A Folha de S. Paulo desembarcou da teoria conspiratória no caso do conflito que se seguiu a uma sucessão de panes no sistema do metrô paulistano, na última terça-feira (4/2). Em editorial publicado na edição de sexta-feira (7/2), o diário paulista de alinha com seu principal concorrente, O Estado de S. Paulo, e reconhece que seria mais cômodo, “do ponto de vista do governo de São Paulo, que as panes (…) fossem consequência de uma ação orquestrada por vândalos”. O mais provável, na nova versão do jornal, “é que o discurso oficial seja apenas uma nova tentativa de desviar a atenção de problemas recorrentes”.
O texto faz uma síntese do que parece ser um longo roteiro de trapalhadas, incompetência, mentiras e roubalheira do governo paulista nos últimos anos, para usar a linguagem corrente entre alguns dos mais lustrosos articulistas da mídia tradicional, quando se referem a escândalos envolvendo autoridades federais. Em poucas linhas, o editorial coloca nos trilhos uma versão dos fatos oposta à que o mesmo jornal vinha oferecendo nos últimos dias: a Folha afirma que a estratégia de culpar supostos esquemas de sabotagem já foi usada pelas autoridades paulistas para justificar “algumas das inúmeras falhas que se verificam no sistema de transporte sobre trilhos”.
O editorial vai das panes ao escândalo das licitações fraudulentas, fazendo afinal a correlação lógica entre o que parece ter sido um esquema sólido e institucionalizado de desvio de recursos, que pode ter durado vinte anos, e os problemas atuais de funcionamento dos trens. O efeito da corrupção e causa das panes, conforme se pode concluir do texto, é que “trens antiquados continuam em operação, e não há sinal de progresso nos procedimentos de segurança ou no atendimento ao usuário em momentos de crise”. Além disso, complementa, a malha metroviária tem se expandido “a passo de cágado” nas duas últimas décadas.
Para concluir, o texto opinativo da Folha de S. Paulo abandona expressões condicionais que têm caracterizado suas reportagens sobre o “suposto cartel que pode ter eventualmente sido praticado pela Siemens ou a Alstom” e afirma que, segundo o Ministério Público, contratos superfaturados “teriam causado prejuízo de R$ 800 milhões ao Metrô”.
Uma no cravo, outra no dedo
O que estaria por trás de guinada tão radical?
Era evidente, desde o primeiro momento, que a revolta dos usuários estava associada ao mau serviço prestado pelo sistema de transporte, somado ao calor insuportável que tem castigado a capital paulista e arrematado pela falta de informações aos passageiros e à truculência dos agentes de segurança do Metrô.
O outro diário paulista de circulação nacional, O Estado de S. Paulo, anotou já na urgência dos fatos os indícios que agora a Folha reconhece, conforme foi apontado por este observador na quarta-feira (5/2, ver “Pane no metrô e na imprensa”).
Na sexta-feira (7), a imprensa registra novos elementos da investigação sobre o esquema de superfaturamento no sistema de transporte sobre trilhos de São Paulo.
Na Folha, destaque para o valor espantoso a que pode ter chegado o volume de propinas pagas pelo cartel de empresas que negociaram com o Metrô: R$ 197 milhões.
O Globo informa que ex-diretores do Metrô movimentaram em suas contas bancárias um total de R$ 11,6 milhões acima dos valores declarados à Receita Federal num período de dez anos, suspeitando-se que essa quantia tenha sido repassada a políticos.
Já o Estado de S. Paulo, que na véspera havia publicado editorial na qual desmoralizava a tese da sabotagem, esconde de seus leitores a “numeralha” da corrupção e reproduz parte de uma reportagem publicada pela Folha na véspera, segundo a qual a corregedoria do governo paulista envolve no escândalo o atual secretário de Infraestrutura da Prefeitura da capital.
O jornal dá uma no cravo e outra no próprio dedo, mas essa ciclotimia ainda é um avanço em relação ao partidarismo explícito que tem marcado os principais jornais do País na última década.
Nesta análise sumária e certamente parcial das escolhas recentes da imprensa, resta tentar entender por que a Folha, afinal, desembarcou do trem-fantasma da sabotagem, enquanto o Estado tem uma recaída e volta a agir explicitamente em defesa do governador de São Paulo.
Uma possibilidade é que os principais jornais de circulação nacional estejam sofrendo um surto de esquizofrenia.
Nonato Amorim
8 de fevereiro de 2014 9:49 pmHONESTAMENTE???
Eu preferia, e prefiro, que a Folha e os demais continuassem a viajar nos trens fantasmas da vida. De tanto mentir ninguém mais acredita nessa turma. Mesmo quando fazem uma meia boca de meaculpa. Abrs.
Rpv
9 de fevereiro de 2014 12:05 amhehehe, boa esse
hehehe, boa esse trocadilho…
Tbm prefiro a FSP autêntica, descaradamente parcial.
Marco St.
8 de fevereiro de 2014 9:54 pmNem tanto. Nem tanto.
Hoje a
Nem tanto. Nem tanto.
Hoje a Folha nos brindou com um “botão secreto” no Metrô e tentou empurrar mais um possível “apagão” elétrico, pela 24a. vez em 10 anos, no governo federal.
Não querem deixar só o Alckmin com o balde vazio na mão.
carlos afonso quintela da silva
8 de fevereiro de 2014 10:00 pmSerá a sinalização de que a
Será a sinalização de que a eleição do Hadad já é considerada inevitável e se constitui na tentativa de preparar o caminho para uma adesão em troca de favores futuros? Desta gente tudo pode ser esperado.
pedro paulo souza
8 de fevereiro de 2014 10:14 pmSe no futuro, uma
Se no futuro, uma investigação chegasse à conclusão que esses jornais usaram essas matérias para achacar o governo, garantindo-lhes o mensalão de cada dia, não me causaria espanto !!!!
lenita
8 de fevereiro de 2014 11:20 pm“Choque de realidade”
A grande verdade é que não estão conseguindo mais esconder os escândalos paulistas do tucanato. Prá tudo há um limite e estão percebendo que não é com mentiras que ganharão credibilidade, exatamente ao contrário, eles a perdem dia a dia, já que os Blogueiros conscientes não permitem que a mentira avance. Penso que estão passando por um “Choque de realidade”, o que não deixa de ser salutar à democracia. Mas , veremos até onde irão.
Nilva de Souza
9 de fevereiro de 2014 2:28 amÉ achaque !
É achaque !
Webster Franklin
9 de fevereiro de 2014 5:41 amA verdade é que os trens do
A verdade é que os trens do metrô de São Paulo estão sucateados, após décadas de manutenções precárias, chegando ao absurdo de apresentar 16 falhas em um único mês. Manutenções preventivas inexistem!!!!
Giseldo
9 de fevereiro de 2014 1:12 pmTRENSALÃO
Acho que de tanto mentir vem com essa para o trem deles não descarrilhar.
Isso é estratégia para se depois acusarem de que acobertaram a versão do governador vim dizer que o editorial mostra ao contrario, quando sabem que muitos dos leitores não fazem uma análise crítica do que vinha sendo publicado anteriormente.
Hélio Jorge Cordeiro
9 de fevereiro de 2014 1:47 pm” Passando pro meio do carro!
” Passando pro meio do carro! Tem lugar lá na frente pra mais gente!” – Janot Trocador
nilccemar
9 de fevereiro de 2014 5:44 pmVai ver que foram os próprios
Vai ver que foram os próprios tucanos que deram-lhes uma liberação, um toque falem ai alguma coisa sobre o trensalão, senão, ninguém mais vai acreditar em nada.
JOHN J.
10 de fevereiro de 2014 2:31 amVelha Mídia Escrita e Falada
Quem ainda acredita em tudo que vê, ouve ou lê na velha mídia nacional?
Jornalões, tvs e rádios estão infestados de ‘jornalistinhas’ ma preparados ou ma intencionados,
ansiosos por terem seus nomes citados nas redes sociais.
Sinto-me, ás vezes, até constrangido qundo ouço ou leio alguma notícia que lo logo deduzo ser
mais uma babaquice de jornalista do tipo rolabosta que só quer aparecer e ver seu nome citado
nos comentários e redes sociais.
ISSO É UMA VERGONHA, diz o bordão de um deles, VELHO E DECADENTE jornalista ultrapassado e sem futuro.