6 de junho de 2026

Guerra no Irã pode ser o “gatilho” para o colapso do sistema petrodólar, alerta José Kobori

"Nenhum império cai sem atirar", afirmou, descrevendo a estratégia americana como uma tentativa de proteger a moeda

Em uma análise sobre as tensões no Oriente Médio, o financista, escritor e professor José Kobori alertou que o atual conflito envolvendo Estados Unidos-Israel e Irã representa uma ameaça ao sistema petrodólar, a base do poder econômico global dos Estados Unidos desde a década de 1970. Para Kobori, a escalada militar não é apenas uma questão geopolítica, mas um possível “gatilho” econômico que pode desmoronar a estrutura que sustenta o dólar como moeda de reserva mundial.

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Segundo Kobori, o sistema petrodólar — estabelecido em 1974 através de um acordo com a Arábia Saudita para substituir o padrão-ouro — garante que o petróleo seja comercializado exclusivamente em dólares. O ponto crítico atual é a “reciclagem” desse capital: as monarquias do Golfo reinvestem os lucros do petróleo no mercado de ações americano, financiando setores como a inteligência artificial. “Se essa fonte de reciclagem parar de migrar para o mercado de ações dos Estados Unidos, isso pode ser o gatilho para que essa pirâmide da inteligência artificial comece a desmoronar”, explicou o especialista, destacando que até o financiamento da dívida pública americana estaria em risco.

“Os países do Conselho de Cooperação do Golfo dependem exclusivamente do petróleo e sustentam, sob a liderança da Arábia Saudita, o sistema do petrodólar. Todo o dinheiro que as monarquias do Golfo conseguem com o sistema petrodólar é reciclado no mercado de ações americano. É o dinheiro que, inclusive, está sendo usado para inflar o esquema Ponzi da Inteligência Artificial”, explicou Kobori.

Na visão do analista, os Estados Unidos entraram em uma guerra que não faz sentido considerando os interesses do país, e o presidente Donald Trump já está dando sinais de que busca uma “saída honrosa” para se retirar do conflito. “Para Israel, sim, tem sentido, porque eles buscam dominar do Egito até o Líbano e ter hegemonia no Oriente Médio, e a única pedra no caminho é o Irã.”

Um dos desdobramentos do ataque ao Irã, o bloqueio do Estreito de Ormuz provoca um gargalo logístico vital, mas Kobori apontou que este pode ser apenas o início de um problema ainda maior, a depender de como for tratado pelos EUA. “A preocupação com o Estreito de Ormuz é válida porque é por onde escoa toda a produção de petróleo do Golpe Pérsico. Os EUA têm capacidade naval de desbloquear. Mas se o Irã ficar sem essa alternativa de bloqueio para sua sobrevivência, o próximo passo seria atacar os centros de processamento e distribuição de petróleo. Um problema que seria mais difícil de reverter.”

Para Kobori, os Estados Unidos estão utilizando sua última arma incontestável — o poder militar — para tentar adiar o declínio de sua hegemonia monetária. “Nenhum império cai sem atirar”, afirmou, descrevendo a estratégia americana como uma tentativa de proteger a moeda através da força bruta, enquanto o mundo caminha para o multilateralismo liderado por potências como a China.

Kobori também questionou a capacidade dos Estados Unidos de manter uma guerra de longo prazo no Irã. Citando fontes do Pentágono, ele mencionou que o país teria dificuldades em sustentar a logística militar por mais de quatro semanas, enfrentando uma guerra assimétrica que tende a fortalecer o nacionalismo iraniano em vez de promover uma troca de regime.

Assista a entrevista abaixo:

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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2 Comentários
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  1. José de Almeida Bispo

    5 de março de 2026 11:35 am

    Falar em petrodólar; década de 70…
    Quantos filmes devo ter assistido de terrorismo psicológico, sobre o fim do petróleo e da civilização, que naquele momento era só a anglo-americana, eufemisticamente chamada ocidental; e o resto era barbárie.
    E aí, armaram o ainda fraco Estado de Israel, desde o início, uma base superavançada anglo-americana, provocando a Guerra dos Seis Dias, e o aumento do preço do barril de petróleo, turbinando a lastro do dólar, não mais em ouro, em Londres e Nova Iorque, mas nas reservas de petróleo. De todo o mundo.
    Como diz um amigo de buteco: “Só dá artista!”

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    7 de março de 2026 7:03 pm

    Pete Hegseth e Donald Trump querem um Armagedon? No problemo. O Armagedon vai destruir as mansões deles também. E os filhos e netos de ambos e dos gringos fanáticos que morrerem serão sortudos, porque os que sobreviverem ao Armagedon serão seres miseráveis e famintos condenados a morrer de doença de radiação nas cidades americanas devastadas. Urra.
    O único erro do governante espanhol foi não dizer polidamente a Donald Trump: Quando os norte-americanos caçavam bichos, moravam em casas miseraveis e passavam fome, a Espanha estava no topo do mundo e tentou dominar o mundo com seus exércitos invencíveis armados com o que havia de mais moderno e destrutivo. Os malditos gringos estão predestinados a falhar da mesma maneira que os espanhóis, mas a Espanha sobreviveu à queda de seu império. Os EUA será uma terra devastada em que somente os vermes terão bastante comida: carne de centenas de milhões de americanos mortos de fome e de doença de radiação.

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