A novela “Amor à Vida” teve alguns vilões e uns poucos mocinhos. Mas só houve um vilão que passou à herói, a personagem Félix, brilhantemente construída pelo magnífico ator que é Matheus Solano, que também foi herói do ibope da novela. Aliás, Mateus Solano Schenker Carneiro da Cunha, sobrenome que trai a veia artística da família. Matheus é parente da atriz Juliana Carneiro da Cunha, que faz carreira de destaque na França e aqui no Brasil fez papel de mãe de Maria na minisserie da Globo “Hoje é Dia de Maria”.
Félix começou na história como o mais perverso dos vilões ao jogar a sobrinha recém nascida em uma caçamba de lixo. A partir daí desfilou uma fieira de crimes contra a própria família. Esses crimes só são interrompidos quando seu pai prova para todos que Félix foi o autor do sumiço da sobrinha. A partir daí a personagem de Solano vai ao purgatório da pobreza limpar seus pecados. E, então, inicia seu caminho para se tornar o herói da história, não faltando os atos redentores de salvar o bebê sequestrado de Niko, seu futuro companheiro, o que de alguma forma vai redimi-lo do crime contra a sobrinha na caçamba.
Mas seja como vilão, seja já como herói, Félix vai penar a novela inteira o calvário da rejeição do pai que o repudia por ser gay, mesmo depois do filho salvá-lo das garras da vingança de outra vilã maiúscula da história: Aline, a esposa interesseira e ardilosa de César.
A redenção do amor de pai e filho ficou, como se esperava, para o último capítulo. Um pai já inválido por um AVC provocado pelo desgosto amoroso. Um filho que toma para si a tarefa de cuidar do pai semi paralisado. Aqui a explicação de porque Matheus Solano foi também o herói do ibope. Metade do sucesso de “Amor à Vida” é devido à atuação inesquecível desse ator extraordinário. Imprimiu humor à vilania inicial, soube fazer o percurso de transformação do vilão que se humaniza e se arrepende da maldade do passado, soube mostrar o quanto a falta de amor do pai foi decisiva em tudo que fez e deixou de fazer. E, finalmente, soube mostrar o amor ao pai, apesar de tudo. Matheus Solano segurou a novela e a audiência da novela do começo ao fim. E no fim ainda foi capaz de humanizar sua relação com Niko e conseguir a torcida da audiência para um amor construído pouco a pouco de forma absolutamente natural.
Como fecho sofisticado de um folhetim que se pretende e deve ser popular, a cena final de reconciliação pai e filho foi abertamente inspirada e quase copiada (a música é a mesma, o tipo de locação é o mesmo, uma praia, as mesmas cadeiras de praia, os mesmos figurinos) da cena final de “Morte em Veneza” do cineasta italiano Luchino Visconti. Não se pode dizer que o autor não teve bom gosto.
Aqui a cena final de “Amor à Vida”

e abaixo a cena final de “Morte em Veneza” de Luchino Visconti que inspirou a primeira.
http://youtu.be/36QBU474nqM
João Sabóia Jr.
1 de fevereiro de 2014 10:10 amMuito bom!
Parabéns pelo texto e o conhecimento de cinema, grande cinéfilo. Grande Gilberto Cruvinel!
maria rodrigues
1 de fevereiro de 2014 11:55 amRecusei-me a assisti a essa
Recusei-me a assisti a essa novela até um dia ver que um capítulo – na reta fial -, e entender a grandiosidade da interpretação da personagem Solano. Com certeza, ele roubou a cena de todos que com ele contracenaram. Não deixou nada a desejar em matéria de arte. Mas, convenhamos, que o texto do escritor é de uma mediocridade sem par. E esse negócio de se ter que preencher espaços pra se chegar ao final naquela data precisa, imposta, resultou ainda pior para esse folhetim, muito pobre e mal-escrito, inverossímel na maior parte.
rita scaramuzzi
1 de fevereiro de 2014 12:13 pmpara mim isso lembra Darth
para mim isso lembra Darth Vader e seu filho Luke Skywalker. da saga Star Wars.
rita scaramuzzi
1 de fevereiro de 2014 12:14 pmpena que eu não consigo
pena que eu não consigo postar imagens aqui!
Anarquista Lúcida
1 de fevereiro de 2014 3:05 pmAté tu, Brutus? (Gilberto)
Puxa, Gilberto, até vc vai entrar nessa de comentar novelas aqui? Vamos ser concorrentes da Capricho, é isso?
Gunter Zibell - SP
1 de fevereiro de 2014 3:39 pmJaja
O Gilberto é um ótimo comentarista no grupo de discussão sobre teledramaturgia no facebook.
Os papos nesse grupo (eu fui convidado por um professor de história do RJ, hétero e politizado) são muito bons.
Anarquista Lúcida
1 de fevereiro de 2014 5:13 pmEu hem… Pq incluir “hetero” na sua descriçao do professor?
Em que isso o torna melhor ou pior como referência? Vc está me atribuindo o quê, ao incluir essa “característica” como relevante? Acha que eu daria mais valor à opiniao, ao convite, ou seja lá o que for?
Eu nao acho que o Blog (diferentemente nisso um pouco do Portal, o que é engraçado, eu teria que pensar melhor por que penso assim) seja um lugar adequado para discutir tramas de novelas ou atuaçao de atores. Isso nao tem nada a ver com o fato do personagem ser ou nao homossexual ou qualquer coisa relativa a isso (ai, o “suspense” sobre se vai ou nao ter beijo gay… rs, rs, me poupe…). Seria diferente se fosse uma análise sobre o impacto da novela (ou até sobre o fato de por que a existência de tal suposto beijo causa impacto e suspense).
malaquias
1 de fevereiro de 2014 8:26 pmô Mala
Ô mala…
Gunter Zibell - SP
1 de fevereiro de 2014 9:54 pmO motivo
é que alguém poderia achar que o motivo para a participação no grupo fosse a frequência de 7 LGBTs nessa novela. Não temos colegas que inventam teorias de conspiração sobre a Globo patrocinando consumidores gays?
Mas o grupo de discussão em questão é bom. E as análises que se supõe são feitas.
Anarquista Lúcida
1 de fevereiro de 2014 10:12 pmOk, mas nao me ofenda… Nao me inclua nisso, por favor!
Nao sou homofóbica e nao me chamo Alexis…
Gunter Zibell - SP
1 de fevereiro de 2014 11:06 pmUai
Mas eu não inclui você nisso, daonde pensou isso?!?
Mas nem em novela do Walcyr Carrasco alguém confundiria você com Alexis! rsrs
Anarquista Lúcida
2 de fevereiro de 2014 12:28 amAh bom, fico + tranquila… (rs, rs)
.
Gunter Zibell - SP
2 de fevereiro de 2014 3:15 amPode ficar! BBAA
alexis
1 de fevereiro de 2014 3:17 pmÉ a arte que imita a vida mesmo?
Eu já acho o contrário. Desde o final da 2ª guerra mundial, somos influenciados pela mídia global, desde Hollywood, a grande imprensa, a TV, e etc. A criançada foi mudando na medida em que os seus heróis mudavam. Já sonhamos em ser cowboy, James Bond, bombeiro, policial e outras coisas. Hoje, até os super heróis de quadrinhos são Gays e, pelo que acontece nas novelas, a meninada vai querer hoje ser o “Solano”, o novo herói perante mulheres e homens héteros cafajestes e mau caráter. Isso tudo corresponde a campanha global para destruição das famílias, troca de valores e hábitos comunitários por apenas hábitos de consumo e ostentação, e a atomização do mercado.
Gunter Zibell - SP
1 de fevereiro de 2014 4:34 pmUai
Tem vida que imita a arte
Tem arte que imita a vida
E tem comentarista que imita Malafaia ou Veja
https://jornalggn.com.br/noticia/malafaia-reclama-na-veja-contra-promocao-da-causa-gay-na-globo
https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/o-mais-recente-delirio-de-veja
Helio J. Rocha-Pinto
2 de fevereiro de 2014 12:17 amNão há sentido nesse
Não há sentido nesse comentário.
Primeiro: porque ser gay não é um demérito em nada. Se fosse possível escolher uma sexualidade, tal qual querer ser bombeiro ou mocinho de faroeste, quem escolhesse ser gay tem liberdade garantida pela Constituição e pela Declaração de Direitos Humanos para sê-lo. Liberdade, Alexis. Somos livres, eu, você e qualquer um. Temos direitos a ser quem somos, desde que não interfiramos nas vidas alheias.
Segundo: porque não se escolhe ser gay, tanto quanto não se escolhe ser hétero ou bissexual. Ninguém escolhe a própria sexualidade. Ela surge. Se não é a heterossexualidade, pode acabar sendo escondida, reprimida por anos. Mas nunca é escolhida. Então, ninguém resolve ser um Solano porque sentiu empatia com sua personagem. Mas podem resolver respeitar os Solanos que venham a conhecer pela vida, porque são capazes de ver além do preconceito e do desconhecimento sobre sexualidades diversas.
Gunter Zibell - SP
1 de fevereiro de 2014 3:36 pmEmissora retoma tradição de forçar limites morais com telenovela
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/02/1406147-analise-emissora-retoma-tradicao-de-forcar-limites-morais-com-telenovelas.shtml
NELSON DE SÁ
Um centro europeu de pesquisa levantou há cinco anos que “as mulheres que vivem em áreas cobertas pelo sinal da Globo apresentaram taxa de natalidade muito menor”. O motivo: por mais de três décadas, em 115 novelas, 72% das personagens femininas não tinham filhos.
O Banco Interamericano de Desenvolvimento apontou depois que “a parcela de mulheres que se divorciaram aumenta significativamente depois que o sinal da Globo se torna disponível”. A própria Globo acha que “Escalada”, de 1975, abriu um debate que levou à aprovação do divórcio no país, em 1977.
A protagonista de “Escalada” era a atriz Susana Vieira. Ela também foi protagonista agora de “Amor à Vida” e, no lançamento da novela em maio de 2013, já tratava de avisar que “é para dar uma resposta aos desaforos que aquele homem lá dos Direitos Humanos diz”.
Referia-se ao deputado Marco Feliciano, que transformou a Comissão de Direitos Humanos em plataforma de defesa da homofobia. Nada do que ele tentou, como liberar “cura gay” ou reverter decisão do Supremo em favor da união homossexual, foi além da comissão.
Parte de seu fracasso pode ser creditado aos oito meses de “Amor à Vida”, a ponto de provocar questionamentos seguidos de Feliciano à Globo, no período. O beijo de Félix e Niko, ontem, serviu para marcar a vitória.
edna baker
1 de fevereiro de 2014 3:47 pmFinal antológico. Música
Final antológico. Música maravilhosa. Solano perfeito. Parabéns a todos os envolvidos nesse final.
Gunter Zibell - SP
1 de fevereiro de 2014 3:50 pm“Estou extasiado”, diz Thiago Fragoso sobre repercussão positiva
http://televisao.uol.com.br/noticias/redacao/2014/02/01/estou-extasiado-diz-thiago-fragoso-sobre-repercussao-positiva-do-publico.htm
Os atores de “Amor à Vida” assistiram juntos ao último capítulo da novela em uma churrascaria do Rio de Janeiro. E logo depois da exibição da cena em que Félix e Niko se beijaram, seus intérpretes, Mateus Solano e Thiago Fragoso, começaram a receber ligações de amigos e familiares contando a boa recepção do público.
“Estou extasiado por saber que as pessoas estão tendo essa reação. Tudo o que a gente busca como artista, pelo menos para mim, é conseguir se comunicar com as pessoas no nível mais profundo, provocar esse momento da catarse. Ainda estou meio anestesiado”, falou Thiago Fragoso, ao site oficial da novela. Ele aproveitou também para elogiar o colega de cena: “O Mateus é um gênio. A gente tem de reconhecer”.
Para Mateus Solano os comentários nas ruas também afetou o trabalho dos atores em cena, assim como o trabalho do autor, Walcyr Carrasco.
“A medida que a novela fazia sucesso, nos sentimos mais motivados a fazer um trabalho ainda melhor. (…) Eu acho que o Walcyr pegou todo mundo pelo amor. Acredito que a maioria se rendeu ao casal”, afirmou.
Gunter Zibell - SP
1 de fevereiro de 2014 4:15 pmHomem com homem não é lobisomem, mulher com mulher não é jacaré
http://www.jornalggn.com.br/blog/gunter-zibell-sp/homem-com-homem-nao-e-lobisomem-mulher-com-mulher-nao-e-jacare
Filipe Rodrigues
1 de fevereiro de 2014 4:15 pmA novela em si foi inferior a Avenida Brasil.
O texto no geral fraco, atores veteranos mal aproveitados (excessão da Elizabeth Savalla e a fase “cega” do Fagundes) personagens bisonhos como aquele Tales (o próprio ator disse que não o entendia).
Mateus Solano foi o “dono” da novela, Felix é um personagem muito bem construído que ganhou minha simpatia desde o início (diferente do Crô, que nunca simpatizei por ser um gay muito caricato).
Gunter Zibell - SP
1 de fevereiro de 2014 4:28 pmForam novelas muito diferentes
“Avenida Brasil” foi bem enxuta (cerca de 50 personagens), mas mesmo com apenas 179 capítulos teve muitas barrigas.
“Amor à Vida” teve cerca do dobro de personagens e muitas situações mal desenvolvidas ou mesmo personagens mal construídos, mas 221 capítulos e, em compensação, bastante ‘atividade’, quase sem barrigas.
Gunter Zibell - SP
1 de fevereiro de 2014 4:18 pmDo perfil ‘Félix Bicha Má’
Gunter Zibell - SP
1 de fevereiro de 2014 4:39 pmPara quem não gostou do beijo gay…
… ao persistir os sintomas o médico deverá ser consultado.
José Carlos Lima
1 de fevereiro de 2014 8:24 pmDos fiéis infelizes
Fiéis mas infelizes e de que adianta a fidelidade a Jesus se há infelicidade no coração e infelicidade quer dizer morte , pois ele disse: Morte aos infelizes! Que traduziram de forma errônea para: Morte aos infiéis! Engraçado, até parece que não sabem que fidelidade é coisa do cão. E também de misóginos, estes que são capazes de matar sua esposa por excesso de ódio infelicidade no coração. Amar é um dos micropoderes de cada um de nós e que, como sabemos, são vários, tais como Poder Fraternal, Poder Culinário, Poder Gestual, Poder Sexual….
Saiba mais sobre os micropoderes: http://thejosecarloslima.blogspot.com.br/2013/05/spin-os-28-tipos-5-deiscencias.htm
Alessandre de Argolo
1 de fevereiro de 2014 5:05 pmE os crentes, homofóbicos em
E os crentes, homofóbicos em geral, guardiães da moral e do bons costumes, vão à loucura! Até a Rede Globo consegue ser mais avançada! Como é se sentir mais atrasado e reacionário do que a Rede Globo em termos de costumes?
Primeiro beijo entre dois homens numa novela da Rede Globo. Isso em 2014, pleno século XXI, quando a Globo já faz novelas, sei lá, há quase cinco décadas, por aí. Cinquenta anos para mostrar um beijo entre dois homens, discreto, nada lascivo (não teve insinuações sexuais maiores, como acontece em outros beijos entre heterossexuais que aparecem nas novelas).
Acontece que isso não é por acaso. A sociedade brasileira é atrasada em relação a isso, muito preconceituosa, discrimina os homossexuais. De certa forma, a cena retrata a realidade brasileira. Homossexuais no Brasil não se sentem à vontade para demonstrar em público o afeto que sentem uns pelos outros. Ainda estão relegados a guetos, a espaços privados. Isso em qualquer cidade brasileira.
Enquanto isso, em Londres, casais gays masculinos andam abertamente de mãos dadas nos parques, nas ruas, nos bares (não cito mulheres porque a sociedade machista tende a se sentir mais desconfortável com a cena de gays masculinos; isso é tão verdadeiro que beijos entre homossexuais femininos já aconteceram antes em novelas da Rede Globo e de outras emissoras). O Brasil ainda não está nesse nível, mas a cena é um avanço.
E sim, a cena final foi linda. Não que eu não soubesse desde o início que tudo girava em torno da relação pai-filho (o que não quer dizer que Félix fosse homossexual por isso, como alguns interpretações erradas que surgiram diziam em alguns momentos, mas sim que ele agia de modo imoral porque era um ato de revolta contra o desprezo do pai). Isso para mim sempre esteve claro na novela. Sempre entendi a personagem Félix não como um ser humano ruim, mas sim um ser humano vítima do preconceito e da discriminação. Félix sempre foi mais vítima do que vilão. Essa foi a grande sacada da novela. Uma sociedade que discrimina, que é preconceituosa, que é intolerante, não é uma sociedade saudável.
Parabéns aos atores, Matheus Solano e Thiago Fragoso, quebrando paradigmas na televisão brasileira. Matheus Solano, particularmente, arrebentou no papel de Félix. Melhor ator brasileiro da atualidade. Não teve para ninguém. O talento do cara ofuscou todo mundo.
Gilson AS
1 de fevereiro de 2014 5:18 pmE o beijo ?
E o beijo, não vai ter post sobre o beijo ?
Estou doido para sentar o pau, ou seja, falar mal.
ricardo gonçalves
1 de fevereiro de 2014 5:46 pmMeu pai, um noveleiro
Meu pai, um noveleiro crítico, professor de literatura. Perguntei, Você gosta desta b. de novela?, enquanto ele estava ali, em pezinho perto da TV, uma vez que o papo da sala atrapalhava sua audição. Só gosto da parte do Felix, me respondeu se afastando da TV assim que mudou a cena do Felix para outro núcleo da novela.
Gilson AS
1 de fevereiro de 2014 6:08 pmNem com putaria, globo alavanca audiência.
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/mesmo-com-beijo-gay-ibope-de-ultimo-capitulo-de-amor-a-vida-e-mais-baixo-do-que-o-das-novelas-anteriores/
Gunter Zibell - SP
1 de fevereiro de 2014 9:47 pmQue absurdo
você descrever o beijo gay como “putaria”.
Absolutamente lamentável e demonstrativo cabal de como você é reacionário. Nem Malafaia falaria isso.
Antonio C.
1 de fevereiro de 2014 6:15 pmComentário.
O melhor da novela é o fim.
janes salete
1 de fevereiro de 2014 6:31 pmNão sou de assistir novelas.
Não sou de assistir novelas. Mas um personagem me fez acompanhar os últimos capítulos dessa, Amor à Vida: o ator que fez o papel do Félix. Espetacular! Em conpensação, a mediocridade de outros atores! A “mocinha”, desde o dia que comecei a assistir, não mudou de cara, de expressão (se ela tentou, saiu-se muito mal. E o “namorado” dela, idem. A cena final da novela foi linda, de muito bom gosto.
Mauricio Salles
1 de fevereiro de 2014 7:34 pmO personagem é que é o troço
Sempre são uns poucos que salvam as novelas, Solano e Fragoso dessa vez. Mas a novela foi um fiasco. Mal escrita, pouco crível em inúmeros momento. Não dá mais. O público ficou extasiado com duas cenas dessa novela. O desmascaramento de Felix e o final “morte em veneza” (eita originalidade pós-moderna, sô!). É muito pouco!!! Avenida Brasil foi muito, mais muito melhor. Mas isso jamais tirará o mérito de Solano, claro. Mas não vamos desmerecer uma porção de grandes atores que dão o sangue nessas produções novelisticas. Realmente o personagem Felix (que podia ter sido feito por qualquer ator visto ser um personagem de grande potencial) salvou a pele de uma novela fraca.
Maria Regina
1 de fevereiro de 2014 7:35 pmA globo ( com minúscula
A globo ( com minúscula mesmo) deu um tapa na cara do povo brasileiro. Não respeitou a maioria que é contra o homossexualismo e fez o que fez. E não adianta dizer que basta não assistir a essas novelas imorais e indecentes. Qualquer site exibiu essa vergonha “a exaustão. E pensar que esse povo que aprova essa causa usa como bandeira o Arco-Íris. Esse símbolo é divino ( feito por Deus ). Façam um para vocês e ponham no céu depois da chuva. Aí sim, pois usar o que existe com um propósito, para outro completamente diferente, chama-se usurpação.
Gunter Zibell - SP
1 de fevereiro de 2014 10:59 pmMaioria aonde? Na Rússia?
Adelina
1 de fevereiro de 2014 8:19 pmpreconceito
Contra gays e contra novelas!!! Depois de um dia terrível com muito trabalho e neste calorão infernal, meus neurônios e meu corpicho pedem uma cerveja e novela ou futebol. Aos mal humorados, até acho que isto pode alienar mas não necessariamente. Tenho consciência de toda a manipulação da Globo e não assisto seus noticiários. Tenho também informação sobre os crimes da Globo (apoio a ditadura, caso pro consult, debate do Collor e Lula, etc.). Quanto aos autores de novela, na minha opinião, são cultos e inteligentes. Tanto que sempre buscam muito da literatura clássica, história e cinema para construir suas novelas que são sim rocambolescas e inverossímeis Mas vejam como eles fazem analogias, enquanto César está ainda repudiando o filho, ele vê em preto e branco. Quando finalmente deixa a homofobia de lado, antes de declarar amor ao filho gay, vê em cores (bandeira do arco íris da causa LGBT, ver melhor, abrir horizontes, como queiram). O nome dos personagens: César (mandando de maneira absoluta, imperial), Pilar (a mãe, esteio da família), Felix (Felis catus, nome científico do gato, aliás ele tinha jeito de felino, inteligente, leve, sensual, etc.), Paloma (pomba, a filha que de tão boazinha passou por otária, queria sempre a paz naquela família conturbada).
Gunter Zibell - SP
1 de fevereiro de 2014 11:00 pmMuito interessante…
… essa visão sobre os nomes dos personagens.
Nilva de Souza
1 de fevereiro de 2014 9:13 pmBeijo gay
Não consigo concluir com clareza se um beijo gay, em horário nobre de telenovela é um avanço porque fortalece a cultura do respeito e compreensão ou um retrocesso porque aprisiona, como no passado, o sexo ao afeto.A cena e o contexto escolhidos indicam que, desde que os relacionamentos sejam estáveis e as famílias sejam perfeitas como num café de manhã de margarina, pode beijar!
Andrea Pachá – Juíza de Varas de Família , dramaturga e produtora teatral, cujo livro “A vida não é justa” sobre sua experiência de 18 anos em Varas de Família, será transformado em minissérie na Globo.
Gunter Zibell - SP
1 de fevereiro de 2014 9:43 pmO problema do café de margarina já existia para todos
A questão é que sempre houve forte ‘invisibilização’ das pessoas LGBT.
E isso, felizmente, está sendo desmontado em várias frentes.
Tivemos (2010) a regulamentação da lei 10948/01-SP, multando quem proibir beijo homoafetivo em estabelecimentos comerciais.
A Globo não atuou somente nessa novela, desde o começo de 2012 quase todas as séries, novelas e programas de auditório apresentam personagens ou questões LGBT
E mais recentemente (por estes dias mesmo, não guardei o link da notícia), portaria do Min. da Justiça determinando que homoafetividade (como o beijo gay) não pode ser razão de censura/classificação por idade.
Diversos entes atuando na mesma direção.
É um avanço, portanto, pois consolida a ideia de que pessoas LGBT têm os mesmos direitos. Inclusive de serem vistos e de se reconhecerem na ficção.
Outras questões ficam em aberto, como essa pressão social para que pessoas encontrem as meias metades, mais a cultura de valorizar o corpo, etc.. Mas isso já era um problema e manter LGBTs na sombra já não ajudava nada.
Gunter Zibell - SP
1 de fevereiro de 2014 9:59 pmO que muda (e o que permanece) após o beijo gay
http://www.jorgealberto.com.br/2014/02/o-que-muda-e-o-que-permanece-apos-o_1.html
Narrando não tem nada demais. Dois seres humanos, do sexo masculino, encostam um no outro, enquanto algumas máquinas reproduzem esse episódio para um grande número de pessoas. Nessa hora, quem acompanha o presente texto já começa a achar que está sendo passado para trás: “um toque? como assim? foi um beijo, e na boca!”. Calma, eu explico. O ato de beijar alguém, do ponto de vista físico, nada mais é que encostar o lábio no bochecha, na boca ou em partes menos familiares do parceiro, portanto um toque.
A captura de Criste, por Caravaggio, 1602A primeira referência histórica que temos do beijo data de 2500 a.C., presente nas esculturas e murais hindus do templo de Khajuraho, na Índia. Mais de dois mil anos depois (em torno de 330 a.C.), um rapaz chamado Bagoas protagoniza a cena em que, após vencer um concurso de canção e dança, é ovacionado por toda uma tropa ao receber um beijo de seu rei, Alexandre, o Grande. Trezentos e poucos anos depois, em um período que poderíamos chamar de durante Cristo, Judas Iscariotes segue escrevendo a história do beijo. Tanto no Evangelho de Mateus, quanto no de Marcos, o famoso “Beijo de Judas” é narrado através do verbo grego kataphilein, que significa “beijar firmemente, intensamente, com paixão, ternamente ou calorosamente”. Dessa vez o beijado foi Jesus, seguindo a história que conhecemos bem. 2014 anos se passaram e estamos aqui discutindo um beijo. Não discutimos o tocar dos lábios, discutimos o sentimento, a simbologia, a moralidade do ato. Enquanto o “Beijo de Judas” é expressamente um símbolo de traição, o beijo gay, até mesmo pela atualidade do fato, é um símbolo em disputa. Grupos mais conservadores apontam a cena como marco da destruição da família brasileira. Grupos dos movimentos LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) tratam como um símbolo de avanço da sociedade. Fãs de novelas pregam como uma revolução nos folhetins brasileiros. Românticos entendem como representação do amor entre os dois personagens. Algumas mulheres lamentam o fato do ator bonito ser retratado como gay. Alguns homens falam de nojinho do beijo. E assim por diante.
Cartaz do filme República dos Assassinos, 1979Fato é que não tem muita novidade na cena. No cinema, ainda em 1927, o filme mudo “Wings” (vencedor do Oscar), retrata o que teria sido o primeiro beijo gay de Hollywood entre os atores Buddy Rogers e Richard Arlen. Já com as meninas, o filme alemão “Mädchen in Uniform” (Meninas de Uniforme), de 1931 também cumpre o papel. Não é só Almodóvar e Brokeback Mountain que figuram na lista. Em 1979, os atores Tunico Pereira e Anselmo Vasconcelos, reproduziam a cena no filme brasileiro “República dos Assassinos”, de Miguel Faria Jr. Saindo do cinema e entrando na TV, há 24 anos os atores Raí Bastos e Daniel Barcelos protagonizam na minissérie “Mãe de Santo”, da extinta TV Manchete, cena parecida. Ou seja, os que dizem que foi o primeiro beijo gay da televisão brasileira estão atrasados em mais de duas décadas. Contudo, devemos considerar que, entre tantos gravados e cortados, é o primeiro beijo gay exibido no horário nobre da maior emissora brasileira. Ainda que tenha ido ao ar em uma das últimas cenas, do último capítulo da novela, minimizando assim a repercussão posterior, representa uma evolução. Os meios de comunicação têm a capacidade de fornecer significados para a realidade. Por um lado apropriam-se do passado/presente remontando cenários aparentemente reais. Nesse caso específico (não só beijo, mas dos vários conteúdos em torno da homossexualidade), a visibilidade promovida faz com que um número grande de pessoas pense em algo muitas vezes esquecido: gays existem. Mais do que isso, favorece a humanização, criando pontes de empatia e estabelecendo um início de tratamento igualitário (considerando sempre a igualdade na diferença). Por outro está em jogo também a afirmação de valores. Um veículo como a TV, mesmo com o espaço que a internet vem conquistando, ainda cumpre um papel determinante em nosso cotidiano. O papel de disputar opinião, ditar tendências, orientar o futuro. Nesse ponto, já lançam a máxima: “se a TV influencia dessa forma, depois desse beijo todos vão querer ser gays”. Combatendo um clichê com outro, é interessante considerar que não há registro em nossa sociedade de gay que tenha se tornado hétero ao ver um beijo entre homem e mulher.
Outdoor espalhado por várias cidadesEm tempos de Malafaias e Felicianos, é importante compreender esse momento como fruto de uma série de conquistas de liberdades individuais e democracia. Não se trata da defesa de um segmento da sociedade. Estamos falando do direito de TODOS de ir e vir, de escolher seus próprios parceiros e de ser simbolicamente representados no conjunto da sociedade.
Seja por amor, seja por amizade, seja por educação, a referência do beijo é sempre de afeto. Que venham muitos outros beijos gays, bi, héteros, trans, inter, pré, pós, ultra, hiper… afinal de contas a família brasileira está preparada para o amor, não está?!
*Jorge Alberto é jornalista.
Gunter Zibell - SP
1 de fevereiro de 2014 10:04 pmdo fb de Clailton Leite
https://www.facebook.com/groups/tchlt/permalink/575768042514298/
Obrigado rede globo !!! Antes tarde do que nunca !!! E principalmente seu autor pela sensibilidade de abordar o tema de uma forma tão humana !! Não podemos esquecer também do SBT que deve esta coragem bem antes !!! Pena senhor Silvio Santos manter uma repórter homofóbica no seu quadro de funcionários !! E a BAND também nossos agradecimentos pela gentileza !! Mais queremos lembrar que nos não somos obra do acaso ! EXISTIMOS !!!!! Somos seres humanos e queremos ter direito a ver muito mais a expressão do nosso amor !!!!!
Gunter Zibell - SP
1 de fevereiro de 2014 10:07 pmDe um anônimo que escreveu para um participante de um grupo FB
https://www.facebook.com/photo.php?
Gunter Zibell - SP
1 de fevereiro de 2014 10:16 pmMaju Giorgi: qualquer beijo de novela me faz chorar
http://majugiorgi.ig.com.br/index.php/2014/02/01/760/
Ando tão à flor da pele…qualquer beijo de novela me faz chorar.
witter
Passada a comemoração imensa…vamos tentar entender o que aconteceu ? Não foi o primeiro…claro que não. O primeiro foi na TV Manchete…e já teve no SBT, na BAND, na GNT então …no BBB da própria Globo… enfim. Talvez , os desavisados nem tenham ficado sabendo, mas nós, que abraçamos nossa causa de uma forma apaixonada, soubemos em cima do lance , comemoramos e agradecemos cada um deles. O de ontem, não foi o primeiro beijo da TV brasileira, mas foi o primeiro beijo exibido pelo maior formador de opinião do país e em horário nobre e foi primeiro beijo em que finalmente conseguimos acertar o alvo em que tanto mirávamos : a compreensão pela sociedade de que o afeto, o sentimento, se sobrepõe ao sexo. Isso não quer dizer que lgbtts não façam sexo, quer dizer que são humanos, que são providos da capacidade de amar, de cuidar, de conviver e de se apaixonar…como eu…como você ! E mais que isso…para se sentirem completos, precisam desse amor…desse afeto. O beijo serviu também como termômetro da evolução da sociedade, e ficamos sim, muito felizes recebendo como nunca, tanto apoio, tanta compreensão. A novela, e não o beijo, trouxeram a luz , de que forma a rejeição de um pai pode levar à egodistonia , ao desconforto e a não aceitação da própria sexualidade e a deformação de um caráter….obviamente, que pintado em cores fortes, já que se trata de ficção…de uma novela. A cena de Felix com César na minha opinião, foi mais importante que o próprio beijo, foi sensível, foi delicada, foi humana e nos colocou no caminho da aceitação, da formação de seres sintônicos, que inevitavelmente conduz ao amor saudável e ao beijo. Hoje de manhã, logo cedo, já começamos a colher os frutos dessa cena, quando um de nossos militantes recebeu está mensagem de um menino que até ontem, não era aceito pela família:
“…estavam todos na sala… eu no sofá qdo o Felix bjou o carneirinho… Silêncio… Fiquei quieto também pra não dar motivos, embora estivesse fazendo a drag por dentro… Mas a cena final, do Felix e do Cesar, eu não aguentei, veio um choro descontrolado q estava preso esses quatro anos que não falamos direito.., estava total descontrol… dai veio minha mãe com a cara inchada de chorar me abraçar e meu pai do outro lado segurou minha mão e pôs a mão em volta do meu ombro… Não falamos nada! Na hora de dormir, o Felipe (irmão) entrou no quarto, deu a mão e quando eu ia apenas apertar, ele me puxou, deu um abraço e disse que ele sempre vai ser meu irmão. E chorei de novo… Pela primeira vez não dormi no inferno…”
Se fosse só este…já estariamos felizes, mas estamos ouvindo histórias parecidas pipocando por todo lado , e se não me falha a memória uma delas foi contada pelo próprio Mateus Solano.
Isso não quer dizer, que o beijo fez com que a homofobia desaparecesse da sociedade num passe de mágica. Apenas, quebramos um tabu, demos um passo, fizemos um avanço. Se fossemos ingênuos, não seriamos ativistas. Toda luta por liberdade na história da humanidade, foi como o movimento do mar…as ondas avançam …e retrocedem…mas uma hora, inevitavelmente chegam na areia . Ontem, nós demos aos nossos meninos e meninas o direito de comemorar…de comemorar muito. A luz no fim do túnel é necessária… o sonho e a esperança, em meio a tantas lágrimas que derramamos todos os dias pelas nossas crianças que tem a vida pontuada pela homofobia em suas mais diversas e cruéis formas, são mais que necessários, são fundamentais. Mas hoje, precisamos nos reconstruir e respirar fundo…a onda homotransfóbica que já está imensa, vai aumentar…muito. O beijo , símbolo do amor, despertou o ódio, não tenham a menor duvida disso. Não é a primeira vez que passamos por isso e nem será a última e temos que estar cientes e preparados. A retaliação…virá, então… prestem atenção, o fim de semana chegou e nós ficamos MUITO preocupados, porque estamos vendo mortes e espancamentos e recebendo denuncias diariamente.
Os LGBTTs mais velhos são safos, mas os adolescentes que tem sido o grande alvo dos homofóbicos, pelo amor de Deus :
Comprem um apito….desses de plástico que vendem em todo lugar. Ande com ele no bolso e se estiver com medo ou se sentir ameaçado, apite MUIIIITOOOOOOOOOOOOOOOO !!!!!
Pra que sair da balada as 4 ou 5 ? Se ficou lá até a essa hora, fique até o dia clarear.
Andem…EM BANDO….e não parem pra fazer xixi, nem pra amarrar o tênis nem pra NADA !
E fiquem tranquilos…ninguém consegue parar a história…logo chegaremos na areia !
E em tempo…parabéns a Rede Globo, pelo grande serviço prestado…pelo como diriam nossos meninos e meninas… tapa na cara da sociedade. Parabéns a Walcyr Carrasco pela coragem , a Thiago Fragoso e Antonio Fagundes também…e principalmente…parabéns Mateus Solano por ter emprestado tanta humanidade, sensibilidade, delicadeza e emoção ao Felix. Pela primeira vez na minha vida…em um mundo em que tentam retratar e caricaturar meu filho como CLO…eu pude ver meu filho…em você ! Muito Obrigada !
Gunter Zibell - SP
1 de fevereiro de 2014 10:21 pmBeijo para que? (By Otavio Zini)
http://www.queerquem.blogspot.com.br/2012/09/beijo-para-que.html
Gunter Zibell - SP
2 de fevereiro de 2014 12:19 amPor que o beijo gay só ocorreu em ‘Amor à Vida?
http://www.nlucon.com/2014/02/por-que-o-beijo-gay-so-ocorreu-com.html
Depois de tantas tentativas, por que o beijo gay só ocorreu com Félix e Niko, em ‘Amor à Vida’?
Foi contrariando todas as expectativas negativas – motivadas pelas várias frustrações passadas – que finalmente o beijo gay entre homens foi dado em uma telenovela brasileira nesta sexta-feira, 31 – diga-se de passagem, com grande comemoração do público e dos artistas. “Estou anestesiado”, disse Thiago Fragoso, o romântico Niko. “A maioria se rendeu ao casal”, comentou e comemorou o ator Mateus Solano, o já icônico Félix. Dentro de um restaurante, em São Paulo, assisti ao fim da novela por meio de um telão e, no momento em que o casal em questão fazia juras de amor, um silêncio absoluto tomou conta do espaço.”Ah Félix, eu não vivo sem você”, “Eu não vivo sem você, carneirinho”, foi a deixa para que o beijo ocorresse no conservador “plim plim”. Delicado, simples e tocante. A reação do público, formado por pessoas de todas as orientações sexuais, foi imediata. Aplausos, gritos, arrepios, vibrações positivas e… Muitas lágrimas. No Facebook, o panorama de uma comemoração nacional, digna de Copa do Mundo. Não que um beijo gay fosse acabar com a homofobia do Brasil. Mas a cena fez desengasgar um sentimento coletivo, por conta da invisibilidade do afeto entre pessoas do mesmo sexo em um dos produtos de maior audiência no país. Como se o beijo gay fosse algo errado, devesse ficar escondido, merecesse ser abafado ou fosse digno de censura. Personagens e casais gays já são retratados a revelia, têm seus comportamentos e personalidades variadas, mas nunca aparecem de fato como um casal. Além disso, os dilemas sempre giram em torno apenas da sexualidade e, em prol dos bons costumes, são vistos no máximo como amigos íntimos. Na novela América, por exemplo, Junior [Bruno Gagliasso] e Zeca [Erom Cordeiro] caminhavam para dar o aguardado beijo gravado. Porém, antes mesmo de os lábios se tocarem, houve um brusco corte, uma censura. Nesse caso, em 2005, há quem também tenha chorado, mas de tristeza. Sem contar na novela “Torre de Babel”, em que as personagens vividas por Christiane Torloni e Silvia Pfeifer foram mortas, porque o público de 1998 não aprovou o romance lésbico. A façanha de “Amor à Vida”, todavia, não se deve porque houve uma transformação da sociedade: afinal o beijo gay existe há tempos e as pessoas aprovam ou não há tempos também. Deve-se porque Félix e Niko não se tornaram meros personagens gays, que se limitavam ao papel de gay e que estavam fadados ao que o telespectador já achava previamente sobre o grupo, preconceituosamente ou não. Walcyr Carrasco conseguiu entender que, assim como na vida real, tais personagens precisavam que o público os conhecessem de fato, se tornasse íntimo e que eles estivessem cercados de… HISTÓRIAS. Diferentes, variadas, humanizadas, dramáticas, sem vitimismos, com a consciência de que o amor e a pluralidade são os melhores caminhos.
A família do Félix e Niko O público acompanhou lado a lado o processo do romance [inicialmente impossível], a luta de Félix contra a sexualidade [inclusive em um casamento hétero], o sonho de Niko pela paternidade, a traição sofrida pelo ex, a enganação da amiga, e entendeu que a homossexualidade é apenas uma das várias características de uma pessoa, que existem vários gays na sociedade [assim como na novela, que promoveu pelo menos sete personagens, de vilões, a anjinhos, a homens no armário, a pais] e que todos têm uma história. Ou seja, depois de tantas pelejas, lágrimas e redenções, ficou mais fácil reconhecer Niko e Félix como um verdadeiro casal, a realmente torcerpor eles e a aguardar um normalíssimo beijo. Afinal, qual personagem carismático e próximo do telespectador não merece um final feliz? Com Félix e Niko, Walcyr Carrasco conseguiu ir da Terra a Saturno, percorrer da vilania ao desejo da paternidade, da redenção à busca por um novo amor, do coadjuvante ao protagonista “soberano”, do casamento de fachada ao amor pleno e verdadeiro. Conseguiu o mais difícil em um texto que visa ser interpretado por toda a massa: humanizar um personagem caricato, que ao lado do talento de Solano e Fragoso alcançou e colocou facilmente o telespectador no bolso. E, claro, com muito jogo de cintura, conseguiu visibilizar e naturalizar o beijo entre rapazes.
Porém, mais feliz que o beijo em Niko, Félix conquistou na última cena aquilo que ele tanto quis, proporcionando um dos momentos mais lindos de toda a trama: A declaração de amor e a aceitação do pai. Um homofóbico, que metaforicamente só começa a voltar a enxergar depois que consegue aceitar e respeitar o filho gay, que ele tanto rejeitou e que fez de tudo para mudar. Simplesmente emocionante e um marco importante no combate a homofobia. Vale lembrar que a história do beijo gay começou em 1963, em Calúnia, da TV Tupi, com Georgia Gomide e Vida Alves, passou por diversas tramas e quase finais felizes, vingou com Luciana Vendramini e Gisele Tigre, em Amor e Revolução, do SBT, e coroou com Mateus e Thiago brilhando em Amor à Vida. Que a novela seja a precursora de uma nova fase para a teledramaturgia, na visibilidade dos casais gays e nas possibilidades de histórias tocantes da comunidade LGBT. E que ocorram novos beijos, desta vez um pouco mais molhados, sem que as palavras tabu e preconceito acompanhem toda a performance.
Félix e o pai César, interpretado por Antônio Fagundes
EMILIAMMM
3 de fevereiro de 2014 5:32 amAs imagens do feminino na novela
Ao lado da questão gay, não parece terem sido relegadas as imagens predominantes do feminino na novela? Não acompanhei os capítulos mas, pelo que soube, se os vilões homens foram mais ou menos redimidos ao final, as principais personagens femininas, afora a sofredora Paloma, começaram e terminaram a trama como perversas, manipuladoras ou caricatas. Isso também não deveria dar ao que pensar?