Por Luiz Martins de Melo
Caro Nassif,
As suas colunas sobre o modelo econômico e as suas alternativas foram uma síntese muito boa das diversas correntes de pensamento e suas propostas.
Porém, não creio que se possa fazer uma combinação das melhores sugestões.” O desafio consiste em selecionar as melhores sugestões de lado a lado sem o dogmatismo que caracteriza as escolas acadêmicas fechadas. E, da combinação delas, conseguir a síntese virtuosa.
Isso deriva do fato simples de que a relação das melhores sugestões em cada uma dessas visões está relacionada ao projeto de país de cada uma delas.
Um exemplo é que todas concordam que o câmbio está baixo e preciso ser reajustado para cima. Porém, na visão mercadista esse ajuste deve ser feito de maneira ampla, geral e irrestrita com supressão das tarifas de importação (Bacha).
Na visão desenvolvimentista o câmbio deve ser reajustado para cima, contudo com a preservação de defesas tarifárias e de modo progressivo.
Isso implica distintas visões sobre o modo como se dará a inserção internacional do país após no processo do ajuste para evitar uma grande compressão no poder de compra interno.
A visão mercadista sugere o encerramento do ciclo de crédito subsidiado e os bancos públicos disputando com os privados os recursos para o financiamento da infraestrutura. e o fim dos créditos para as empresas em projetos industriais. Esses recursos para os subsídios teriam que disputar espaço no orçamento da união como os recursos para os programas sociais. A taxa de juros (SELIC) não é a variável de ajuste.
Os desenvolvimentistas concordam com o equilíbrio fiscal, propõe um orçamento explícito de investimento que deveria conter as fontes de financiamento dos diversos programas e assim possibilitar a discussão da SELIC e a sua segregação em taxa de curto prazo e longo prazo. Os programas sociais e a previdência não podem ser a variável de ajuste.
A diferença é que nos anos 50 e 60 todos éramos desenvolvimentistas, exceto o Gudin. Até o Roberto Campos foi presidente do BNDE.
O perigo como sempre no Brasil é o jeitinho brasileiro, a incapacidade de definir prioridades e a colcha de retalhos: A política monetária mercadista e o BNDE desenvolvimentista.
Temos hoje duas áreas que podem ter um enorme impacto na competitividade futura: a farmacêutica /saúde e de defesa. Na primeira a articulação dos agentes públicos, BNDES, Finep, Ministério da Saúde com financiamento subsidiado e poder de compra ( orçamento garantido), redução do custo do investimento e do risco e incerteza do mercado, está indo em frente. Na segunda a incerteza do orçamento não permite e ir um avanço maior.
Esses são os dois sistemas de inovação no mundo que formam a base da produtividade e competitividade. Os desenvolvimentistas propõe a sus expansão e os mercadistas a sua compressão.
Portanto, o nosso problema é um crise de hegemonia política sobre o futuro do país.
Será que a eleição a resolverá?
Daytona
28 de janeiro de 2014 3:35 pmNão é verdade que nos anos 50
Não é verdade que nos anos 50 e 60 todos eram desenvolvimentistas, o setor financista do governo brasileiro, desde o primeiro Funding Loan de Campos Salles, sempre foi uma trincheira da ortodoxia.
piki
28 de janeiro de 2014 5:26 pmO problema é essencialmente
O problema é essencialmente político.
Os EUA estão se reerguendo na energia barata do shale gas. Nós aqui temos energia saindo pelas tampas e viramos as costas. Administramos pessimamente o que temos.
Tínhamos grande expertise e competitividade em commodities agrícolas e minerais. Acabou!!
E vem me falar do setor de defesa? Francamente…
alexandre a.moreira
28 de janeiro de 2014 6:06 pmé sempre a política
Colcha de retalhos ?
é a política !
Daí o desespero da oposição. Quer implantar na marra um neo liberalismo rides again….
difícil
Calvin
28 de janeiro de 2014 7:10 pmNeoliberalismo? Vc ainda
Neoliberalismo? Vc ainda acredita que isso existiu?
http://www.espacoacademico.com.br/087/87pra.htm
Alexandre Weber - Santos -SP
28 de janeiro de 2014 7:53 pm85
Só vai para frente hoje no planeta o que os 85 decidem que vai, não têm esta de mercadistas ou desenvolvimentistas é o que eles decidem, a justificativa fica “a posteriori”, não influência na decisão.
Milton43
29 de janeiro de 2014 2:06 amDesenvolvimento e mercado
Outra diferença que poderia ser considerada é a visão de curto prazo dos mercadistas ante a de longo prazo dos desenvolvimentistas.
O mercado opera em curtíssimos prazos mesmo considerando as expectaivas para o longo prazo.
O desenvolvimentismo trabalha o longo prazo nem sempre considerando o curto prazo.