4 de junho de 2026

Notas sobre nossa “cultura da violência”

O Brasil é um país violento. É um país onde a “cultura da violência” é quase estruturante.

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É o acerto de contas, é a reafirmação masculina, é o gesto arrogante, é a instituição do “dono do pedaço”. É um país onde o peão,o fazendeiro, o juiz, o policial, o doutor puxam a arma com muita facilidade.

É um país que apresenta uma taxa regular e persistente de 27 mortes por 100 mil habitantes, ou algumas dezenas de milhares de mortes violentas por ano. E que tem 14 cidades entre as mais violentas do mundo.

É um país onde os criminosos matam, mas também o “cidadão comum” e o Estado (um e outro responsáveis por 2/3 dos assassinatos). Um país que mata mulheres, mata gays, mata-se no trânsito. Um país em que o consenso contra a morte é estimular mais mortes (como nos apelos a mortes de criminosos ou culpados de homicídios).

 

Desde o início das manifestações, fui contra a violência do Estado (quase sempre selvagem), mas também fui contra a violência nas manifestações (como no caso do espancamento de policiais). Muitos aplaudiram, no entanto, dizendo que era uma “violência justificada”. Erro. Conhecendo a sociedade brasileira como conhecemos, era melhor evitar jogar pólvora neste rastilho.

Resultado: perdendo a paciência, multidão quase lincha um jovem dos “black blocs”. Os black blocs, um tanto quanto ingênuos, não sabem: mas também somos campeões mundiais de linchamento. E de morte por armas de fogo no trânsito.

Desconfio que vamos assistir a algumas tragédias até a Copa. Espero que aqueles que justificaram a “violência” voltem atrás. Não dá pra brincar com isso.

 

 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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16 Comentários
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  1. Mario Siqueira

    27 de janeiro de 2014 2:09 pm

    É para levar a sério

    É para levar a sério um texto que diz que os brasileiros são – genericamente- violentos e lá no final afirma que black blocs são “um tanto quanto ingênuos” ? E chamar de “um jovem” o black bloc que depredava bens públicos e privados pelo simples prazer de praticar vandalismo ?

    1. Gui Oliveira

      27 de janeiro de 2014 3:20 pm

      Fósforo na gasolina
      Não é incitando à violência em nome da “ordem” que se promoverá a paz.

    2. Gunter Zibell - SP

      28 de janeiro de 2014 7:20 pm

      Eu creio que sim

      que podemos levar a sério.

      Não há ainda um diagnóstico fechado sobre o que são e o que querem os blck blocs. Ontem mesmo Rodrigo Vianna fez um texto bom sobre isso, pus no clipping.

      Eu tendo a concordar com o Weden nisso.

  2. Marco St.

    27 de janeiro de 2014 2:58 pm

    Concordo com o Weden
    E essa

    Concordo com o Weden

    E essa violência é diariamente estimulada e endossada nesses programetes policiais que continuam a infestar a tv brasileira.

    Não bastasse a violência do dia a dia em sua própria cidade, os brasileiros, (especialmente os mais pobres), são bombardeados com a violência de todo o Brasil, todo santo dia.

    É o compartilhamento da violência.

    Quanto aos black blocs não vai demorar muito para que eles precisem de proteção policial para poder vandalizar as cidades. Parece piada mas não é.

  3. Danilo Morais

    27 de janeiro de 2014 3:08 pm

    Foi direto ao ponto, Weden!

    Foi direto ao ponto, Weden! Pabéns pelo comentário.

  4. Juliano Santos

    27 de janeiro de 2014 3:36 pm

    Excepcional texto, Weden.

    Excepcional texto, Weden. Cabe a espaços como esse do Nassif chamar as pessoas responsáveis, de centro, direita ou esuqerda, a reinstaurar o bom senso no páis

    1. Gunter Zibell - SP

      28 de janeiro de 2014 7:17 pm

      Muito bom sim

      E o Weden pôs no facebook dele e também deu uma bela discussão.

      Só que procurei agora no mural dele, pra copiar algo que escrevi, e agora não encontro…

      Mas eu só dava mais exemplos concordantes com ele.

  5. peregrino

    27 de janeiro de 2014 5:13 pm

    tratando-se de violência…

    somos um país como qualquer outro…………………………………..somo humanos

     

    diferença principal por aqui é que algumas pessoas acreditam que são invencíveis quando reunidas, sem perceberem que assim, reunidas em vandalismo ou praticando crimes, fazem papel de espantalhos para a própria razão de serem

     

    violência é violência, nenhuma tem razão e todas se originam da própria pessoa

     

    vocês podem não acreditar ou considerar que não tem nada a ver, mas é certo que temos milhões de pessoas vítimas de violências muito piores, que mesmo morrendo de fome é incapaz de matar uma mosca

     

     

    mas aí é filosofar sobre o que não existe, alguns dirão

    1. peregrino

      27 de janeiro de 2014 5:21 pm

      em tese já falei uma vez…

      num país de desinformados, todos são como espantalhos da própria razão……………..

       

      e no lugar das palhas comuns dos espantalhos, informações retiradas de certas redes sociais e blogs de jornais

      1. peregrino

        27 de janeiro de 2014 5:32 pm

        e assim estamos caminhando em direção ao nada…

        à procura da nossa identidade cidadã que, em cenas rápidas da tv, praticamente nada tem de diferente se comparado com atitutes de pessoas insanas………………..

         

        exatamente o que os donos do país querem

  6. Obelix

    27 de janeiro de 2014 5:33 pm

    O novo “oeste” brasileiro, ou “faroeste caboclo” review.

    Prezados e prezadas,

    Cada sociedade, cada país tem seu próprio arranjo para tratar suas manifestações de violência, tanto a simbólica quanto a real, que não por raras vezes acabam por se confundir, como é o caso da disseminação de discursos de ódio por canais de mídia.

    Não somo piores nem melhores, somos apenas diferentes.

    O que resta saber é se nossa diferença nos dá mais vantagens ou desvatangens, e principalmente, para quem.

    Nos EEUU, com todo seu histórico e mitos fundadores, há uma relação privada com o uso da violência, que nasce na luta dos milicianos da indenpendência e se espalha pela “conquista do Oeste”, direcionando o extermínio em direção aos índios, e que se estrutura na possibilidade de manutenção do território privado do cidadão sob vigilância armada, bem como da possibilidade de estender este domínio na sua esfera ambulatória (porte de arma).

    É um jeito estranho, mas acaba por inibir inciativas de ataques violentos quando sabe-se que o outro pode estar armado, e onde, dependendo da unidade federativa, os limites para aceitação de teses de legítima defesa são bem mais amplas que as nossas.

    No Brasil houve mais ou menons o inverso.

    O Estado pretendeu monopolizar o uso desta força individual de proteção, mas segmentou e partilhou por classe o alcance da segurança que deveria oferecer, que por óbvio, nunca será universal ou isonômica, o que impeliu cada estrato social a produzir suas soluções, e na ausência de uma possibilidade legal de manter sua segurança pelo uso individual de armas, acabaram por delegar esta “proteção” a grupos para-estatais, ou apelar para a banalização desta noção individual de proteção, onde o uso da arma passa de possbilidade preventiva para a ofensiva em qualquer conflito iminente.

    Temos aí linchamentos, milícias e seguranças-jagunços espalhados como formigas por ruas de bairros nobres.

    Na ausência de solução estatal e pública, o caso dos blackblocs segue a nossa tradição de “justiça pelas próprias mãos”.

    Um fenômeno estranho: como não recebe do Estado uma noção pública e universal de segurança, o cidadão toma-a para si, mas extrapola os limites e passa a atuar também como Estado-juiz, executando ou legitimando quem executa “as sentenças populares”.

    Mal comparando, é como se o excesso de paternalismo do Estado gerasse “filhos problema”, violentos, irritadiços e avessos a qualquer regra, como acontece na maioria das vezes em nossas casas.

    Infelizmente, tenho receio também que não vai parar por aí.

    Saudações.

     

  7. Luiz Eduardo Brandão

    27 de janeiro de 2014 5:43 pm

    Weden de volta

    E voltou com tudo! Ótimo para todos nós. Suas postagens sempre enriquecem o blog e nossos debates.

  8. Chico Pedro

    27 de janeiro de 2014 6:36 pm

    Para pensadores igual aquele

    Para pensadores igual aquele Guilhterme dos Santos segurança é tópico direitista.

    1. Obelix

      27 de janeiro de 2014 11:43 pm

      Segurança, o cimento do pacto social.

      Caro Chico,

      Neste quesito sou obrigado a concordar contigo.

      Pagamos um preço alto pela incapacidade dos setores progressistas, os do centro e outros moderados, que de certa forma monopolizaram a pauta dos direitos humanos e sociais desde a promulgaão da CRFB/88, de enxergarem que não poderia haver avanço civilizatório sem romper os paradigmas de segurança pública.

      Desprezaram um fato óbvio: a própria noção do contrato social primitivo, nos primórdios da organização das cidades-estado, ou de qualquer outra forma ainda mais pretérita de ajuntamento social ou coletivo teve a segurança como causa primordial, associada é claro a garantia da segurança alimentar do grupo (guardar o que fora coletado ou plantado).

      É a segurança real e simbólica que é o cimento da coesão social.

      O resultado, plenamente justificável, do drama vivido pela geração militante que amargou os dias de chumbo do pós-64 e que chegou a direção dos governos, foi a transformação do aparato de segurança em tabu para estes setores.

      Mas passados alguns anos, já é hora de amadurecer e superar este trauma, e concepções erradas que tendem a sociologizar condutas antissociais, unificando de forma linear erroneamente causas e efeitos de fenômenos polimórficos que são a criminalidade e violência, mas são incapazes de pensar cientificamente a ação policial e judicial, como se bastasse uma justificativa para dotar estes fenômenos de autorresolutividade, ou pior, de remissão de culpas ancestrais.

      Resultado:convivemos com uma Constituição garantista e um aparato jurídico-policial que remete aos tempos do autoritarismo.

      Nos distritos policiais, por exemplo, convivem o imperativo da ampla defesa e do contraditório que confronta a natureza inquisitorial das investigações policiais, que não raro geram toda sorte de conflitos e “intervenções informais”.

      As ruas são patrulhadas por equipes militares, armadas com M16, blindados e aeronaves como ferramenta de intervenção tática, munidas de metralhadoras .30 e .50, como Apaches (Crazy Horses?) no Iraque.

      Alguém pode imaginar que este troço é símbolo de sucesso? Sucesso para quem?

      Esta esquizofrenia institucional ora empurra o Estado para a permissividade, ora para a violência desmedida, e claro, os cortes de classe é que direcionam a mediação de cada classe social com estes entes oficiais. 

      Todo este estamento penal está intacto, abraçou teses estranhas, como uma política suicida de combate ao tráfico de drogas que só gerou mais custos humanos e materiais, e milhares de execuções paraestatais, promoveu a escalada do aprisionamento (sempre com viés de classe) e alimentou uma indústria do espetáculo-terror que sustenta discuros políticos e midiáticos.

      Não há desculpas. Nossa omissão é grave e a conta está sendo cobrada. De todos nós.

      Saudações.

  9. Francy Lisboa

    28 de janeiro de 2014 2:00 pm

     
    Eu me pergunto: se a

     

    Eu me pergunto: se a violência é resultado de institos humanos, e nas manifestações muitos destes estão aflorados, como encarar as manifestações sem libertar a grita dos defensores da liberdade de expressão a qualquer custo? Todos podem protestar, mas daí defender quem quebra, espanca, e exp,ode coisas é imaturidade. Em relação a isso,  temos que assumir aqui que tal imaturidade com relação à segurança é mais da esquerda do que da direita brasileira. Obviamente, a direita não tem do que se vangloriar. Como muitos aqui já disseram, baixar a porrada não adianta, alias, isso só aumenta o ódio. Afinal, o respeito gerado pelo medo rapidamente pode fazer com que ódio e medo se tornem sinônimos.

     

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