Nós e o jovem baleado. Jogando a ser tiranos.
ESTHER SOLANO, professora de relações internacionais da Unifesp.
RAFAEL ALCADIPANI, professor de estudos organizacionais da FGV-EAESP
De um lado a PM, guardiã do Estado, do poder estabelecido, da ordem das coisas, do monopólio da força.
De outro o Black Bloc, para o qual, no momento da rua, Estado, ordem e poder estabelecido são palavras inimigas.
Duas lógicas confrontadas e assimétricas. Uns, instituição, corporação, criados pelo poder, ratificados pelo conjunto social. Outros, difusos, desestabilizadores, aceitos só por uns poucos.
A cidade, o lócus da guerra.
A sociedade, espectadora dramática, implacável, tirana. Aceita, engole.
Resultado atroz: um manifestante baleado, um guarda municipal agredido, um outro manifestante linchado na Praça da Republica, uma família quase queimada viva em um Fusca. E ai, a questão vira o Fusca, os danos materiais, o prejuízo monetário.
Seria este o momento de parar, de pensar.
Falamos de vidas.
Os fatos são suficientemente graves como para provocar comoção, como para pensar em que sociedade é esta que convive com a violência, que permite que a violência seja preservada, perpetuada, reproduzida, que faz da violência uma forma de relação social.
Uma violência naturalizada. Mas, isso parece não interessar, o que interessa é o Fusca. O Fusca, a vidraça, a viatura tombada é isso que importa. A dor da mãe que vê seu filho lutando pela vida não nos interessa. A dor do policial que está no front, esta não interessa. Ficamos quietos, impassíveis, convencidos, em silêncio.
Ai estão os dados da violência anual, ai estão os dados dos estupros, dos homicídios, das mortes no trânsito. Ai está um jovem baleado no dia 25 de janeiro, um policial agredido. As mais de 51.000 famílias que perderam seus entes queridos no ano passado vítimas de homicídio no Brasil viraram, apenas, uma estatística para a qual poucos se importam. A morte e a violência no Brasil virou estatística. A vida das pessoas mortas em confronto com a polícia. A morte dos policiais. Tudo é estatística.
Os julgamentos e as sentenças já começam a ser feitas. Os manifestantes são vândalos, a PM é truculenta. E ai, se volta a dicotomia de uma disputa estúpida que não ataca a raiz do sintoma. Só lida com consequências.
Não temos respostas, mas é urgente formular as perguntas. A polícia não é simplesmente os policiais. São os donos do poder que a comandam e somos nós que legitimamos. É o nosso silêncio sorridente que a deixa ser como é.
Os manifestantes que saem as ruas são seres humanos, assim como os policiais. Mas, para a dimensão humana poucos se importam.
Nós, que jogamos a ser tiranos. Nós, que esquecemos que a sensibilidade, a empatia, a compaixão, cotidianas, são os cimentos de uma sociedade que não quer ser infame.
Mauro Battiferro
29 de janeiro de 2014 4:50 pmDe tudo isso, o que me
De tudo isso, o que me espanta, é a história do jovem que, depois de baleado pelos malvados policiais do governo higienista de São Paulo, defendeu-se com um estilete!
Carregava, o valente, bomba, chave inglesa e estilete numa manifestação “social” pacífica!
O governo federal e o PT fazem uso político das manisfestações na tentativa de atingir o governo de São Paulo, estão jogando gasolina no fogo!, ninguém vai lucrar com um movimento difuso que constantemente descamba em violência. O problema não é o fusca em sí, embora deva fazer muita falta para o “burguês” seu dono, o problema é gente como Maria do Rosário que culpa, levianamente, adversários políticos por tudo, de suicídio a violência, enquanto a água vai fervendo.
Acordem! É um bumerangue que vai voltar na cara de todos!
RVeiga
29 de janeiro de 2014 4:59 pmO melhor foi ter dito que
O melhor foi ter dito que sacou o estilete DEPOIS de ser baleado. Afff.
morallis
29 de janeiro de 2014 5:10 pmNa verdade o policial atirou
Na verdade o policial atirou mas como todos sabem das
habilidades “ninja” ( mídia) dos BBs ele usou o estilete para
partir a bala ao meio, mas deu azar que ambos os fragmentos
o atingiram. Sério, o primeiro comentário é daquele tipo “inverte
tudo”, será que eles ainda acreditam que funcione? Se manifestar
é preciso e necessário mas não há “anjos nem bom senso no que
vimos.
Gão
29 de janeiro de 2014 5:58 pmNós quem cara pálida ?
A polícia do Geraldo alckmin que fez o que fez no pinheirinho, os mascarados que tocam fogo em tudo, colocam os outros em risco, querem tomar as decisões sem serem eleitos para isso, os tiranos são bastante identificaveis minha senhora e meu senhor, todos eles fazem parte de um casse dominante, não sei a troco de que jogam essas bombas de fumaça e efeito moral.
BHZ
29 de janeiro de 2014 6:14 pmViolência de Estado não tem limites….
Covardia !
Polícia Militar / Batendo em mulher / Atropelando em Seguida Manifestação 25/1/2014 próximo a Rua Paim
Ação da polícia militar próximo à rua Paim.
Eles chutaram, xingaram e quando a manifestante estava conseguindo levantar atropelaram, Ação padrão feita nas favelas todos os dias.
[Vídeo na página do Facebook: https://www.facebook.com/photo.php?v=646082845430248%5D
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Secretaria pode expulsar PM por atropelar manifestante em SP
DE SÃO PAULO
29/01/2014 12p1
Um vídeo divulgado pelas redes sociais mostra um policial da Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas), da Polícia Militar atropelando um manifestante na região da rua do Paim, no bairro da Bela Vista, região central de São Paulo. O caso teria ocorrido no último sábado, durante uma manifestação contra a Copa do Mundo.
Na imagem é possível ver que o manifestante, que não teve a identidade revelada, estava sozinho e não esboça nenhuma resistência que justifique a ação da polícia. O vídeo foi divulgado pelo perfil “Contra a Copa” do Facebook.
Reprodução do perfil “Contra a Copa” onde o vídeo foi publicado
“Ação da polícia militar próximo à rua Paim. Eles chutaram, xingaram e quando a manifestante estava conseguindo levantar atropelaram, Ação padrão feita nas favelas todos os dias. Quanto maior a repressão, Maior vai ser a revolta”, disse o coletivo na publicação.
Por meio de nota, a secretaria de Segurança Pública “considera grave o episódio”. “Um inquérito policial militar já havia sido instaurado pela Corregedoria da Polícia Militar para identificar o PM responsável pelo atropelamento. O policial responderá criminal e administrativamente pelo episódio, podendo ser expulso da corporação”, informou a secretaria.
A PM ainda pede que a pessoa atingida pela motocicleta se apresente à Corregedoria, “a fim de ser ouvida e corroborar com as investigações”.
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drigoeira
29 de janeiro de 2014 7:04 pmNão existe…
Não existe manifestação pacífica. Toda manifestação é uma desordem pública, sempre vai prejudicar alguém.
Então que aguentem as consequencias.
jluizberg
29 de janeiro de 2014 8:01 pmO problema para mim é exatamente o fusca…
Realmente sinto muito tanto pelo jovem baleado quanto pelo policial ferido.
Mas quando o policial entrou para a corporação, sabia que corria esse risco.
Quando o jovem entrou ativamente em uma manifestação que não tinha nada de pacífica, também sabia que corria esse risco.
Mas quando o dono do fusca saiu da igreja para ir para casa, não tinha nenhuma idéia do que iria ocorrer, e também não decidiu espontaneamente correr nenhum risco. Só queria ir para casa.
Por isso o fusca é importante, pois foi uma vítima inocente que ficou sem sua ferramenta de trabalho. Então não é somente a supremacia de uma questão financeira sobre valores humanos. Foi a vida dele e de sua família que foi afetada por algo que não lhe dizia respeito ou interessava. Ou esse valor humano não faz diferença?
Ele foi a maior vitima dessa história.
Apesar de pessoalmente torcer pela pronta recuperação de todos.
Rodolpho Arruda
29 de janeiro de 2014 9:27 pmExcelente ponto de vista.
Excelente ponto de vista.
Athos
29 de janeiro de 2014 11:24 pmO tal do baleado foi bem
O tal do baleado foi bem baleado.
Viu o conteúdo da mochila? E ele já confirmou que era dele aquele jênio.
ruy lopes
30 de janeiro de 2014 12:56 amO jovem baleado
Pretendo fundar, em breve, o movimento de defesa das minhocas, esses pequenos seres barbnaramente dizimados pelos desalmados pescadores. Claro que vou usar o direito de protestar contra a atual situação, mas ainda tenho algumas dúvidas a respeito de como fazer essas manifestações. Como ainda estou sozinho nesta heróica batalha, tenho receio de que, ao tentar parar o trânsito na av. Paulista, eu seja atropelado por algum motorista desatento. Com quantos participantes devo contar para ter o direito de bloquear a Paulista ou a Via Dutra com a garantia das forças do Estado? Umas dez? Doze, talvez? (Antigamente, alguns paises garantiam o direeito de livre manifestação em lugares determinados. O cidadão tinha o direito de dizer o que bem entendesse, contra ou a favor de qualquer coisa, e reunir quantos adeptos conseguisse, num espaço como o Hyde Park, por exemplo). Seria muito difícil indicar dez, vinte, cinquenta espaços públicos na cidade para que os interessados realizassem suas manifestações sem pisotear os direitos de outros milhões de habitantes?