No dia 19.11.2025 publiquei o artigo “Os negócios obscuros da Fictor, que pretendia adquirir o Master” dando mais detalhes do que tudo que já saiu sobre o escândalo Fictor.
Mesmo assim, durante mais de dois meses a Fictor continuou captando recursos, ao ritmo de R$ 200 milhões mensais, sob o olhar complacente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Foi solicitada uma posição da CVM, que limitou-se a responder que seus processos são sigilosos.
1. Capitalização Artificial e Patrimônio Negativo
Embora se apresentasse como uma holding robusta capaz de assumir o Banco Master, relatórios indicam que o grupo operava com patrimônio líquido negativo. A estratégia consistiria em utilizar o banco para gerar uma aparência de solvência, enquanto a holding servia como um “veículo de papel” para movimentações financeiras sem lastro real.
2. Uso Suspeito de SCPs (Sócios Ocultos)
O Grupo Fictor utilizava amplamente as Sociedades em Conta de Participação (SCP). No papel, essa estrutura é legal, mas no contexto da investigação, há indícios de que servia para:
* Ocultar a identidade de investidores: Permitindo que figuras politicamente expostas ou com restrições legais injetem dinheiro no sistema sem aparecer nos registros oficiais.
* Lavagem de Dinheiro: A pulverização de capitais através de diversos sócios ocultos dificulta o rastreamento da origem lícita dos recursos pelo COAF e Banco Central.
3. A “Fábrica” de Debêntures e Créditos Podres
Suspeita-se que a Fictor e o Master operassem em um regime de auxílio mútuo para “maquiar” balanços. A holding emitiria títulos de dívida (debêntures) que seriam adquiridos pelo banco ou por fundos vinculados, criando um fluxo de caixa artificial que não correspondia à geração real de valor, mas sim à reciclagem de passivos.
4. O “Blefe” dos Investidores Árabes
Uma das peças centrais da narrativa da Fictor era o suposto aporte bilionário vindo de fundos soberanos ou investidores do Oriente Médio. Investigadores suspeitam que esse suporte era um “factoide” para ganhar tempo e credibilidade junto ao mercado e aos reguladores, enquanto o grupo buscava internamente formas de cobrir o rombo de liquidez que já afetava o Banco Master.
5. Blindagem Política e Tráfico de Influência
A conexão da Fictor com o “celular recheado de contatos em Brasília” sugere que a empresa não buscava apenas um negócio comercial, mas sim a manutenção de umas estrutura de poder.
6. Remuneração incompatível
O próprio marketing da casa vende “investimentos em SCP” para o agro e private equity, com promessa de retornos de até 18% ao ano, uma promessa impossível de cumprir, a não ser no esquema de pirâmides.
7. Publicidade enganosa
A Fictor se apresentava como sócia de grandes armazéns de soja. Mostramos que o contrato firmado permitia apenas que ela utilizasse seu nome nos galpões da empresa.
Mesmo com todos esses dados, não se observou um movimento sequer dos órgãos reguladores.
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