4 de junho de 2026

Madonna fala sobre liberdade ao apresentar Pussy Riot

Sugerido por Gunter Zibell – SP

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Madonna fala sobre liberdade ao apresentar Pussy Riot em Festival

 

Madonna esteve presente ontem no Barclays Center, em Nova York, para apresentar duas integrantes da banda Pussy Riot em um festival promovido pela Amnesty International, movimento de apoio aos direitos humanos. A Rainha do Pop aproveitou a oportunidade para falar sobre algumas situações de opressão que sofreu durante as apresentações da MDNA Tour na Rússia, e criticou o regime do País.

 

Confira:
 

“Bem, eu gostaria primeiramente de agradecer ao Pussy Riot por fazer a palavra ‘pussy’(vagina) uma palavra falável na minha casa. Antes era algo ‘ilegal’, e agora meus dois filhos pequenos saem pela casa falando isso o tempo todo; em referência ao Pussy Riot, claro.          

Não é coincidência que eu estava em turnê mundial, e que fui fazer um show em Moscow em um período no qual as Pussy Riot estavam presas por organizarem uma apresentação de dois minutos de uma de suas canções em uma igreja. A música critica o presidente Vladimir Putin e seu regime de intolerância contra a comunidade gay, a liberdade artística, a liberdade de expressão e aos direitos humanos em geral.          

Eu fiquei chocada quando descobri isso, e resolvi falar abertamente a respeito quando estava no palco. Por isso, recebi ameaças de morte, e certamente meu número de seguranças teve que dobrar. Primeiro estivemos em São Petesburgo; meu show foi atacado e criticado pelo regime por ser um ‘show gay’ e por promover a homossexualidade… o que eu comecei a fazer.          

Enfim, todas as pessoas trabalhando e performando no meu show, incluindo eu mesma, estávamos correndo risco de sermos presos por encorajar um “comportamento gay” no show, o que eu tenho que dizer não influenciou em nada já que não mudei um segundo da apresentação… e não fui presa.          

Infelizmente eu fui processada em 1 milhão de reais por esse ato criminal e 87 fãs meus foram presos por “comportamento gay” – seja lá o que isso significa. Então aqui estamos 2 anos depois… Pussy Riot está fora da cadeia. Obrigada não somente ao movimento ‘Amnesty International’, mas as milhares de vozes e ações de demonstração ao redor do mundo de pessoas que se importam com os direitos humanos. Muito Obrigada. E não é por isso que estamos todos aqui hoje a noite pessoal, para celebrar os direitos humanos, certo?          

Mas vocês não acham estranho termos a expressão ‘direitos humanos’ em nosso dicionário, já que, não é algo que deveríamos lutar pra ter? O certo é ser livre, se expressar, ter uma opinião, amar quem quisermos amar, ser quem somos… nós temos mesmo que lutar pra ter isso? Isso é uma besteira.         

Eu sempre me considerei uma lutadora da liberdade, desde os anos 80 quando eu percebi que tinha uma voz e que poderia cantar sobre mais coisas do que ser uma garota materialista ou como uma virgem. E eu definitivamente tenho sido punida por isso, por falar o que está na minha cabeça, e por não ignorar esse tipo de discriminação. Mas tudo bem.           Quando eu estive na Russia, e pude presenciar o que estava acontecendo com Pussy Riot e com a comunidade gay, percebi o quão sortuda eu sou por viver em um país onde eu posso me expressar. Eu sei que a América não é perfeita, é verdade, mas eu posso falar aquilo que está na minha cabeça; eu posso criticar o governo; eu posso criticar os fundamentalismos religiosos, isso sem sentir medo de ir parar na cadeia; pelo menos não ainda. Eu não costumo tomar essa liberdade de forma reprimida, e acho que vocês também não deveriam.

As duas membros do Pussy Riot que vou apresentar agora não tem esses direitos em seu país de origem. Elas não compartilham da mesma liberdade que eu. Portanto elas devem ser aplaudidas por sua coragem. Elas tiveram que lutar pelo que acreditam, e aceitaram as consequências. Eu consigo imaginar as injustiças que elas sofreram durante 2 anos presas, e sei que não estão arrependidas de suas escolhas e decisões e que se pudessem se sacrificariam de novo.            

É hora do resto do mundo ser tão corajoso quanto o Pussy Riot, e se rebelar contra pessoas como o presidente Putin, líderes e organizações que não respeitam os direitos humanos, e perpetuam opressão, discriminação e injustiça a todos. Nós temos uma obrigação moral de apoiar a todos que tenham sido perseguidos nas nossas ruas e do outro lado do mundo.           Eu gostaria de agradecer ao Amnesty International pelo seu apoio, e por fim, é meu privilégio e minha honra senhoras e senhores, apresentar a vocês Masha e Nadya do Pussy Riot. Garotas, subam ao palco!”

 

Veja o vídeo do discurso aqui

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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8 Comentários
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  1. alexis

    9 de fevereiro de 2014 12:23 pm

    A luta pela “liberdade” LGBT

    Madona sobre a “vagina”, agradecendo ao grupo Pussy Riot: Antes era algo ‘ilegal’, e agora meus dois filhos pequenos saem pela casa falando isso o tempo todo

    Fala sério!

  2. Avelino de Oliveira

    9 de fevereiro de 2014 12:43 pm

    Caro Nassif e demais
    Tente

    Caro Nassif e demais

    Tente brincar de Black Block na Rússia. Vladimir Putin, não é de bricandeira não.

    A CIA e o FBI, entre outros, sabem disso.

    Saudações

  3. Ed Döer

    9 de fevereiro de 2014 3:44 pm

    Só tem um porém. As duas já

    Só tem um porém. As duas já foram expulsas do próprio grupo por terem se tornado “pop demais”.

    http://www.bbc.co.uk/news/world-europe-26067971

    The letter read: “Unfortunately for us, they are being so carried away with the problems in Russian prisons, that they completely forgot about the aspirations and ideals of our group – feminism, separatist resistance, fight against authoritarianism and personality cult, all of which, as a matter of fact, was the cause for their unjust punishment.”

    1. Gunter Zibell - SP

      9 de fevereiro de 2014 5:15 pm

      Bem vindos à Rússia

      Mas é mais ou menos a mesma coisa, Ed. Questionar o Estado Penal, como essas dissidentes, tem ligação com luta contra autoritarismo e culto à personalidade, que é a proposta do grupo.

      O que os últimos dois anos mostraram ao Mundo é que a Rússia era uma fantasia. É muito menor do que seu discurso, não carece ser tão poupada pela blogosfera internacional.

      É apenas mais um país em desenvolvimento (um raro caso de país ex-desenvolvido) cujo poder aquisitivo internacional cresceu rápido graças a commodities.

      Mas…

      – não se reindustrializou, tornou-se dependente de exportação de hidrocarbonetos. Uma “grande Venezuela”;

      – não é uma democracia no sentido que estamos acostumados a viver. É apenas um lugar onde as pessoas têm o direito de obedecer ao partido principal, o Rússia Unida;

      – a concentração de renda é das piores da Europa;

      – o % de pessoas trabalhando para o Estado é dos maiores do mundo, o que, se não pode levar a inferências, pois dependeria de análise, faz pensar sobre eficiência da economia e dependência das pessoas da política;

      – a população resultou não ser muito maior que a do Japão, com o mesmo envelhecimento mas com apenas 40% da renda. E ainda maiores dificuldades de absorver imigrantes.

      – Quatro países da Europa Ocidental têm individualmente PIB maior. A Alemanha sozinha o dobro. A Ucrânia acabará preferindo associar-se à UE, anulando os esforços para recuperar a influência junto aos países da CEI e ex-satélites;

      – a economia é do tamanho do estado da Califórnia. Enfim, o PIB somado das economias da OTAN é 20 vezes o da Rússia, que no fundo não seria mais relevante que o Brasil (ou Turquia e Irã somados) se não fosse a herança de armamentos;

      – abandonou completamente qualquer tentativa de influenciar o Mundo com soft power cultural, pois tornou-se uma sociedade fechada em si mesma e incapaz de lidar com qualquer diversidade.

      O que seria o ‘moderno’ na Rússia?

       

      1. Ed Döer

        9 de fevereiro de 2014 5:18 pm

        Lutar contra o culto à

        Lutar contra o culto à personalidade “abraçado” num ídolo pop global é, no mínimo, contraditório.

        1. Gunter Zibell - SP

          9 de fevereiro de 2014 5:40 pm

          Seria, mas não é o caso.

          As que estão lutando contra o culto à personalidade não são a parte que ficou na Rússia? As que estão com Madonna são as que estão falando de repressão e prisões. Apesar da ligação entre as propostas, são nuances diferentes. E ídolos pop não têm poder para reprimir, apenas de influenciar positivamente. São substituíveis pelo público com grande facilidade se fizerem qualquer discurso equivocado.

    2. Atento

      9 de fevereiro de 2014 11:00 pm

      É verdade o grupo era formado

      É verdade o grupo era formado por oito garotas, e apenas essas duas correm o mundo tirando proveito da situação, lamentável!

  4. Gunter Zibell - SP

    9 de fevereiro de 2014 3:56 pm

    Quem venceu quem?

    http://oglobo.globo.com/mundo/quem-venceu-quem-11550611

    Protestos nos Jogos Olímpicos de inverno evidenciam realidade de intolerância na Rússia

    O show não foi considerado dos melhores pelos críticos musicais, mas fez um estrondoso sucesso político. No Barclays Center, o segundo palco mais importante de Nova York, lá estavam elas esta semana, de túnicas brilhantes com um imenso crucifixo desenhado em prata, ao lado de popstars como Madonna, Sting e Yoko Ono. Foi apenas uma das etapas da turnê político- músico-literária de duas das meninas da banda Pussy Riot: recém-libertadas após 21 meses de prisão por “blasfemarem” ao pedirem à Virgem Maria que nos livrasse de Putin, elas estavam hilárias no Colbert Show — um programa de humor e política na TV — e seríssimas no encontro com a direção do “New York Times”. Enquanto isso, na Rússia, Vladimir Putin presidia a grandiosa e espetacular abertura das Olimpíadas de Inverno, numa Sochi sob estado de sítio e de alta tensão por conta de ameaças de atentados. Quem venceu quem?

     

    Na batalha por corações e mentes do mundo ocidental, a vitória ficou com Maria Alyokhina, 25, e Nadejda Tolokonnikova, 24, as roqueiras feministas, determinadas a não deixar o brilho das imagens dos jogos no Cáucaso apagar a realidade da Rússia, um Estado intolerante que elas tiveram o desprazer de vivenciar na pele após o protesto contra a chegada ao Kremlin do ex-agente da polícia secreta soviética para o terceiro mandato.

     

    “Desde o início, mais do que música, nós fazemos uso da arte para expressar opinião política, porque é impossível conseguir isso através dos meios legais”, disse uma delas na entrevista antes do concerto beneficente no Brooklyn, produzido pela Anistia Internacional com a intenção de chamar a atenção para os prisioneiros de consciência — toda essa gente pacífica encarcerada ou perseguida por causa de convicções políticas, de raça, de gênero ou de identidade sexual.

    Sem medo de ser felizes e sem tempo de temer a volta à prisão, as duas estão em turnê pela Ásia, Europa e, agora os EUA, fazendo a defesa das mulheres e dos gays, denunciando o tratamento reservado aos prisioneiros políticos e lutando por uma transparência maior do sistema na Rússia. “Nós não somos uma banda, nosso objetivo nesta viagem aos EUA não é tomar um ar fresco e nos divertir, é falar dos prisioneiros políticos, cuja realidade vimos de perto.”

     

    É verdade, as Pussy Riot não são cantoras, nem punk, nem mesmo um grupo. A história delas está contada no livro “Palavras vão quebrar o cimento, a paixão das Pussy Riot”, escrito por uma outra célebre militante, Masha Guessen, jornalista com nacionalidade russa e americana, que acaba de se mudar para Nova York por causa do clima homofóbico da Rússsia de Putin — homossexual, com três filhos adotados, ela temia perder a guarda das crianças por causa das novas leis contra gays. Guessen descreve a vida levada pelas meninas nas prisões russas, não muito diferente dos horrores vivenciados nas cadeias brasileiras: abusos policiais, comida podre, janelas com buracos preenchidos por miolo de pão tornam as celas um frigorífico, canos entupidos faziam jorrar urina pelos cubículos onde dividiam espaço com presas comuns. “Na época soviética, presos políticos ficavam juntos em celas ou campos, agora isso acabou: nós estávamos com traficantes de drogas ou mulheres que mataram o companheiro ou marido depois de anos apanhando”, conta Maria no livro.

     

    Junto com as duas roqueiras, hoje um símbolo global da luta por direitos humanos na Rússia, muitos outros anônimos cidadãos de classe média foram presos por protestar contra Putin, em 2012, logo após a sua posse na Presidência. Estão mofando na cadeia, sem nenhuma prova consistente contra eles, mas receberão um veredicto marcado para ser anunciado no dia 21 deste mês, pouco antes do fim das Olimpíadas.

     

    “É bem o jeito de Putin se vingar”, disse Maria, na entrevista ao “New York Times”.

     

    É o dark side da Rússia, muito distante da colorida e rica História literária, artística e musical do país, mostrada na majestosa abertura das Olimpíadas de Inverno. Como diz o editorial do “New York Times”, não dá para ignorar a repressão sem alma, as cruéis novas leis antigay e o sistema legal corrupto no qual dissidentes políticos recebem longas sentenças por falsas acusações. Não dá para se livrar dessa imagem colada ao país com uma única frase — mesmo sendo boa. “Vitoriosos não são julgados”, disse o arrogante Putin. Engano dele, grandes espetáculos embelezam uma noite mas o brilho das medalhas de ouro e dos fogos de artifício não encobrem marcas de um regime antidemocrático.

     

     

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