3 de junho de 2026

A abrangência do lobo de Wall Street

Tive a oportunidade de ver no cinema o polêmico filme “O lobo de Wall Street”. O filme conta com a direção de Martin Scorsese e a atuação de Leonardo DiCaprio no papel do protagonista. Trata-se de uma adaptação do livro de memórias de Jordan Belfort, um corretor da bolsa de Nova York. Sua trajetória envolve drogas, dinheiro, sexo e crimes do colarinho branco.

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No livro “A morte da economia” (Companhia das Letras, 1996), Paul Ormerod citou que muitos indivíduos atraídos para esse mercado são “de natureza dominadora e até psicopata” (p.18). Para o autor, “é muito melhor absorvê-los em Wall Street ou na City londrina do que no crime organizado” (idem). O filme de Scorsese nos conduz ao encontro desses dois mundos.

Belfort acumulou uma fortuna de US$ 8 bilhões. Quando suas fraudes ficaram conhecidas no mercado, a revista Forbes publicou uma reportagem em 1991 na qual o descrevia como um Robin Hood às avessas, ou seja, roubava dos mais ricos para distribuir entre ele e seus amigos. O lobo ganhava US$ 12 milhões a cada três minutos e dos 26 aos 36 anos ele foi do topo à queda. Belfort foi preso pelo FBI e condenado a quatro anos de prisão, porém cumpriu apenas 22 meses. Após esse período de reclusão, ele tornou-se orador de questões motivacionais.

O filme apresenta reflexões importantes sobre a crise de valores que enfrentamos no presente. Ele não está sozinho nessa cruzada. No artigo “Corrupção à européia”, publicado no jornal Folha de S.Paulo (06/02/2014), Kenneth Maxwell traz um quadro bem complexo e preocupante. Vejamos: “Estima-se que a corrupção custe à economia da zona do euro cerca de € 120 bilhões (aproximadamente R$ 390 bilhões) ao ano. De acordo com o relatório [da Comissão Europeia], 76% da população europeia acredita que a corrupção seja generalizada; 90% a vê como problema na Grécia, Itália, Lituânia, Espanha, República Tcheca, Croácia, Romênia e Portugal; um quarto da população diz que a corrupção afeta sua vida pessoal; e metade da população diz acreditar que a corrupção aumentou nos últimos três anos”. Do universo empresarial consultado, 69% alegaram ser mais fácil pagar propinas e explorar conexões políticas para obter certos serviços públicos.

Maxwell apresenta ainda outros números preocupantes: “Na Dinamarca, por exemplo, apenas 20% da população consideram que a corrupção seja generalizada, enquanto em Portugal o índice é de 90%. Na Dinamarca, apenas 6% acredita que ´compadrio e nepotismo sejam problema para os negócios de sua empresa´, ante 57% em Portugal. Ainda na Dinamarca, 4% dos entrevistados acreditam que ‘a corrupção seja problema para os negócios de sua empresa’, ante 68% em Portugal”. De acordo com o relato de Maxwell, a corrupção deve custar R$ 70 bilhões anuais ao Brasil. Os escândalos envolvendo a alemã Siemens e a francesa Alstom deixam claro que tem sido institucionalmente complicada a relação entre política e mercado em nosso tempo.

Rodrigo Medeiros é professor do Ifes (Instituto Federal do Espírito Santo)

Rodrigo Medeiros

Professor do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e editor da Revista Interdisciplinar de Pesquisas Aplicadas (Rinterpap)

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. Alcides Oliveira Pinto

    7 de fevereiro de 2014 2:29 pm

    Parabéns pela excelente matéria!

    Caro Rodrigo, parabéns pela excelente matéria. Será que essa “praga da corrupção” poderá pelo menos um dia diminuir? Acho que não, enquanto houver corruptos (vírus). O tratamento disso é somente com medicação extremamente pesada.
     

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