4 de junho de 2026

Pronunciamento de Yellen ajuda bolsa a subir 1,58%

Jornal GGN – O forte desempenho dos mercados nos Estados Unidos ajudou o mercado brasileiro a se recuperar, a ponto de o índice oficial de negociações voltaram à casa dos 48 mil pontos. O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) fechou em alta de 1,58%, aos 48.462 pontos e um volume negociado de R$ 6,519 bilhões. Agora, o índice acumula alta de 0,81% na semana e de 1,73% no mês, mas perde -5,91% no ano e -17,15% em 12 meses. As maiores altas foram as ações da Sabesp (SBSP3), BR Properties (BRPR3) e Brookfield (BISA3). As maiores baixas foram: Lojas Renner (LREN3), Banco do Brasil (BBAS3) e Anhanguera (AEDU3).

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Em um dia de poucos indicadores econômicos, o principal fator que ajudou os investidores a voltarem ao mercado foi o discurso da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, no qual reafirmou que o banco central continuará com o programa de compras de ativos para estimular a economia do país, o que foi interpretado pelo mercado “como uma continuidade do legado de Ben Bernanke na instituição”, dizem os agentes do BB Investimentos. Nas duas últimas reuniões, a autoridade monetária norte-americana reduziu o programa mensal de compras de bônus em US$ 10 bilhões de cada vez, chegando a US$ 65 bilhões. A nova presidente do Fed ressaltou que as compras seguirão em queda comedida caso os indicadores econômicos do país continuem apresentando o resultado considerado esperado.

Além disso, Janet Yellen disse que “ultrapassar o gatilho de desemprego de 6,5% não significa aumento automático dos juros”, e que a taxa de juros vai continuar próxima de zero mesmo depois de o desemprego dos Estados Unidos ficar abaixo de 6,5%. De acordo com ela, “a acomodação continuará por um tempo considerável após o fim das compras de bônus”.

“Além de manter sua posição “dovish”, ou seja, a favor dos estímulos monetários, Yellen reforçou que a taxa de juros deve ser mantida em patamar baixo, pois apesar da melhora da economia, alguns fundamentos ainda se mantêm frágeis. Os recentes dados fracos do mercado de trabalho não devem alterar o rumo da redução dos estímulos, mas o Fed continuará a monitorar os dados do emprego e da inflação para a tomada de futuras decisões”, ressalta o BB Investimentos, em relatório assinado pelo analista Nataniel Cezimbra.

“As bolsas abriram respirando um pouco após a divulgação dos dados de exportação da China, que vieram bons”, diz o analista Pedro Galdi, da corretora SLW. “(Janet) Yellen fez um pronunciamento que acalmou o mercado, e as bolsas começaram a subir, e o que vimos foi uma recuperação quase que generalizada do nosso mercado. Contudo, não dá para definir o comportamento da bolsa de outra forma que não seja bipolaridade”.

No câmbio, a cotação encerrou o dia em queda de 0,17% no mercado de balcão, a R$ 2,4030. Segundo informações do serviço Broadcast, da Agência Estado, a cotação oscilou entre quedas e altas ao longo do dia, mas o leilão de swap cambial (venda de moedas realizado pelo Banco Central e as palavras da nova presidente do Federal Reserve ajudou a cotação a se acomodar e a se alinhar com o que é visto no mercado internacional.

A agenda macroeconômica será de poucos eventos: no Brasil, ocorre o vencimento de opções na bolsa, o que deve trazer volatilidade para os negócios. No exterior, destaque para os dados do orçamento norte-americano, a produção industrial da zona do euro e os números da balança comercial da China. “Vamos ficar mais por conta do vencimento de opções no Brasil e pelos dados da China, como balança comercial, investimento estrangeiro direto, entre outros dados. Ainda tem muita coisa para vir, e a gente tem que acompanhar”, diz Galdi.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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