4 de junho de 2026

Epstein & Bannon: o cerco ao Papa Francisco, por Thiago Gama

As comunicações desclassificadas revelam que Steve Bannon foi cirúrgico em sua ordem direta a Epstein: "Derribemos a Francisco"
Reprodução Redes Sociais

Departamento de Justiça dos EUA divulgou 3 milhões de páginas revelando conspiração para derrubar Papa Francisco.
Jeffrey Epstein e Steve Bannon lideraram ofensiva contra o Vaticano, usando lawfare e capital predatório.
Pontificado de Leão XIV marca realinhamento geopolítico, com fim da diplomacia de resistência do Papa Francisco.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O CERCO AO PAPA FRANCISCO E AO SUL GLOBAL
JEFFREY EPSTEIN E STEVE BANNON
A CONSPIRAÇÃO VATICANA E LEÃO XIV

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O QUE DIZEM PARTES DAS 3 MILHÕES DE PÁGINAS DIVULGADAS PELO DoJ SOBRE A CONSPIRAÇÃO DO SÉCULO

Quo vadis, Leo Quartodecimo, quoque nos tecum trahis?
(Para onde vais, Leão XIV, e para onde nos arrastas contigo?)

Por Thiago Gama (UFRJ)

A desclassificação de três milhões de páginas pelo Departamento de Justiça dos EUA em fevereiro de 2026 (portanto, há poucos dias), removeu a poeira das teorias de gabinete e as transformou em evidências de um cerco estruturado, planejado e em vias de execução dentro do coração da maior máquina religiosa da História do Ocidente – a Igreja Católica.

Jeffrey Epstein, o financista cujo capital lubrificava as engrenagens do poder transnacional, e no desejo não confessado de bilionários e políticos de altíssima estirpe, operava como o braço logístico de uma ofensiva contra o Trono de São Pedro como não víamos desde os anos 1980 com o maldado bispo e diretor do IOR Paul Marcinkus, morto em 2006. Não se tratava de uma divergência litúrgica, mas da execução do projeto “The Vatican Op”.

Foto da porta aberta pelo FBI do apto. de Jeffrey Epstein liberada pelo DoJ. Imagem: DoJ.

As comunicações desclassificadas revelam que Steve Bannon, o estrategista do populismo de direita e do atual ocupante da Casa Branca Donald Trump, foi cirúrgico em sua ordem direta a Epstein: “Derribemos a Francisco”, em tradução direta do periódico suíço em língua espanhola swissinfo.ch.

A frase, datada de maio de 2019, marca o início de uma instrumentalização do lawfare eclesiástico, documentado pelo jornalista Íñigo Domínguez na edição de 6 de fevereiro deste ano em El País, formando uma espécie de paredão de horror e necessidade jornalística de escavar os documentos do DoJ poucas vezes vista na história da política norte-americana e mundial. Momentos assim rivalizam com o caso Watergate (1972 – 1974), se é que não o ultrapassarão, conforme a massa de documentos for sendo processada.

A rede inicialmente montada por Epstein tem um componente de perversidade inaudita – utilizou a indignação legítima contra os abusos sexuais na Igreja não para buscar justiça, mas como um martelo para asfixiar o único Pontífice que ousou confrontar a “economia que mata” e o sistema financeiro corrupto do Vaticano, que levou Bento XVI, dentre outros motivos, à renúncia, por inabilidade de lidar com aquelas engrenagens apodrecidas.

Aqui a História não deve perder seu fio, leitor. Puxe o fio deste novelo analítico e fique atento para perceber que os detalhe indiciários podem vir a ser um método de eliminação. A morte repentina de João Paulo I em 1978, após apenas 33 dias, projeta uma sombra longa sobre este cenário.

Albino Luciani pretendia limpar o IOR, o banco do Vaticano, das influências da Loja P2 e das mãos de Paul Marcinkus. O que tentaram contra Luciani pelo “veneno” ou pela omissão (jamais saberemos), tentaram contra Francisco através do cerco digital e do capital predatório de Epstein (aqui temos uma razoável se não total certeza).

A “gladiatura” de Steve Bannon na Cartuxa de Trisulti, na Itália, por uma entidade chamada “Instituto Dignitatis Humanae” foi a face visível de um polvo cujos tentáculos ainda vibram em 2026. Documentos indicam que Epstein agia como o mestre de cerimônias de um submundo que visava o controle da narrativa moral do Ocidente. E este mosteiro italiano seria a sua base na Europa.

Fotografia da fachada ou vista aérea do mosteiro medieval/ Wikimedia Commons.

No vídeo de 116 minutos, disponível no jornal inglês “The Guardian”, em 5 de fevereiro deste ano (reportagens muito recentes); Bannon questiona se Epstein é o “próprio demônio”, enquanto este se esconde sob a máscara de um “heremita” interessado em física quântica e Isaac Newton.

Se Epstein acreditava que era demônio, e se Bannon inflava o mito do amigo, pouco nos importa. Isto realmente pode ficar para o consumo dos que desejam chamar a atenção para o debate. O incrível não é a crença, o espetacular pode ser o que a crença disso leva um indivíduo empoderado, com conexões e muito dinheiro pode vir a fazer – e ele fez. Tanto Epstein quanto Bannon – o primeiro formando uma rede de pedofilia internacional para gente graúda do dinheiro, da política, e até da Academia, o outro, ajudando a eleger Donald Trump.

Steve Bannon em Roma (março de 2018) – Divulgação.

Se ambos acreditavam ser portadores do Diabo, pouco nos importa, o que importa é o estrago que causaram na vida de milhões, e possivelmente no curso da História do planeta. 

A transição para o atual pontificado de Leão XIV (Robert Francis Prevost), em abril/maio de 2025, representa o triunfo do pragmatismo sobre a profecia. Onde Francisco falava de periferias, o novo cenário é de “realidade geopolítica”. A recepção de María Corina Machado pelo Vaticano logo após o bombardeio norte-americano contra a Venezuela sugere uma ratificação eclesiástica da força bruta.

María Corina Machado laureada com o Prêmio Nobel em Dezembro de 2025/ Wikimedia Commons.

Como historiador, dou-me ao benefício da dúvida diante de um Papa que, até fevereiro de 2026, retarda a publicação de sua primeira encíclica e silencia sobre a defesa do Sul Global, preferindo a assepsia diplomática ao confronto com os novos senhores da guerra. A História nos leva a crer que, sob mesma tensão diplomática, o predecessor de Prevost, Bergoglio não teria recebido Corina no Palácio Apostólico, por um motivo muito simples: HONRA!

Papa Francisco/ Imagem: Divulgação.

O cerco a Francisco não operou apenas no campo das ideias; ele exigiu uma infraestrutura de inteligência eclesiástica financiada por redes que Jeffrey Epstein articulava com precisão cirúrgica. O projeto de Steve Bannon na Cartuxa de Trisulti era apenas o nó visível de uma rede maior.

O objetivo era criar um eixo de soberania capaz de isolar o Vaticano, transformando a Santa Sé em um bastião do conservadorismo nacionalista sob o pretexto de combater o “globalismo”. Tudo vem à tona rapidamente, e muito fresco, o termo “eixo de soberania” aqui com link conduzirá o leitor ao jornal Página 12 – 50 anos del Golpe. Publicado em 7 de fevereiro de 2026. A velocidade e o horror que estes documentos revelam desafia a capacidade de pesquisa de milhares de historiadores, arquivistas, jornalistas, mas vamos vencer a opacidade e ligar os pontos.

O rastro indiciário leva à reunião de março de 2018, onde Epstein, Bannon e o diplomata Miroslav Lajčák (ambas reportagens da AP) discutiram a “Vatican Op”. O uso do jato particular de Epstein para transportar figuras da dissidência intelectual, como Noam Chomsky, e outras personalidades sugerem um esforço de validação estética.

Noam Chomsky e Epstein (Jato particular de Epstein). Foto: Divulgação.

Epstein cercava-se de mentes brilhantes para se tornar intocável, enquanto Bannon utilizava essa mesma rede para legitimar a ofensiva contra a diplomacia social de Francisco. Mas isto não exime Chomsky, Woody Allen e tantos outros da responsabilidade de saber com quem transitam.

Chomsky e Steve Bannon/ Foto: Divulgação.

A morte de Epstein em sua cela, em 2019, agora revisitada por relatórios que indicam acessos não autorizados à sua ala, guarda o mesmo aroma de conveniência da morte de Albino Luciani.

O historiador observa que, em momentos críticos para as finanças vaticanas, o de conspirações que envolvem altos escalões do clero como Carlo Maria Viganò núncio apostólico nos EUA entre 2011 até 2024, quando foi excomungado pelo Papa Francisco, e o poderoso arcebispo de Washington DC Theodore Edgar McCarrick, morto em 2025, apenas 18 dias antes do Papa Francisco; não devemos subestimar que, de fato, Epstein tinha atingido o coração de uma das máquinas que rodam o dinheiro do Vaticano – os EUA.

A ofensiva contra Francisco transcendeu a retórica política para habitar o campo da teoria da complexidade. Jeffrey Epstein e Steve Bannon discutiram a aplicação de algoritmos genéticos e modelos do Instituto Santa Fé para mapear sistemas que, aos olhos comuns, parecem imprevisíveis.

A “Vatican Op” utilizou essa matematização do comportamento para identificar os pontos de ruptura na governança de Bergoglio, tratando a fé não como mistério, mas como uma variável em um sistema de alta frequência financeira.

Esta estratégia opera sob o que a filosofia de René Girard define como o mecanismo do bode expiatório. A rede de Bannon converteu o mal sistêmico dos abusos e da corrupção estrutural em uma narrativa de sacrifício individualizada.

Ao projetar em Francisco a culpa por uma decadência moral anterior a ele, os conspiradores tentaram purificar o sistema através da eliminação do líder que justamente o denunciava. É o mimetismo de conflito: a oposição utiliza os mesmos métodos de controle que finge combater.

Devemos questionar o silêncio do atual pontificado diante da asfixia do Sul Global. Enquanto Francisco agia como a única voz dissonante contra o império, o Vaticano de Leão XIV parece ter recuado para uma assepsia técnica.

O então Cardeal Prevost, futuro Papa Leão XIV velando o corpo do Papa Francisco em 23 de abril de 2025 / Wikimedia Commons.

O convite para o Board of Peace de Donald Trump, “aceito” sob o manto de uma “neutralidade suspeita”, sugere que a Santa Sé abandonou o “Hospital de Campanha” para se tornar um laboratório de legitimação geopolítica da força.

A “Vatican Op” não buscava apenas uma mudança de Papa, mas uma mutação na natureza da autoridade. Substituiu-se a Governança Pastoral de Francisco por uma hierarquia que opera na lógica do algoritmo e do mercado. Onde antes havia o risco do encontro com a periferia, agora resta apenas o cálculo frio de um poder que, no cofre de Epstein, encontrou-se o código para sua própria restauração. Não ficou claro que forças e vetores movem o pontificado de Leão XIV. Onde está a Encíclica, que funciona como uma espécie de plano de governo, por assim dizer, pontifício de Leão XIV, prometido até dezembro de 2025, quando já caminhamos para março de 2026?

A transição para o pontificado de Leão XIV em 2025 deve ser entendido não apenas como uma sucessão administrativa, mas a consumação de um projeto de realinhamento geopolítico.

Onde Francisco exercia uma diplomacia de resistência multipolar, o novo cenário revela uma Santa Sé que avalia formalmente sua integração ao Conselho de Paz (Board of Peace) estabelecido pela administração Trump. Este organismo, ratificado em janeiro de 2026, opera como o novo centro de gravidade da governança internacional, substituindo o multilateralismo tradicional por uma estratégia de supervisão direta das potências centrais.

O Papa seria aquele que Stalin um dia perguntou sobre seu poder: Por que convidar o Papa (Pio XII) para Ialta ( 4 e 11 de fevereiro de 1945)? Ele não possui divisões (de exército) alguma, afirmou o então chefe do Politburo. Logo, Leão XIV numa tal arranjo político, serviria como o beatífico final de um mundo que Trump tenta restaurar numa espécie de Congresso de Viena (1814 – 1815) natimorto. 

A hesitação de Leão XIV em aderir imediatamente a este bloco não é uma resistência, mas um dispositivo técnico de cautela. O Cardeal Pietro Parolin confirmou que o Vaticano recebeu o convite e está “olhando para ele”, uma postura que sinaliza o fim da era das “periferias” de Bergoglio. A visão de Leão XIV prioriza a “regra do direito” e a consulta às elites eclesiásticas em Roma, abandonando o impulso missionário disruptivo que caracterizou o pontificado anterior – é lastimável para o Sul Global.

A “Vatican Op”, cujas entranhas foram expostas pelos arquivos do Departamento de Justiça (DoJ), atingiu seu objetivo de longo prazo: a asfixia da voz do Sul Global. Enquanto Francisco denunciava as estruturas de pecado do sistema financeiro, o atual pontificado foca em uma retórica de reconciliação que, na prática, legitima a nova ordem estabelecida.

O silêncio sobre a agressão à soberania de nações periféricas é preenchido por mensagens pastorais sobre o cuidado com os enfermos, deslocando o foco do conflito estrutural para a caridade individual. Não se discute aqui, e que isto fique claro, do dever de qualquer religioso servir individualmente a dor dos humildes, doentes e necessitados. Mas qual o seu plano para o mundo? O atendimento no varejo não vai atacar as raízes da injustiça global.

A eficácia deste cerco reside na sua capacidade de transformar o Vaticano de uma força de oposição ética em um parceiro de estabilização institucional. O capital de Epstein e a inteligência de Bannon não apenas pretensamente colaboraram por enfraquecer um Papa; eles pavimentaram o caminho para uma Igreja que, em fevereiro de 2026, parece preferir o mármore dos gabinetes de Washington à poeira das estradas de Gaza e Caracas – vide o recebimento desta última no Palácio Apostólico, e isto entrará para a posteridade.

Onde Bergoglio via a soberania dos povos, a nova Cúria parece enxergar a estabilidade de mercado. A exortação “Dilexi Te”, lançada em outubro de 2025, embora carregue o verniz da continuidade, foca em uma “consciência da dignidade” que, na prática, neutraliza o conflito estrutural em favor de um pacto educacional global.

A “Igreja em saída” foi, portanto, recolhida para os mármores de Washington e as conferências de Davos. O silêncio de Leão XIV sobre a entrega da medalha do Nobel por Machado a Trump em janeiro de 2026 é o sintoma mais agudo desse novo pragmatismo.

O sagrado não foi apenas infiltrado; foi convertido em espólio de uma paz que não se fundamenta na justiça, mas no bombardeio e na assepsia. Não é apenas o gênero humano na sua atomização, mas as nações, conglomerados, empresas, comunicações, tudo forma uma rede tão densa e profunda, que pedir a um ser humano, em sua consciência, que não desperdice água, embora meritoso, será sempre insuficiente. E, nesse sentido, Leão XIV tem falhado.

Não parece ter sido apenas o Vaticano que fora capturado por este “sinal dos tempos”. O linguista e polímata Noam Chomsky chegou a aconselhar Epstein a ignorar o “horror” da imprensa, tratando o predador sistémico como uma vítima da “histeria” mediática. Este alinhamento de mentes brilhantes em torno de um eixo de capital predatório serviu de blindagem estética para que a “Vatican Op” de Steve Bannon operasse sem oposição crítica real. No cume do poder religioso global, Francisco ficou impotente, porque só.

As entranhas intestinais do alto clero romano, que historicamente digestam escândalos em silêncio, encontraram nesta rede o suporte necessário para aguardar o desgaste de Bergoglio. Enquanto Francisco lutava contra a governança algorítmica, a oposição interna utilizava a rede de Bannon e o dinheiro de Wall Street para asfixiar as reformas do IOR.

O recolhimento final do Papa Francisco – Foto Agência ACIdigital.

O pontificado de Leão XIV, ao consolidar a “Paz de Washington”, opera sob uma lógica de assepsia geopolítica. A entrega da medalha Nobel por María Corina Machado a Donald Trump em janeiro de 2026 — ato que o Vaticano assistiu em silêncio obsequioso — marca o fim da dignidade como soberania.

Observamos que a Igreja não foi infiltrada; ela foi devolvida aos seus donos originais, aqueles que compreendem o poder como uma mercadoria passível de bombardeio e assepsia.

EPSTEIN, BANNON E A TEOLOGIA COMO PRETEXTO FINAL POR QUE O ENFRENTAMENTO?

Os adversários de Francisco não são tolos! Seria desonestidade intelectual tratá-los como marionetes inconscientes de Epstein e Bannon. Carlo Maria Viganò, Raymond Burke, Gerhard Müller – homens de formação teológica sólida, canonistas respeitados, defensores de uma tradição que remonta a Trento. Suas objeções merecem ser enfrentadas no terreno onde se apresentam: o terreno da doutrina, da continuidade magisterial, da própria possibilidade de a Igreja mudar sem trair-se.

Reconhecer que as objeções teológicas são legítimas não significa ignorar como foram instrumentalizadas. E aqui reside a genialidade perversa da “Vatican Op” revelada pelos arquivos do DoJ: utilizar divergências doutrinárias reais como biombo para interesses que nada têm de doutrinários.

Quando Bannon escreve a Epstein “Derribaremos a Francisco” em maio de 2019, não está propondo um debate sobre Amoris Laetitia. Está orquestrando uma operação de asfixia financeira e midiática. Quando Epstein financia redes de oposição ao pontificado através de suas conexões com Wall Street e think tanks europeus, não está defendendo a Missa Tridentina. Está protegendo um sistema econômico que Francisco ousou nomear: “Esta economia mata” (Evangelii Gaudium 53).

A questão nunca foi se divorciados recasados podem comungar. A questão era: pode um Papa reformar o IOR, cortar fluxos opacos de capital, exigir transparência nas finanças vaticanas, e sobreviver politicamente? A resposta dos documentos do DoJ é não! E o método foi cirúrgico: alimentar teologicamente a dissidência conservadora enquanto se estrangula financeiramente o projeto reformista.

As objeções sobre sinodalidade, sacramentos, liturgia — todas possuem peso teológico real. Mas funcionaram como respeitabilidade intelectual para uma operação cujo núcleo era brutalmente material: impedir que a Igreja deixasse de ser instrumento de lavagem de capitais e legitimação do poder financeiro transnacional.

Para compreender a anatomia deste cerco, é preciso abandonar a lente da mera divergência doutrinária e focar na mecânica do poder bruto. A “Vatican Op” não foi um movimento espontâneo de cardeais descontentes, mas uma operação de engenharia política onde Jeffrey Epstein atuou como o fornecedor da infraestrutura de inteligência e dos fluxos de capital predatório, enquanto Steve Bannon operou como o mestre da estratégia mediática e do lawfare eclesiástico.

O objetivo, documentado de forma inequívoca, era “derrubar Francisco” para substituir o seu ímpeto profético pela assepsia geopolítica e pelo pragmatismo de Leão XIV (ou outro que se prestasse ao mesmo papel).

O que os documentos desclassificados pelo DoJ revelam é a materialidade de uma asfixia programada, desenhada para impedir que a Igreja deixasse de ser um instrumento de legitimação do poder financeiro transnacional, como Francisco desejava!

Os cardeais conservadores ofereceram a teologia; Epstein ofereceu o dinheiro; Bannon ofereceu a estratégia midiática. E Francisco, isolado, resistiu até onde pôde.

Steve Bannon e Jeffrey Epstein. Foto: Divulgação.

Não podemos ignorar esta dialética perversa: teologia verdadeira servindo a interesses falsos; e a evidência está nos próprios documentos. Quando Epstein discute com Bannon a aplicação de “algoritmos genéticos” e “teoria da complexidade” para mapear pontos de ruptura na governança de Bergoglio, não estamos diante de um debate sobre doutrina. Estamos diante da matematização da fé como variável de mercado.

Francisco não foi derrubado por heresia. Foi cercado por ter dito, do trono de Pedro, algo que nenhum sistema financeiro tolera: que acumular enquanto outros morrem não é virtude — é roubo. E por isso, teve de cair. Não pela “Inquisição doutrinária”, mas pela engenharia do capital. Epstein e Bannon sabiam que guerras espirituais, no século XXI, vencem-se com dinheiro “algoritmizado”, não com argumentos teológicos.

O Papa Francisco isolado na Cúria, lutando o bom combate. Foto: Divulgação.

A teologia foi o pretexto. O IOR era o alvo principal. E quando Leão XIV recolheu as bandeiras da reforma financeira e do embate frontal contra aqueles que operam os intestinos do Vaticano, os mercadores do templo souberam: haviam vencido. Por ora…

O destino político de um Papa foi decidido por quem sabia que a fé, no século XXI, é apenas uma variável de engajamento. Resta a pergunta: quem nos devolverá o silêncio necessário para ouvir o que foi enterrado sob o ruído desta restauração?

João Paulo II em encontro com Epstein e sua esposa. Imagem: Divulgação.

A foto acima não é malícia, é, antes, defesa. Os pontífices romanos são um farol de decência e espiritualidade para 1,3 bilhões de pessoas no mundo. O aparato de comunicação e investigação de uma pessoa que ocupa um cargo como este deve ser tão ou mais seletiva do que o do Presidente dos Estados Unidos.

O Papa e sua Sacra Figura deve receber todos os homens e mulheres de boa-vontade da Terra, mas estes dois jamais formaram um casal de boa-vontade no sentido evangélico do termo.

Se, um dia, o Secretário de Estado de Ronald Reagan, Alexander Haig (1981 – 1982) disse em aspas: “A informação do Vaticano era absolutamente melhor e mais rápida que a nossa em todos os aspectos”. Ela tem plenas condições de funcionar a fim de identificar quem o Papa pode receber, e quem não. Não nos esqueçamos: Francisco nunca recebeu no Palácio Apostólico Jair Bolsonaro.

Para quem já viu quatro Papas – João Paulo II (o longo pontificado invernal), Bento XVI (o breve), Francisco (o gigante do Sul Global), e agora Leão XIV (a incômoda incógnita neutra), para quem estuda desde a graduação a História dos Pontificados da Era Moderna, na sua forma “comparatista blochiana”, é preciso dizer com a parresia necessária que este escândalo merece, e que a memória de Francisco necessita: o pontificado de Leão XIV, querendo agradar a todos pode incorrer num gravíssimo erro: acabará por não agradar a ninguém.

Thiago Gama (UFRJ) Doutorando em História Comparada da Igreja Católica.

FONTES:

Bibliografia:

ADORNO, Theodor W. Minima Moralia: reflexões a partir da vida danificada. Rio de Janeiro: Azougue, 2008.

ALLEN JR., John L. The Vatican’s Secrets: behind the scenes in the papal court. New York: Penguin, 2011.

BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas I: magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1994.

BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício de historiador. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

FAGGIOLI, Massimo. The Liminal Papacy of Pope Francis: moving toward global catholicism. Maryknoll: Orbis Books, 2020.

GINZBURG, Carlo. Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

GIRARD, René. O bode expiatório. São Paulo: Paulus, 2004.

IVEREIGH, Austen. The Great Reformer: Francis and the making of a radical pope. New York: Henry Holt, 2014.

LASCH, Christopher. A cultura do narcisismo: a vida americana numa era de esperanças em declínio. Rio de Janeiro: Imago, 1983.

WEBER, Max. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. Brasília: UnB, 1991.

WINNICOTT, Donald W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.

Documentos Pontifícios:

EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL AMORIS LÆTITIA DO SANTO PADRE FRANCISCO: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html. Acessado no dia 8 de fevereiro de 2026.

EXORTAÇÃO APOSTÓLICA EVANGELII GAUDIUM DO SANTO PADRE FRANCISCO:

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html. Acessado no dia 8 de fevereiro de 2026.

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  1. Rui Ribeiro

    10 de fevereiro de 2026 7:57 am

    Trump retratou o Obama e a Michelle Bosttonara como macacos. Eles deveriam cantar a seguinte canção dos Rolling Stones:

    Monkey Man
    (The Rolling Stones)

    I’m a fleabit peanut monkey
    All my friends are junkies
    That’s not really true

    I’m a cold Italian pizza
    I could use a lemon squeezer
    What you do?

    But I’ve been bit and I’ve been tossed around
    By every she-rat in this town
    Have you, babe?

    Well, I am just a monkey man
    I’m glad you are a monkey woman too

    I was bitten by a boar
    I was gouged and I was gored
    But I pulled on through

    Yes, I’m a sack of broken eggs
    I always have an unmade bed
    Don’t you?

    Well, I hope we’re not too messianic
    Or a trifle too satanic
    We love to play the blues

    Well I am just a monkey man
    I’m glad you are a monkey, monkey woman
    Monkey woman too, babe!

    I’m a monkey! I’m a monkey!
    I’m a monkey man! I’m a monkey man!
    I’m a monkey! I’m a monkey! I’m a monkey! I’m a monkey!
    Monkey! Monkey! Monkey

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