3 de junho de 2026

A universidade e a formação de empreendedores

Candidatos a empreendedores

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Especialista em incubadora indica o caminho para novos empresários de tecnologia

Edição 215 – Janeiro de 2014

Em uma recente palestra no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de 
São Paulo (USP), Sergio Risola, gerente do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), localizado na Cidade universitária, perguntou à plateia, formada por alunos da graduação ao doutorado, quem gostaria 
de ter a sua própria empresa. “Para minha surpresa e de todos da mesa, acima de 50% dos quase 250 alunos responderam sim 
a minha pergunta”, conta Risola. Para ele isso demonstra que as universidades e os professores deveriam se engajar mais na formação de seus alunos para serem empreendedores. À frente da incubadora de empresas, ele tem uma experiência rica em receber candidatos a empresários que querem desenvolver tecnologia e fazer inovação. Já passaram pelo Cietec, em 15 anos, mais de 500 empresas, sendo 
que 130 saíram da incubadora 
e caminham com as próprias pernas mantendo um nível 
de sobrevivência acima de 90%.

© DANIEL BUENO

“Cerca de um terço das empresas incubadas no Cietec 
é de pessoas que vieram da 
vida acadêmica, com mestrado, doutorado, pós-doc e com passagem pelos ICTs [institutos de ciência e tecnologia]”, diz Risola. “No início são pessoas 
com ideias mas sem empresa.” 
As incubadoras são o ambiente mais propício para esses iniciantes porque, além da riqueza 
da rede de contatos formada 
entre as próprias start-ups, empresários e investidores que frequentam essas instituições, contam com as consultorias gratuitas e espaço a um custo menor que o de mercado. 
Antes de tudo, o Cietec e outras instituições congêneres pedem aos interessados um plano de negócio em que seja explicitado 
o que será feito e em quanto tempo, se há propriedade intelectual e qual a percepção da inovação, se incremental, quando algum conhecimento novo foi agregado a um produto, processo ou sistema, ou radical, quando a inovação é inédita. “Nós queremos saber qual a necessidade de 
buscar conhecimento.” No caso dos candidatos a empresário 
que saíram da universidade sempre deve existir uma complementaridade do conhecimento nas universidades 
e ICTs, no Brasil ou no exterior.

 

© CIETEC

 

Ao se candidatarem ao Cietec, 
os futuros empreendedores passam por um curso de 40 horas para decidir se querem seguir esse caminho. “Pedimos ao candidato para fazer uma reprogramação 
na vida profissional e também mostramos o que ele vai enfrentar. Muitos desistem ou percebem 
que ainda não estão preparados 
e voltam mais tarde”, diz Risola, que também é professor do curso de empreendedorismo e novos negócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo.

Entre as características pessoais para um novo empreendedor, Risola diz que ser um bom formador de equipe, saber liderar, delegar, insistir, não ter medo de errar, além de não desistir diante 
das dificuldades, tudo isso tem sentido, mas o mais importante 
é a dedicação e paixão pelo sucesso do negócio. Outra coisa lembrada por Risola é a escolha dos 
sócios. As brigas entre eles 
são responsáveis por quase 5% da mortalidade de empresas na incubadora, e seria maior se não houvesse a adequada intervenção dos gestores nas situações de falta de entendimento entre os sócios. Para Risola, é preciso escolher bem porque ninguém chega ao sucesso 
sozinho e as tarefas da empresa são variadas e exigem tempo.

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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1 Comentário
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  1. Guilherme T.C.

    3 de fevereiro de 2014 1:51 pm

    Uma coisa é formar bons

    Uma coisa é formar bons empreendedores (bom no sentido amplo, não apenas daquele capaz de fazer dinheiro com pouco), afinal, ainda somos uma sociedade capitalista e precisamos de gente bem formada pra tocar esse monstrengo. Outra coisa é fazer da universidade uma empresa ou fazer da universidade uma mero laboratório e fornecedor de mão-de-obra barata para as empresas, que nada investem em pesquisa e vêm sugar da universidade tudo o que podem ao menor custo possível.

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