22 de junho de 2026

O escândalo Fictor é dos órgãos reguladores, por Luís Nassif

Em novembro de 2025, GGN publicou denúncia sobre a Fictor mas, sob o olhar complacente da CVM, a operadora continuou captando por dois meses.
Imagem gerada por ChatGPT

Fictor captou R$ 200 mi/mês por 2 meses, mesmo com patrimônio negativo e sob sigilo da CVM.
Grupo usava SCPs para ocultar investidores e dificultar rastreamento de origem de recursos.
Fictor e Banco Master criavam fluxo artificial com debêntures para mascarar balanços.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

No dia 19.11.2025 publiquei o artigo “Os negócios obscuros da Fictor, que pretendia adquirir o Master” dando mais detalhes do que tudo que já saiu sobre o escândalo Fictor.

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Mesmo assim, durante mais de dois meses a Fictor continuou captando recursos, ao ritmo de R$ 200 milhões mensais, sob o olhar complacente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Foi solicitada uma posição da CVM, que limitou-se a responder que seus processos são sigilosos.

1. Capitalização Artificial e Patrimônio Negativo

Embora se apresentasse como uma holding robusta capaz de assumir o Banco Master, relatórios indicam que o grupo operava com patrimônio líquido negativo. A estratégia consistiria em utilizar o banco para gerar uma aparência de solvência, enquanto a holding servia como um “veículo de papel” para movimentações financeiras sem lastro real.

2. Uso Suspeito de SCPs (Sócios Ocultos)

O Grupo Fictor utilizava amplamente as Sociedades em Conta de Participação (SCP). No papel, essa estrutura é legal, mas no contexto da investigação, há indícios de que servia para:

 * Ocultar a identidade de investidores: Permitindo que figuras politicamente expostas ou com restrições legais injetem dinheiro no sistema sem aparecer nos registros oficiais.

 * Lavagem de Dinheiro: A pulverização de capitais através de diversos sócios ocultos dificulta o rastreamento da origem lícita dos recursos pelo COAF e Banco Central.

3. A “Fábrica” de Debêntures e Créditos Podres

Suspeita-se que a Fictor e o Master operassem em um regime de auxílio mútuo para “maquiar” balanços. A holding emitiria títulos de dívida (debêntures) que seriam adquiridos pelo banco ou por fundos vinculados, criando um fluxo de caixa artificial que não correspondia à geração real de valor, mas sim à reciclagem de passivos.

4. O “Blefe” dos Investidores Árabes

Uma das peças centrais da narrativa da Fictor era o suposto aporte bilionário vindo de fundos soberanos ou investidores do Oriente Médio. Investigadores suspeitam que esse suporte era um “factoide” para ganhar tempo e credibilidade junto ao mercado e aos reguladores, enquanto o grupo buscava internamente formas de cobrir o rombo de liquidez que já afetava o Banco Master.

5. Blindagem Política e Tráfico de Influência

A conexão da Fictor com o “celular recheado de contatos em Brasília” sugere que a empresa não buscava apenas um negócio comercial, mas sim a manutenção de umas estrutura de poder.

6. Remuneração incompatível

O próprio marketing da casa vende “investimentos em SCP” para o agro e private equity, com promessa de retornos de até 18% ao ano, uma promessa impossível de cumprir, a não ser no esquema de pirâmides.

7. Publicidade enganosa

A Fictor se apresentava como sócia de grandes armazéns de soja. Mostramos que o contrato firmado permitia apenas que ela utilizasse seu nome nos galpões da empresa.

Mesmo com todos esses dados, não se observou um movimento sequer dos órgãos reguladores.

LEIA TAMBÉM:

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https://jornalggn.com.br/noticia/a-recuperacao-judicial-da-fictor-por-luis-nassif/
https://jornalggn.com.br/coluna-economica/os-negocios-obscuros-da-fictor-que-pretendia-adquirir-o-master/
https://jornalggn.com.br/noticia/o-castelo-de-cartas-da-fictor-r-31-milhoes-em-papel-fantasma/

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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