Luis Nassif
Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
Válber Almeida
6 de fevereiro de 2014 5:02 amAinda sobre a pedofilia de Woody Allen
Gente, uma das possíveis vítimas da possível loucura da Mia Farrow resolveu, finalmente, expor um pouco do drama desta família.
Ex-enteado de Woody Allen nega que ele assediasse sua irmã e acusa Mia Farrow
http://br.noticias.yahoo.com/gasoduto-explode-pen%C3%ADnsula-eg%C3%ADpcia-sinai-20110205-010607-102.html
Nova York, 5 fev (EFE).- Moses Farrow, adotado por Mia Farrow junto com Woody Allen, saiu em defesa do diretor e negou que sua irmã Dylan, também adotada pela atriz, tenha sido assediada, e acusou a própria mãe de “envenenar” a família.
“Certamente que Woody não abusou da minha irmã. Ela sempre queria vê-lo quando chegava para visitar”, afirmou Moses Farrow em entrevista que aparecerá no próximo número da “People” e que já pode ser acessada em parte nesta quarta-feira no site.
Moses, de 36 anos, afirmou que durante anos sua mãe “introduziu na cabeça” que tinha que odiar Allen por ter desfeito a família e por ter abusado sexualmente de Dylan.
“Por ela o odiei durante anos. Mas agora posso ver que era uma forma de vingança para fazê-lo pagar por se apaixonar por Soon-Yi”, acrescentou Moses.
O jovem garantiu que a irmã Dylan nunca se escondeu de Woody Allen, o que só aconteceu quando sua mãe conseguiu impor na casa “um ambiente de medo e ódio contra o diretor”.
“Antigamente éramos seis ou sete pessoas em casa. Todos em espaço públicos e nem meu pai nem minha irmã estiveram em um espaço privado. Não sei se realmente minha irmã acredita que foi abusada ou faz isso para satisfazer a mãe”, acrescentou.
Dylan Farrow, de 28 anos, rompeu o silêncio que manteve por mais de duas décadas com uma carta aberta publicada no “New York Times” no sábado.
Nela, a jovem relatou com detalhes como, com sete anos, seu pai teria abusado dela, uma acusação que foi investigada na época e pela qual Allen foi inocentado.
Depois das declarações de Moses, Dylan rebateu e afirmou que “meu irmão está morto para mim”. Ela disse à “People” estar chocada com as alegações do irmão.
A filha de Mia, hoje com 28 anos, disse que “minha família precisa de mim. Não vou abandoná-la com fizeram Soon-Yi e Moses”.
Já Woody Allen, disse por meio de sua assessoria que as alegações são falsas e mentirosas e de acordo com seu assessor Leslee Dart, deve responder a elas também nas páginas de opinião do NYT. EFE
Fiódor Andrade
6 de fevereiro de 2014 5:24 amSindicato dos Jornalistas do Rio manifesta repúdio a Sheherazade
Nota de repúdio do Sindicato e da Comissão de Ética contra declarações da jornalista Rachel Sheherazade | SJPMRJjornalistas.org.br • February 06, 2014quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e a Comissão de Ética desta entidade se manifestam radicalmente contra a grave violação de direitos humanos e ao Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros representada pelas declarações da âncora Rachel Sheherazade durante o Jornal do SBT. O desrespeito aos direitos humanos tem sido prática recorrente da jornalista, mas destacamos a violência simbólica dos recentes comentários por ela proferidos no programa de 04/02/2014 (http://www.youtube.com/watch?v=nXraKo7hG9Y). Sheherazade violou os direitos humanos, o Estatuto da Criança e do Adolescente e fez apologia à violência quando afirmou achar que “num país que sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível” — Ela se referia ao grupo de rapazes que, em 31/01/2014, prendeu um adolescente acusado de furto e, após acorrentá-lo a um poste, espancou-o, filmou-o e divulgou as imagens na internet. O Sindicato e a Comissão de Ética do Rio de Janeiro solicitam à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) que investigue e identifique as responsabilidades neste e em outros casos de violação dos direitos humanos e do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, que ocorrem de forma rotineira em programas de radiodifusão no nosso país. É preciso lembrar que os canais de rádio e TV não são propriedade privada, mas concessões públicas que não podem funcionar à revelia das leis e da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Eis os pontos do Código de Ética referentes aos Direitos Humanos: Art. 6º É dever do jornalista: I – opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípiosexpressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos; XI – defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantiasindividuais e coletivas, em especial as das crianças, adolescentes, mulheres, idosos,negros e minorias; XIV – combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais,econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição físicaou mental, ou de qualquer outra natureza. Art. 7º O jornalista não pode: V – usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime; Também atuando no sentido pedagógico que acreditamos que deva ser uma das principais intervenções do sindicato e da Comissão de Ética, realizaremos um debate sobre o tema em nosso auditório com o objetivo de refletir sobre o papel do jornalista como defensor dos direitos humanos e da democratização da comunicação.
Fiódor Andrade
6 de fevereiro de 2014 5:31 amEmpresaria afirma que médica cubana tem marido em Miami
Da folha:
Empresária diz se sentir ‘usada’ por abrigar médica
DE BRASÍLIA
Cristina Roberto, 59, dona de um buffet em Brasília, diz ter abrigado a médica cubana Ramona Matos Rodriguez em sua casa, num bairro nobre de Brasília, entre a noite de sábado e terça-feira.
Cristina disse à Folha que conheceu Ramona e outros cubanos em outubro, quando serviu a alimentação do curso de acolhimento em Brasília, e que manteve contato com alguns deles.
Segundo Cristina, recentemente, Ramona telefonou dizendo que queria ir a Brasília num fim de semana porque se sentia sozinha. A empresária ofereceu sua casa para hospedá-la. Ela diz que Ramona chegou no sábado.
Cristina diz que só percebeu que a cubana havia deixado o programa na segunda, quando a médica foi à embaixada dos EUA.
Ramona teria pedido então abrigo por um mês. A empresária recusou, e a cubana deixou a casa na terça. Segundo Cristina, ela diz ter um marido cubano em Miami e não querer voltar a Cuba.
A empresária, que apoia o Mais Médicos, afirma se sentir “usada” e “indignada” com o fato de Ramona dizer que não sabia das condições do programa.
Ontem, a Folha tentou, sem sucesso, ouvir Ramona sobre o relato de Cristina. A liderança do DEM informou que a médica tem um ex-namorado nos EUA, mas que ela não tinha intenção de deixar Cuba quando chegou ao Brasil para o Mais Médicos. Agora, ela diz acreditar que corre risco de vida na ilha. (FLÁVIA FOREQUE, JOHANNA NUBLAT E MÁRCIO FALCÃO)
Fiódor Andrade
6 de fevereiro de 2014 6:17 amYvonnne Bezerra de Mello, “a mulher que ajuda bandidos”
Entrevista publicada pela Marie Claire em fevereiro de 2009 com Yvonne Bezzera de Mello que, depois da chacina da candelária e do sequestro do ônibus 174 volta agora às manchetes ao ajudar o jovem negro que foi preso a um poste por um bando de “justiceiros”:
ENTREVISTA DO MÊS – YVONNE BEZERRA DE MELLO
“Nem toda criança pobre é bandida”
Em seu trabalho com meninos de rua, ela conheceu Sandro, o garoto que, anos após sobreviver à chacina da candelária, sequestrou um ônibus, fez refém e, cercado, pediu: “Chama a tia Yvonne”. Muito por isso, há quem a acuse de proteger criminosos
Por Milly Lacombe* I Foto Luis Cobelo
O telefone tocou tarde da noite. Bom sinal não era. Yvonne, que ainda não tinha ido para a cama, atendeu logo para não acordar o marido, o empresário Alváro Bezerra de Mello, vice-presidente da rede de hotéis Othon. Era uma noite como outra qualquer no apartamento em que moravam, em uma área nobre do Rio de Janeiro. E o dia seguinte prometia ser menos comum: acordar cedo para montar. Cavalos são a paixão de Yvonne. Depois, ela iria à academia. A ligação, portanto, aconteceu em péssima hora. Do outro lado da linha, a voz desesperada de uma criança pedia ajuda. Yvonne só precisou de segundos para entender o que ocorrera: oito das 72 crianças da Candelária com as quais trabalhava tinham sido assassinadas. Ela saiu correndo. Era 23 de julho de 1993. Yvonne Bezerra de Mello, 61 anos, é carioca, filha de uma funcionária pública e um comandante da Marinha. Estudou na França, na Sorbonne, onde conheceu seu primeiro marido, um diplomata sueco, com quem teve três filhos. Na Europa, trabalhou como intérprete simultâneo, fez mestrado e doutorado em linguística e filologia e saiu de lá fluente em seis idiomas. Quando, em 1989, separada, voltou ao Brasil, tinha 34 anos. Assim que chegou, notou o enorme número de crianças nas ruas e decidiu que iria trabalhar com elas, alfabetizando-as e ensinando-lhes algo a céu aberto. É parte de uma ideologia antiga: ela sempre acreditou que só diminuindo o abismo educacional entre as classes o Brasil irá melhorar. Foi, então, para a Candelária, onde, na época, meninos e meninas se agrupavam às dezenas. Lá, conheceu Sandro Nascimento -um dos sobreviventes da chacina, que, sete anos depois, sequestrou o ônibus 174 e foi o protagonista de outra tragédia, televisionada em rede nacional e encerrada com a chocante morte da refém. Yvonne fez seu mesmo trabalho com Sandro e, de certa forma, com ele fracassou. Hoje, depois de lidar com mais de 2 mil crianças de rua, ela é tida por uma parcela da elite carioca como ‘a mulher que ajuda bandidos’, muito por causa da trajetória de Sandro -depois do sequestro do ônibus, ele foi detido pela polícia e morreu no camburão, conforme divulgado, por asfixia. A história até virou um longa de ficção, Última parada 174. Naquela noite de 23 de julho de 1993, a vida de Yvonne começava a mudar radicalmente. Ela não sabia, mas a morte dos meninos acabaria, anos depois, salvando vidas. Ao chegar à Candelária, ela viu oito corpos no chão e dezenas de meninos correndo e gritando. Ali entendeu que era preciso fazer mais: nascia em sua cabeça o Projeto Uerê, que recupera, por meio da educação, crianças com poucas chances na vida – e se sustenta com doações e apoio de empresas. Num país de realidade distorcida como o nosso, Yvonne pode ser considerada marginal, protetora de bandido mirim. Numa sociedade menos míope, ela seria apenas uma mulher ordinária capaz de gestos extraordinários. Marie Claire Como a chacina da Candelária mudou sua vida? Yvonne Bezerra de Mello Foi decisiva para a criação do Uerê. Meu trabalho não era organizado. Ali percebi que tinha um compromisso comigo e com os meninos de rua. MC O que você fez depois da chacina? YBM Fui fazer doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro e também na Loyola University, em Chicago (EUA), e comecei a desenvolver um projeto para preparar o cérebro de crianças sem estímulo, para que sejam receptivas à informação e ao armazenamento desta. [Em 2007, ela recebeu, na Alemanha, o Prêmio Paz no Mundo e Cidadania, da União Europeia, pela metodologia aplicada pelo Uerê no Complexo da Maré.] MC Por que você foi a primeira pessoa a chegar à Candelária, antes da polícia? YBM Todas as noites, antes de ir para casa, deixava três fichas telefônicas com os meninos para que eles me ligassem se alguma coisa acontecesse. Assim que os tiros começaram, um deles me ligou. A cena era de massacre, não tinha ninguém lá ainda, nem polícia, nada. MC Você entrou em pânico? YBM Fiquei angustiada, mas aquilo era previsível porque os meninos eram ameaçados todos os dias. Eles me contavam que os policiais falavam: ‘Nós vamos vir de noite para matar vocês’. MC E não lhe ocorreu denunciar que eles estavam sendo ameaçados? YBM Fui à Subprefeitura do centro e avisei. Fiz o que me cabia. O governo tinha que fazer algo, só que nunca fez. MC Quanto tempo a polícia demorou a chegar ao local? YBM Horas. Cheguei perto da meia-noite e ficamos sozinhos até as 6 da manhã. Só depois chegou a imprensa e o rabecão veio buscar os corpos. Aí coloquei os meninos no meu carro, que era uma perua, dava uns 10 dentro, e fui levando de dez em dez à 1a. DP da Praça Mauá. MC É verdade que, depois, as crianças receberam proteção do tráfico? YBM Eles mandaram uma mensagem que, se eu quisesse ir com as crianças para um abrigo, poderia ir. E eu fui com eles para a favela do Cachoeirinho, no Meyer. Fiquei 15 dias lá com os meninos. MC A polícia fuzilou, o tráfico protegeu. É uma realidade alterada. YBM No Brasil existem distorções. Muitas comunidades são salpicadas por milicianos do tráfico e o poder público atua pouco aí, né? MC Essas crianças só têm chance se aceitarem a proteção do tráfico? YBM Essas crianças não têm chance. MC Como assim? YBM Se não há políticas públicas adequadas, o buraco entre classes sempre existirá. E o buraco nem é de pobreza. É educacional. O problema do Brasil é esse. Quem não tiver estímulo intelectual estará condenado a ser subempregado, na melhor das hipóteses. MC Você é uma mulher da classe alta, casada com empresário… Poderia ficar longe dessa realidade cruel. YBM No dia do meu aniversário de 13 anos, minha mãe me disse: ‘Você já é grandinha, pode começar a fazer algo pelo seu país’. E eu comecei. Fui ler para cegos, depois trabalhei no Instituto Pestalozzi com crianças com dificuldades, participei do Projeto Rondon no Ceará e resolvi que ia me dedicar a pesquisas com crianças em áreas de risco. MC Quando você saiu do Brasil? YBM Com 18 anos, fui estudar na Europa. Lá, trabalhei como intérprete do Mercado Comum e, aos 20, casei com um diplomata sueco. Comecei a ir muito a África com ele, a países miseráveis, e vi que a situação daquelas crianças era semelhante à das brasileiras: havia enorme dificuldade de aprendizado. Fui estudar as causas e desenvolvi a metodologia que uso no Uerê. [Seu método inclui exercícios para desbloquear traumas, responsáveis, segundo ela, por dificuldades de aprendizado, e para estimular o cérebro, preparando-o para armazenar informações.] MC Como começou a trabalhar com crianças de rua? YBM Aos 34 anos, separada, voltei ao Brasil e notei que havia um número enorme de crianças na rua. Comecei a trabalhar com um grupo em Copacabana, depois fui para a Candelária. Criei uma escola sem portas nem janelas e esbocei ali o método que desenvolvi. MC Você viu o filme Última parada 174? YBM Várias vezes. Conversei muito com o Bruno [Barreto, o diretor] antes de ele filmar. Ele pegou a essência da vida do Sandro, que foi a passagem de um menino de favela, que brincava, ia à escola, jogava bola de gude e tal, e mostrou a mudança desse menino que estava havia um tempo na rua. Esse momento me emociona muito e me emociona também quando esse menino, lá do ônibus, grita: ‘Chama a tia Yvonne!’. Aquilo até hoje me dá agonia. Penso: ‘Se eu tivesse sabido o que estava acontecendo e ido até lá, talvez o desfecho fosse outro’. Mas eu não soube, não fui, paciência. MC Você tem pesadelos com isso? YBM Não, todas as minhas tensões deixo na ginástica. São duas horas de malhação todos os dias e, daí, às 8 da noite, tô pronta para o marido, para as coisas normais da vida. Nunca fiz terapia. O meu psiquiatra é o meu cavalo. Monto desde os seis anos e não saberia viver sem meus cavalos. MC O que se lembra do Sandro? YBM Ele era calado, tinha sofrido demais. Antes de ir para a rua, tinha casa, mãe, ia à escola. Mas a mãe foi assassinada e ele não tinha mais ninguém. Precisou procurar outros caminhos, a rua foi um. Ao ver o filme, me emocionei muito quando ele foi mudando de um rosto de criança para um rosto de dureza. Lembrei de quantos rostos vi mudar e de quantas crianças vi morrer. MC Você já se sentiu excluída? YBM Claro. A exclusão não é só de pobre. A minha era ter pais separados numa sociedade católica, que não aceitava isso. Estudava em colégio de meninas ricas, porque minha mãe era funcionária pública do Dasp, ex-órgão ligado ao Ministério da Fazenda, e eu ganhava bolsas de estudo. Mas não tinha aquele nível de riqueza. Mãe que trabalhava, naquela época, era outra causa de exclusão. MC Como é lidar com essas crianças de rua e seus dramas? YBM Sou uma pessoa ideológica, com sonhos para o País. Eu realmente acho que é possível educar crianças em países como o Brasil para eliminar a diferença entre as classes. O que não pode é a criança achar que, porque nasceu pobre, vai ser pobre a vida toda. A pobreza é uma circunstância que pode ser eliminada, se você tiver as ferramentas intelectuais. MC O que esses meninos e meninas têm de especial? YBM Todas as crianças são especiais. Elas, mesmo na maior pobreza, ainda querem ser crianças, querem fazer parte de alguma coisa. MC As crianças do Uerê frequentam sua casa? YBM Gosto que eles conheçam a minha vida e vejam as coisas que faço. Um dia minha filha perguntou se eu diferenciava meus netos das crianças do Uerê. Eu disse: ‘De jeito nenhum. Pra mim, criança é criança, mesmo que não seja do meu sangue’. A princípio ela não entendeu. Mas, depois, sim. Quando você sente um amor incondicional por essas crianças, não tem como diferenciar. MC Você leva uma vida muito diferente da delas. Isso não gera revolta? YBM Sou transparente. Pergunto como foi o fim de semana delas, elas perguntam do meu, se montei a cavalo. É assim com todos os professores do Uerê. E às vezes falo o que minha mãe dizia sobre conseguir as coisas. Éramos de classe média, não havia dinheiro sobrando em casa. Ela dizia: ‘Não temos dinheiro, mas temos cérebro. Use o cérebro’. MC Quantas crianças o Uerê ajudou? YBM Cerca de 2.200. Dessas, 325 morreram assassinadas por razões diversas. MC Conte uma história de sucesso. YBM Tem a Viviane, que chegou ao Uerê com 10 anos. Foi uma aluna brilhante e, com 15, foi aceita num estágio de hotelaria. Aos 18, foi contratada como assistente júnior do diretor de um hotel. Hoje, continua na empresa e é secretária do departamento jurídico. Cursa o terceiro período de administração, mora num bairro de classe média com a mãe.MC Você recebe ameaças de morte? YBM Tem muita gente que acha que os meninos que ajudo são bandidos. As ameaças normalmente acontecem quando tem um assassinato cometido por um menor. Aí as pessoas acham que indiretamente a culpa é minha. Nem toda criança pobre é bandida. Claro que uma ou outra pode se tornar bandida, assim como os ricos também podem. MC Você sente medo? YBM Nunca tive medo de nada. MC O que move você? YBM A grande satisfação é ver uma criança chegar bloqueada e vê-la já começar a sonhar por conta do trabalho que a gente fez. Tenho uma turma em que nenhuma criança conseguia falar. Elas tinham medo porque, até aquela hora, ninguém tinha se interessado em ouvi-las. Elas existiam só no coletivo, em grupo. De repente, uma delas escuta: ‘Nossa, como você tá bonitinha hoje’. Olha, é uma coisa miraculosa. Em dois meses, a diferença é brutal. Elas começam a pensar lá no subconsciente: ‘Eu existou, eu sou, eu estou’. MC Tem os que não aprendem? YBM Se uma criança tem milhões de problemas, mas tem uma tia, um vizinho, que presta atenção nela, a gente sempre consegue alguma coisa. Agora, quando não tem ninguém no mundo, aí a gente pode conseguir ou não. Tem uns 8% que não consigo melhorar. MC Como é sua relação com a PM? YBM Cordial, mas tensa. Eles estão aqui [na região do Complexo da Maré, no Rio, onde fica o Uerê] todos os dias, atirando e coisa e tal, mas tento fazer com que o Uerê seja neutro, e eles respeitam porque é um lugar com mais de 400 crianças. Não deixo a polícia entrar se não tiver mandado. Pergunto por que querem entrar e eles dizem que estão procurando alguém. Digo que aqui não tem ninguém que eles estejam procurando porque só tem criança. MC E a relação com o tráfico? YBM Tranquila. A gente não vê as ações que eles fazem, não tenho contato com eles. É claro que tem tiroteio, mas aqui dentro tem filhos deles. MC O tráfico tira crianças do Uerê? YBM É a criança que vai para o tráfico, não o contrário. Mas nenhuma do Uerê está no tráfico e nunca ninguém tentou tirar uma criança daqui. A coisa é mais crua do que você pensa. O tráfico não sai por aí apanhando meninos, não. MC Como você vai à favela todo dia? YBM Com meu Peugeot 307, ano 2000. Não tenho segurança, nem motorista, nem carro blindado, nem nada. MC O que é dia bom para você? YBM É dia sem tiroteio, sem gente morta nem criança traumatizada. * Colaborou Angelica Brum
Nilva de Souza
6 de fevereiro de 2014 7:01 amOs estupro fantasma da Bolívia
AA
22 DE SETEMBRO DE 2013 – 7H19
Os Estupros Fantasma da Bolívia
Durante algum tempo, os residentes da colônia de Manitoba acharam que demônios estavam estuprando as mulheres da cidade. Não havia outra explicação. Como explicar o fato de uma mulher acordar com manchas de sangue e sêmen nos lençóis e nenhuma lembrança da noite anterior?
Mulheres da colônia Manitoba vítimas de estupros “fantasmas”/fotos: Noah Friedman-Rudovsky
Como explicar o caso de outra residente, que foi dormir vestida e acordou nua, coberta de impressões digitais sujas por todo o corpo? Como explicar que, depois de ter um pesadelo que consistia num homem a possuindo à força num campo, outra das colonas acordara na manhã seguinte com grama em seus cabelos?
O mistério de Sara Guenter era a corda. Às vezes, ela acordava em sua cama com pequenos pedaços de corda atados firmemente a seus pulsos e quadris, a pele embaixo deles azulada e dolorida. No começo do ano, visitei Sara em sua casa na colônia Manitoba, na Bolívia. Era uma construção simples de concreto pintado para se assemelhar a tijolos. Os menonitas são similares aos amish em sua rejeição à modernidade e tecnologia, e a colônia Manitoba, como todas as comunidade menonitas ultraconservadoras, é uma tentativa coletiva de se afastar o máximo possível do mundo dos não crentes. Uma leve brisa de soja e sorgo vinha dos campos próximos enquanto Sara me contava como, além das estranhas cordas, nas manhãs depois dos estupros ela também acordava com lençóis manchados, dores de cabeça arrasadoras e uma letargia paralisante.
Suas duas filhas, de 17 e 18 anos, estavam agachadas na parede atrás dela e me encaravam com seus ferozes olhares azuis. O demônio tinha penetrado na casa, disse Sara. Cinco anos atrás, suas filhas também começaram a acordar com lençóis sujos e reclamar de dores “lá embaixo”.
A família tentou trancar as portas. Em algumas noites, Sara fez de tudo para ficar acordada. Em outras ocasiões, um trabalhador boliviano da cidade vizinha de Santa Cruz chegou a montar guarda durante a noite. Mas, inevitavelmente, quando sua casa de um andar — afastada e isolada da estrada de terra — não estava sendo vigiada, os estupros aconteciam novamente (Manitoba não é ligada à rede de energia elétrica, então, a comunidade fica submersa na escuridão completa durante a noite). “Aconteceu tantas vezes que eu perdi a conta”, Sara me disse em seu baixo-alemão nativo, a única língua que ela fala, como a maioria das mulheres da comunidade.
Crianças menonitas frequentam a escola da colônia Manitoba, Bolívia
No início, a família não tinha a menor ideia de que não era a única a ser atacada, então, eles não disseram nada a ninguém. Mas Sara resolveu contar tudo para suas irmãs. Quando os rumores se espalharam “ninguém acreditou nela”, disse Peter Fehr, o vizinho de Sara na época dos incidentes. “Achamos que ela estava inventando isso para esconder um caso.” Os pedidos de ajuda da família ao conselho de pastores da igreja, o grupo de homens que governa a colônia de 2.500 membros, foram infrutíferos — mesmo com as histórias se multiplicando. Por toda a comunidade, as mulheres começaram a acordar com os mesmo sinais matinais: pijamas rasgados, sangue e sêmen nas camas, dores de cabeça e estupor. Algumas mulheres lembravam breves momentos de terror: o instante em que acordavam com um homem ou alguns homens em cima delas, sem ter forças para gritar ou lutar. Depois, tudo caia na escuridão.
Lá, alguns chamaram isso de “imaginação selvagem feminina”. Outros disseram que era uma praga de Deus. “Só sabíamos que alguma coisa estranha estava acontecendo durante a noite”, disse Abraham Wall Enns, o líder civil da colônia Manitoba na época. “Mas não sabíamos quem estava fazendo isso, então, como podíamos impedir?”
Ninguém sabia o que fazer, então ninguém fez nada. Depois de um tempo, Sara aceitou que aquelas noites de terror eram fatos horríveis que faziam parte de sua vida. Nas manhãs seguintes, a família se levantava, apesar das dores de cabeça, trocava os lençóis e seguia com seu dia a dia.
Então, numa noite de junho de 2009, dois homens foram pegos tentando entrar numa casa da vizinhança. Os dois deduraram os amigos e, como um castelo de cartas, um grupo de nove homens de Manitoba, com idades entre 19 e 43 anos, finalmente confessaram que vinham estuprando as famílias da colônia desde 2005. Para incapacitar as vítimas e qualquer possível testemunha, os homens usavam um spray criado por um veterinário das redondezas, adaptado de um remédio usado para anestesiar vacas. De acordo com as confissões iniciais (que depois eles tentariam negar), os estupradores admitiram que — às vezes em grupo, às vezes sozinhos — se escondiam do lado de fora das janelas dos quartos à noite, borrifavam a substância através dos vãos das janelas para drogar famílias inteiras, e depois se esgueiravam para dentro.
Mas foi só durante o julgamento deles, que aconteceu quase dois anos mais tarde, em 2011, que o verdadeiro alcance de seus crimes veio à tona. As transcrições são um roteiro de filme de terror: as vítimas tinham idades entre 3 e 65 anos (a mais nova tinha um hímen rompido, supostamente por penetração com o dedo). As meninas e mulheres eram casadas, solteiras, residentes, visitantes e doentes mentais. Apesar de isso nunca ter sido discutido e não fazer parte do caso jurídico, residentes me contaram em particular que homens e meninos também foram estuprados.
Em agosto de 2011, o veterinário que fornecia o spray anestésico foi sentenciado a 12 anos de prisão e os estupradores receberam penas de 25 anos (cinco anos a menos do que a penalidade máxima boliviana). Oficialmente, foram 130 vítimas — pelo menos uma pessoa em mais da metade das casas da colônia Manitoba. Mas nem todos os estupros foram incluídos no caso legal e acredita-se que o número de vítimas seja muito, muito maior.
Meninos menonitas jogam futebol na colônia Manitoba, Bolívia
Após os crimes, as mulheres não receberam nenhum tipo de terapia ou aconselhamento. Houve poucas tentativas de investigar a fundo e ir além das confissões. E, nos anos seguintes à prisão dos homens, nunca houve uma discussão na colônia sobre os eventos. Em vez disso, uma lei do silêncio se estabeleceu depois dos vereditos.
“Isso ficou no passado”, disse-me Wall, o líder civil, durante minha viagem mais recente para lá. “Preferimos esquecer do que ter isso para sempre em nossas mentes.” Fora a interação com um ou outro jornalista ocasional, ninguém mais fala sobre o assunto.
No entanto, durante os nove meses de investigação, incluindo uma estada de 11 dias em Manitoba, descobri que os crimes estão longe de acabar. Além do persistente trauma psicológico, há evidências de abusos sexuais generalizados e contínuos, incluindo incesto. Há também evidências de que — apesar de os criminosos iniciais estarem na cadeia — os estupros com o uso de drogas continuam.
Os criminosos foram presos mas os crimes continuam

Oito homens menonitas cumprem pena pelo estupro de mais de 130 mulheres na colônia Manitoba. Um dos supostos estupradores fugiu e hoje vive no Paraguai
À primeira vista, a vida dos residentes de Manitoba parece uma existência idílica invejável para new agers: as famílias vivem da terra; painéis solares iluminam as casas e moinhos alimentam poços de água potável. Quando um membro de uma família morre, os outros residentes se dividem em turnos cozinhando para os enlutados. As famílias mais ricas subsidiam a manutenção da escola e os salários dos professores. Os dias começam com pão caseiro, marmelada e leite ainda morno direto do estábulo. Ao anoitecer, as crianças brincam de pega-pega, enquanto os pais se sentam em cadeiras de balanço e assistem ao pôr do sol.
Mas nem todos os menonitas vivem em mundos protegidos. São 1,7 milhões deles em 83 países diferentes. De comunidade para comunidade, a relação deles com o mundo moderno pode variar consideravelmente. Alguns evitam totalmente a modernidade; outros vivem em mundo insulares, mas permitem carros, televisores, celulares e vestimentas variadas. Muitos são virtualmente indistinguíveis do resto da sociedade.
A religião se formou num desdobramento da Reforma Protestante na década de 1520 na Europa, liderado por um padre católico chamado Menno Simons. Os líderes da igreja não apoiavam as visões de Simons quanto ao batismo de adultos, pacifismo e sua crença de que só se chegava ao paraíso levando uma vida simples. Ameaçados pela nova doutrina, as igrejas Protestante e Católica começaram a perseguir seus seguidores pela Europa Central e Ocidental. A maioria dos menonitas — como os seguidores de Simons ficariam conhecidos — se recusava a lutar por causa de seu voto de não violência, então, fugiu para a Rússia, onde recebeu assentamentos para viver sem ser perturbada pelo resto da sociedade.
No entanto, por volta de 1870, a perseguição chegou a Rússia, então, o grupo seguinte procurou refúgio no Canadá, sendo bem recebido pelo governo, que precisava de colonos pioneiros. Na chegada, muitos menonitas começaram a adotar o modo de vestir da época, a língua e outros aspectos da vida contemporânea. Um pequeno grupo, no entanto, continuou a acreditar que só poderia entrar no paraíso se vivesse da mesma maneira que seus antepassados, e ficou horrorizado ao ver seus colegas seguidores serem tão facilmente seduzidos pelo novo mundo. Esse grupo, conhecido como “Colonos Antigos”, abandonou o Canadá na década de 1920, em parte porque o governo exigia que as escolas dessem aulas em inglês e sugeriu a padronização do currículo para todo o país (até hoje, os colonos antigos ministram suas aulas em baixo-alemão, totalmente baseadas na Bíblia. A educação formal termina aos 13 anos para os meninos e aos 12 para as meninas).
Os colonos antigos migraram para o Paraguai e o México, onde havia amplas terras cultiváveis, pouca tecnologia e, mais importante, a promessa dos respectivos governos de deixá-los viver de seu próprio modo. Mas nos anos 1960, quando o México introduziu uma reforma educacional que limitava a autonomia dos menonitas, outra migração teve início. Colônias Antigas brotaram nas partes mais remotas das Américas, com uma grande concentração na Bolívia e em Belize.
Crianças menonitas passeiam pela colônia
Hoje, são cerca de 350 mil colonos antigos no mundo e a Bolívia é o lar de mais de 60 mil deles. A colônia Manitoba, que se formou em 1991, parece uma relíquia do mundo antigo no meio do mundo atual: uma ilha branca de olhos azuis de ordem, no meio do mar de caos dos países mais empobrecidos e indígenas da América do Sul. A colônia prospera economicamente graças à ética de trabalho de seus membros, grandes campos férteis e fabricação coletiva de leite.
Manitoba emergiu como um verdadeiro paraíso na Terra para os seguidores da Colônia Antiga. Outras colônias na Bolívia afrouxaram seus códigos, mas Manitoba rejeita fervorosamente carros e seus tratores têm rodas de aço, já que possuir qualquer veículo mecanizado com pneus de borracha é visto como pecado capital, pois permite contato fácil com o mundo externo. Os homens são proibidos de deixar crescer pelos faciais e usam sempre macacões jeans, exceto na igreja, onde usam calça social. Meninas e mulheres usam os cabelos trançados de maneira intrincada e idêntica, e a pressão é grande para achar um vestido com o comprimento das mangas variando apenas alguns milímetros do projeto predeterminado. Para os residentes de Manitoba, essas não são regras arbitrárias: elas formam o único caminho para a salvação e os colonos acreditam que suas almas dependem da obediência a elas.
Como os antigos colonos desejavam, Manitoba foi deixada entregue à sua própria sorte. Exceto em caso de homicídio, o governo boliviano não exige que os líderes da comunidade reportem qualquer outro crime. A polícia não tem qualquer jurisdição dentro da comunidade, nem autoridades estaduais ou municipais. Os colonos mantêm a lei e a ordem por meio de um governo próprio de nove pastores e um bispo dirigente, todos eleitos para mandatos vitalícios. Fora a obrigatoriedade de garantir que todos os residentes tenham documento de identidade do estado, Manitoba funciona quase como uma nação soberana.
Cobri o julgamento do caso dos estupros de Manitoba em 2011 para a Time. Assombrada desde minha primeira visita à colônia, eu queria saber como as vítimas estavam vivendo agora. Também fiquei imaginando se esses crimes horríveis eram uma anomalia ou se expunham feridas mais profundas na comunidade. Seria possível que o mundo insular das Colônias Antigas, em vez de promover a coexistência pacífica desvinculada das armadilhas da sociedade moderna, estaria fomentando sua própria morte? Eu precisava voltar e descobrir.
Cheguei tarde, numa noite enluarada de uma sexta-feira do mês de janeiro. Fui recebida com sorrisos amistosos por Abraham e Margarita Wall Enns, que me esperavam na varanda de sua pequena casa, separada da estrada por um caminho cercado de árvores bem cuidadas. Embora notoriamente reclusos, os antigos colonos são gentis com estrangeiros que não ameacem seu modo de vida, e foi assim que cheguei até ali. Conheci Abraham, o sardento líder de 1,80m de altura da comunidade, em 2011, e ele disse que eu podia ficar com ele e sua família se algum dia voltasse a Manitoba. Agora, eu estava ali, esperando ver a vida na Colônia Antiga de perto enquanto entrevistava os residentes sobre os estupros e o que aconteceu depois.
Dentro da casa impecável, Margarita me mostrou seu quarto ao lado de outros dois onde seus nove filhos já estavam dormindo. “Instalamos isso agora, por segurança”, ela disse, segurando a porta de ferro de três polegadas no final da escada. Alguns roubos tinham acontecido recentemente (atribuídos aos bolivianos). “Durma bem”, ela me disse, antes de aparafusar a porta que separava a mim e sua família do resto do mundo.

Abraham Wall Enns (centro) com sua família. Abraham era o líder civil de Manitoba na época dos estupros.
Na manhã seguinte, levantei antes do amanhecer com o resto da casa. Em qualquer dia da semana, as duas filhas mais velhas — Liz, 22 anos, e Gertrude, 18 — passam a maior parte do tempo lavando a louça e as roupas, preparando as refeições, ordenhando as vacas e mantendo a casa impecavelmente limpa. Dei o meu melhor e tentei não estragar tudo enquanto ajudava com as tarefas. Lá pela hora do almoço, eu já estava exausta.
Trabalhos domésticos estão fora dos domínios de Abraham e seu seis filhos homens; é possível que eles passem a vida inteira sem nunca limpar seus próprios pratos. Eles trabalham no campo, mas como estávamos no período da entressafra, os mais velhos montavam equipamentos de trator que o pai tinha importado da China, enquanto os mais jovens subiam pelos postes do celeiro e brincavam com periquitos de estimação. Abraham permite que os meninos chutem uma bola de futebol pela propriedade e pratiquem espanhol lendo o jornal de Santa Cruz entregue ocasionalmente; no entanto, qualquer outra atividade organizada, seja esporte competitivo, dança ou música, podem comprometer sua salvação eterna e são estritamente proibidos.
Os Walls me contaram que, felizmente, ninguém de sua família foi vítima dos estupradores, mas como todo mundo na comunidade, eles ficaram sabendo tudo sobre o caso. Um dia, Liz concordou em me acompanhar nas entrevistas às vítimas de estupro da comunidade. Uma jovem curiosa e hábil, que aprendeu espanhol com a cozinheira boliviana da família, ela ficou feliz em ter uma desculpa para sair de casa e socializar.
Partimos numa pequena carroça puxada por um cavalo pelas estradas de terra. Durante o caminho, Liz me contou suas memórias sobre a época do escândalo. Até onde ela sabia, os estupradores nunca entraram em sua casa. Quando perguntei se ela tinha ficado com medo, ela disse que não. “Eu não acreditava”, ela me disse. “Então, só fiquei com medo depois que eles confessaram. Aí isso virou realidade.”
Quando perguntei a Liz se ela achava que os estupros podiam ter sido interrompidos antes, se essas mulheres tivessem sido levadas a sério, ela só franziu a testa. A colônia não deu aos estupradores a liberdade de atacar por quatro anos, em parte porque as pessoas culparam a “imaginação selvagem feminina”? Ela não respondeu, mas parecia perdida em pensamentos enquanto nos guiava pela estrada de terra.
Entramos por um pátio de pedrinhas numa casa grande e fui fazer a entrevista enquanto Liz esperava do lado de fora junto à carroça. Numa sala de estar escura, falei com Helena Martens, uma mulher de meia-idade e mãe de 11 filhos, e seu marido. Ela se sentou no sofá e deixou as cortinas da janela fechadas enquanto falávamos sobre o que aconteceu com ela há quase cinco anos.
Em algum momento de 2008, Helena me contou, ela ouviu um chiado enquanto arrumava a cama. Ela sentiu um cheiro estranho também, mas depois que o marido se certificou de que o registro de gás da cozinha não estava vazando, eles foram dormir. Ela lembra vividamente de acordar no meio da noite com “um homem em cima de mim e outro no quarto, mas não consegui levantar meus braços para me defender”. Ela logo voltou a dormir profundamente. Na manhã seguinte, sua cabeça latejava e os lençóis estavam sujos.
Os estupradores a atacaram muitas vezes. Helena sofreu de várias complicações médicas durante esse período, inclusive uma operação relacionada ao útero (sexo e saúde reprodutiva são assuntos tão tabus para os menonitas conservadores que muitas mulheres nunca chegam a aprender os nomes corretos de suas partes do corpo, o que inibiu certas descrições do que acontecia durante os ataques e suas consequências). Uma manhã, ela acordou com tanta dor que “achei que ia morrer”, ela me disse.
Helena, como as outras vítimas em Manitoba, nunca teve a chance de falar com um terapeuta profissional, mesmo dizendo que iria se tivesse a oportunidade. “Por que elas precisam de aconselhamento se nem estavam acordadas quando tudo aconteceu?”, disse o bispo Johan Neurdorf, a maior autoridade de Manitoba, a um visitante em 2009, depois que os estupradores foram presos.
Outras vítimas que entrevistei — tanto as que acordaram durante os estupros como aquelas que não tinham nenhuma memória da noite — disseram que também gostariam de falar com um terapeuta sobre suas experiências, mas que isso também seria quase impossível, já que não há nenhum especialista na recuperação de vítimas de ataque sexual que fale baixo-alemão na Bolívia.
Todas as mulheres com quem falei não sabiam que a comunidade menonita mundial, particularmente grupos mais progressistas do Canadá e Estados Unidos, se ofereceram para enviar conselheiros falantes de baixo-alemão para Manitoba. Claro, isso significa que elas não tinham a menor ideia que foram os homens da comunidade que rejeitaram essas ofertas. Depois de séculos de tensão com seus irmãos menos tradicionais, a liderança da Colônia Antiga bloqueia regularmente qualquer tentativa de contato direto entre seus membros e esses grupos. Eles viram a oferta de apoio psicológico como uma outra tentativa velada de encorajar o abandono do velho caminho.
É provável que a recusa da liderança tenha outros motivos, como não querer que o trauma emocional dessas mulheres agitasse as coisas ou chamasse muita atenção para a comunidade. Eu já sabia que o papel das mulheres na Colônia Antiga era obedecer e se submeter aos comandos de seus maridos. Um pastor local me disse que as meninas ficam um ano a menos na escola porque não precisam aprender matemática ou contabilidade, o que é ensinado durante o ano de educação adicional para os meninos. As mulheres também não podem ser ministras nem votar para elegê-los. Elas também não podem se representar legalmente, como o caso dos estupros deixou dolorosamente aparente. Os queixosos do julgamento foram cinco homens — um grupo selecionado de maridos ou pais das vítimas — e não as próprias mulheres.
Mas ainda que estivesse preparada para aceitar os papéis em preto e branco dos gêneros em Manitoba, minha visita também revelou tons de cinza. Vi homens e mulheres compartilhando as tomadas de decisão nas casas. Nas reuniões de família estendidas nos domingos, as cozinhas ocupadas apenas pelas mulheres se enchiam de grandes personalidades e risadas altas, enquanto os homens se sentavam do lado de fora solenemente, discutindo a seca. Passei longas tardes com garotas confiantes como Liz e suas amigas, que, da mesma maneira que suas colegas no mundo todo, se encontram quando precisam falar sobre coisas irritantes que os pais fazem ou atualizar as novidades amorosas da semana anterior.
Tratando-se dos estupros, esses fortes laços femininos — e o espaço seguro fornecido por uma rotina tão segregada — gerou conforto. As vítimas disseram que contaram com o apoio de suas irmãs e primas, especialmente enquanto tentavam se ajustar de volta à vida normal depois do julgamento.
As menores de 18 anos nomeadas do processo foram levadas para fazer uma avaliação psicológica, como exigido pela lei boliviana, e os documentos do tribunal apontavam que cada uma delas mostrava sinais de estresse pós-traumático e que um longo aconselhamento era recomendado — mas nenhuma delas recebeu nenhuma forma de terapia desde a avaliação. Diferente das mulheres adultas, que ao menos acharam algum consolo em suas irmãs e primas, muitas das garotas mais jovens não tiveram sequer a chance de falar com alguém sobre suas experiências depois da avaliação exigida pelo governo.
Em sua sala de estar, Helena me contou que sua filha também foi estuprada, mas que as duas nunca conversaram sobre isso, e que a garota, agora com 18 anos, não sabe que sua mãe também é uma sobrevivente de estupro. Nas Colônias Antigas, o estupro traz vergonha sobre as vítimas; as sobreviventes ficam marcadas. Por toda a comunidade, outros pais de vítimas mais jovens também me disseram que foi melhor deixar tudo em silêncio.
“Ela era muito jovem” para falar sobre isso, disse-me o pai de outra vítima, que tinha 11 quando foi estuprada. Ele e sua esposa nunca explicaram para a garota por que ela acordou com dor, uma certa manhã, sangrando tanto que teve que ser levada para o hospital. Ela passou por visitas médicas posteriores, com enfermeiras que não falavam sua língua e nunca soube que foi estuprada. “Foi melhor que ela não soubesse”, disse o pai.
Todas as vítimas que entrevistei disseram que os estupros passam por suas mentes praticamente todos os dias. Além de se abrir com amigas, elas têm lidado com a dor por meio da fé. Helena, por exemplo — apesar de seus braços fortemente cruzados e o balanço aflitivo do corpo que pareciam desmenti-la — me disse que encontrou a paz e insistiu: “Perdoei os homens que me estupraram”.
E não foi só ela. Ouvi a mesma coisa de vítimas, pais, irmãs e irmãos. Alguns até disseram que se os estupradores condenados tivessem admitido seus crimes — como fizeram inicialmente — e pedido o perdão de Deus, a colônia teria pedido ao juiz para retirar as sentenças.
Fiquei perplexa. Como eles podiam aceitar unanimemente crimes tão flagrantes e premeditados?
Só quando falei com o pastor Juan Fehr, vestido como todos os pastores da comunidade, todo de preto e com botas pretas de cano alto, foi que entendi. “Deus escolheu Seu povo para provas de fogo”, ele disse. “Para chegar ao paraíso, você precisa perdoar aqueles que agiram mal com você.” O pastor disse que acreditava que a maioria das vítimas tinha perdoado por vontade própria. No entanto, se alguma das mulheres não quisesse perdoar, ele disse, ela receberia a vista do bispo Neurdorf, a mais alta autoridade de Manitoba, e “ele simplesmente explicaria que se ela não perdoasse, Deus não a perdoaria”.
Uma das vítimas mais jovens ouvida pela acusação tinha apenas 11 anos na época dos estupros. A maioria das vítimas não tiveram nenhum aconselhamento psicológico e, de acordo com especialistas, provavelmente sofrem de transtorno de estresse pós-traumático.
Os líderes de Manitoba também encorajaram os residentes a perdoar incestos — uma lição que Agnes Klasse aprendeu de forma dolorosa. Numa terça-feira abafada, a mãe de dois filhos me encontrou do lado de fora de sua casa de dois quartos, próxima a uma rodovia no leste da Bolívia, a aproximadamente 64 quilômetros de sua antiga casa em Manitoba. Agnes deixou a comunidade em 2009. Ela estava usando o cabelo preso num rabo de cavalo e suando num jeans e numa camiseta comuns.
Eu não estava ali para falar sobre os estupros, mas, uma vez dentro de sua casa, o assunto surgiu inevitavelmente. “Certa manhã, acordei com dor de cabeça e havia sujeira na cama”, ela disse, se referindo a quando morava em Manitoba, como alguém se lembrando de um item esquecido de uma lista de compras. Ela nunca pensou muito naquela manhã desde então, e não foi incluída no processo, ela não viu razão para continuar depois que os criminosos foram presos.
Mas eu tinha ido até lá falar com Agnes sobre outra parte dolorosa de seu passado — o incesto — cujas origens não ficaram muito claras. “Tudo meio que se mistura”, ela disse sobre suas memórias mais antigas da infância, que incluem ser acariciada por muitos de seus oito irmãos mais velhos. “Não sei dizer quando [o incesto] começou.”
Uma entre 15 filhos, crescendo na Colônia Antiga de Riva Palacios (sua família se mudou para Manitoba quando ela tinha oito anos), Agnes disse que os abusos aconteciam no celeiro, nos campos ou nos quartos compartilhados com os irmãos. Ela não percebeu que aquilo era impróprio até completar 10 anos, quando levou uma surra severa depois que seu pai a encontrou sendo acariciada por um irmão. “Minha mãe nunca conseguiu me dizer que eu estava sendo injustiçada ou que aquilo não era minha culpa”, ela relembra.
Depois disso, o abuso continuou, mas Agnes tinha medo demais para pedir ajuda. Aos 13 anos, um de seus irmãos tentou estuprá-la e Agnes contou a mãe. Ela não apanhou dessa vez e, por um tempo, sua mãe fez o melhor que pode para manter os dois separados. Mas o irmão finalmente a encontrou sozinha e a estuprou.
Os ataques dos irmãos se tornaram cada vez mais comuns, mas não havia para onde se voltar. Colônias Antigas não têm forças policiais. Os pastores lidam com irregularidades diretamente, mas, como os mais jovens não são tecnicamente membros da igreja até seu batismo (geralmente no começo dos 20 anos), o mau comportamento é tratado dentro de casa.
Procurar ajuda fora da colônia nunca passou pela cabeça de Agnes: desde seu primeiro dia na Terra, ela, como todas as crianças da Colônia Antiga, fora ensinada que o mundo exterior era dominado pelo mal. E mesmo se alguém consegue sair, não há como uma criança ou mulher contatar ou se comunicar com um mundo que não fala baixo-alemão.
“Aprendi a viver com aquilo”, disse Agnes pausadamente, desculpando-se pelas interrupções e pelas lágrimas. Era a primeira vez que ela contava toda sua história. Ela disse que o incesto parou quando outros garotos começaram a cortejá-la e ela arquivou isso em sua mente como uma coisa do passado.
Mas, então, ela se casou, mudou para sua própria casa em Manitoba e deu à luz duas meninas, mas os membros da família começaram a molestar as crianças durantes visitas. “Estava começando a acontecer com elas também”, ela disse, seus olhos seguindo as duas garotinhas loiras platinadas que passavam correndo em frente às janelas enquanto brincavam do lado de fora. Um dia, sua filha mais velha, que ainda não tinha completado 4 anos, disse a Agnes que o avô tinha pedido a ela para colocar suas mãos dentro da calça dele. Agnes disse que seu pai nunca molestou ela ou suas irmãs, mas que ele teria supostamente abusado das netas até que Agnes fugiu de Manitoba com as filhas (e supostamente ainda abusa de suas sobrinhas, que permanecem na colônia). Em outra ocasião, ela pegou o sobrinho acariciando sua filha mais nova. “Isso acontece o tempo todo”, ela disse. “Não só na minha família.”
Na verdade, há muito tempo existe uma discussão abafada, porém, acalorada, na comunidade menonita internacional sobre se as Colônias Antigas têm um problema de incesto desenfreado. Alguns defendem os antigos colonos, dizendo que abuso sexual acontece em toda parte e que ocorrências assim em lugares como Manitoba só prova que qualquer sociedade, não importa o quão correta seja, é suscetível a problemas sociais.
Mas outros, como Erna Friessen, uma menonita canadense que me apresentou a Agnes, insiste: “O alcance da violência sexual dentro das Colônias Antigas é enorme”. Erna e seu marido ajudaram a fundar a Casa Mariposa, um abrigo para mulheres e garotas abusadas das Colônias Antigas. Localizada nas proximidades da cidade de Pailon, no coração do território das Colônias Antigas da Bolívia, eles têm um influxo contínuo de missionários falantes de baixo-alemão prontos para ajudar, mas o número de mulheres que conseguem chegar até a casa é pequeno. Além dos desafios em conscientizar as mulheres sobre esse espaço e convencê-las de que o melhor a fazer é procurar ajuda, Erna me disse que “vir para a Casa Mariposa frequentemente significa deixar para sempre suas famílias e o único mundo que elas conhecem”.
Erna admite que é impossível calcular o número exato devido à natureza insular dessas comunidades, mas que ela tem certeza de que as taxas de abuso sexual são maiores nas Colônias Antigas do que nos Estados Unidos, por exemplo, onde uma em cada quatro mulheres será abusada sexualmente antes dos 18 anos. Erna passou sua vida toda entre esses grupos — ela nasceu numa colônia menonita no Paraguai, foi criada no Canadá e passou os últimos oito anos na Bolívia. De todas as mulheres das Colônias Antigas que ela conheceu em todos esses anos “a maioria foi vítima de abuso”, segundo ela. Ela considera as colônias “um solo fértil para o abuso sexual”, em parte porque a maioria das mulheres das Colônias Antigas cresce acreditando que deve aceitar isso. “O primeiro passo é fazê-las sempre reconhecer que foram injustiçadas. Isso aconteceu com elas, aconteceu com as mães delas e aconteceu com suas avós, então, elas sempre ouviram que devem simplesmente lidar com isso.”
Outros que trabalham com a questão do abuso nas Colônias Antigas também hesitam em apontar taxas de incidência, mas dizem que a maneira como o abuso acontece dentro das colônias torna isso um problema mais grave do que em outros lugares do mundo. “Essas garotas ou mulheres não têm uma saída”, diz Eve Isaak, clínica de saúde mental e conselheira de viciados e pessoas em luto que atende comunidades menonitas de Colônias Antigas no Canadá, Estados Unidos, Bolívia e México. “Em qualquer outra sociedade, crianças do primário sabem que podem, pelo menos em teoria, ir até a polícia, uma professora ou outra autoridade caso estejam sofrendo algum tipo de abuso. Mas a quem essas garotas podem recorrer?”
Embora não tenha acontecido de propósito, as igrejas da Colônia Antiga se tornaram o governo de fato. “A migração de antigos colonos pode ser entendida não só como um movimento para longe da sociedade, mas também em direção a países que permitam que eles vivam como escolheram”, Diz Helmut Isaak, marido de Eve, pastor e professor de história anabatista e de teologia no CEMTA, um seminário em Assunção, Paraguai. Ele explicou que antes dos antigos colonos migrarem para um novo país, eles mandam delegações para negociar os termos de autonomia com os governos locais, particularmente na área de aplicação de lei religiosa.
De fato, a série de estupros foi um dos únicos momentos nos quais a Colônia Antiga boliviana procurou por intervenção em uma questão interna. Os residentes de Manitoba me contaram que entregaram a gangue para os policiais em 2009 porque os maridos e pais das vítimas estavam tão enraivecidos que havia a possibilidade de os acusados serem linchados (um homem, que supostamente estava envolvido e foi pego numa colônia vizinha, foi realmente linchado e morreu depois devido aos ferimentos).
Os líderes da Colônia Antiga com quem falei negaram que exista um problema de abuso sexual em suas comunidades e insistiram que esses incidentes são tratados internamente quando surgem. “[Incesto] quase nunca acontece aqui”, me disse o pastor Jacob Fehr enquanto conversávamos em sua varanda ao pôr do sol. Ele disse que em seus 19 anos como pastor, Manitoba teve apenas uma caso de estupro incestuoso (pai e filha). Outro pastor negou até que esse episódio tivesse acontecido.
“Eles perdoam muita coisa nojenta que acontece nas famílias o tempo todo”, disse Abraham Peters, pai de um dos estupradores mais jovens condenados, Abraham Peters Dyck, que está atualmente na Prisão Palmasola, nos arredores de Santa Cruz. “Irmãos com irmãs, pais com filhas.” Ele acredita que seu filho e os outros foram falsamente incriminados para encobrir o incesto generalizado em Manitoba. Abraham pai continua vivendo em Manitoba; ele pensou em sair imediatamente após a prisão do filho, por causa da hostilidade do resto da comunidade. Mas desenraizar sua família de 12 pessoas se mostrou muito difícil, então ele ficou. Ele disse que, com o passar dos anos e apesar de sua perspectiva sobre a prisão do filho, ele foi aceito novamente no rebanho da colônia.
Agnes acha que os dois crimes são dois lados da mesma moeda. “Os estupros, o abuso, tudo está interligado”, ela disse. “O que torna os estupros diferentes é que eles não vieram de dentro da família e por isso os pastores tomaram a ação que tomaram.”
Claro, os líderes tentam corrigir o mau comportamento. Por exemplo, no caso do pai de Agnes: ele foi chamado em certo momento na presença dos líderes da igreja por causa das carícias às netas. Como manda o procedimento, ele ficou diante dos pastores e do bispo, que pediram que ele confessasse. Ele confessou e foi “excomungado”, ou temporariamente expulso da igreja por uma semana, depois foi oferecida a ele a chance de retornar, com base na promessa de que ele nunca mais faria isso novamente.
“Claro que tudo continuou depois disso”, disse Agnes sobre o pai. “Ele só aprendeu a esconder isso melhor.” Ela disse que não acreditava “em ninguém que, depois de apenas uma semana, diz que mudou sua vida”, antes de acrescentar “não tenho fé num sistema que permite isso”.
Criminosos mais jovens saem da situação ainda mais facilmente; de acordo com Agnes, o irmão que a estuprou admitiu seus pecados quando foi batizado e foi imediatamente expurgado aos olhos de Deus. Ele vive numa Colônia Antiga vizinha, Riva Palacios, com suas próprias filhas.
Uma vez que um perpetrador de abuso é excomungado e readmitido, a liderança da igreja assume que a questão está encerrada. Se o criminoso continua com o comportamento de forma flagrante e se recusar a se arrepender, ele é novamente excomungado e afastado permanentemente. Os líderes instruem o resto da colônia a isolar a família; o armazém vai se recusar a vender qualquer produto para a casa, as crianças serão expulsas da escola. A família não tem escolha a não ser partir. Isso, claro, também significa que as vítimas têm que ir embora com os agressores.
Mas não foi o abuso que finalmente levou Agnes e sua família a abandonar Manitoba em 2009. Seu marido comprou uma moto e, depois disso, foi excomungado e sua família afastada. Quando o bebê do casal morreu afogado num cocho de vaca, os líderes da comunidade não permitiram seu marido fosse ao funeral do próprio filho. Foi aí que eles deixaram Manitoba para sempre. No final, dirigir uma moto foi uma afronta maior para a liderança da colônia do que qualquer coisa que Agnes, suas filhas, ou o resto das mulheres da comunidade sofreram.
Manter uma comunidade como Manitoba unida está cada vez mais difícil nos tempos moderno. Agnes e sua família não foram os únicos a sair. Na verdade, a cidade próxima de Santa Cruz é povoada por famílias menonitas que ficaram fartas do modo de vida das Colônias Antigas — e a situação pode estar perto de atingir um ponto crítico.

Johan Weiber, apoiado em sua picape, é o líder do grupo de menonitas dissidentes em Manitoba
“Não queremos mais fazer parte disso”, um jovem pai chamado Johan Weiber me disse, enquanto eu visitava sua casa em Manitoba. Johan e sua família eram uma das 13 outras ainda vivendo na colônia depois de deixar oficialmente a igreja da Colônia Antiga. Eles vinham tentado sair há meses — até já tinham veículos — mas os líderes da colônia se recusavam a compensá-los pela terra que estariam abandonando. Agora eles estavam decididos a construir sua própria igreja dissidente dentro de Manitoba.
“Estamos [deixando a igreja da Colônia Antiga e começando nossa própria] porque temos lido a verdade”, Johan disse. Por “verdade”, ele queria dizer a Bíblia. “Eles nos dizem para não lermos a Bíblia porque se lermos vamos perceber coisas. Por exemplo, em parte alguma está escrito que o cabelo das mulheres tem que ser trançado daquele jeito”, ele disse, apoiando em sua picape enquanto sua filha de rabo de cavalo brincava no jardim.
Curiosa com as especificidades da instrução religiosa em Manitoba, num domingo, participei de um culto num dos prédios de tijolos indistinguíveis da colônia. Logo percebi que a cerimônia solene de 90 minutos não é uma prioridade. Chefes de família podem ir duas ou três vezes por mês, mas alguns vão até com menos frequência.
Para as crianças, o centro do currículo escolar é baseado em leituras selecionadas da Bíblia, mas fora uma oração silenciosa de 20 segundos antes de cada refeição, não há um tempo especificado ou exigido para orações e estudos da Bíblia no mundo adulto da Colônia Antiga.
“Muitos perderam o conhecimento bíblico”, disse Helmut Isaak, um historiador menonita. Ele explicou que, com o tempo, enquanto os menonitas paravam de ter que defender sua fé constantemente contra os perseguidores, preocupações mais práticas tiveram a preferência. “Para poderem sobreviver, eles precisavam passar o tempo trabalhando.”
Isso criou uma disparidade de poder crucial: um pequeno grupo de líderes da igreja se tornou o único interprete da Bíblia nas Colônias Antigas e, como a Bíblia é vista como a lei, os líderes usaram esse controle sobre as escrituras para incutir ordem e obediência.
Os pastores negam: “Encorajamos todos os outros membros a saber o que está escrito no livro sagrado”, disse o pastor Jacob Fern numa noite. Mas os residentes admitiram discretamente que aulas de estudo bíblico são desencorajadas e que as Bíblias são escritas em alto-alemão, uma língua que muitos adultos mal conseguem lembrar depois de sua educação limitada e, além disso, às vezes as versões em baixo-alemão são proibidas. Em algumas Colônias Antigas, membros encaram a excomunhão por se aprofundar muito nas escrituras.
É por isso que Johan Weiber era uma presença tão ameaçadora: ele aterrorizou a liderança e a comunidade como um todo. Ele também lembrou a todos do passado conturbado das Colônias Antigas. “Foi exatamente isso o que aconteceu no México e é por isso que viemos [para a Bolívia]”, disse Peter Knelsen, um residente de Manitoba de 60 anos que chegou do México com os pais quando ainda era adolescente. Não era só o governo mexicano que ameaçava as Colônias Antigas com reformas, mas também houve um movimento evangélico interno que queria “mudar nosso modo de vida”, disse Peter, que explicou que os dissidentes de sua colônia no México também tentaram construir sua própria igreja.
Por mais de 40 anos, os antigos colonos bolivianos conseguiram escapar de fraturas internas como essa. Mas com Johan Weiber tentando construir sua própria igreja — e os dissidentes exigindo sua própria terra em Manitoba para plantar e construir uma escola independente — Peter e os outros falam em um “apocalipse” iminente. As tensões quase explodiram em junho, depois de minha visita, quando o grupo de Johan realmente começou a construir sua própria igreja. Logo depois da construção começar, mais de 100 homens de Manitoba foram até o local e a derrubaram, tijolo por tijolo. “Acho que vai ser muito difícil manter a colônia intacta”, Peter me disse.
Se essa fratura continuar a aumentar e a crise vier à tona, os colonos de Manitoba já sabem o que fazer. Séculos atrás, os menonitas originais da Europa tiveram duas escolhas ao enfrentar a perseguição: lutar ou fugir. Devido a seu voto de pacifismo, eles fugiram — e continuam fugindo desde então.
Os líderes de Manitoba esperam não ter que chegar a isso. Em parte porque a Bolívia é um dos últimos países que os deixam viver sob seus próprios termos. Por enquanto, o pastor Jacob Fehr disse estar orando. “Só queremos que [o grupo de Weber] deixe a colônia”, ele disse. “Só queremos ser deixados em paz.”

Heinrich Knelsen Kalssen, um dos estupradores, é levado do tribunal pela polícia em Santa Cruz, Bolívia
No meu último dia em Manitoba, tive um choque.
“Você sabe que continua acontecendo, certo?”, uma mulher me disse, enquanto bebíamos água gelada perto de sua casa. Não havia nenhum homem por perto. Achei que alguma coisa tinha se perdido na tradução, mas minha tradutora de baixo-alemão me garantiu que não. “Os estupros com o spray — eles continuam”, ela disse.
Eu a enchi de perguntas: isso tinha acontecido com ela? Ela sabia quem estava fazendo? Todo mundo sabia o que estava acontecendo?
Não, ela disse, eles não voltaram à sua casa, mas à de uma prima — recentemente. Ela disse ter seu palpite sobre quem era o responsável, mas não me deu nenhum nome. E ela acreditava que sim, a maioria das pessoas na colônia Manitoba sabia que a prisão dos estupradores originais não tinha colocado um fim nos crimes em série.
Como se eu estivesse num estranho túnel do tempo, depois de dezenas de entrevistas com pessoas me dizendo que tudo estava bem agora, eu não sabia se aquilo era apenas fofoca, rumores, mentiras ou — pior — a verdade. Passei o resto do dia tentando freneticamente conseguir uma confirmação. Visitei novamente muitas das famílias que tinha entrevistado antes e a maioria admitiu, um pouco envergonhada, que sim, tinham ouvido os rumores e achavam que provavelmente eram reais.
“Certamente, não é mais tão frequente”, disse, mais tarde naquele mesmo dia, um jovem cuja esposa foi estuprada na primeira série de incidentes antes de 2009. “[Os estupradores] estão sendo muito mais cuidadosos do que antes, mas ainda acontece.” Ele disse que também suspeitava de quem poderiam estar cometendo os crimes, mas não me deu mais nenhum detalhe.
Numa viagem subsequentes de Noah Friedman-Rudovsky, o fotógrafo desse artigo, cinco pessoas deixaram registrado — incluindo três colonos de Manitoba, um promotor de justiça e um jornalista local — que ouviram dizer que os estupros continuavam.
Aqueles com quem falei disseram que não tinham como impedir os supostos ataques. Ainda não há uma força de policiamento na área e nunca houve nenhum elemento proativo ou grupo de investigação que pudesse procurar pelos culpados pelos crimes. Todos na colônia são livres para acusar outra pessoa para os pastores, mas os crimes são abordados com o sistema da honra: se um perpetrador não está pronto para confessar seus pecados, a questão é se a vítima ou o acusador serão levados a sério… E as mulheres em Manitoba já sabem como isso termina.
A única defesa, segundo os residentes, é instalar fechaduras melhores, barras nas janelas ou grandes portas de ferro como aquela atrás da qual dormi durante minha visita. “Não podemos colocar iluminação nas ruas ou câmeras de segurança”, o marido de uma das vítimas me disse — as duas tecnologias não são permitidas. Para que isso pare, acredita-se que, como antes, é preciso pegar alguém em flagrante. “Então vamos ter que simplesmente esperar”, ele disse.
Naquele último dia, antes de deixar Manitoba, retornei para visitar Sara, a mulher que acordou com a corda ao redor dos pulsos quase cinco anos atrás. Ela disse que também tinha ouvido os rumores sobre os estupros continuarem e deu um suspiro sentido. Ela e sua família se mudaram para uma nova casa depois que a gangue foi presa em 2009. A casa antiga guardava muitos demônios. Ela disse que se sentia mal em saber que outras estavam vivendo seus horrores do passado, mas que não sabia o que podia ser feito. No final das contas, seu tempo na Terra, como o de todos os menonitas, é para ser de sofrimento mesmo. Antes que eu fosse embora, ela me ofereceu o que devia considerar palavras de consolo: “Talvez seja o plano de Deus”.
Nota do editor: Os nomes das vítimas de abuso e estupro foram mudados a pedido delas.
Fonte: Revista Vice http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=224170&id_secao=10
antonio francisco
6 de fevereiro de 2014 12:44 pmTerrível.
Me pergunto se o governo alemão não teria meios de ajudar a essas comunidades. Pelo que li, para autoridades bolivianas é como se essas pessoas fossem consideradas estrangeiras vivendo num “país” enquistado na Bolívia.
Um absurdo.
Webster Franklin
6 de fevereiro de 2014 7:19 amPML: “quem tem medo das doações?
Do Brasil 247
PML: “quem tem medo das doações?”
Jornalista Paulo Moreira Leite afirma, em seu blog, que o “esforço para criminalizar as doações é apenas uma tentativa de criminalizar um movimento político legítimo e, do ponto de vista de muitas pessoas, necessário”; “Não há nada de novo aqui, quando recordamos qual era o sentido a ação penal 470: criminalizar lideranças de um governo que, com todas as falhas e defeitos, mostrou-se capaz de realizar diversas mudanças urgentes, de interesse da maioria da população. O sinal novo, que não se quer enxergar, encontra-se nas doações”, ressalta
5 de Fevereiro de 2014 às 21:48
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247 – O jornalista Paulo Moreira Leite, diretor de Istoé, afirma, em seu blog, que a “tentativa de criminalizar a arrecadação dos réus da AP 470 procura esconder críticas cada vez maiores ao julgamento”. “O esforço para criminalizar as doações é apenas uma tentativa de criminalizar um movimento político legítimo e, do ponto de vista de muitas pessoas, necessário. Não há nada de novo aqui, quando recordamos qual era o sentido a ação penal 470: criminalizar lideranças de um governo que, com todas as falhas e defeitos, mostrou-se capaz de realizar diversas mudanças urgentes, de interesse da maioria da população. O sinal novo, que não se quer enxergar, encontra-se nas doações”, afirma.
Abaixo o texto na íntegra:
QUEM TEM MEDO DAS DOAÇÕES
Tentativa de criminalizar arrecadação dos réus da AP 470 procura esconder críticas cada vez maiores ao julgamento
Só quem ainda não entendeu o que está acontecendo com a ação penal 470 implica com as doações recebidas por Genoino e Delúblo Soares.
Basta fazer uma conta de aritmética simples para entender que são números compatíveis, por exemplo, com o número de filiados ao PT. Eles somam 1,7 milhão de brasileiros. Em teoria, bastaria que cada filiado doasse R$ 1 para que o total fosse atingido. Claro que não foi isso o que ocorreu mas essa estimativa dá uma ideia do processo.
Sem que se tenha provado nenhuma irregularidade nas arrecadações, a divulgação da (suspeita? denuncia? calunia? mentira? ) sobre lavagem de dinheiro e os pedidos de investigação são apenas tentativas de esconder um fato político de primeira ordem: a visão de muitos brasileiros sobre o “maior julgamento da história” está mudando – e rapidamente.
Em vez atender ao grotesco pedido de Joaquim Barbosa, estes cidadãos mostram que os condenados não serão punidos com o esquecimento. Pelo contrário. Tem gente que é capaz de colocar a mão no bolso para dizer que serão lembrados.
O esforço para criminalizar as doações é apenas uma tentativa de criminalizar um movimento político legítimo e, do ponto de vista de muitas pessoas, necessário.
Não há nada de novo aqui, quando recordamos qual era o sentido a ação penal 470: criminalizar lideranças de um governo que, com todas as falhas e defeitos, mostrou-se capaz de realizar diversas mudanças urgentes, de interesse da maioria da população.
O sinal novo, que não se quer enxergar, encontra-se nas doações.
Abatidos, derrotados e desmoralizados depois do julgamento, os eleitores de Lula, os filiados ao PT, sindicalistas e milhares de cidadãos de convicções democráticas mostram que não perderam a capacidade de incomodar-se diante de uma injustiça cada vez mais visível.
Perderam o medo de mostrar seu inconformismo.
É por isso que as doações incomodam, quando deveriam ser celebradas.
Elas expressam uma força que nossos vira-latas da sociologia barata tanto elogiam nos países desenvolvidos – a presença, em nossa sociedade, de homens e mulheres que não se dobram nem se submetem.
Já vimos, inúmeras vezes, como essa capacidade de resistência tem importância em nossa história. O processo está se repetindo, e a arrecadação é apenas um sinal.
As doações mostram, essencialmente, que cresce o número de pessoas convencidas de que tivemos um julgamento injusto, partidarizado e contraditório. Não é para menos.
Está cada vez mais evidente que não era possível impedir o desmembramento da ação penal 470 depois de garantir esse direito aos réus do mensalão PSDB-MG.
A decisão de manter sob sigilo as provas reunidas nos 78 volumes do inquérito 2474, que pode ser acompanhada num vídeo disponível na internet, mostra-se tão ilegítima como suspeita. Pergunta-se: se as provas da acusação contra eram tão boas e tão consistentes, por que deveriam ficar escondidas?
Além de serem condenados por uma doutrina que dispensa provas individuais contra cada um dos réus, como manda o Direito Penal, os réus agora enfrentam penas agravadas artificialmente, apenas para garantir que eles ficassem submetidos a longas temporadas sob regime fechado.
O voo de 15 de novembro, a guerra de laudos médicos, a tensão fabricada contra prisioneiros do AP 470 e os demais apenados, numa tentativa tosca de denunciar “privilégios” que nunca se mostram, apenas demonstra um esforço para desmoralizar os réus, e criar um estigma político para impedir e uma discussão serena e necessária sobre o julgamento.
O ponto é este. As pessoas que criminalizam as doações temem, acima de tudo, serem criminalizadas pela própria consciência. Sabem que poderão ser cobrados pelo silêncio, pela omissão, pela hipocrisia.
Mais uma vez, e há uma ironia amarga, aqui, é a noção de que todos são inocentes até que se prove o contrário que está em jogo aqui.
http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/129297/PML-quem-tem-medo-das-doações.htm
Gunter Zibell - SP
6 de fevereiro de 2014 7:25 amUma estratégia bem-humorada para driblar a censura russa
http://bigstory.ap.org/article/dutch-brass-band-may-play-ymca-sochi-oval
DUTCH BRASS BAND MAY PLAY ‘YMCA’ AT SOCHI OVAL
FILE – This is Wednesday, Feb. 17, 2010 a file photo of the Dutch brass band Kleintje Pils, or Small Beer, entertains the crowd prior to the start of the men’s 1000 meters race at the Richmond Olympic Oval at the Vancouver 2010 Olympics in Vancouver, British Columbia. The Dutch brass band that is a mainstay at Olympic speed skating ovals is considering playing popular gay songs at the Sochi Winter Olympics in support for homosexual rights. Band leader Ruud Bakker told the Associated Press on Tuesday Jan. 21, 2014 that Kleintje Pils could mix Village People’s “Y.M.C.A.” in its sing-along repertoire as “a signal” but added that the band didn’t want to antagonize organizers nor turn its performances into a “political game.” (AP Photo/Kevin Frayer, File)
THE HAGUE, Netherlands (AP) — The Dutch brass band that always performs at Olympic speed skating ovals is considering playing a popular gay song — “Y.M.C.A.” — at the Sochi Winter Olympics to show its support for gay rights.
It remains to be seen how Russian and Olympic authorities would react should the Kleintje Pils band play a song widely considered to be a gay anthem. A ban on information about “nontraditional sexual relations” signed into law by Russian President Vladimir Putin has provoked widespread international outrage from critics who believe it discriminates against gays.
Band leader Ruud Bakker told The Associated Press on Tuesday that Kleintje Pils could mix the Village People’s “Y.M.C.A.” in its sing-along repertoire as “a signal.” But he added that the band didn’t want to antagonize organizers or turn its performances into a “political game.”
“We will see if we can get one or two songs into the selection, knowing that in the Netherlands it will be seen as a signal we are thinking of them (gays),” Bakker said.
The band, which keeps speed skating crowds rocking during ice resurfacing breaks at Olympic competitions, is best known for its stirring rendition of Neil Diamond’s “Sweet Caroline” and Queen’s “We are the Champions.” Usually they get the thousands of fans of all nationalities to dance along as they walk around the big oval with the permission of organizers. Mixing in a political message would be a new move.
The band performed “Y.M.C.A.” at the 2002 Salt Lake City games but has not played it since then. It has also practiced some Russian songs for the Sochi Olympics, which run Feb. 7-23.
Indirect moves by athletes to show support for gays have already caused controversy in Russia. At last August’s world athletics championships in Moscow, Swedish high jumper Emma Green Tregaro sported rainbow colors on her nails. In the final, however, Green Tregaro went with red nails after track officials said her earlier gesture might violate the meet’s code of conduct.
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Casert reported from Brussels.
Webster Franklin
6 de fevereiro de 2014 7:32 amBandeira de Mello: ato de Gilmar é “escandaloso”
Do Brasil 247
Bandeira de Mello: ato de Gilmar é “escandaloso”
Celso Antônio Bandeira Mello, um dos mais respeitados juristas brasileiros e professor Emérito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), doou R$ 10 mil para ajudar José Genoino arcar com multa do STF: “Ele irroga a terceiros a prática de um crime sem indícios e isso, vindo de um ministro da Suprema Corte, é escandaloso; como doador, me senti ofendido”
6 de Fevereiro de 2014 às 05:13
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247 – Na opinião do advogado Celso Antônio Bandeira Mello, um dos mais respeitados juristas brasileiros e professor Emérito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), são “escandalosas” as declarações do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes sobre suspeita de lavagem de dinheiro nas doações feitas a petistas condenados na AP 470.
“Faz acusações sem provas. Ele irroga a terceiros a prática de um crime sem indícios e isso, vindo de um ministro da Suprema Corte, é escandaloso”, disse, segundo a Folha de S. Paulo.
O próprio advogado doou R$ 10 mil para ajudar José Genoino pagar multa de R$ 667,5 mil imposta pela Justiça. “Como doador, me senti ofendido, porque Gilmar Mendes lançou publicamente uma suspeita sem provas e fui atingido por ela. Estou chocado”, afirmou.
No ano passado, o jurista criticou o presidente do STF, Joaquim Barbosa, pela condução da prisão do ex-presidente do PT. “Acho que é mais um problema de maldade. Ele é uma pessoa má. Falo isso sem nenhum preconceito com a pessoa dele pois já o convidei para jantar na minha casa. Mas o que ele faz é simplesmente maldade.”
http://www.brasil247.com/pt/247/brasilia247/129304/Bandeira-de-Mello-ato-de-Gilmar-é-escandaloso.htm
Nilva de Souza
6 de fevereiro de 2014 8:13 amSTF ARQUIVA AÇÃO DO MP CONTRA
STF ARQUIVA AÇÃO DO MP CONTRA LULA
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Ministro Marco Aurélio Mello concluiu que Ministério Publico perdeu prazo fixado pela legislação ao questionar propaganda eleitoral de Lula depois de encerradas as eleições, em 2006; voto foi seguido por Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Joaquim Barbosa
6 DE FEVEREIRO DE 2014 ÀS 05:47
247 – O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou uma decisão da Justiça Eleitoral favorável ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ministros concluíram que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) teve razão ao arquivar representação do Ministério Público por propaganda eleitoral feita contra Lula depois de encerradas as eleições.
Ao contestar contas após a posse, em 2007, órgão teria perdido o prazo fixado pela legislação. O STF começou a analisar o caso em 2009. Na época, o então presidente da Corte Cezar Peluso, votou pelo arquivamento da representação, mas o ministro Marco Aurélio Mello pediu vista (mais tempo para estudar o assunto).
Mello pronunciou seu voto na última quarta-feira, e foi seguido por Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Joaquim Barbosa. “Uma vez verificada a eleição, perde o sentido da retirada da propaganda eleitoral. Daí a haver o Tribunal Superior Eleitoral assentado que a representação a ser formalizada após as eleições há ausência do interesse em fazê-lo”, afirmou (leia na íntegra no Valor).
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/129309/STF-arquiva-ação-do-MP-contra-Lula.htm
Gunter Zibell - SP
6 de fevereiro de 2014 8:18 amUm pouco sobre Sochi 2014
Como amanhã é a abertura, 4 matérias recentes (desta semana), 5 músicas russas (1 pop), 1 video assustador e alguns cartazes da indignação de LGBTs:
http://www.jornalggn.com.br/blog/gunter-zibell-sp/pequeno-dossie-sochi-2014
Gardenal
6 de fevereiro de 2014 1:53 pmMais matéria abordando o caso
Mais matéria abordando o caso da perseguição a jornalistas em Minas. http://www.viomundo.com.br/denuncias/rogerio-correia-inquerito-contra-jornalista-e-fantasioso-peca-de-ficcao.html#comment-610722
A PARTE !Denúncias
Rogério Correia: “Inquérito contra jornalista é fantasioso, peça de ficção”
publicado em 6 de fevereiro de 2014 às 9:55
Deputados do Minas Sem Censura e representantes da OAB-MG com o procurador-geral do MP, André Mariani
por Conceição Lemes
Deputados estaduais do bloco parlamentar Minas Sem Censura (MSC) reuniram-se na tarde dessa quarta-feira, 5 de fevereiro, com o procurador-geral do Ministério Público de Minas Gerais, Carlos André Mariani Bittencourt.
Finalidade: tratar do caso do jornalista Marco Aurélio Carone, diretor-proprietário do Novo Jornal, preso desde 20 de janeiro.
Rogério Correia, vice-líder do Minas Sem Censura, Durval Ângelo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas, Maria Tereza Lara e Paulo Lamac (todos do PT) relataram ao procurador-geral o que está acontecendo no inquérito instaurado pelo promotor André Luiz Garcia de Pinho e a situação de saúde do jornalista preso.
“Eu li o inquérito inteiro, é fantasioso, uma peça de ficção”, diz o deputado Rogério Correia (PT), vice-líder do Minas Sem Censura. “O promotor chama o Carone de relações públicas da quadrilha, pelo fato de o jornalista publicar denúncias contra o senador Aécio Neves (PSDB) e o governo mineiro.”
Também participaram da reunião os advogados William Santos, da Comissão de Direitos Humanos da OAB-MG, Daniel Dias Moura, conselheiro da OAB-MG, e Vinícius Marcus Nonato, presidente do Sindicato dos Advogados de Minas Gerais.
O grupo comunicou ao procurador-geral que irá solicitar a suspeição de André Pinho para atuar no caso.
Primeiro, porque o Novo Jornal publicou matérias em que Marco Antônio Garcia de Pinho faz várias acusações ao irmão promotor. Logo, há conflito de interesse.
Segundo, foi o promotor que ofereceu delação premiada fajuta ao jornalista: em troca de falsas acusações a Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e candidato e candidato do PT ao governo de Minas, assim como contra deputados, delegados e advogados, ganharia a liberdade.
Marco Aurélio Carone está na enfermaria da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte.
Na próxima segunda-feira, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia de Minas vai ouvi-lo oficialmente.
Leia também:
Pedro Penido dos Anjos
6 de fevereiro de 2014 4:18 pmAinda sobre a pedofilia de
Ainda sobre a pedofilia de Woody Allen
qui, 06/02/2014 – 03:02
Gente, uma das possíveis vítimas da possível loucura da Mia Farrow resolveu, finalmente, expor um pouco do drama desta família.
Ex-enteado de Woody Allen nega que ele assediasse sua irmã e acusa Mia Farrow
http://br.noticias.yahoo.com/gasoduto-explode-pen%C3%ADnsula-eg%C3%ADpci…
Nova York, 5 fev (EFE).- Moses Farrow, adotado por Mia Farrow junto com Woody Allen, saiu em defesa do diretor e negou que sua irmã Dylan, também adotada pela atriz, tenha sido assediada, e acusou a própria mãe de “envenenar” a família.
“Certamente que Woody não abusou da minha irmã. Ela sempre queria vê-lo quando chegava para visitar”, afirmou Moses Farrow em entrevista que aparecerá no próximo número da “People” e que já pode ser acessada em parte nesta quarta-feira no site.
Moses, de 36 anos, afirmou que durante anos sua mãe “introduziu na cabeça” que tinha que odiar Allen por ter desfeito a família e por ter abusado sexualmente de Dylan.
“Por ela o odiei durante anos. Mas agora posso ver que era uma forma de vingança para fazê-lo pagar por se apaixonar por Soon-Yi”, acrescentou Moses.
O jovem garantiu que a irmã Dylan nunca se escondeu de Woody Allen, o que só aconteceu quando sua mãe conseguiu impor na casa “um ambiente de medo e ódio contra o diretor”.
“Antigamente éramos seis ou sete pessoas em casa. Todos em espaço públicos e nem meu pai nem minha irmã estiveram em um espaço privado. Não sei se realmente minha irmã acredita que foi abusada ou faz isso para satisfazer a mãe”, acrescentou.
Dylan Farrow, de 28 anos, rompeu o silêncio que manteve por mais de duas décadas com uma carta aberta publicada no “New York Times” no sábado.
Nela, a jovem relatou com detalhes como, com sete anos, seu pai teria abusado dela, uma acusação que foi investigada na época e pela qual Allen foi inocentado.
Depois das declarações de Moses, Dylan rebateu e afirmou que “meu irmão está morto para mim”. Ela disse à “People” estar chocada com as alegações do irmão.
A filha de Mia, hoje com 28 anos, disse que “minha família precisa de mim. Não vou abandoná-la com fizeram Soon-Yi e Moses”.
Já Woody Allen, disse por meio de sua assessoria que as alegações são falsas e mentirosas e de acordo com seu assessor Leslee Dart, deve responder a elas também nas páginas de opinião do NYT. EFE
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alfeu
7 de fevereiro de 2014 1:43 amAyres Britto defende judicialização da política
Agência Câmara de Notícias
http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/DIREITO-E-JUSTICA/461566-AYRES-BRITTO-DEFENDE-JUDICIALIZACAO-DA-POLITICA-EM-PALESTRA-NA-CAMARA.html
06/02/2014 – 19p5
Ayres Britto defende judicialização da política em palestra na Câmara
O ex-presidente do Supremo também defendeu o voto aberto irrestrito no Congresso Nacional.
Lúcio Bernardo Jr/Câmara dos Deputados
Ayres Britto: o problema não é a judicialização da política, é a politização da justiça.
O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Ayres Britto, defendeu a judicialização da política. Ele discursou sobre “O Poder Legislativo como instância jurídico-política” na aula inaugural do curso de especialização em parlamento e direito do Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento (Cefor) da Câmara dos Deputados.
“A política é para ser judicializada. O problema não é a judicialização da política, é a politização da justiça”, afirmou. Segundo ele, a judicialização é inevitável já que todas as normas produzidas pelo Legislativo podem ser submetidas ao controle de constitucionalidade do Judiciário. “O Legislativo trabalha de rédea curta porque é controlado pelo Judiciário na constitucionalidade das leis”, disse Britto.
Proatividade
“Não é o Supremo que é ativista, proativo, mas a Constituição que é proativa, ativista. E o que é mérito na Constituição não pode ser defeito no aplicador da Constituição”, argumentou o jurista, em defesa da ação do Supremo ao decidir questões como a união homossexual e a pesquisa com células-tronco embrionárias, das quais foi relator.
Tanto a judicialização das decisões legislativas como o ativismo do Judiciário têm sido tema de intensos debates na Câmara nos últimos anos. Segundo Ayres Britto, a falta de uma lei ordinária para garantir um direito é uma “paralisia” do texto constitucional. “O modo mais eficaz de tornar um direito ineficaz é não fazer a lei desse direito”.
A função política do Judiciário é, de acordo com Britto, “dizer o que cabe aos outros dois poderes. Assim ele demarca os espaços.”
Voto aberto
Ayres Britto também defendeu a adoção irrestrita do voto aberto no Congresso. Segundo ele, o mandato é uma procuração dada ao parlamentar pelo povo. “Como o procurador pode deliberar sem o conhecimento de quem passou a procuração? Como o representante vota sem que o representado saiba em que ele votou?”, questionou.
Em novembro de 2013, o Congresso promulgou Emenda Constitucional 76, que acaba com as votações secretas nos processos de cassação de deputados e senadores e no exame de vetos presidenciais.
Outros temas
O ex-ministro também reconheceu que a indicação ao Supremo é política e que isso reflete a harmonia entre os três poderes. Mas, após a posse, o ministro deve ser independente e não defender os pontos de vista de quem o nomeou.
“Biografia autorizada é uma mal disfarçada autobiografia. Não é pelo temor do abuso que vai se proibir o uso”, afirmou em relação à polêmica sobre a proibição de biografias não autorizadas.
Na opinião dele, os rolezinhos são próprios da democracia que garante a possibilidade “de quem quer que seja se reunir com quem quer que seja”.
Curso
O curso é voltado prioritariamente para servidores das casas legislativas. O objetivo é formar profissionais aptos a refletir sobre a relação entre Política e Direito, no âmbito do Legislativo.
Entre as disciplinas estão paradigmas da experiência constitucional; direito constitucional aplicado; relações interpoderes no presidencialismo e parlamentarismo; e controles e avaliação de políticas públicas.
O curso tem 366 horas-aulas e a duração máxima de 24 meses, incluindo o prazo destinado à elaboração da monografia final.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Regina Céli Assumpção
Gerson Pomari
7 de fevereiro de 2014 11:56 am#não vai ter Olímpiada de Inverno
http://esporte.uol.com.br/esportes-de-inverno/ultimas-noticias/2014/02/07/mais-de-us-50-bilhoes-russia-abre-olimpiada-mais-cara-e-polemica-ja-vista.htm
Olha que interessante a matéria do UOL sobre os gastos com a olímpiada de inverno. Não há uma menção ao custo da Copa ou ao custo das próximas Olímpiadas. Por que será? Um jornalista minimamente preparado não deveria fazer esse tipo de reflexão, uma vez que o Brasil é a bola da vez e o custo deste tipo de evento esta na pauta de qualquer um dos meios da nossa Proba Imprensa Gloriosa?
Ou talvez não interesse mostrar que a jabuticaba não é jabuticaba.