Os black blocs e seus “professores”
Enviado por Miguel do Rosário on 13/02/2014 – 10:09 am 12 comentários
Reproduzo abaixo um artigo do Nassif, analisando as consequências da morte do cinegrafista. Antes, alguns comentários sobre um trecho de seu texto, em que ele fala da participação de pessoas mais velhas, irresponsavelmente chancelando os atos violentos.
Irresponsavelmente sim, reitero, porque essas pessoas jamais se arriscariam, elas mesmas. Mas comprometeram a vida de terceiros, em alguns casos tragicamente, como no caso dos jovens presos, que podem permanecer enjaulados por décadas.
É muito fácil pregar a violência do conforto de seu apartamento no Leblon. É muito fácil dar cartaz, espaço ou mesmo dinheiro para organizações comprometidas com a violência. Já vimos isso acontecer em épocas de triste memória. Todos os fascismos tiveram seus “camisas neras”. Todos tiveram também seus “professores”.
Esses professores chancelaram a “estética” ou “linguagem” da violência, o que é uma grande besteira. A violência é a anti-linguagem por natureza.
Agora, boa parte deles protagoniza um estrondoso silêncio. Ninguém mais defende os black blocs, transformados em párias da sociedade.
Quanto à suspeita de organizações que os patrocinavam, isso é outra história.
O que não faltam são teorias neste sentido, algumas ventiladas neste blog, sempre com a ressalva de que eram apenas teorias, muitas delas de caráter conspiratório, falando em financiamento estrangeiro – embora nem por isso menos realistas.
Desde o ano passado, há muitas denúncias de patrocínio ao vandalismo e à truculência. Amigos meus de sindicato e partidos (vários partidos) foram violentamente agredidos em junho do ano passado, enquanto eu estava em Brasília, onde observei a manifestação que terminou com a depredação do Itamaraty.
No dia 11 de julho, eu testemunhei a presença hostil dos black blocs à manifestação dos sindicalistas e militantes partidários, que organizaram uma passeata da Candelária à Cinelândia justamente como um desagravo às agressões que tinham sofrido em passeatas anteriores. Os sindicalistas, no alto dos carros de som, pediam insistentemente para que não se usasse máscara na passeata.
Os black blocs circulavam agressivamente em meios às bandeiras e, num dado momento, se voltaram contra os manifestantes. No dia seguinte, escrevi um texto um pouco acima do tom contra os mascarados, porque passei a vê-los não apenas como adversários políticos, mas como adversários físicos, já que eles agrediram amigas minhas. A manifestação encerraria na Cinelândia, com um grande comício para debater a mídia. Não houve. Os black blocs destruíram tudo. Na mesma noite, conversando, as especulações que os blocs eram pagos eram muito fortes, até porque eles se organizaram com incrível agilidade para detonar a manifestação. Distraíram a turma que cuidava da segurança criando um tumulto de um lado, enquanto outro grupo se posicionava à frente, preparando-se para agredir e assustar os manifestantes.
Meses depois, num evento (cujo lugar declino, porque não quero demonizar ninguém, neste momento de histeria midiática), usaram uma frase desse post que menciono acima, descontextualizada, para me constranger. Nessa mesma ocasião, notei a hipocrisia enorme dos setores que defendiam a violência e os mascarados, porque atacavam a arbitrariedade da polícia, que prendia “inocentes”, que não tinham feito nada, mas ao mesmo tempo se mostravam simpáticos ao quebra-quebra, ou seja, defendiam os “culpados”. Houve um debate acalorado e uma das “professoras”, quando passou diante de mim, falou com todas as letras: “eu defendo a violência”.
No evento que organizamos em frente à Globo, em julho, tomamos um extremo cuidado para evitar a presença de mascarados, porque nosso objetivo era político, na acepção democrática do termo. Apareceram uns dois ou três, com aquela máscara ridícula do Anonymous, e mochilas. Pedimos para abrirem a mochila e nos mostrar o conteúdo. Tínhamos receio, inclusive, de uma armadilha, ou seja, que aparecerem por ali uns arruaceiros justamente para a Globo depois nos desqualificar, a todos, como vândalos.
O argumento surrado dos defensores da violência sempre foi o de que o vandalismo “vem do Estado”. Tem fila no hospital? Tem polícia truculenta na favela? “Tem mais é que vandalizar mesmo!”, afirmavam os “professores”. Mas eles mesmos continuavam seguros, em seus empregos, em seus apartamentões. Os buchas de canhão são os jovens que embarcavam nessa. E agora sabemos que haviam os buchas dos buchas: jovens colhidos nas periferias para fazer o serviço sujo que os playboyzinhos não tinham coragem de encarar.
Lembro-me de um deles que pegou o microfone para dizer que, este ano, organizariam o Ocupa Congresso e o Ocupa Planalto, o que me causou calafrios, porque pensei imediatamente: o Congresso pode abrigar centenas de picaretas, mas a troco de que esses coxinhas acham que são melhores?
Em momento de “crise” de representação política, aparece todo o tipo de oportunista. Alguns pegam carona e exageram na linguagem, falando em “colapso” da representação, mas só para os outros, não para o seu político de estimação.
Mesmo sendo radicalmente contra a tática black bloc, no entanto, sou ainda mais rigidamente contra qualquer histeria judicial contra esses jovens. Temos que esvaziar nossas cadeias, não abarrotá-las ainda mais.
O importante é descobrir a verdade. Quem os financiava? E não adianta nos fiarmos somente às palavras dos rapazes e de seu advogado, porque aí poderíamos ser vítimas de outro complô. Se uma pessoa é capaz de depredar patrimônio público e pôr a vida de outros em risco soltando bombas na multidão, também é capaz de mentir para promover outro tipo de vandalismo, ainda mais se isso lhe ajudar a ficar menos tempo em cana.
É preciso lembrar ainda que nossa mídia é totalmente black bloc. Ela não tem nenhum senso de responsabilidade além de seus próprios interesses econômicos. Como um black bloc, é contra partidos, contra o Estado, usa a máscara da imparcialidade e pratica um jornalismo truculento.
Assim como os black blocs, não tem compromisso nenhum com a paz, com o desenvolvimento, com o bem estar das pessoas. Tanto é que, no auge das manifestações, quando já víamos emergir uma enorme onda de violência e hostilidade contras as instituições democráticas, a Globo tentou faturar politicamente, de maneira descarada. Não fez crítica à violência, encarada sempre como vinda de “um pequeno grupo de vândalos”.
Quando se descobriu que a estratégia das manifestações violentas ajudava a erodir a popularidade da presidente, a direita ficou eufórica, e grupos de apoio aos manifestantes passaram a surgir em toda a parte, alguns de origem estrangeira explícita, como aquele Change Brazil, patrocinado por um milionário brasileiro com empresas sediadas nos Estados Unidos.
Não podemos perder o foco, portanto. O importante não é prender esses dois garotos. Eles não apitam nada. Foram usados. O foco é pegar quem está por trás. O advogado falou que eles ganhavam para criar páginas na internet, além da participação em manifestações. Que páginas são essas? Que outras páginas foram criadas? É preciso fazer uma varredura geral nesse esquema criminoso que visou atingir a nossa democracia.
O artigo do Nassif a que o Miguel se refere está aqui:
Carlos Dias
13 de fevereiro de 2014 7:08 pmO Miguel precisa abrir o olho
“Quando se descobriu que a estratégia das manifestações violentas ajudava a erodir a popularidade da presidente, a direita ficou eufórica , e grupos de apoio aos manifestantes passaram a surgir em toda a parte, alguns de origem estrangeira explícita , como aquele Change Brazil, patrocinado por um brasileiro com empresas sediadas nos Estados Unidos.” Caro Miguel, um desses grupos de origem estrangeira e que se aproveitou maliciosamente, perniciosamente e descaradamente, anuncia no seu blog! O famigerado Greenpeace….. Caso você queira, te passo os emails que recebi, no auge da histeria golpista de junho, dessa organização pseudo-verde, fascista e oportunista. Nao aceite esse tipo de patrocínio, caro Miguel.Um grande abraço
Miguel do Rosário
14 de fevereiro de 2014 12:43 amadsense google
É anúncio randômico do Google. Não tenho controle. Não é patrocínio.
Fernando J.
13 de fevereiro de 2014 8:30 pmGlamurização é o nome
Até o músico do Boca Livre, o Zé Renato, que nunca se manifesta sobre política no Facebook, não se conteve e fez duras críticas à glamurização dos BB. Os “professores” irresponsáveis são por demais conhecidos, eu falo nisso há meses, vai do Caetano a deslumbrados professores de universidades públicas. A conta dessa tragédia é todinha deles.
Cristiana Castro
13 de fevereiro de 2014 9:38 pmOcorre que além do Eduardo
Ocorre que além do Eduardo Guimarães que, de cara, deu nome aos bois, o único espaço que fez esse debate foi esse blog aqui. Falar em estudantes e professores era ” proibido”. Nessa manifestação do dia 11 que o texto faz referência ficou evidente a manipulação dos estudantes pelos professores. A molecada atacava as pessoas e os partidos e os mestres vinham com as ” teses”; como eram conscientes que estavam dando suporte aos golpistas de sempre na America Latina, tiveram a decência de, copiando seus mentores europeus e estadunidenses, mandar a molecada esconder a cara para que não fossem, futuramente, apontados como golpistas. No dia seguinte a manifestação das Centrais ( postei isso aqui no Blog e o comentário sumiu ), o PCdoB, que estava logo a frente qdo os tais BB’s se voltaram contra os manifestantes e começou a pancadaria foi expulso da assembleia do IFCS. Ora, isso deixou evidente que os militantes do PCdo B e quem mais estivesse ali na frente não sabiam de quem estavam apanhando mas os BB’s sabiam em quem estavam batendo. O que teriam os BB’s a ver com a assembleia do IFCS a ponto de expulsarem um dos partidos que participavam da manifestação das centrais, cujos militantes apenas reagiram aos ataques dos tais BB’s? Tá começar a tirar as aspas e chamar estudante de estudante, professor de professor, polícia de polícia, militante de militante pq, grande parte da responsabilidade nas prisões de jovens de perfiferia que terão que assumir a culpa no lugar dos que nós, confortavelmente, chamamos de BB’s e Anonymous, é nossa. Pq, para agirmos de maneira ” politicamente correta” mantivemos cobertas as caras dos fascistas e entregamos as feras a molecada da periferia.
Nilva de Souza
13 de fevereiro de 2014 8:45 pmSeriam aqueles “professores”
Seriam aqueles “professores” adeptos do pós-tudo, pós-rancor?
Nilva de Souza
13 de fevereiro de 2014 8:46 pmGilson Caroni ontem no
Gilson Caroni ontem no Facebook
Gilson Caroni Filho
Alguns colegas da academia estão fazendo um contorcionismo teórico absurdo para defender o indefensável: os mascarados que ajudam a mídia em sua eterna tarefa de criminalizar movimentos sociais. Para isso usam, sem o menor critério, Gramsci, Bourdieu, Stuart Hall, Castoriadis, Foucault e, até mesmo, Poulantzas. Isso só confirma o que acho há muito tempo: o senso comum acadêmico não é senso crítico. É um sistema de representação oportunista que quer parecer vanguardista a todo custo. Bom, vou dar um tempo por aqui. Aulas recomeçam.
morallis
13 de fevereiro de 2014 9:07 pmSão as famosas teses de
São as famosas teses de gabinete, o que mais tem é professor que quando
acuado usa seu cinto mil utilidades citando Marx, Lukács,Foucault sem nunca
ter comido um “frango de televisão.Defensores do povo..de longe, mas é
necessário validar o diploma.
A.Araujo
13 de fevereiro de 2014 9:32 pmAlgfum instrutor de cartilha
Algfum instrutor de cartilha está fazendo workshps para passar a mensagem: agora é preciso dizer que os manifestantes são pagos e treinados pela elite. Que viagem na maionaise Hellman´s.
1.Nossa elite não tem essa competencia, nossa elite não é politico-operacional, nossa elite é ECONOMICO-FINANCEIRA.
2.No Brasil não há elite combatente, a elite aguerrida dos anos 50 e 60, morreu, não existe mais.
3.A super elite nem mora mais no Brasil, está em Greenwichaou Fairfield, em Paris, em Saint Barth, em Genebra,
onde podem ser encontrados os Campeões Nacionais.
4.Não ha nenhum partido politico VERDADEIRO de direita no Brasil, nós só temos partidos-guichês, não existem organizações combatentes de direito no Brasil de hoje, NENHUMA, tem clubinhos de tertulias como Millenium, Casa das Garças, ninguem nesses ambientes seletos é de briga, são de champanhota.
5.Os manifestantes são os esquecidos pelo caminho do PT, jovens sem futuro, o fato de alguem dar uma merreca para o lanche deles não os fazem robôs, eles realmente tem raiva do establishment ou será que todos os manifestantes desde junho são pagos?
6.As manifestações não são contra o PT. São contra TODO O SISTEMA POLITICO, são contra governos estaduais ruins e sem estrategias de inserção social, algo que se dá pela educação e cultura e não pelo “carrinho zero a prestação”
do PT, coisa micha como michos são os que acham que o unico objetivo de um povo é esse.
7.As manifestações são uma febre, não o sintoma. Mostram algo de errado mas não dizem o que é. O errado é a falta de esperança, não que o PT ou os governos estaduais da oposição não queiram dar esperança, lamentacvelmente eles não podem fazer nada porque são MUITO RUINS, incompetentes ao extremo, todos eles, não estão à altura de ser
governo, são produtos de um sistema partidario falido que só elege trastes.
Pensando bem, os manifestantes tem toda a razão.
Ivan de Union
14 de fevereiro de 2014 9:35 am“agora é preciso dizer que os
“agora é preciso dizer que os manifestantes são pagos e treinados pela elite”:
Quem disse que ELES (note o plural) sao pagos por partidos foi o advogado maluco.
Antonio Nonato
13 de fevereiro de 2014 9:37 pmJovens muito pouco
Jovens muito pouco politizados querendo brincar de Che Guevara e oportunistas no meio tirando casquinha. Apenas isso, não precisa de grandes análises. Alguém conta pra essa molecada que o revolucionário argentino entendia uma coisinha ou outra de política e que você não vira revolucionário colocando uma boina e ficando contra “tudo o que está aí”.
lima.no.stress
13 de fevereiro de 2014 9:41 pmCaiu a casa do
Caiu a casa do PSOL. http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/129787/Patroc%C3%ADnio-do-PSOL-aos-Black-Blocs-afunda-Freixo.htm
Ivan de Union
14 de fevereiro de 2014 12:37 amMentira do 247. Isso NAO eh
Mentira do 247. Isso NAO eh patrocinio de acao ilegal nem aqui nem na China.
José Carlos Lima
13 de fevereiro de 2014 10:01 pmMistério
, 13/02/2014 – 19:59
qui, 13/02/2014 – 19:25
Hélio, pela matéria do link, parece sim, mas eu tirei minhas conclusões pelas fotos abaixo coladas. Veja o corte do cabelo do homem identificado pelas setas vermelhas e o do Caio; o home das setas vermelhas é branco, e o Caio tem aparência de afro-descendente.
De qualquer forma, o caso é muito nebusolo. Temos que aguardar o desfecho.
Ivan de Union
13 de fevereiro de 2014 10:24 pmJC, eu vou combater essa
JC, eu vou combater essa montagem grotesca toda vez que ela aparecer aqui, pare de postar essa foto!
Sao duas pessoas, ate video do cara branco levantando o braco ja apareceu. Ele NAO eh o outro das pernas separadas e cabeca tombada pra frente. E ele NAO eh o cara do rojao.
CELSO ORRICO
13 de fevereiro de 2014 10:21 pmNassif..
Nassif , aguardo ansiosamente outra entrevista com a Ivana Bentes sobre o que ela tem a dizer em relação as manifestações que ela tanto festejou aqui e em outras discussões que participou..agora é hora da onça beber água e tirar as máscaras..
Cristiana Castro
13 de fevereiro de 2014 10:58 pmGiuseppe Cocco, tb.
Giuseppe Cocco, tb.
Leo V
14 de fevereiro de 2014 12:50 amComo assim?
Um monte de
Como assim?
Um monte de fofocas de PIG, advogado e etc. e vcs acham que quem defendeu as manifetsações não defende mais por isso?
Que piada. Visita os facebook do Cocco, ou os textos dele.
Cocco viveu a Itália dos anos 70, vc sabe o que foi aquilo. Lembra um pouco o que está acontecendo agora. E no final, professores do departamento de Ciência Política da Universidade de Pádua, entre eles Antono Negri foram presos. Mais ou menos como um texto desse procura fazer, governistas-burguesia, em relação àqueles que simplesmente defendem manifestações e movimentos sociais.
Estou em Belo Horizonte e me disponho a debater com qualquer um as manifestações, o que aconteceu no Rio, no Brasil.
Difícil sustentar tanta inconsistência quando o PIG e os governistas estão fazendo. Mas difícil é num debate ao vivo.
autonomo
14 de fevereiro de 2014 6:37 pmSegundo transparece voce deve
Segundo transparece voce deve ser do setor de comunicação dos black bloc.
Conforme disse antes é “ativista” ha muitos anos.
Não sei se de profissão como a tal Sininho.
Alias,nas horas vagas ela se transforma em “cineasta”.
Gostaria de lhe afirmar que fiquei perplexo com o seu comentario procurando defender os assassinos do cinegrafista,
alegando que eles não direcionaram a bomba contra o jornalista, mas contra a policia.
Depois declara não entender porque a policia é violenta.
Ivan de Union
13 de fevereiro de 2014 11:42 pmPorque voce nao pergunta pra
Porque voce nao pergunta pra ela, que eh participante e colaboradora do blog?
https://jornalggn.com.br/categoria/autor/ivana-bentes
Leo V
13 de fevereiro de 2014 10:40 pmVão procurar pêlo em ovo até
Vão procurar pêlo em ovo até achar.
O incrível é que é gente que se diz de “esquerda” que está caçando bruxa. Gente que não está entendendo nada do que está acontecendo e se sente ameaçada justamente por essa ação autonoma de pessoas, que gente que serem foram vistas e tidas como sujeitadas e não como sujeitos. Quando os sujeitados viram sujeitos, mas nao pode! Há alguém por trás, imagina…
Esse tipo de pensamento é o que caracteriza um direitista, a meu ver.
Cristiana Castro
14 de fevereiro de 2014 3:20 amRelaxa que daqui a pouco a
Relaxa que daqui a pouco a Globo decide mudar o rumo da prosa e ” descobre” que quem matou o cinegrafista foi um P2 infiltrado ou algum petista… Até as eleições, essa estória ainda vai ter umas 20 versões. Por enquanto estamos debatendo essa…
Nilva de Souza
13 de fevereiro de 2014 11:31 pmA nova era da
A nova era da violência
Autores intelectuais dos assassinatos já acontecidos e por vir são os whiteblocs. Devem ser combatidos com a mesma virulência com que combatem a democracia
Wanderley Guilherme dos Santos
Professores universitários do Rio de Janeiro, de São Paulo e outras universidades falam do governo dos trabalhadores como se fosse o governo do ditador Médici, embora durante aquele período não abrissem o bico. Vetustos blogueiros, artistas sagrados como marqueteiros crônicos, jovens colunistas em busca da fama que o talento não assegura, políticos periféricos ao circuito essencial da democracia, teóricos sem obra conhecida e de gogó mafioso, estes são os mentores da violência pela violência, anárquica, mas não acéfala. Quem abençoa um suposto legítimo ódio visceral contra as instituições, expresso em lamentável, mas compreensível linguagem da violência, segundo estimam, busca seduzir literariamente os desavisados: a violência é a negação radical da linguagem. Mentores whiteblocks, igualmente infames.
A era da violência produziu a proliferação dos algozes e a democratização das vítimas. Antes, a era das máquinas trouxe a direta confrontação entre o capital e o trabalho, as manifestações de protesto dirigiam-se claramente aos capitalistas em demanda por segurança no serviço, salário, férias, descanso remunerado, regulamentação do trabalho de mulheres e crianças. Reclamos precisos e realizáveis. Politicamente exigiam o fim do voto censitário, o direito de voto das mulheres, o direito de organização, expressão e manifestação. Exigiam, em suma, inclusão econômica, social e política.
Os mentores dos algozes possuíam nome e residência conhecida. Os executores eram igualmente identificáveis: as forças da repressão, fonte da violência acobertada pela legislação que tornava ilegais as associações sindicais, as passeatas, os boicotes e as greves. As vítimas estavam à vista de todos: operários, operárias, desempregados, além de cidadãos, escritores e jornalistas solidários com a causa dos miseráveis.
Não há por que falsificar a história e negar que, ao longo do tempo, sindicatos mais fortes e oligarquizados também exerceram repressão sobre organizações rivais, bem como convocatórias grevistas impostas pela coação de operários sobre seus iguais. A era das máquinas não distribuía a violência igualitariamente, mas algozes e vítimas possuíam identidade social clara.
A atual era da violência, patrocinada por ideólogos, jornalistas, blogueiros, ativistas (nova profissão a necessitar de emprego permanente), professores, artistas, em acréscimo aos descontentes hepáticos, testemunha a agregação de múltiplos grupelhos, partidos sem futuro e fascistas genéticos aos tradicionais estimuladores da violência, os proprietários do capital. São algozes anônimos, encapuzados, escondidos nos codinomes das redes sociais, na covardia das palavras de ordem transmitidas a meia boca, no farisaísmo das negaças melífluas.
Os whiteblocs disfarçam o salário e a segurança pessoal nas pregações ao amparo do direito de expressão e de organização. Intimidam com a difamação de que os críticos desejam a criminalização dos movimentos sociais. Para que não haja dúvida: sou a favor da criminalização e da repressão às manifestações criminosas, a saber, as que agridam pessoas, depredem propriedade, especialmente públicas, e convoquem a violência para a desmoralização das instituições democráticas representativas.
As vítimas foram, por assim dizer, democratizadas. Lojas são saqueadas, vidros de bancos estilhaçados, passantes, operários, classes médias, e mesmo empregados e subempregados que a má sorte disponha no caminho da turba são ameaçados e agredidos. A benevolência do respeito à voz das ruas é conivência. Essas ruas não falam, explodem rojões. Não há diálogo possível de qualquer secretaria para os movimentos sociais com tais agrupamentos porque estes não o desejam. E, quando um quer, dois brigam.
A era da violência é obscura. Não me convencem as teorias do trabalho precário porque não cobrem todo o fenômeno, também é pobre a hipótese de uma classe ascendente economicamente com aspirações em espiral (já sustentei esta hipótese), e, sobretudo, não dou um centavo pela teoria de que almejam inclusão social. Eles dizem e repetem à exaustão que não reclamam por inclusão alguma, denunciada por seus professores como rendição à cooptação corrupta.
Os autores intelectuais dos assassinatos já acontecidos e por acontecer são os whiteblocs. Têm que ser combatidos com a mesma virulência com que combatem a democracia. Não podem levar no grito.
http://www.cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FPolitica%2FA-nova-era-da-violencia%2F4%2F30257
Lucas Gomes
14 de fevereiro de 2014 12:01 amfinalmente, aquilo que não
finalmente, aquilo que não tinha como não acontecer, a aliança entre o PiG e os blogs progressistas-governistas contra as manifestações no país. É apenas lógico, dado que o governo é um dos maiores financiadores desses grupos jornalísticos.
joao
14 de fevereiro de 2014 12:12 amOs mortos diarios!
A imprensa esqueceu das outras 11 vítimas fatais das manifestações?
Publicado: fevereiro 12, 2014 em Brasil, Comportamento, Jornalismo
Tags:contra lei antiterrorista, imprensa marrom, legenda do medo, manipulação, Mauro Donato, mídia comercial, mídia golpista, mentira, morte anunciada, morte violenta,orquestração golpista da violência, protesto, Santiago Andrade
por Mauro Donato
O misto de comoção e estardalhaço com que a morte do cinegrafista Santiago Andrade está sendo tratada na mídia é ao mesmo tempo compreensível e incômodo.
Compreensível, pois a morte do cinegrafista é brutal sob todos os ângulos e dispensa mais comentários. Todos já foram feitos.
Incômodo, pois penso que deveria partir da mídia o equilíbrio e o bom senso nesse momento de tensão.
A trinca imprensa-manifestantes-polícia que coabita as ruas desde junho não fala a mesma língua e o clima esquentou de vez.
Um vídeo gravado em frente à delegacia durante o depoimento de Fabio Raposo — o tatuador que estaria envolvido no caso –, em que um manifestante ameaça outro cinegrafista de ser “o próximo” para imediatamente receber a câmera na cabeça, demostra qual o quadro atual.
Escorraçada das ruas durante os protestos, a “grande mídia”, acusada de mentir e manipular, ansiava pela hora do troco. E o fator que proporciona essa catarse foi nada menos que uma morte. Ou seja, nitroglicerina pura.
No entanto, a cobertura da morte de Santiago esqueceu as demais vítimas. Manchetes em letras gigantes anunciando “o primeiro morto por manifestantes” confirmam isso. É o primeiro vitimado por manifestantes, mas o décimo segundo caso de mortes relacionadas com as manifestações. As outras onze não contavam?
Foram vítimas de causas que vão desde inalação excessiva de gás lacrimogêneo a atropelamentos e ainda uma suspeita de assassinato da ativista carioca Gleisi Nana.
Hoje os números de agressões a jornalistas estão nos telejornais sendo que em outubro do ano passado este DCM já denunciava a preocupante escalada. Jornalistas free-lancers e “mídia independente” não são dignos de atenção? As matérias apresentadas em horário nobre na Band e Globo buscaram associar as agressões a manifestantes, distorcendo a estatística que aponta 78% dos ataques vieram da polícia (os números variam entre 117 e 126 casos, conforme a fonte).
Reforço para não ser mal interpretado: o que ocorreu com Santiago é gravíssimo. É o limite. Por isso mesmo que todos devem colocar as mãos na cabeça, refletir e não mais repetir os mesmos erros.
É preciso conter sensacionalismo se não quisermos acelerar medidas tão perigosas e carentes de debate como o projeto de lei que tipifica o crime de terrorismo (PL 499/2013). Por vingança rancorosa (e também para permanecer com seu alinhamento filosófico-político cheio de segundas intenções), a mídia tradicional precisa estancar sua verborragia que condena e criminaliza as manifestações. Criminosos são criminosos, manifestantes não o são.
A coisa chegou a esse estágio atual muito em consequência da narrativa desequilibrada da imprensa e é ela quem tem obrigação de reverte-lo. A decretação de morte cerebral não pode caber à imprensa como um todo.
Lista das vítimas fatais:
Cleonice Vieira Moraes, Marcos Delefrate, Valdinete Rodrigues Pereira, Maria Aparecida, Douglas Henrique de Oliveira, Santiago Andrade, Luis Felipe de Almeida, Igor Oliveira da Silva, Paulo Patrick, Fernando da Silva Cândido, Tasman Amaral Accioly e Gleisi Nana.
http://andradetalis.wordpress.com/page/2/
joao
14 de fevereiro de 2014 2:07 amO outro lado fascista!
Gostem ou não é a liberdade!
Investigar, policiar, novas leis. Manda a policia reprimir manifestações!
num formato de radicalismo político autoritário:
É preciso fazer uma varredura geral nesse esquema criminoso que visou atingir a nossa democracia.
que isso cara-pálida!