5 de junho de 2026

Brasil quer ser mais que fornecedor de minérios em parceria com a Europa

Diplomata brasileiro defende transferência de tecnologia e participação de empresas brasileiras na cadeia global de suprimentos
Crédito: Divulgação

Brasil detém 94% do nióbio, 26% da grafita e 23% das terras raras globais, buscando parcerias com Europa.
Embaixador na Alemanha defende transferência de tecnologia e participação de empresas brasileiras na cadeia produtiva.
Acordo Mercosul-UE avança em meio a tensões comerciais globais; Alemanha é parceiro-chave do Brasil em investimentos.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Brasil tem reservas que o mundo quer e pretende negociar em outros termos. Com 94% das reservas globais de nióbio, 26% de grafita e 23% das terras raras do planeta, o país entra nas conversas com os europeus com um trunfo na mão e uma condição na mesa: não basta comprar o minério bruto.

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“É muito importante que não tenhamos um esquema tradicional de apenas exportar minerais brutos”, disse o embaixador brasileiro na Alemanha, Rodrigo Baena Soares, em entrevista coletiva concedida em Hannover, no norte alemão, às margens da apresentação da Hannover Messe, feira de tecnologia industrial do mundo, que acontece de 20 a 24 de abril.

Para o diplomata, a parceria com os europeus só faz sentido se vier acompanhada de transferência de tecnologia e de espaço para as empresas brasileiras participarem da cadeia de suprimentos. “Produção no Brasil, mas com a participação das nossas empresas”, defendeu.

Reservas de sobra

O contraste entre o que o Brasil tem no subsolo e o que efetivamente produz é um dos nós do debate. Apesar das reservas expressivas, um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que, enquanto a demanda global por minerais críticos cresce, o Brasil caminha no sentido contrário em vários desses elementos estratégicos.

Lítio, cobalto, níquel, grafita, cobre, manganês, nióbio e as 17 substâncias que compõem o grupo das terras raras estão no centro da disputa global pela transição energética. São eles que movem turbinas eólicas, motores elétricos, satélites, foguetes e uma lista crescente de equipamentos de alta tecnologia.

“Temos reservas importantes, sobretudo de terras raras, mas também de outros minerais, e podemos nos beneficiar da tecnologia europeia e, sobretudo, da alemã. Já tenho conversado com as autoridades alemãs sobre esse aspecto”, afirmou Baena Soares.

Durante a Hannover Messe, o Brasil realizará um evento paralelo dedicado ao tema. Cerca de 140 expositores brasileiros participarão da feira, que reúne representantes de centenas de países na cidade de 550 mil habitantes.

Contexto geopolítico

A busca por aproximação com a Europa acontece num momento de reconfiguração das relações comerciais globais. O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, assinado em janeiro e aprovado pelo Senado brasileiro no início de março, avança enquanto os Estados Unidos adotam uma postura protecionista, com tarifas impostas pelo governo Trump sobre produtos importados.

Uma decisão da Suprema Corte americana chegou a derrubar parte dessas medidas em fevereiro, mas o presidente americano reagiu impondo uma tarifa de 10% a diversos países.

Para o embaixador, a participação do Brasil na Hannover Messe e a busca por parcerias europeias são “um sinal muito importante para o mundo de que o multilateralismo ainda se faz presente”.

O tratado com o bloco europeu prevê que o Mercosul zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. Em contrapartida, a União Europeia eliminará tarifas sobre 95% dos produtos do bloco sul-americano em até 12 anos. Alguns países, como a França, ainda resistem ao acordo, mas a Comissão Europeia decidiu aplicá-lo provisoriamente.

Brasil e Alemanha

A Alemanha ocupa lugar central nessa equação. O país é o terceiro maior vendedor ao Brasil e um dos dez maiores investidores no país, com cerca de 40 bilhões de euros em estoque de investimento direto e mais de mil empresas instaladas em solo brasileiro.

Em 2025, a corrente de comércio bilateral chegou a US$ 20,9 bilhões, mas com desequilíbrio significativo. O Brasil exportou US$ 6,5 bilhões e importou US$ 14,4 bilhões da Alemanha, encerrando o ano com déficit na balança comercial.

*Com informações da Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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