Imagem do jovem aglomerado de estrelas NGC1818, na Grande Nuvem de Magalhães Gaia, o satélite europeu que medirá um bilhão de estrelas, está em vias de entrar em operação nos próximos dois ou três meses.
Lançado em dezembro, o satélite prepara-se para se posicionar em seu ponto de observação, a cerca de 1,5 milhões de km da Terra.
Os engenheiros atualmente comissionam dois telescópios do Gaia e seus três instrumentos, preparando-os para o início da mensuração de posições e velocidades precisas para um bilhão de estrelas.
Como parte desse processo, registraram a imagem acima de um pequeno aglomerado de estrelas.
Este aglomerado situa-se na Grande Nuvem de Magalhães (LMC), uma galáxia satélite da nossa própria Via Láctea, a cerca de 160 000 anos-luz de distância.
Embora a imagem que acaba de ser lançada pela Agência Espacial Europeia pareça pouco surpreendente, isto não era realmente inesperado – obter bonitas imagens do céu não é propriamente a missão deste satélite.
Ao contrário, o trabalho de Gaia, quando estiver completamente operacional, será rastrear e caracterizar pontos de luz que se encontrem no campo de visão de sua grande câmera detectora – sejam estes estrelas, asteroides, cometas ou os lampejos gerados por objetos explosivos tais como supernovas – para calcular o quão longe eles estão e como estão se movendo em relação a nós.
Prof. Gerry Gilmore, da Universidade de Cambridge, principal investigador inglês no consórcio Gaia, disse à BBC News: “Esta imagem nos mostra que a incrível câmera que construímos no Reino Unido, a eletrônica e o computador de bordo estão funcionando perfeitamente”.
“Gaia não foi projetado para tirar fotos como o Hubble; este não é seu modo operacional. O que ele fará é escanear áreas menores centradas em cada uma dessas estrelas e enviar esses dados para a Terra”.
O satélite tem uma missão de duração inicial de cinco anos, para fazer seu mapa 3D do céu.
Pela observação repetida de seus alvos, poderemos medir as coordenadas das estrelas mais brilhantes com um erro de apenas sete microssegundos de arco – um ângulo equivalente ao subtendido por uma moeda de 1 real na superfície da Lua observado desde a Terra.
Um dos benefícios deste estudo será refinar a “escada” de distância usada para medir a escala do Universo.
Esta escada descreve uma série de técnicas que se ligam umas às outras de forma gradual, permitindo o cálculo da distância entre a Terra e alguns dos objetos mais distantes no cosmos.
No degrau mais baixo desta escada encontramos a técnica da paralaxe trigonométrica, que Gaia irá empregar para medir distâncias.
Tradicionalmente, esta técnica só pode ser empregada em estrelas da Via Láctea. Mas a óptica avançada de Gaia estenderá pela primeira vez o cálculo dessas paralaxes a estrelas da Grande Nuvem de Magalhães.
Até o momento, a distância à Grande Nuvem é determinada apenas indiretamente, com base no degrau seguinte da escada: as pulsações características de estrelas variáveis conhecidas como cefeidas.
Dispondo de algumas medições de paralaxe na Grande Nuvem, aos astrônomos poderão calibrar melhor a escada e suas diversas técnicas, tais como as pulsações de cefeidas. E isso dará mais confiança aos pesquisadores nos valores calculados para distâncias ainda maiores.
Gilmore explica: “Atualmente, temos a distância de precisão – ou seja, com 1% de erro – de apenas uma única estrela cefeida: Poláris (a Estrela Polar). Desta forma, toda a escala de distância para as Nuvens de Magalhães depende de uma base muito instável. Gaia será como um “teste de sanidade mental” na escada cósmica de distâncias, onde todos os nossos diferentes métodos de mensuração de distância se sobrepõem.
“Mas Gaia fará ainda mais que isso, porque até o momento a precisão com a qual podíamos trabalhar nos forçava a considerar que a Grande Nuvem de Magalhães fosse um único ponto em distância, isto é, não tivesse espessura. Só podíamos, portanto, considerar suas propriedades médias. Com Gaia, resolveremos a Grande Nuvem tridimensionalmente, o que nos informará mais sobre a sua estrutura, tornando-a acessível a um estudo científico detalhado.
(Traduzido de http://www.bbc.co.uk/news/science-environment-26073173)
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