Dias atrás, quando o “rolezinho” do Shopping Leblon ainda estava de pé, vi muito preconceito vir à tona. Quando apoiei o ato no meu Facebook, a primeira palavra que apareceu foi “vagabundos”, seguida de “Engraçado você apoiar baderna. Ter livre acesso é uma coisa, causar pânico na sociedade é outra”. Um amigo espanhol, que vive aqui, escreveu “Shopping é lugar de família, odeio quem atrapalha meu lazer”. O que as pessoas não vêem é que o pobre não tem obrigação de sair da pobreza, ele tem o direito de sair dela.
Temos uma economia de mercado baseada no consumo, mas ele é dividido: existem, por exemplo, no Rio, os locais ditos populares, como o Saara. E existem os lugares de maioria branca e maior renda da zona sul.
Essa é toda a questão do “rolezinho”. O jovem suburbano percebeu que está excluído e, num ato corajoso e inteligente, resolveu incomodar a classe média com o que tem de mais simples: sua presença. Shoppings fazem todo tipo de promoção para nos levar para dentro deles, sorteiam carros, fazem shows, decoram. Mas esses jovens pobres não são bem-vindos em certos locais. Descobriram finalmente o apartheid brasileiro.
Um amigo disse: “Eu faço a minha parte, ajudo deficientes no asilo”. Esse é o pensamento da classe média: o deficiente fica no asilo, o pobre nos shoppings populares, a classe C na econômica do avião.
“Trabalhar ninguém quer…” continuam os críticos. Mas qual a diferença entre o jovem de classe média que não precisa trabalhar e vai ao shopping e esses meninos? Por que presumimos que logo os pobres são vagabundos, se todos estão no mesmo lugar fazendo a mesma coisa, NADA, só andando de lá pra cá (dando um “rolé”)? Mas o “rolé” dos pobres é logo definido como “baderna, arruaça e confusão”.
Num país com 75% de analfabetos funcionais e com 20% da população sem acesso nem a saneamento básico, o que sobra é a resposta das classes média e alta: pobres e negros têm que trabalhar – apenas trabalhar – sem reclamar. Não queremos ver aqueles que nos servem usufruindo da mesma coisa que nós, isso “atrapalha nosso lazer”.
O “rolezinho” é um dos movimentos mais legítimos e inteligentes que já vi. Usa o medo, o preconceito e os valores podres e deturpados de uma camada social contra ela mesma. Afinal, na maioria dos casos, não existe crime, existe pânico e histeria coletiva.
Eliseu de Oliveira Neto é membro do diretório do PPS-RJ, psicanalista, psicólogo e gestor de carreira
Pedro Penido dos Anjos
27 de janeiro de 2014 1:51 pmMuito bem colocado.
Mas,
Muito bem colocado.
Mas, gostaria de chamar sua atenção para o que possa haver de embutido nesse conceito de “analfabetismo funcional”, que você, aliás, de uma forma um tanto impulsiva – diria inconsciente, se você não reunisse tantos psis- coloca como pecha de 75% da população.
De qualquer forma, quanto aos 25% que seriam restantes, seria bom averiguar qual seria o percentual (tanto à esquerda, como à direita – eu diria que a incidência é maior nos extremos e mais neutra em torno dos centros) de “analfabetos funcionais completos de nível superior completo”.
Evidentemente não é o seu caso. E muito menos o meu!
Pedro Penido dos Anjos
27 de janeiro de 2014 1:58 pmMuito bem colocado.
Mas,
Muito bem colocado.
Mas, gostaria de chamar sua atenção para o que possa haver de embutido nesse conceito de “analfabetismo funcional”, que você, aliás, de uma forma um tanto impulsiva – diria inconsciente, se você não reunisse tantos psis- coloca como pecha de 75% da população.
De qualquer forma, quanto aos 25% que seriam restantes, seria bom averiguar qual seria o percentual (tanto à esquerda, como à direita – eu diria que a incidência é maior nos extremos e mais neutra em torno dos centros) de “analfabetos funcionais completos de nível superior completo”.
Evidentemente não é o seu caso. E muito menos o meu!
Ozzy
27 de janeiro de 2014 10:40 pmNa verdade, o tal rolezinho
Na verdade, o tal rolezinho do shopping Leblon não teve nada a ver com os supostos ‘pobres querendo ser aceitos nos shoppings’. Foi um troço organizado pela esquerda-chique da própria Zona Sul e cujo resultado prático foi fechar um shopping e ferrar um dia de comissão de um monte de vendedores que são muito mais pobres do que eles.
Pobre carioca sempre pôde frequentar shopping. Inclusive em alguns bairros do subúrbio, o shopping é praticamente a única opção de lazer disponível, logo não faria nenhum sentido protestar contra uma suposta discriminação lá dentro.
Athos
28 de janeiro de 2014 4:43 amVc é Paulista? Surtou?
Quer
Vc é Paulista? Surtou?
Quer dizer que shopping é uma das únicas formas de lazer no Rio?
Tem certeza?
Ozzy
28 de janeiro de 2014 9:09 amSou carioca. Em algumas áreas
Sou carioca. Em algumas áreas fo subúrbio, o shopping é uma das únicas opções de lazer sim. Por isso foi quase uma revolução quando inauguraram o parque em Madureira, afinal tem regiões que não têm nem uma praça decente.
Outro exemplo é o Grande Meier, se vc tirar o Norteshopping de Del Castilho, acabam praticamente as opções de lazer por ali, pois o shopping está concentrando tudo (lojas, cinemas, bares, restaurantes). As alternativas de lazer naquela região não dariam conta da população local.
Enfim, o subúrbio carioca não tem praia, teatro, cinema e nem as demais alternativas que abundam na Zona Sul. Se vc quer levar a família pra passear sem sair do seu bairro, acaba restrito ao shopping. E como o shopping vive disso, é meio absurdo achar que irão discriminar o pessoal do próprio subúrbio onde ele está instalado.
Athos
29 de janeiro de 2014 5:22 pmTem razão!
Tem razão!
wendel
27 de janeiro de 2014 10:51 pmQuerem os mesmos espaços!!!!
Não vou entrar no mérito de ideologias, porque simplesmente detesto ler comentários que realçam estes predicados, como se eles fossem o mola de tudo, quando a meu ver, não são !!!!!
Sobre o tal “rolé” deixo a análise profunda, para os sociólogos, que são profissionais do assunto e com possibilidades maiores para analisar estes fatos!
Contudo, não posso deixar de citar que, embora os espaços dos shoppings, sejam públicos, o que se vê, é uma agressão indireta destes participantes, pois o comportamento não é civilizado!
Dançar, gritar, falar alto, esbarrar violentamente nos outros visitantes mostrando total falta de cuidados ao andar, são o mínimo que posso citar, isto sem falar, na total falta de educação na praça de alimentação!
Quando lanchando em uma delas, eu e minha familia presenciamos a agressão sogrida pela atendente, quando ela alertou os pais, pois um dos garotos, possivelmente seus filhos, estava subindo na mesa , quase a cair dentro dos pratos, e eles simplesmente nem estavam aí!
Casos pontuais, diriam alguns, mas não!!!!! Isto já está se tornando rotina!!! Se a ausência por longos anos, a estes espaços foi “proibitiva”, devido talvez a uma condição socio
/econômica, não quer dizer que agora, vá abusar e “agredir” os freguentadores destes mesmos espaços, que talvez, e provavelmente como eu, estão tendo acesso à eles!!!!
Com a palavra, os sociólogos!!!!!
José Agostinho Malta Neves
28 de janeiro de 2014 12:10 amRolézinhos
Apoio integralmente estes “rolézinhos” !
A sociedade só muda quando rompem-se barreiras.
A integração, e/ou aceitação entre classes sociais só se dá com algum tipo rompimento.
Quando jovem, em minha cidade, os bailes comemorativos a eventos religiosos tinham o salão repartido ao meio. De um lado os brancos, do outro os negros. O único clube social de nossa cidade não admitia a entrada de mulatos, quanto mais de negros. Anos se passaram para que estes absurdos chegassem ao ponto de serem ridicularizados.
Mas o caminho é mesmo este pedregoso, com polícia e cacetadas, mas certamente é o caminho.
Isto apesar de vivermos em um país “quase” sem discriminaoes.
José Agostinho Malta Neves
28 de janeiro de 2014 12:12 amRolézinhos
Apoio integralmente estes “rolézinhos” ! A sociedade só muda quando rompem-se barreiras. A integração, e/ou aceitação entre classes sociais só se dá com algum tipo rompimento. Quando jovem, em minha cidade, os bailes comemorativos a eventos religiosos tinham o salão repartido ao meio. De um lado os brancos, do outro os negros. O único clube social de nossa cidade não admitia a entrada de mulatos, quanto mais de negros. Anos se passaram para que estes absurdos chegassem ao ponto de serem ridicularizados. Mas o caminho é mesmo este pedregoso, com polícia e cacetadas, mas certamente é o caminho. Isto apesar de vivermos em um país “quase” sem discriminaoes.
peregrino
28 de janeiro de 2014 12:24 amnorte e barra shopping sempre estiveram de portas abertas…
e até hoje estão, abertas a todos e sem qualquer impedimento de acesso
nova américa idem, rio sul idem, leblon idem
mas é preciso chegar como frequentadores normais, não como bando de provocadores
joao
28 de janeiro de 2014 12:26 amUma questao!
frequentadores normais
o que eh isto?
Ozzy
28 de janeiro de 2014 12:06 pmSão as pessoas que vão lá
São as pessoas que vão lá para consumir os produtos e serviços oferecidos ou simplesmente dar uma volta no ar condicionado. Os rolezeiros originais eram assim, o problema é que se vc marcar de juntar uma cabeçada de gente em um local que não está preparado para isso, a chance de dar merda é imensa. Por isso que qq organização de eventos tem que pedir autorização do poder público e providenciar segurança, atendimento médico e rotas de escape adequadas ao tamanho do evento. Os shoppings não podem garantir isso para os frequentadores regulares MAIS os sei lá quantos mil que apqrecem no rolezinho.
Se der uma briga e sair todo mundo correndo nos corredores apertados de um shopping, quem se responsabiliza?
LC
28 de janeiro de 2014 2:14 amPuro papo furado
Não sei o alcance do fenômeno em Itaquera, mas aqui no Rio e em Niterói só tinha meia dúzia de idiotas gritando e prejudicando o trabalho dos vendedores. Desde quando jovem carente de periferia tem medo de multa judicial. Isso é coisa de filhinho de papai de Zona Zul. Infelizmente a histeria coletiva nesse caso é dos lojistas e dos funcionários, que tiveram prejuízo por causa de meia dúzia de ignorantes. Bacana o autor, já nem precisamos de censo do IBGE, ele mensura o analfabetismo de cabeça.
Lucienne
28 de janeiro de 2014 3:08 amQuando se afirma que no país
Quando se afirma que no país há 75% de analfabetos funcionais, fatalmente se está incluíndo nos 25% plenamente alfabetizados, ou seja, na minoria que comanda mentes neste país ou naquela parte que se acha inteligente demais para ser teleguiada pela mídia, mas que não é inteligente o suficiente para reverter a situação e realmente alfabetizar a maioria.
leonidas
28 de janeiro de 2014 3:19 amRolezinho é coisa de
Rolezinho é coisa de vagabundo, somente isso
os imbecis de sempre estao sempre procurando romancear o mundo para que possa refletir suas ideias liberticidas…
Antonio Passos
28 de janeiro de 2014 3:56 amQuanta besteira. A
Quanta besteira. A consideração menos depreciativa que posso fazer, é de que trata-se de alguém que jamais entrou num shopping de subúrbio, para ver as pessoas de classe C, D e E fazendo seus rolezinhos, se divertindo, comprando, consumindo sem o menor problema, sem discriminação ou preconceito de espécia alguma. Mas aí não daria para construir este discurso falso, demagógico, oportunista, típico do PPS.
Roberto M. R. Dacorso
28 de janeiro de 2014 8:54 pm“Rolezinhos”
Concordo com o comentário do autor, de que os pobres tem todo o direito de passearem pelos shoppings, sejam eles quais sejam,, classe “C”, classe “B” ou “A”. O que se deve analisar nos tais rolezinhos é a postura, ou o comportamento.
Creio que o respeito aos outros é dever de todos.
Mas a melhora nas condições sociais só poderião ser obtidas por melhorias do ensino, por fim de promoções automáticas nas escolas de base, educação moral e mais civilidade para todos os níveis. Lamentavelmente isso não se vê em rolezinhos ou quebra quebra como os que vimos nas passeatas, ou o autor prioriza o terrorismo à educação?
wendel
28 de janeiro de 2014 9:59 pmO que está faltando….
O que está faltando a esta galera, é nada mais que educação, educação, educação e educação.
Não basta só dar a ascensão econômica, é preciso dar paralelamente a educação social!
Se não receberam a educação de berço, que pelo menos sejam educados/doutrinados em termos sociais, para poderem viverem em coletividade!
Como diz o ditado, ” o meu direito termina quando o seu começa” – e é muito simples!!!!
Do contrário, se aplica o outro – ” se não aprende em casa, irá aprender na rua e com muita porrada!!!!!!!