4 de junho de 2026

Economia solidária, Big Data e o desafio de enxergar quem trabalha fora das estatísticas

Especialistas discutem uso da tecnologia para a inclusão social, garantindo direitos diante das novas dinâmicas da economia popular

Economia Solidária e IA são usadas para identificar trabalhadores invisíveis e modernizar o mercado de trabalho no Brasil.
Especialistas propõem integrar cadastros como CadÚnico e eSocial para mapear trabalhadores da economia formal e informal.
Ministério do Trabalho e Banco Mundial desenvolvem plataforma SINE para conectar cursos técnicos a demandas reais do mercado.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Do Projeto Brasil

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Economia Solidária aliada à inteligência artificial e análise de dados são ferramentas estratégicas para combater a pobreza e modernizar o mercado de trabalho brasileiro. O Projeto Brasil recebeu especialistas que discutem a necessidade de unificar cadastros governamentais e estatísticas para identificar trabalhadores invisíveis, como aqueles em plataformas digitais ou na informalidade, superando métricas tradicionais de desemprego.

O debate, levantado por Ricardo T. Neder, pesquisador plataformas digitais solidárias e reindustrialização (UnB), contou como convidada a Subsecretária de Estudos e Estatísticas do Ministério do Trabalho (MTE), Paula Montagner.

Segundo eles, a integração de grandes bases de dados (Big Data) e o uso de inteligência estratégica são vistos como ferramentas fundamentais para superar a pobreza no Brasil, pois permitem identificar realidades antes invisíveis e conectar trabalhadores a oportunidades reais de qualificação e emprego.

Neder explicou que as estatísticas tradicionais de desemprego são consideradas insuficientes para captar a complexidade do mercado de trabalho atual. Nesse sentido, os especialistas narraram como a integração de dados permite mapear o movimento transversal do trabalhador entre a economia formal e a economia popular, identificando ocupações fragilizadas que hoje não são captadas, como os “data workers” (pessoas que treinam algoritmos de IA) e trabalhadores de plataformas digitais.

Montagner concordou que as estatísticas atuais ainda falham em captar as ocupações mais fragilizadas da economia digital. Ela mencionou especificamente os “data workers” — pessoas, em sua maioria mulheres, que trabalham de casa ensinando algoritmos de inteligência artificial (machine learning) para grandes grupos internacionais — sobre os quais o Brasil ainda não possui estatísticas oficiais sólidas. Para Ricardo Neder, sem esses dados, as políticas públicas “estão de costas” para uma massa de trabalhadores subempregados.

O pesquisador expôs a proposta de transformar o SINE em uma plataforma de Big Data proativa, integrando informações do CadÚnico (Bolsa Família), eSocial e cadastros de economia solidária. Esse rastreamento permitiria, segundo Neder, políticas de incentivo mais assertivas para quebrar o ciclo da pobreza.

No olhar dos especialistas, outro uso dos dados para o combate à pobreza passa pelo modelo de reindustrialização tecnológica, capacitando jovens e pequenos empreendedores com “Big Data” para orientar políticas públicas de qualificação profissional. O uso de dados pode qualificar pequenos empreendimentos para participar de cadeias de valor mais complexas.

Em sua participação, Montagner também destacou o esforço do Ministério do Trabalho em criar plataformas digitais acessíveis que conectem certificações, cursos técnicos e oportunidades reais de emprego.

Ela detalhou um projeto em parceria com o Banco Mundial, inspirado no modelo da Coreia do Sul, para transformar o SINE (Sistema Nacional de Emprego). Trata-se de uma plataforma que conecta os currículos do Sistema S (SENAI, SENAC) e escolas federais com as demandas reais do mercado. Nesse projeto que está sendo finalizado pelo governo, a ideia é que o jovem possa ver quais cursos estão disponíveis e como eles se traduzem em ocupações e salários melhores, facilitando a mobilidade social por meio do conhecimento digital.

A representante do Ministério do Trabalho defendeu que a integração de dados funciona como um filtro de precisão que permite identificar o vasto contingente da economia popular, dando-lhe a qualificação e a estrutura necessárias para que ele se torne tão valioso e produtivo quanto o setor mais avançado do país.

O debate reforçou que a tecnologia deve servir à inclusão social, garantindo direitos e melhores remunerações diante das novas dinâmicas da economia popular.

Assista à íntegra do programa do Projeto Brasil no YouTube:

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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