4 de junho de 2026

‘Folha’ desembarca do trem-fantasma, por Luciano Martins Costa

Folha de S. Paulo desembarcou da teoria conspiratória no caso do conflito que se seguiu a uma sucessão de panes no sistema do metrô paulistano, na última terça-feira (4/2). Em editorial publicado na edição de sexta-feira (7/2), o diário paulista de alinha com seu principal concorrente, O Estado de S. Paulo, e reconhece que seria mais cômodo, “do ponto de vista do governo de São Paulo, que as panes (…) fossem consequência de uma ação orquestrada por vândalos”. O mais provável, na nova versão do jornal, “é que o discurso oficial seja apenas uma nova tentativa de desviar a atenção de problemas recorrentes”.

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O texto faz uma síntese do que parece ser um longo roteiro de trapalhadas, incompetência, mentiras e roubalheira do governo paulista nos últimos anos, para usar a linguagem corrente entre alguns dos mais lustrosos articulistas da mídia tradicional, quando se referem a escândalos envolvendo autoridades federais. Em poucas linhas, o editorial coloca nos trilhos uma versão dos fatos oposta à que o mesmo jornal vinha oferecendo nos últimos dias: a Folha afirma que a estratégia de culpar supostos esquemas de sabotagem já foi usada pelas autoridades paulistas para justificar “algumas das inúmeras falhas que se verificam no sistema de transporte sobre trilhos”.

O editorial vai das panes ao escândalo das licitações fraudulentas, fazendo afinal a correlação lógica entre o que parece ter sido um esquema sólido e institucionalizado de desvio de recursos, que pode ter durado vinte anos, e os problemas atuais de funcionamento dos trens. O efeito da corrupção e causa das panes, conforme se pode concluir do texto, é que “trens antiquados continuam em operação, e não há sinal de progresso nos procedimentos de segurança ou no atendimento ao usuário em momentos de crise”. Além disso, complementa, a malha metroviária tem se expandido “a passo de cágado” nas duas últimas décadas.

Para concluir, o texto opinativo da Folha de S. Paulo abandona expressões condicionais que têm caracterizado suas reportagens sobre o “suposto cartel que pode ter eventualmente sido praticado pela Siemens ou a Alstom” e afirma que, segundo o Ministério Público, contratos superfaturados “teriam causado prejuízo de R$ 800 milhões ao Metrô”.

Uma no cravo, outra no dedo

O que estaria por trás de guinada tão radical?

Era evidente, desde o primeiro momento, que a revolta dos usuários estava associada ao mau serviço prestado pelo sistema de transporte, somado ao calor insuportável que tem castigado a capital paulista e arrematado pela falta de informações aos passageiros e à truculência dos agentes de segurança do Metrô.

O outro diário paulista de circulação nacional, O Estado de S. Paulo, anotou já na urgência dos fatos os indícios que agora a Folha reconhece, conforme foi apontado por este observador na quarta-feira (5/2, ver “Pane no metrô e na imprensa”).

Na sexta-feira (7), a imprensa registra novos elementos da investigação sobre o esquema de superfaturamento no sistema de transporte sobre trilhos de São Paulo.

Na Folha, destaque para o valor espantoso a que pode ter chegado o volume de propinas pagas pelo cartel de empresas que negociaram com o Metrô: R$ 197 milhões.

Globo informa que ex-diretores do Metrô movimentaram em suas contas bancárias um total de R$ 11,6 milhões acima dos valores declarados à Receita Federal num período de dez anos, suspeitando-se que essa quantia tenha sido repassada a políticos.

Já o Estado de S. Paulo, que na véspera havia publicado editorial na qual desmoralizava a tese da sabotagem, esconde de seus leitores a “numeralha” da corrupção e reproduz parte de uma reportagem publicada pela Folha na véspera, segundo a qual a corregedoria do governo paulista envolve no escândalo o atual secretário de Infraestrutura da Prefeitura da capital.

O jornal dá uma no cravo e outra no próprio dedo, mas essa ciclotimia ainda é um avanço em relação ao partidarismo explícito que tem marcado os principais jornais do País na última década.

Nesta análise sumária e certamente parcial das escolhas recentes da imprensa, resta tentar entender por que a Folha, afinal, desembarcou do trem-fantasma da sabotagem, enquanto o Estado tem uma recaída e volta a agir explicitamente em defesa do governador de São Paulo.

Uma possibilidade é que os principais jornais de circulação nacional estejam sofrendo um surto de esquizofrenia.

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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12 Comentários
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  1. Nonato Amorim

    8 de fevereiro de 2014 9:49 pm

    HONESTAMENTE???

    Eu preferia, e prefiro, que a Folha e os demais continuassem a viajar nos trens fantasmas da vida. De tanto mentir ninguém mais acredita nessa turma. Mesmo quando fazem uma meia boca de meaculpa. Abrs.

    1. Rpv

      9 de fevereiro de 2014 12:05 am

      hehehe, boa esse

      hehehe, boa esse trocadilho…

      Tbm prefiro a FSP autêntica, descaradamente parcial. 

  2. Marco St.

    8 de fevereiro de 2014 9:54 pm

    Nem tanto. Nem tanto.
    Hoje a

    Nem tanto. Nem tanto.

    Hoje a Folha nos brindou com um “botão secreto” no Metrô e tentou  empurrar  mais um possível “apagão” elétrico, pela  24a. vez em 10 anos, no governo federal.

    Não querem deixar só o Alckmin com o balde vazio na mão.

  3. carlos afonso quintela da silva

    8 de fevereiro de 2014 10:00 pm

    Será a sinalização de que a

    Será a sinalização de que a eleição do Hadad já é considerada inevitável e se constitui na tentativa de preparar o caminho para uma adesão em troca de favores futuros? Desta gente tudo pode ser esperado.

  4. pedro paulo souza

    8 de fevereiro de 2014 10:14 pm

    Se no futuro, uma

    Se no futuro, uma investigação chegasse à conclusão que esses jornais usaram essas matérias para achacar o governo, garantindo-lhes o mensalão de cada dia, não me causaria espanto !!!!

  5. lenita

    8 de fevereiro de 2014 11:20 pm

    “Choque de realidade”

    A grande verdade é que não estão conseguindo mais esconder os escândalos paulistas do tucanato. Prá tudo há um limite e estão percebendo que não é com mentiras que ganharão credibilidade, exatamente ao contrário, eles a perdem dia a dia, já que os Blogueiros conscientes não permitem que a mentira avance. Penso que estão passando por um “Choque de realidade”, o que não deixa de ser salutar à democracia. Mas , veremos até onde irão.

  6. Nilva de Souza

    9 de fevereiro de 2014 2:28 am

    É achaque !

    É achaque !

  7. Webster Franklin

    9 de fevereiro de 2014 5:41 am

    A verdade é que os trens do

    A verdade é que os trens do metrô de São Paulo estão sucateados, após décadas de manutenções precárias, chegando ao absurdo de apresentar 16 falhas em um único mês. Manutenções preventivas inexistem!!!!  

  8. Giseldo

    9 de fevereiro de 2014 1:12 pm

    TRENSALÃO

    Acho que de tanto mentir vem com essa para o trem deles não descarrilhar.

    Isso é estratégia para se depois acusarem de que acobertaram a versão do governador vim dizer que o editorial mostra ao contrario, quando sabem que muitos dos leitores não fazem uma análise crítica do que vinha sendo publicado anteriormente.

  9. Hélio Jorge Cordeiro

    9 de fevereiro de 2014 1:47 pm

    ” Passando pro meio do carro!

    ” Passando pro meio do carro! Tem lugar lá na frente pra mais gente!” – Janot Trocador

  10. nilccemar

    9 de fevereiro de 2014 5:44 pm

    Vai ver que foram os próprios

    Vai ver que foram os próprios tucanos que deram-lhes uma liberação, um toque falem ai alguma coisa sobre o trensalão, senão, ninguém mais vai acreditar em nada.

  11. JOHN J.

    10 de fevereiro de 2014 2:31 am

    Velha Mídia Escrita e Falada

    Quem ainda acredita em tudo que vê, ouve ou lê na velha mídia nacional?

    Jornalões, tvs e rádios estão infestados de ‘jornalistinhas’ ma preparados ou ma intencionados,

    ansiosos por terem seus nomes citados nas redes sociais.

    Sinto-me, ás vezes,  até constrangido qundo ouço ou leio  alguma notícia que lo logo deduzo ser 

    mais uma babaquice de jornalista do tipo rolabosta que só quer aparecer e ver seu nome citado 

    nos comentários e redes sociais.

    ISSO É UMA VERGONHA, diz o bordão de um deles, VELHO E DECADENTE jornalista ultrapassado e sem futuro.

     

     

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