
Ainda abalado com o discurso inflamado com que o procurador político da Globo, Arnaldo Jabor, também conhecido como o Demóstenes tucano, acusou os governos petistas de nada terem feito para a humanização do sistema penitenciário de cujas mazelas agora são vítimas, Simplício escreveu uma carta ao Governo pedindo esclarecimentos a respeito. “Se isso for verdade, observou, é preciso levar Jabor mais a sério e considerar a possibilidade de um movimento político pela volta dos tucanos ao poder, como é desejo dele.”
– Chegaram as informações, anunciou Angeline. Parece que o Jabor é um idiota desinformado.
– Como assim?, reagiu Simplício. Sempre me pareceu apenas um pernóstico de má fé.
– Não sou petista, mas não creio que usar um programa de televisão aberta, concessão pública, para atacar sistematicamente um partido político com mentiras deslavadas e com o propósito único de manipular a opinião pública e favorecer o partido adversário é o mais próximo que podemos ter de um crime eleitoral descarado. Cadê o TSE para ver isto?, observou Angeline. Não é crime fazer propaganda fora do período eleitoral?
– Mas vamos logo aos números, Angeline. O que dizem?
– Dizem que entre 2003 e 2012 o número de vagas prisionais aumentou de 179 489 (estoque histórico) para 318 739. Um aumento de 77,6% nos governos petistas. Enquanto isso, no período anterior, Fernando Henrique, com sua política de promoção do desemprego, deve ter sido o presidente que mais produziu marginais e presos na história da República.
– Em compensação ele vendeu as estatais para modernizar o Brasil, sugeriu laconicamente Simplício.
– Inclusive empresas estratégicas de serviços, como a Telebrás, a Embratel, as distribuidoras elétricas e, crime de todos os crimes, a Vale do Rio Doce, que deveria funcionar, junto com a Petrobrás e a Telebrás, como nossos braços estratégicos na promoção do desenvolvimento industrial brasileiro.
– Lula não privatizou. Mas o governo Dilma está privatizando, insistiu Simplício.
– É um erro, pois as empresas de serviços que estão sendo privatizadas vão sobrecarregar as contas externas quando começarem a mandar lucros para o exterior. Contudo, são empreendimentos a serem feitos, e não empreendimentos prontos, como os privatizados por Collor e Fernando Henrique. Além disso, em certas áreas de infraestrutura os governos do PT investiram pesadamente.
– Onde?, perguntou Simplício.
– No setor elétrico, por exemplo. De 2007 a 2010 foram concluídas 24 usinas hidrelétricas, com capacidade total de 4,7 mil MW. Outras estão sendo concluídas, como Santo Antônio, Girau e Simplício, sua xará. Belo Monte está a caminho, se o Ministério Público e os antropólogos deixarem. Agora cadê as hidrelétricas dos tucanos?, questionou Angeline.
– Ás vezes penso que os tucanos, sob a liderança implacável de Jabor, do sistema Globo e de “Veja”, têm um compromisso ecológico infinito: não gostam de construir nada para não agredir o meio-ambiente. A folha corrida eles é um horror: no plano federal, não fizeram nada. No plano estadual, sobretudo em São Paulo, especializaram-se em obas superfaturadas do metrô. A propósito: Jabor, o implacável catão anti-corrupção, não tocou nesse tema. Tem medo de atirar no próprio pé?
Angeline se apoiou no ombro de Simplício para ver o que escrevia na agenda vermelha: Macaco senta no rabo para falar mal do rabo dos outros!
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