5 de junho de 2026

Petroleiros entram em greve por tempo indeterminado; lideranças sindicais são presas

Detenção de dirigentes sindicais é classificada pela FUP como repressão ao direito constitucional de greve
Crédito: Divulgação

Greve nacional dos petroleiros começou à meia-noite com forte adesão em refinarias e plataformas pelo país. Polícia Militar prendeu dirigentes sindicais na Refinaria Duque de Caxias durante mobilização, segundo a FUP. Categoria pede fim dos planos de déficit, recuperação de direitos e suspensão de desinvestimentos na Petrobras.

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A greve nacional dos petroleiros por tempo indeterminado teve início à meia-noite desta segunda-feira (15) com forte adesão em unidades da Petrobras em todo o país. O primeiro dia do movimento foi marcado também pela prisão de dirigentes sindicais durante uma mobilização na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, episódio classificado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) como repressão ao direito constitucional de greve.

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Ainda na madrugada, trabalhadores entregaram a operação de plataformas no Espírito Santo e no Norte Fluminense às equipes de contingência da empresa. Houve também adesão integral no Terminal Aquaviário de Coari, no Amazonas. Pela manhã, por volta das 7h, petroleiros de ao menos seis refinarias deixaram de realizar a troca de turno, procedimento que impede o revezamento regular das equipes e exige a ativação de protocolos de contingência.

Segundo a FUP, a paralisação atingiu as refinarias Regap, em Betim (MG); Reduc, em Duque de Caxias (RJ); Replan, em Paulínia (SP); Recap, em Mauá (SP); Revap, em São José dos Campos (SP); e Repar, em Araucária (PR), evidenciando o caráter nacional da greve.

O coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, afirmou que a paralisação foi aprovada “quase por unanimidade” nas assembleias realizadas em todo o país. De acordo com ele, a greve se tornou inevitável diante da falta de diálogo com a gestão da Petrobras.

“Há mais de três meses apresentamos nossa pauta e os três eixos centrais seguem sem resposta: o fim definitivo dos planos de equacionamento do déficit, a reconquista de direitos históricos retirados da categoria e uma Petrobrás comprometida com a soberania nacional e com seus trabalhadores”, disse.

Sérgio Borges, diretor do Sindipetro-NF e da FUP, destacou que o primeiro dia do movimento já demonstra forte mobilização em diversos estados. “O primeiro dia da greve nacional da categoria petroleira já demonstra um movimento muito forte em todos os estados do país. Temos relatos de adesão nas plataformas do Norte Fluminense, do Rio de Janeiro, de São Paulo e do Espírito Santo, além de paralisações em refinarias, terminais de processamento de gás e bases administrativas que iniciaram o movimento desde a madrugada ou ao longo desta manhã”, afirmou.

No Norte Fluminense, diretores sindicais acompanham o movimento em aeroportos, unidades operacionais, áreas administrativas e portuárias. Nas plataformas, segundo os sindicatos, os trabalhadores realizam os procedimentos de parada, entrega das unidades e solicitação de desembarque, enquanto os petroleiros em terra se organizam para as atividades da greve.

Em Duque de Caxias, a mobilização foi interrompida por ação da Polícia Militar. De acordo com a FUP, houve uso de força, com agressões e spray de pimenta, além da detenção do secretário-geral do Sindipetro Caxias, Marcello Bernardo, e do integrante titular da CIPA, Fernando Ramos. Ambos foram levados à delegacia e liberados por volta das 10h. Os dirigentes devem passar por exame de corpo de delito ainda nesta segunda-feira.

A federação repudiou a ação policial e afirmou que episódios como esse representam tentativa de criminalização do movimento sindical e violação do direito de greve. Para a entidade, a repressão tende a ampliar a insatisfação da categoria e reforça a necessidade de avanços na negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

Entre as principais reivindicações estão a distribuição justa da riqueza gerada pela Petrobras, o fim dos Planos de Equacionamento de Déficits (PEDs) da Petros e a chamada pauta do “Brasil Soberano”, que inclui a suspensão de desinvestimentos e demissões no setor de Exploração e Produção.

Os petroleiros defendem a recuperação de direitos retirados em governos anteriores, melhores condições de trabalho, inclusive para terceirizados, e uma solução definitiva para os equacionamentos da Petros.

Paralelamente à greve, aposentados e pensionistas realizam, pelo quinto dia consecutivo, uma vigília em frente ao Edisen, edifício-sede da Petrobras, no centro do Rio de Janeiro. O ato cobra uma proposta concreta para o fim dos PEDs, que, segundo os manifestantes, têm causado perdas financeiras significativas, especialmente entre aposentados e pensionistas. A vigília seguirá por tempo indeterminado até que a empresa apresente respostas às reivindicações.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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  1. emerson57

    15 de dezembro de 2025 4:33 pm

    “Em Duque de Caxias, a mobilização foi interrompida por ação da Polícia Militar.”
    A PM não age contra greve se não tiver ordem.
    Quem deu a ordem para usar violência?
    Será que alguém sabe?
    O governador que por acaso é chefe da PM foi avisado?
    Alguém da empresa solicitou a presença da PM?
    Sem esses nomes divulgados a queixa fica sem efeito!

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