Esta semana começou o terrorismo da falta água. Todos os jornais e telejornais paulistas ou nacionais estão alertando a população da maior metrópole do país que haverá falta de água se não houver economia. As matérias sobre o desperdício exibem as prosaicas imagens de cidadãos lavando suas calçadas. Mas será este o verdadeiro problema?
Em primeiro lugar é preciso reconhecer um fato que a grande imprensa raramente gosta de mostrar: as agroindústrias e indústrias são responsáveis pela maior parte do consumo de água no Estado de São Paulo.
As indústrias e agroindústrias gastam anualmente bilhões de reais em propaganda com os veículos de comunicação. Em troca não são incomodados pelos jornalistas e telejornalistas quando também estão contribuindo para a redução dos reservatórios de água?
Outro fato importante que a mídia não ousa sequer discutir é o consumo de água nas casas de alto padrão, dotadas de piscinas, chafarizes, quedas d’água artificiais, etc… Os telejornalistas são donos de algumas delas e nunca vi uma única matéria mostrando que eles secaram suas piscinas no início do ano para dar sua contribuição durante o período em que os reservatórios públicos de água ficam baixos.
Culpar a população de baixa renda e sem direito à mostrar a sua versão dos fatos em público é mais fácil? Esconder os desperdícios praticados pelas indústrias e agroindústrias é economicamente vantajoso? E as piscinas dos telejornalistas milionários? Elas ficarão cheias ou vazias quando os telespectadores pararem de lavar suas calçadas?
AVISO AOS TELEJORNALISTAS: continuarei a lavar minha calçada até que vocês sequem suas piscinas. Pago pela água que desperdiço, assim como vocês pagam pela água em que nadam. Se a água acabar vocês nadarão no seco, eu também.
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