Em meio a calmaria e no tédio do silêncio, fui forçado a lembrar da existência de uma caixa. É nela que arquivo todos meus problemas e congelo desastres a beira de serem consumados. Cataclismas de grande escala estão lá, aguardando eu abrir a caixa para eu dar uma espiada e então escaparem para irromper na minha vida e nela causar caos. Pessoas com quem não se quer falar mais, promessas não cumpridas, mentiras ditas e muito bem encobertas, casos encerrados porém com ambas partes insatisfeitas; tudo e mais um pouco se encontra lá, na minha Caixa de Pandora. Ignorar ela e seu chamado louco para que seu lacre seja violado: fácil. O problema é quando se é forçado a abri-la por circunstâncias adversas. Quando é inevitável, eu me armo, traço planos de guerra, e só aí a abro. Abrirei a minha Pandora com muito gosto no dia que eu enlouquecer e tiver nada a perder – mas esse dia é uma ideia distante e utópica, assim como são as noites nos braços de quem tanto se deseja mas não se tem.
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