O Brasil repetiu em 2025 a segunda pior nota de sua série histórica no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), permanecendo estagnado na 107ª posição entre 182 nações. O relatório, divulgado nesta terça-feira (10) pela Transparência Internacional, destaca que o país obteve apenas 35 pontos, ficando significativamente abaixo da média global e das Américas, ambas fixadas em 42.
A estagnação brasileira ocorre em um ano marcado pelo que a entidade descreve como o agravamento da infiltração do crime organizado nas estruturas do Estado. O documento enfatiza o impacto de grandes operações financeiras e jurídicas, colocando sob os holofotes a crise de integridade no sistema bancário e nos tribunais superiores.
O peso do Caso Master
Entre os fatores que impediram a melhora do país no ranking, a Transparência Internacional cita a “maior fraude bancária já registrada no país“, envolvendo o Banco Master. Segundo o relatório, o episódio expôs vulnerabilidades no sistema financeiro e na advocacia de alto valor, além de levantar suspeitas sobre a atuação de autoridades.
“Embora o Brasil tenha chamado a atenção internacional pela resposta firme do Supremo Tribunal Federal na responsabilização de envolvidos em atentados contra a democracia, o país também chocou o mundo com escândalos de corrupção em escala inédita e episódios de impunidade”, afirmou Bruno Brandão, diretor executivo da Transparência Internacional no Brasil.
A organização recomendou formalmente que o Supremo Tribunal Federal (STF) realize o sorteio de um novo relator para o caso, para que a investigação seja conduzida por um ministro sobre o qual “não paire suspeita de impedimento e conflito de interesses“.
Fragilidade institucional e recomendações
O diagnóstico de 2025 aponta que, além das fraudes no INSS e desvios de emendas parlamentares, o Brasil sofre com a falta de marcos de integridade em órgãos de controle. Entre as recomendações enviadas ao Congresso e ao Judiciário, figuram a instalação de uma CPMI para o Banco Master e a criação de um Código de Conduta para o STF, visando dar transparência a agendas, viagens e hospitalidades recebidas por magistrados.
O país aparece no ranking empatado com o Sri Lanka e atrás de vizinhos continentais como a Argentina e o Uruguai, além da Ucrânia, que somou 36 pontos apesar do contexto de guerra. No topo da lista, países como Dinamarca (89) e Finlândia (88) mantêm os melhores níveis de integridade.
CGU rebate indicadores de percepção
A Controladoria-Geral da União (CGU) contestou a metodologia do índice, argumentando que ele mede a impressão de grupos específicos e não a corrupção real. O órgão defende que o aumento das investigações e da transparência torna os problemas mais visíveis, o que pode gerar uma avaliação negativa injusta em rankings baseados em percepção.
“Os resultados das ações do governo mostram que o aumento da transparência, das investigações e do controle não significa mais corrupção, mas uma maior capacidade do Estado de enfrentá-la de forma efetiva“, afirmou a CGU em nota oficial.
O governo destacou que, em 2025, identificou R$ 13,6 bilhões em prejuízos potenciais por meio de operações especiais.
Rui Ribeiro
12 de fevereiro de 2026 12:54 pmSe os casos de corrupção que vieram à tona decepcionam os brasileiros, fazendo sua percepção de corrupção aumentar, o que fazer senão tirar o sofá da sala e deixar o lixo sempre debaixo do tapete?