática da cidade; Fernando em Física; Renato em Química; Paulo Caldas e Sérgio em Biologia; Murilão (Murilo Alves da Cunha) em Geografia. Todos eles professores disputados pelos donos dos cursinhos. E trabalhavam no CEBS outros professores que não atuavam em cursos preparatórios, mas que eram tão bons ou melhores que os colegas que se especializaram na preparação para vestibulares. Renan e Elza (casados) em História; Nunes em Francês; a severa Consuelo e o espevitado Aluizio em Inglês; o sisudo Napoleão em Português e Latim. E a lista de bons professores do Brigadeiro era bem mais extensa.

A conclusão era óbvia: com professores tão qualificados por que não criar turmas preparatórias para o vestibular? A ideia foi levada à direção do colégio em reunião com a Diretora, Margarida de Andrade, o Coordenador-Geral, Murilão, e demais coordenadores.  A maioria concordou que a demanda dos alunos era mais do que justa. Mas as opiniões se dividiram quanto à praticidade da ideia. Afinal, existiam grade curricular e cargas horárias determinadas pela Secretaria de Educação, e seria difícil não cumprir essas imposições. Mas, nada foi decidido e as conversas continuaram. No entanto, Margarida de Andrade simpatizou com a ideia e Murilão ficou empolgado com o que, para ele, era um desafio. Foi uma primeira vitória dos alunos.

O Grêmio e o Conselho de Representantes de Turmas iniciaram imediatamente a campanha pela criação dos cursos de vestibular. Fomos de turma em turma divulgar a campanha, falando aos colegas e distribuindo um pequeno texto. Não apenas nas turmas do científico e clássico, mas em todas as turmas dos três turnos. Era preciso mobilizar toda a escola e não apenas o grupo mais reduzido de interessados diretos –os alunos do último ano do Científico e do Clássico. Eu, por exemplo, cursava a quarta série do ginásio e não ia fazer vestibular tão cedo, mas não fiz outra coisa naqueles dias a não ser me dedicar à campanha. Matei aulas como nunca! Tive até a cara de pau de ir dar recado na minha própria turma!

“-Sente aí e assista a aula, menino!” –dizia um professor.

“-Agora não posso, fessô, desculpe…” respondia eu.

Dois ou três dias depois da primeira reunião Murilão me chamou para uma conversa (eu era vice-presidente do Conselho de Representantes). Foi no pátio do colégio, bem em frente à sua sala. Contou que havia alguma resistência por parte de alguns professores, mas que isso não chegava a ser um problema, e ele estava conversando com todos. E deu uma ideia fantástica: criar um Círculo de Pais e Mestres. A direção do colégio se encarregaria disso. Perfeito. Alunos, professores, pais de alunos, funcionários… todos sendo mobilizados. Por outro lado, Murilão já estava trabalhando na elaboração de uma nova carga horária, estudando remanejamentos de professores e elaborando a requisição de um ou dois novos professores à Secretaria de Educação.  

Em pouco tempo o projeto do Curso de Vestibular estava bem desenhado e agora contava com o apoio expresso da direção do colégio. Não era mais uma luta isolada de alguns alunos, mas a demanda de uma instituição inteira, que já mobilizara inclusive uma parte da comunidade de Jacarepaguá, por meio do Círculo de Pais. O passo seguinte era encaminhar formalmente a reivindicação à Secretaria de Educação do Estado. Todos nos preparamos bem para esse lance decisivo.

Na “marra”

Fomos em caravana ao Centro da Cidade, na Avenida Nilo Peçanha, onde ficava a sede da Secretaria de Educação. Alugamos duas Kombis para os alunos, e os demais –professores e pais- seguiram de carro. Era um grupo de cerca de vinte pessoas, entre alunos, professores e pais e mães de alunos. Fomos recebidos com muita simpatia pela Subsecretária de Educação, uma sorridente jovem senhora bem maquiada e penteada, e que parecia ter acabado de sair de um salão de belezas. Em nome do grupo de Brigadianos falou um estudante, João Praxedes de Araújo.  Praxedes leu um texto com a serenidade e a seriedade que o caracterizavam, e completou com algumas poucas palavras de improviso.

A resposta da elegante Subsecretária foi um redondíssimo e sonoro NÃO! A madame mandara a elegância às favas. Não podia por isso, não podia por aquilo e não podia por tudo, enfim. Era preciso cumprir a grade curricular e a carga horária determinadas pela Secretaria e ponto final.

“-Imaginem se todas as escolas da rede pedirem o mesmo?” –arrematou a subsacerdotisa do ensino do Rio. Audiência encerrada. Tomamos o rumo do elevador em silêncio. Derrotados -era assim que nos sentíamos.

Na calçada da Avenida Nilo Peçanha, cabisbaixos, fomos consolados por um pai, cujo nome não me lembro, mas jamais esquecerei sua figura. Homem de estatura mediana, aí pelos seus quarenta e alguns ou cinquenta anos, cabelos precocemente brancos, usava óculos e tinha uma fala serena e acolhedora. Se a memória não me trai ele tinha uma pequena loja de material de construção. Elogiou o nosso esforço e a atuação do Praxedes como representante do grupo (“-Falou com muita propriedade” –foi a expressão que usou e que gravei na memória). Mas o clima era de velório.

Até que a voz-trovão do Murilão sacudiu todo mundo.

“-Querem saber de uma coisa. A Secretaria disse que não pode? Dane-se! A gente vai fazer na marra!”

Virou festa! Era tudo o que a gente queria ouvir. E o Curso de Vestibular em 1968 saiu mesmo na marra, como disse o Murilão. Mas, foi “marra” com o necessário jeitinho carioca. Tudo precisava ser feito na moita, no sapatinho, e muito bem feito, para driblar a vigilância e as inspeções da Secretaria de Educação. Coordenados pelo Murilo, os professores conseguiram montar uma grade curricular que atendia às necessidades de um curso preparatório para o vestibular e, ao mesmo tempo, cumpria as exigências da Secretaria de Educação. O “curso vestibular” era praticamente invisível e estava fora do alcance das inspeções regulares que a Secretaria fazia no colégio.

O prazer de lecionar e estudar

Os meses seguintes foram de uma atividade febril que alterou completamente a rotina do CEBS. Quem coordenava tudo, além de dar aulas, era o Murilão. Ele é que tinha que resolver problemas, acomodar horários e matar no peito e intermediar pequenos e grandes conflitos. De cara teve que resolver um problemão em Matemática. Miguel Jorge não daria conta sozinho das turmas de Exatas e Biomédica. Além disso era preciso remanejá-lo, porque também dava aulas para turmas do terceiro ano do ginásio, que por sua vez não podiam ser prejudicadas. Murilão agiu com argúcia e esperteza. Requisitou à Secretaria de Educação um novo professor de Matemática. Ora, depois de ter nos negado o pedido formal de organização do curso vestibular, a secretaria não estava em condições de negar o pedido simples de um novo professor. Mas, ao mesmo tempo em que fez o pedido, Murilão conversou com um ótimo professor de Matemática -da rede pública e seu amigo- e o convenceu a pedir transferência para o Brigadeiro Schortcht. O cara, cujo nome não me ocorre, era jovem, militar e muito respeitado. Se não me engano dava aulas também no Instituto Militar de Engenharia (IME). Seu pedido seria aceito, com certeza. “Ele é fera em Trigonometria” –me disse o Murilão. A tacada deu certo e resolveu o problema. Esse professor não lecionou muitos anos no CEBS. Foi para lá atraído pela aventura de dar aulas num “curso vestibular” meio clandestino, na rede pública de ensino do Estado, e pela amizade com o Murilo.  

As aulas eram de manhã, de tarde e à noite, de segunda a sábado (inclusive de tarde), e a carga horária era montada de acordo com a agenda de cada professor. Os dias e horários das aulas mudavam a cada semana. Um dos mais dedicados e empolgados era o Fernando, professor de Física. Dava aulas de manhã no CEBS, de tarde ia para o “Miguel Couto”, na Tijuca, e voltava para Jacarepaguá para dar aulas de noite. Ou era o contrário, com os horários e locais trocados. Às vezes ele e outros almoçavam no Brigadeiro para não perder tempo. A boa Dona Luzia, chefe da cozinha, teve que trabalhar dobrado naqueles tempos. Mas nunca perdeu o humor e a simpatia. Eu sempre conseguia um cafezinho com Dona Luzia e às vezes ainda ganhava de quebra um sanduba improvisado.

Os alunos daquele curso doido praticamente não saíam da escola. Nem sempre havia horário definido para as aulas, que podiam acontecer de repente, e era preciso ficar na escola esperando. Quem morava longe trazia um lanche, comia alguma coisa na cantina ou almoçava na casa de um colega. Era aula durante todo o dia e por toda a semana! Uniforme tinha virado roupa, virado pele! E ainda sobrava tempo para namorar, que ninguém era de ferro e namoro também é matéria do vestibular. Claaaro!

Um recado para o futuro

O Curso de Vestibular montado em 1968 no Brigadeiro Schorcht –“na marra”- foi uma experiência educacional única na história do ensino do Rio de Janeiro, talvez do Brasil. Não se tem notícia de nada parecido antes nem depois, até os dias atuais! Para colocar em funcionamento o curso foram necessárias muita ousadia política e muita criatividade. O resto ficou por conta do empenho, da dedicação e da seriedade de alunos e professores. Mas, sobretudo, o curso foi uma expressão da resistência de parte de alguns jovens daquela geração e uma resposta direta e positiva contra um sistema educacional injusto e cruel, que penalizava principalmente os mais humildes, retirando-lhes o Direito ao estudo e a uma formação profissional digna.

Os resultados foram eloquentes demais e dispensam maiores comentários. O índice de aprovação na Turma de Humanas foi de 100%. Todos ingressaram na universidade. Outros dez alunos do CEBS -cinco da área de Exatas e cinco da área Biomédica, onde a disputa era difícílima- passaram no vestibular. Cerca de 50 alunos aprovados em apenas três turmas! Proporcionalmente, o Brigadeiro Schortcht foi, com certeza, a escola que mais aprovou no vestibular de 1969, incluindo na lista os cursinhos privados.

A falta de liberdade e o ambiente político sufocante e cinzento que o país vivia impediu que a experiência do CEBS fosse compartilhada com outras escolas. O AI-5 havia sido decretado em dezembro de 1968 e suprimiria todos os direitos básicos, a começar pela livre manifestação e expressão de opiniões, pensamentos e ideias. 

O curso vestibular continuou por pelo menos mais dois anos, em 1969 e 1970. Mas, por muitos anos, até pelo menos a década de 90, o Brigadeiro continuou a figurar entre as escolas que mais aprovavam nos exames vestibulares. Ou seja, o que foi construído em 1968 de alguma forma se projetou no futuro e beneficiou várias gerações de alunos.

A lógica daquela subsecretária lá do início, que nos disse “não!” fazia sentido. “Imaginem se todas as escolas da rede pedirem o mesmo?” –foi o que ela nos disse. Quase meio século depois podemos responder e endereçar a resposta às suas sucessoras: Imaginamos sim, madame. O ensino público não seria a porcaria que é hoje. No mínimo seria um pouco melhor se todas as escolas da rede exigissem qualidade de ensino suficiente para democratizar o acesso ao ensino superior.

Aquela experiência única tem protagonistas que precisam ser destacados. A começar pelos alunos que tomaram a iniciativa e souberam se organizar. Mas nada teria acontecido sem a participação e a parceria dos professores. Não eram quaisquer professores. Aqueles mestres eram profissionais que se dispuseram a trabalhar em dobro, às vezes ao triplo, sempre com a mesma qualidade, sem receber um centavo a mais!  Merecem ser chamados de mestres porque tinham prazer em compartilhar conhecimento e ajudar a formar jovens. Muitos já morreram e estão esquecidos. Mas mereciam uma placa ou fazer parte de uma galeria de fotos no local mais visível do pátio do Brigadeiro Schortcht.

Dois nomes devem ser mencionados com destaque especial: Margarida de Andrade e Murilo Alves da Cunha, o Murilão. Margarida desafiou seus superiores e colocou em risco a própria carreira em benefício de seus alunos. Qual diretora de escola teria coragem para tanto em plena ditadura militar, na vigência do AI-5? E o Murilão por ter decidido “fazer o curso na marra”, por sua função de aglutinador, por ter convencido outros professores e ter sido o coordenador de tudo. Sem a cumplicidade dessa dupla não teríamos ido muito longe.

Margarida e Murilo tinham cerca de 35 anos em 1968. Eram jovens, estavam mais próximos de nós, dos nossos anseios e da nossa sensibilidade do que imaginávamos na época. Murilão faleceu aos 64 anos em 1998. Em sua missa de sétimo dia foi no ombro de Margarida que eu chorei a perda daquele grande mestre que se tornou um querido amigo de toda a vida. Margarida está viva. Qualquer dia desses quem sabe consigamos reunir todos os que viveram aquela experiência fantástica –fisicamente e em memória. Quem sabe no pátio do Colégio Estadual Brigadeiro Schortcht, uma escola cuja história ainda não foi contada por inteiro.  

Henrique Marques Porto

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  1. CELSO ORRICO

    17 de fevereiro de 2014 2:13 pm

    a história conta muitos..

    a História conta muitos desses exemplos; Escola Parque em Salvador, CIEPS, CAICS e etc..todos boicotados tanto pela burocracia estatal das Secretarias de Educação como tb do corporativismo inercial da maiora das categorias de professores..Anísio Teixeira “atropelado” e morto na Ditadura, Paulo Freire exilado na Ditadura, Darcy Ribeiro e Brizola apanharam tanto da direita quanto da esquerda quando da implantação dos CIEPs..só pra lembrar, a Europa implantou a Educação em Tempo Integral há mais de 50 anos..

  2. Anarquista Lúcida

    17 de fevereiro de 2014 7:16 pm

    Hoje há vestibulares sociais, q tentam fazer o mesmo

    Depois de me aposentar pela segunda vez, quero colaborar com um deles. 

  3. Gilson AS

    17 de fevereiro de 2014 10:23 pm

    Nos anos 70 eu trabelhei como

    Nos anos 70 eu trabelhei como datílógrafo, dava 180 tpm, no Curso Impacto aqui no RJ.

    Todos os cursinho aqui do RJ naquela época, faziam os chamados Bolsões, eram provas realizadas no Maracanã, para conseguir uma bolsa de estudo nesses cursinhos. As bolsas variavam de 50% a 100%. Mas os alunos para conseguirem uma dessas bolsas, eles tinham que ser cu de ferro, com proteção de diamante, senão não conseguiam nada, de tão difícil que eram as provas.

    Cansei de fiscalizar essas provas no Maracanã, e a imagem é exatamente esta da foto.

    Um pequeno detalhe, era muito difícil ver a presença de jovens negros nessas provas.

    E eu como negro,  na minha inocência de inico de fase adulta, ficava me perguntado internamente porque.

     

  4. Rogerio Figueiredo

    25 de março de 2014 7:53 pm

    Henrique vc me levou às lágrimas…

    Se recordar é viver, Henrique vc quase me matou de saudade.  E olhe que sou revascularizado… Nossa como foi bom ler essa reportagem, amigo existem coisas impagáveis, uma delas foi o tempo que passei no Brigadeiro de 1966/1968.

    Foi lá que conheci a minha ex mulher, foi lá que conheci os melhores amigos e vivi os melhores dias da minha vida, tinhamos uma turma: José heleno, Reinaldo José Dias, Oswaldo e julio Oliveira Gomes e eu naturalmente. fizemos tantas excursões que marcaram para sempre a minha juventude, uma vez escalamos a Pedra da Gávea, quando ainda nem havia trilhas para subir, foi um sufoco, quase caimos da corda e chegamos ao topo às 2 horas da madrugada, outra vez  acampamos em muriqui e veio a PM local e prendeu todo mundo, ficamos na cela a noite toda, até o pai do Oswaldo que era delegado ír lá nos soltar, quem ligou para ele foi um pescador com quem haviamos feito amizade e em outra oportunidade subimos até Petrópolis pelo caminho da antiga ferrovia do Imperador e novamente chegamos de madrugada e dormimos nos bancos do Palácio. Resultado, pela manhã, guardas municipais nos levaram novamente para delegacia, mas tudo ficou esclarecido e passou para o livro da nossa história. 

    Sobre o professor Fernando, tenho uma coisa a contar que só eu e ele sabemos ( não sei de ainda está entre nós). No final do curso científico tinha de me inscrever em alguma faculdade e pedi opinião ao professor, sobre em que curso deveria me inscrever, ao que ele respondeu: Rogerio, faz qualquer coisa, que vc vai passar, nem que seja faculdade de cuspe a distância. Fiquei rindo e ele passou a mão na minha cabeça e disse, vai meu filho, tomara que vc não passe e volte a ser meu aluno. Nossa, cheguei a chorar, quase que sigo o conselho dele, só para continuar em seu convívio. Tenho maior orgulho de ter aparecido na lista do curso Galoti, sem nunca ter ido lá como o terceiro classificado na UFRJ.  Precisa escrever mais ? Não aguento !!!!

  5. Luiz Augusto

    1 de outubro de 2014 3:41 pm

    Depoimento

    MEU AMIGO  Henrique Marques Porto

    ESPERO, ESPERO QUE A HOMENGEM QUE EU FIZ SÓ COM MINHA MEMÓRIA NÃO TENHA SIDO INVALIDADO PELAS SUAS OBSERVAÇÕES. CASO O QUE EU TENHA ESCRITO VENHA A TRAZER ALGUM DANO AO PASSADO TEREI PRAZER EM OMITI-LO PARA NÃO FERIR A HISTÓRIA.

    1. Henrique Marques Porto

      9 de outubro de 2014 2:18 pm

      Depoimentos

      Egbomi Luiz Augusto,

      A memória, o resgate histórico não é feito apenas por um depoimento, ainda mais quando se trata da história de um colégio e de uma geração inteira de alunos. Nesse artigo dei apenas o meu depoimento pessoal. Muito do que escrevi só eu vivi. Muitos outros terão mais o que contar e, certamente, falarão sobre fatos e experiências que eu desconheço. Portanto, nada do que escrevi invalida as observações que você fez. E vice-versa. Ao contrário, nossos depoimentos se completam, se somam e ajudam a reconstituir a memória coletiva de toda uma geração de alunos e professores. Aqueles anos vividos no Brigadeiro Schorcht foram tão importantes que criaram laços afetivos que permanecem até hoje. Já estamos organizando um novo Encontro de (ex) alunos e (ex) professores. Os contatos entre alunos e professores continuam a ser restabelecidos. Com a ajuda da profa. Regina consegui nesses últimos dias fazer contato com Margarida de Andrade e com Graça Campos (professora de Português). Outros contatos virão. Em breve todos estaremos reunidos.

      Grande abraço

      Henrique        

       

  6. M. Graça Bello de Campos

    8 de outubro de 2014 10:21 pm

    Colégio Estadual Brigadeiro Schorcht

    Querido Henrique

    Como suas palavras me emocionaram e me fizeram reviver um tempo em que trabalhar no magistério, trabalhar no Brigadeiro Schorcht era motivo de prazer. Em 68 eu tinha apenas 3 anos de Brigadeiro, mas já estava tomada pelos ideais que norteavam aquele colégio. Foi no Brigadeiro que verdadeiramente me tornei professora, foi lá que a consciência do verdadeiro valor do magistério se apossou de mim. Foi lá que fiz grandes amigos – muitos os conservo até hoje – e foi com esses amigos mestres que atravessei os anos de chumbo, cada vez mais consciente do papel libertário da educação.

    Lembro-me perfeitamente de você, de sua irmã Marciana (que foi minha aluna) e de todos os nomes que você citou, da D. Luzia até Margarida, com quem ainda hoje mantenho fraternos laços. E com muita saudade me lembro do Murilão que me dava carona, e mais que carona me dava aulas. E que aulas…. Geografia, Política, Educação. Nada fugia ao seu conhecimento, a seu espírito crítico, à sua lucidez. E foi também nos ombros da Margarida que chorei a sua morte!

    Encontrar você e quem sabe nos reunirmos no pátio do colégio, junto com outros colegas que, mesmo aposentados, ainda continuam professores do Brigadeiro será para mim um momento de grande emoção e de alegria. Suas palavras, Henrique, me revitalizaram. Sua saudade é também a saudade de alguém que passou 25 anos nas salas de aula do  Brigadeiro Schorcht. Obrigada pelo alvoroço que suas palavras provocaram em meu coração.

    1. Henrique Marques Porto

      9 de outubro de 2014 2:48 pm

      Brigadeiro Schorcht

      Querida Graça,

      Acredite, eu lembro perfeitamente quando você chegou no CEBS. Fiquei espantado com sua juventude. Você era a caçula dos professores. Tinha pouco mais de 20 anos. Eu tinha 16, caminhando para os 17 anos. Você era professora (ótima professora, por sinal), mas tinha cara de “colega”.  🙂 

      Essa é uma informação importante: muitos dos professores do Brigadeiro eram jovens, e por isso estavam muito próximos das preocupações e dos anseios dos alunos. Vocês nos compreendiam. Então, havia mais do que aproximação: havia entendimento, identificação. 

      Quem deixou meu coração alvoroçado foi você, com essa mensagem. Esses reencontros são uma maravilha! imagina que reencontrei pessoas que não via há mais de 40 anos e pareceu que foi ontem! É que o tempo não afeta os sentimentos. Obrigado, Nassif, por facilitar!

      Naqueles anos tão produtivos e criativos, vividos em uns poucos anos num distante colégio de Jacarepaguá, criamos laços fortíssimos que temos que preservar e cultivar. Logo, logo vamos nos encontrar.

      Beijão

      Henrique 

  7. Eduardo S. Freitas

    22 de junho de 2015 1:58 am

    Final dos Anos 80

    Olá Henrique,

    As vezes. por nostalgia, coloco-me a buscar o nome do colégio pelo nosso “google” e hoje achei esta pérola. Como quase tudo que diz respeito ao CEBS, li a matéria e como não ficar emocionado, em meio a tantas dificuldades educacionais pelas quaispassamos atualmente?

    Mas, certamente, o que me leva a escrever e agradecer-lhe o texto é a menção ao Prof Napoleão. Salvo engano, o “sisudo” ministrou aulas até 1990, e como era difícil tirar-lhe um sorriso. Lembro-me que era muito raro, mas quando conseguíamos ficávamos felizes. Bons tempo, muitas histórias…

    Fui aluno de uma época, já distante da mencionada no texto, mas era com grande orgulho que falávamos que estudávamos no CEBS. Em 89-90 houve uma greve insana, com prejuízos para todos os lados e uma obra que se arrastou por muito tempo, o que provocou problemas diversos e a representação de que, a cada ano que se passava, o colégio perdia um pouco da áurea de bom colégio… Mas isso aconteceu com toda escola pública… Acabou acontecendo também com o CEBS.

    Mas que época boa…  

    1. Henrique Marques Porto

      29 de junho de 2015 10:06 am

      Brigadeiro Schorcht

      Caro Eduardo,

      Obrigado pelo seu comentário. Que bom qu você gostou do texto. O Brigadeiro tem tantas histórias. Essa é só uma delas.

      Coincidentemente, ontem, domingo, passei a tarde com as professoras Margarida de Andrade, Heloisa Gomes e Graça Bello de Campos, que foi casada com o professor Edmar Mattos, infelizmente já falecido. O contato com eles faz um bem enorme! Você deve imaginar o quanto. Nada a ver com saudosismo ou outro sentimento do tipo. Eles são referências importantes nas vidas de tantos e tantos alunos. Professor Napoleão está vivo, aposentado e está bem! Ainda não o encontrei, mas a Graça o vê de vez em quando indo ao mercado na zona sul do Rio. Deve olhar para a moça da caixa do mesmo jeito que olhava seus alunos. Visita a página do CEBS no Facebook. Dezenas de ex-alunos a frequentam. Em https://www.facebook.com/groups/16036493359/?fref=ts. Abaixo uma foto do Napoleão com Heloisa, no início dos anos 70. Existem fotos de outros professores no Facebook. Se a foto não aparecer, veja em https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4799522043405&set=gm.10152785362633360&type=1&theater

      Abraço

      Henrique

              

  8. Rogerio Figueiredo

    20 de outubro de 2018 6:11 pm

    Brigadeiro

    Olá Henrique, vou reescrever o que postei há 4 anos, por um motivo muito especial, este ano completam 50 anos…

    Se recordar é viver, Henrique vc quase me matou de saudade.  E olhe que sou revascularizado… Nossa como foi bom ler essa reportagem, amigo existem coisas impagáveis, uma delas foi o tempo que passei no Brigadeiro de 1966/1968.

    Foi lá que conheci a minha ex mulher, foi lá que conheci os melhores amigos e vivi os melhores dias da minha vida, tinhamos uma turma: José heleno, Reinaldo José Dias, Oswaldo e julio Oliveira Gomes e eu naturalmente. fizemos tantas excursões que marcaram para sempre a minha juventude, uma vez escalamos a Pedra da Gávea, quando ainda nem havia trilhas para subir, foi um sufoco, quase caimos da corda e chegamos ao topo às 2 horas da madrugada, outra vez  acampamos em muriqui e veio a PM local e prendeu todo mundo, ficamos na cela a noite toda, até o pai do Oswaldo que era delegado ír lá nos soltar, quem ligou para ele foi um pescador com quem haviamos feito amizade e em outra oportunidade subimos até Petrópolis pelo caminho da antiga ferrovia do Imperador e novamente chegamos de madrugada e dormimos nos bancos do Palácio. Resultado, pela manhã, guardas municipais nos levaram novamente para delegacia, mas tudo ficou esclarecido e passou para o livro da nossa história. 

    Sobre o professor Fernando, tenho uma coisa a contar que só eu e ele sabemos ( não sei de ainda está entre nós). No final do curso científico tinha de me inscrever em alguma faculdade e pedi opinião ao professor, sobre em que curso deveria me inscrever, ao que ele respondeu: Rogerio, faz qualquer coisa, que vc vai passar, nem que seja faculdade de cuspe a distância. Fiquei rindo e ele passou a mão na minha cabeça e disse, vai meu filho, tomara que vc não passe e volte a ser meu aluno. Nossa, cheguei a chorar, quase que sigo o conselho dele, só para continuar em seu convívio. Tenho maior orgulho de ter aparecido na lista do curso Galoti, sem nunca ter ido lá como o terceiro classificado na UFRJ.  Precisa escrever mais ? Não aguento !!!!

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