Em um país que registra, em média, quatro feminicídios por dia, o espetáculo Dia de Cã leva ao palco reflexões sobre violência de gênero e precarização do trabalho feminino. Criada e interpretada pela artista e pesquisadora Jéssica Alves, a peça acompanha o cotidiano de uma mulher trabalhadora marcada por situações de assédio, exploração e esgotamento no ambiente profissional.
A temporada será em São Paulo, em março, mês marcado pelo Dia Internacional da Mulher, com apresentações em duas unidades do Sesc na capital paulista.
Nos dias 7 e 8 de março, Dia de Cã será apresentado na arena do Sesc Casa Verde, em sessões voltadas para as famílias. Já entre 13 e 28 de março, o espetáculo segue para o Sesc Avenida Paulista, com apresentações noturnas. Os ingressos podem ser adquiridos pelo site, aplicativo ou nas bilheterias das unidades do Sesc.
Riso de consciência social
Com cerca de 60 minutos de duração e sem o uso de palavras, a montagem aposta na expressão corporal, na trilha sonora e na dramaturgia do corpo para acompanhar o dia da personagem Vírgula, uma palhaça que atravessa situações comuns a muitas mulheres no ambiente de trabalho e na vida cotidiana. A proposta é provocar o riso, mas também estimular a reflexão sobre desigualdades de classe e gênero.
De acordo com a criadora, produtora e performer do espetáculo, Jéssica Alves, a identificação com a personagem é um elemento central da narrativa. “A peça tem uma perspectiva cômica, mas provoca um riso de consciência social. A palhaça expõe vivências comuns às trabalhadoras. É pela identificação com Vírgula que o público empatiza e reflete sobre sua situação”.
A artista explica como a dramaturgia utiliza o humor para abordar temas como assédio moral e sexual, precarização do trabalho e burnout. “Você ri enquanto pode refletir sobre as suas vivências e o lugar que ocupa na sociedade. E os homens também têm a oportunidade de refletir, afinal são os principais responsáveis pela violência de gênero”.
O espetáculo é voltado para todos os públicos e utiliza linguagem acessível também para pessoas surdas. A produção é realizada de forma independente, sem patrocínio ou apoio financeiro.
Formada em Gestão de Políticas Públicas pela Universidade de São Paulo, Jéssica Alves atua como analista e gestora de projetos nas áreas educacional, cultural e de direitos humanos. Sua trajetória artística começou em 2009, com formação em balé clássico e dança contemporânea. Na palhaçaria, aprofundou seus estudos com mestres da área e integrou técnicas de dança e circo à criação de dramaturgias físicas que combinam humor, poesia e crítica social. Em seus trabalhos, a artista defende o riso como instrumento de questionamento das estruturas que sustentam desigualdades e violências.
roberto quintas
6 de março de 2026 8:26 amO erro gramatical é proposital?
Cão, cachorro, feminino cachorra ou cadela.