Com fuga de usuários jovens, plataforma envelhece. Estudo prevê declínio semelhante ao das epidemias. Não estará na hora de uma rede mais livre?
O quanto o Facebook já faz parte de nossas vidas, e por quanto tempo isso ainda vai durar? Há grandes chances de você ter chegado até este texto ou ter conhecido este site através da rede social de Mark Zuckeberg — que já é utilizada por mais de um bilhão de pessoas. Mas antes dela, houve outras: o Orkut, famoso principalmente entre os brasileiros, o MySpace, mais comum nos EUA e diversas outras, mais segmentadas ou não. Com base na vida e morte destes sites populares na internet, algumas pesquisas começam a tentar prever quando será o fim do novo gigante das redes sociais, cuja ética parece cada vez mais questionável.
Alguns fatos concretos indicam que, sob algumas perspectivas, o Facebook já está caindo: desde 2011, 25,3% dos adolescentes de 13 a 17 anos desativaram suas contas apenas nos Estados Unidos. Isso fez a rede envelhecer sensivelmente: hoje, também nos EUA, a faixa etária com mais usuários é entre 35 e 54 anos — e a de mais de 55 é a que mais cresce. O motivo para os jovens abandonarem a rede é exatamente este: a necessidade de privacidade em relação aos adultos, que, uma vez integrados à plataforma, podem “vigiar” seus filhos e parentes. Por isso, estes migram para redes sociais mais específicas, de compartilhamento de fotos e imagens, por exemplo.
Outra previsão sombria (e curiosa) sobre o futuro do “Face” partiu de dois cientistas da Universidade de Princeton — John Cannarella e Joshua Spechler. Eles compararam a ascensão e declínio da rede mais popular do planeta a uma similar, hoje esquecida (o MySpace) e a outro fenômeno humano relacionado a contágio: a expansão e posterior recuo das doenças infecciosas… Ao fazê-lo, chegaram ao gráfico abaixo (a curva de popularidade do Facebook foi construída em função de número de buscas pela rede no Google). Sua conclusão é: a rede de Zuckenberg já atingiu seu pico e começou a recuar; é provável que perca 80% de seus atuais usuários entre 2015 e 2017.
Mas há quem seja mais cético, diante das teorias catastrofistas. Para o site de tecnologia TechVibes, o Facebook é grande demais para cair num futuro próximo. Segundo eles, por mais que haja uma queda em seus usuários, economicamente falando, a empresa continua a crescer. Estima-se que sua receita para 2013 tenha sido de 7 bilhões de dólares, o que significa um crescimento de 50% a cada ano. Com tanto poder, afirmam, Zuckeberg pode facilmente comprar qualquer nova iniciativa que ponha em risco seu reinado. Pensa que estagnação do número de buscas pelo Facebook não é relevante — ele teria se tornado tão popular que já não é preciso procurálo, assim como você nunca vai ouvir alguém falando “prove essa bebida, Coca Cola, é uma delícia!”. O “Face” não estaria ameaçado de morte por já fazer parte do dia-a-dia de um sétimo da população mundial — por isso, plenamente estabelecido em nossas vidas.
Apesar de fortemente presente e viciante, o Facebook é a rede que queremos para o mundo? Não são poucos os casos como o desta semana, em que os administradores do Facebook tiraram do ar uma página contra a Copa do Mundo, a “Operation World Cup”. Semanas atrás, haviam sumido com os eventos de “rolezinhos” em diversos shoppings do Brasil. Durante os protestos de junho, conteúdos de revolta também desapareciam do dia para a noite. Em casos mais absurdos, a rede já tirou do ar obras de artistas como Gustave Courbet e ensaios de mulheres com seus bebês recém nascidos. Além disso, a rede sofreu diversas críticas por vender os dados de seus usuários para empresas. Em tempos de risco da liberdade da internet, uma rede menos mercadológica e mais livre viria a calhar.
Publicado originalmente em: http://outraspalavras.net/blog/2014/02/03/facebook-o-fim-esta-proximo/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=facebook-o-fim-esta-proximo
jns
4 de fevereiro de 2014 8:53 pm‘Da frigideira para o fogo’
Microsoft, Facebook, Google, Yahoo e NSA
• gigantes da tecnologia entregaram dados de dezenas de milhares de contas
• divulgação incompleta foi limitada pelo acordo de transparência feita no mês passado
Limitadas pelo que é permitido revelar, quatro das empresas de tecnologia, envolvidas no projeto PRISM, da NSA, que recolhe o conteúdo das comunicações de Internet, em grande parte, no exterior, divulgaram mais informações sobre o volume de dados e as exigências do governo americano, como parte de um acordo de transparência estabelecido com o Departamento de Justiça.
As revelações só se aplicam a pedidos de dados entregues a NSA e ao FBI como resultado de ordens judiciais.
Os gigantes da tecnologia divulgaram, pela primeira vez, os dados de dezenas de milhares de contas associadas a clientes da Microsoft, Google, Facebook e Yahoo, que foram entregues às autoridades governamentais dos EUA, como resultado de ordens judiciais secretas.
Os os termos do acordo impedem que as empresas discriminem o conteúdo da informação coletada, bem como o teor das respostas às solicitações do Tribunal de Vigilância Secreta.
Elas devem adiar, por seis meses, a divulgação de informações sobre os mais recentes pedidos, de acordo com os termos negociados com o Departamento de Justiça, para encerrar a ação judicial pela transparência, buscada pelas empresas no tribunal Fisa.
Ao anunciar os números de dados atualizados, as empresas revelaram a imprecisão sobre a profundidade da própria participação, compelida ou não, para facilitar as operações de vigilância eletrônica governamental.
O The Guardian publicou, em detalhes, como foi distribuido o volume de informações sobre o manuseio de metadados fornecidas à NSA e revelados pelas próprias empresas de comunicação, no período mais recente, entre janeiro a junho de 2013.
Confira:
http://www.theguardian.com/world/2014/feb/03/microsoft-facebook-google-yahoo-fisa-surveillance-requests
jns
4 de fevereiro de 2014 9:21 pmStatus Update: 10 Years Older!
[video:http://youtu.be/z1UcTJNcIGY%5D