O avanço do senador Flávio Bolsonaro na recente pesquisa Quaest reflete, sobretudo, o processo de reorganização do campo bolsonarista para a disputa presidencial. A avaliação é da cientista política Julie Ricard, da Fundação Getulio Vargas (FGV), que participou do programa TVGGN 20 Horas nesta quarta (11) e analisou os movimentos iniciais da pré-campanha. Confira o link abaixo.
Segundo ela, o momento atual é marcado por uma disputa de narrativas e pela tentativa de consolidar nomes competitivos antes do início formal da campanha. “A gente está naquele clássico momento pré-eleitoral de construção de narrativas. As pesquisas precisam ser tratadas com seriedade, mas sem fatalismo. Elas são uma fotografia do momento”, afirmou.
Na avaliação da pesquisadora, o crescimento de Flávio Bolsonaro nas sondagens deve ser entendido principalmente como um teste de viabilidade dentro do próprio campo bolsonarista. Até pouco tempo, não havia um nome claramente colocado para representar esse grupo político.
“O fato de o nome dele estar crescendo faz parte dessa tentativa de entender se ele é viável ou não. A pesquisa mostra que ele herdou praticamente a totalidade do eleitorado bolsonarista e também ganhou alguns pontos entre os indecisos”, disse.
Ricard ressalta, no entanto, que esse desempenho inicial não deve ser interpretado como uma previsão do resultado eleitoral. “É muito mais um processo de consolidação de um nome dentro desse campo político do que qualquer tipo de projeção do que vai acontecer na eleição”.
Outro fator apontado por ela é que o senador ainda ocupa sozinho o espaço de candidato competitivo da direita nas pesquisas, o que contribui para ampliar sua visibilidade. “Até agora ele está, de certa forma, sozinho no ringue. Falta o contraponto mais claro da disputa”.
Economia deve mudar percepção do leitor
Além da disputa política, a economia deve ter peso importante na formação da opinião pública nos próximos meses. Entre esses fatores está a mudança no Imposto de Renda que ampliou a faixa de isenção e passou a valer em janeiro. Com a nova regra, milhões de trabalhadores passaram a pagar menos imposto ou deixaram de pagar.
“A economia tem um aspecto material muito forte, difícil de ignorar. Existe uma expectativa de que esse tipo de medida faça diferença no momento da eleição”, afirmou.
Para o jornalista Luis Nassif, o impacto da mudança tende a ser percebido gradualmente pelos contribuintes, tanto no salário mensal quanto durante o período de declaração do imposto.
Além disso, indicadores econômicos como a queda do desemprego, o crescimento do PIB e a saída do Brasil do mapa da fome são apontados como elementos que podem entrar na disputa entre governo e oposição.
Para a cientista política, a eleição tende a continuar marcada pela polarização entre o campo bolsonarista e o campo progressista. Nesse cenário, a construção de narrativas será decisiva. A candidatura associada ao bolsonarismo busca se apresentar como mais moderada para ampliar sua base eleitoral, mesmo carregando o sobrenome Bolsonaro. Já o campo progressista deve apostar na defesa dos resultados do governo e em propostas de futuro capazes de mobilizar diferentes setores da sociedade.
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