10 de junho de 2026

Líderes europeus e Canadá pedem independência dos EUA em Davos

Canadá convoca 'potências médias': "Se você não está à mesa, está no cardápio". Países pedem independência dos EUA e Trump discursará amanhã.
Foto: World Economic Forum Davos 2026

Líderes europeus e Canadá criticam EUA em Davos, defendendo independência e condenando ameaças tarifárias sobre a Groenlândia.
Trump anuncia tarifas de até 25% contra oito países europeus, provocando tensões e queda nos mercados e suspensão de acordo UE-EUA.
Canadá propõe diversificação comercial e alianças plurilaterais para reduzir dependência dos EUA e fortalecer autonomia estratégica.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Líderes europeus e o Canadá usaram o segundo dia do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, para defender a independência dos países aos EUA e reagir contra novas ameaças tarifárias. Seguindo o discurso de outras lideranças, o destaque foi do primeiro-ministro canadense Mark Carney, que fez uma forte oposição aos EUA, expôs a erosão do multilateralismo e a necessidade de uma nova ordem comercial global independente dos Estados Unidos.

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Nesta terça (20), Davos tornou-se um ponto de tensão crescente entre EUA e outras potências, enquanto o presidente Donald Trump se prepara para discursar para líderes globais na quarta-feira em meio a uma disputa em escalada sobre a Groenlândia e novas ameaças tarifárias contra aliados de longa data.

Líderes europeus adotaram um tom desafiador no segundo dia do fórum, quando a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu uma mudança “permanente” em direção à independência europeia dos Estados Unidos e o presidente francês Emmanuel Macron alertou para uma perigosa “mudança em direção a um mundo sem regras”.

“A nostalgia não trará de volta a velha ordem”, disse von der Leyen à plateia de Davos, recebendo aplausos entusiasmados. “Se essa mudança for permanente, então a Europa também deve mudar permanentemente.” Ela anunciou planos para um pacote de investimentos substancial para reforçar a infraestrutura da Groenlândia e a segurança no Ártico, declarando que “cabe aos povos soberanos determinar seu próprio futuro.”

Macron, usando óculos aviador durante seu discurso, criticou o que chamou de retorno das “ambições imperiais” e afirmou que o acúmulo interminável de tarifas é “inaceitável”. “Nós preferimos respeito a valentões”, concluiu. “E preferimos o Estado de direito à brutalidade.”

A Dinamarca, o reino que governa o território semiautônomo da Groenlândia, optou por não enviar uma delegação a Davos em protesto às exigências de Trump. A Ministra de Assuntos Europeus da Dinamarca, Marie Bjerre, chamou as possíveis tarifas de “profundamente injustas”, acrescentando que não há “interesse em escalar uma guerra comercial.”

Nova rodada de ameaças tarifárias de Trump

As falas são uma reação à última ameaça tarifária de Trump. Em 17 de janeiro, Trump anunciou que oito países europeus—Dinamarca, Alemanha, Suécia, França, Reino Unido, Holanda, Noruega e Finlândia—enfrentariam uma tarifa de 10 por cento sobre todas as exportações para os EUA a partir de 1º de fevereiro, escalando para 25 por cento até 1º de junho, a menos que seja alcançado um acordo para o que ele denominou a “compra completa e total da Groenlândia”. As nações visadas haviam recentemente deslocado tropas para exercícios militares na Groenlândia para demonstrar a capacidade da OTAN de defender interesses no Ártico.

Os mercados de ações europeus caíram após o anúncio, e o Parlamento Europeu pausou os esforços em um acordo comercial UE-EUA que havia sido alcançado no ano passado.

Canadá convoca ‘potências médias’: “se você não está à mesa, está no cardápio”

Mas o destaque do dia foi para Mark Carney, atual primeiro-ministro do Canadá, que expôs a corrosão de instituições multilaterais pós-Segunda Guerra e o apoio à Gronelândia contra coerção dos EUA. Ele defendeu acordos plurilaterais ágeis entre países afins, posicionando o Canadá como ponte entre a UE e nações do Pacífico.

“O Canadá se opõe fortemente a tarifas sobre a Groenlândia e apoia firmemente a Groenlândia e a Dinamarca em seu direito único de determinar o futuro da Groenlândia”, iniciou Carney.

O primeiro-ministro declarou que “a velha ordem não voltará” e que a “ordem internacional baseada em regras está morta”, chamando líderes de “potências médias”, como o Canadá, a reconhecerem a realidade de superpotências usando integração econômica como “arma de coerção”.

“Potências médias precisam agir juntas, porque se você não está à mesa, está no cardápio”, disse Carney.

O premiê defendeu que países como o Canadá diversifiquem parcerias comerciais, reduzindo dependência dos EUA (que recebem 70% das exportações canadenses), com foco em China, Índia e Mercosul, e promovendo acordos plurilaterais ágeis. Ele citou vantagens canadenses como reservas de energia e minerais críticos, convocando a construção de “autonomia estratégica” sem nostalgia pelo passado.

Nessa diversificação, o Canadá anunciou medidas concretas no discurso em Davos para contrabalançar as tarifas dos EUA sobre a Groenlândia e reduzir dependência econômica. Ele afirmou que o país está fechando acordos estratégicos com a União Europeia, incluindo adesão ao SAFE (procura de defesa europeia), parcerias com China e Qatar, negociações de acordos de livre-comércio com Índia, ASEAN, Tailândia, Filipinas e o Mercosul.

Também anunciou a formação de “clubes de compradores” ancorados no G7 para diversificar suprimentos de minerais críticos e pontes comerciais entre a Parceria Transpacífica (TPP – acordo de livre comércio entre países do Pacífico) e a União Europeia, abrangendo 1,5 bilhão de pessoas.

O primeiro-ministro canadense também prepara um pacote de fortalecimento da economia interna, com corte de impostos internos e estímulos a investimentos nacionais.

Trump se prepara para Davos

O Fórum Econômico Mundial em Davos aguarda o discurso de Donald Trump, agendado para esta quarta-feira às 14h30, horário local. Ele lidera a maior delegação dos EUA já enviada a Davos, incluindo o Secretário do Tesouro Scott Bessent, o Secretário de Estado Marco Rubio e o Secretário de Comércio Howard Lutnick. Espera-se que ele aborde a acessibilidade habitacional, o domínio energético dos EUA e sua iniciativa “Conselho da Paz” para a reconstrução de Gaza.

Mesmo diante dos discursos europeus e do Canadá, Trump não indica recuos em seu avanço à Groelândia. Nesta segunda (19), ele publicou uma imagem gerada por IA mostrando-se fincando uma bandeira americana na Groenlândia, rotulada como “território dos EUA” estabelecido em 2026.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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  1. jucemir rodrigues da silva

    20 de janeiro de 2026 5:18 pm

    Ação que teria grande repercussão política: boicotar a Copa do Mundo – cuja grande maioria dos jogos será disputada nos Estados Unidos.
    Infelizmente, nenhum país o fará.
    De todo modo, fica aqui a sugestão.

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