Jornal GGN – Em um dia de poucos indicadores econômicos, as negociações na bolsa de valores fecharam o dia em queda por conta do vencimento de opções sobre o índice e algumas preocupações domésticas, além da falta de fôlego nas negociações internacionais.
O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) encerrou o dia em queda de 0,51%, aos 48.216 pontos e um volume negociado de R$ 12,243 bilhões – por conta do vencimento de opções do índice. Com isso, a bolsa acumula alta de 1,22% no mês, e queda de 6,39% no ano. As maiores altas do dia foram as ações da
Cemig (CMIG4), Usiminas (USIM5) e Tractebel (TBLE3). Já as maiores baixas ficaram por conta dos papéis da BVM&F Bovespa (BVMF3), Even (EVEN3) e BR Properties (BRPR3).
“O Ibovespa terminou a quarta-feira em baixa e as principais bolsas norte-americanas operam sem uma tendência definida (…), com os investidores dando uma pausa nas compras, após o índice S&P 500 subir por quatro pregões consecutivos”, dizem os agentes do BB Investimentos. Amanhã haverá um novo discurso da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, desta vez diante do Senado dos EUA.
Os números referentes à balança comercial da China não foram suficientes para puxar os ganhos da bolsa no dia. Dados oficiais mostram que o superávit comercial do país chegou a US$ 31,86 bilhões em janeiro, acima do apurado em dezembro de 2013, quando o total foi de US$ 25,6 bilhões. As exportações foram 10,6% maiores em relação ao visto em janeiro em 2013, ao passo que a melhora das importações foi de 10%.
O humor do mercado foi diretamente afetado por um relatório elaborado pelo Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos), que colocou o Brasil como o segundo país emergente mais vulnerável, sendo superado apenas pela Turquia. Preocupações quanto a vulnerabilidade da economia brasileira também foram levadas em consideração – até mesmo a possibilidade de uma crise no setor energético, tanto por conta do aumento do consumo como pela estiagem prolongada em algumas regiões, o que pode comprometer o abastecimento.
Além disso, o presidente do Fed de Saint Louis, James Bullard, declarou que o crescimento da economia dos EUA deverá continuar mostrando recuperação, após os dados positivos do PIB dos dois últimos trimestres de 2013, devendo ficar em torno de 3% este ano. Bullard também se mostrou otimista com a queda da taxa de desemprego, atualmente em 6,6%. “O nível de desemprego de 6,5% é atualmente o gatilho para o início do ciclo de aperto monetário, mas com a taxa se aproximando deste patamar e a inflação permanecendo abaixo da meta de 2%, poderão levar o banco central a rever em breve esta diretriz”, dizem os analistas.
No câmbio, a cotação do dia no mercado à vista de balcão subiu 0,83%, a R$ 2,4230. De acordo com informações do serviço Broadcast, da Agência Estado, as negociações com a moeda também foram afetadas pelo relatório do Federal Reserve, assim como pelo pronunciamento de Janet Yellen, que sinalizou que a redução gradual dos incentivos econômicos no país será mantida. A moeda chegou a perder um pouco de força por conta dos números do fluxo cambial brasileiro, mas voltou a ganhar fôlego logo em seguida. Segundo o Banco Central, fluxo cambial (que representa a movimentação de entrada e saída de dólares) encerrou a primeira semana de fevereiro com um saldo favorável de US$ 46 milhões, decorrente de US$ 1,467 bilhão em entradas financeiras, e o saldo comercial negativo de US$ 1,421 bilhão.
A agenda macroeconômica de quinta-feira será um pouco mais movimentada, com destaque para a divulgação das vendas no varejo no Brasil; os novos pedidos de seguro-desemprego, vendas no varejo e estoques de empresas nos Estados Unidos, além do índice de preços ao consumidor (IPC) na Alemanha e o índice de preços ao produtor (IPP) na China.
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