Sugerido por Dê
Da Rede Brasil Atual
O agente do Estado, no Brasil, formado em uma longa tradição autoritária, que vem desde os capitães do mato, e dos diferentes hiatos ditatoriais de nossa história, acha que tem direito de vida ou morte sobre o suspeito. Isso está fartamente demonstrado não apenas nos milhares de casos de mortes por “auto de resistência”, mas também pelo que ocorre com os presos, muitos sem sequer terem passado por julgamento, no interior de nossas prisões. O mesmo vale para o outro lado da moeda.
Da mesma forma que um policial corrupto espanca, humilha e ameaça matar a mãe ou a filha de um suspeito, para saber – em interesse próprio – onde está escondido o produto de um assalto ou a droga recém-chegada, a violência extrema tem sido praticada, também, pelas novas gerações de marginais, que torturam e matam famílias, crianças e idosos, para tentar saber onde está um punhado de reais. Como controlar essa corrente de estupidez?
Um bom começo, do ponto de vista do Judiciário, seria perder o pudor de usar a lei e condenar alguém pelo crime de tortura. Raramente alguém que comete latrocínio com extrema violência tem a sua pena acrescida por tortura. É como se condenar alguém por esse crime fosse proibido, ou ela não existisse em nosso dicionário.
Nos portais e redes sociais ela nunca é citada por quem a defende. Ninguém, referindo-se a um suspeito, escreve ou afirma “tem de torturar esse cara”. Para que fique tudo mais íntimo e corriqueiro, banalizado, usam-se expressões como “tá precisando é de couro”, “se fosse meu filho, dava uma de criar bicho”, “comida de preso é paulada”, “pendura que ele canta”, “tinha que cortar na borracha” e outras do gênero.
A presidenta Dilma Roussef lançou, no último 12 de dezembro, o Sistema Nacional de Enfrentamento à Tortura, que prevê a instalação de um mecanismo autônomo que, por meio de peritos, terá autorização prévia para entrar em penitenciárias, instalações militares, delegacias, instituições de longa permanência de idosos, instituições de tratamento de doenças psíquicas ou similares, para constatar a existência de possíveis violações de direitos humanos nesses locais. Trata-se de importante iniciativa, considerando-se que o Brasil é signatário da Convenção Internacional Contra a Tortura desde 1989, e que, em 500 anos de história, é a primeira vez que a Nação está encarando, de forma direta, essa abominável questão.
Mas a verdadeira batalha não se dará apenas com a fiscalização do que está ocorrendo nas prisões, que poderia avançar com a instalação de delegacias de direitos humanos em todo o país. Ela será travada nos corações e mentes da população brasileira.
Não podemos nos considerar civilizados enquanto milhares de brasileiros defenderem a execução ilegal e a tortura como método de punição e investigação. Não podemos nos considerar civilizados enquanto juízes estabelecerem jurisprudência atribuindo à vítima de tortura o ônus de provar que foi torturada. Esse paradigma, estabelecido na ideologia escravocrata e repressora de parte considerável de nossa sociedade, só poderá ser alterado a partir do ensino, em todas as escolas, desde o primeiro grau, dos direitos e deveres consubstanciados na Constituição brasileira, atendo-se estritamente ao seu conteúdo, para não dar à direita fascista motivo para combater a iniciativa.
Só quando ensinarmos nossos filhos e netos que o mero ato de um policial espancar um manifestante, em uma situação de protesto – ou manifestantes espancarem um policial desarmado – é ilegal; que extrair dor de outro homem, mulher, criança, indefeso, humilhando-os, transformando-os, pelo medo, em animais irracionais, que gritam, sangram e choram, segundo a vontade de seu torturador, é crime abjeto e condenável, poderemos começar a mudar, de fato, a mentalidade a propósito da tortura, sua imagem e paradigmas, em nosso país.
sergio g
27 de janeiro de 2014 11:57 amExistem muitos assim.
Usem farda , bermudas ou toga, são os mesmos.
Parece até que o autor fala de alguém que eu já ouvi falar…
vera lucia venturini
27 de janeiro de 2014 12:17 pmUm abuso pouco condenado no
Um abuso pouco condenado no Brasil diz respeito a esses apresentadores truculentos de programas policiais. Não são jornalistas, posam de xerifes e se aproveitam da miséria humana para enriquecer pregando a violência e a barbárie. Estou falando do Datena, do Marcelo Rezende e de assemelhados.
aliancaliberal
27 de janeiro de 2014 7:37 pmPerguntei a um amigo petista
Perguntei a um amigo petista e professor de história.
Me diga o nome de um torturado/assassinado pela esquerda brasileira.
-Não me lembro.
-Vc não nega que a esquerda brasileira matou?
-Não nego ela deve ter feito.
-Vc não lembra ou nunca te falaram?.
-nunca foi colocado isso para mim.
So para não ficar só nesta conversa, como exemplo dou o caso do Alberto Mendes Junior, depois de levado como refém foi morto a “coturnada”. .
Heart
27 de janeiro de 2014 10:27 pmTorturar com aparato do
Torturar com aparato do Estado é pior do que agir com a lei de Hamurabi.
É como a polícia prender e torturar um ladrão de galinha porque a mesma não gosta de pobre (assim como os milicos odeiam “esquerdistas”).
O segundo ponto é que Lamarca e Mariguella foram praticamente fuzilados. Enquanto isso o ustra taí para provar que no Brasil só a direita pode matar e torturar. E com Deus ao lado.
E terceiro fica a prova de que o golpe de 64 colocou no poder uma coisa tão suja quanto o nazismo:
“Eles seqüestraram, torturaram, mataram, decapitaram. Furaram olhos, afundaram crânios. Quebraram costelas, braços e pernas. Afogaram crianças em banheira. Urinaram em cara de presos amarrados e pendurados em paus-de-arara. Castraram, estupraram, extirparam seios. Introduziram cassetetes em vagina de presas. Com jipe, moeram o corpo de pessoas enterradas na areia de praias. Arrancaram dentes e unhas com alicate. Aviltaram nossa condição humana.” Pinheiro Salles