4 de junho de 2026

Em duas campanhas, Onyx recebeu R$ 200 mil de fabricante de armas

Foto: Marcelo Camargo/ABR/

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da Rede Brasil Atual

Em duas campanhas, Onyx recebeu R$ 200 mil de fabricante de armas

por Vitor Nuzzi, da RBA 

Chefe da Casa Civil foi um dos defensores do decreto do desarmamento, inclusive fazendo inusitada comparação com um utensílio doméstico

São Paulo – Defensor do decreto que facilitou a posse de armas, com direito a uma inusitada comparação com o uso de liquidificadores nas residências, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, recebeu, em duas campanhas eleitorais, um total de R$ 200 mil da Taurus, principal fabricante do produto no país, entre revólver, rifles, carabinas, espingardas e submetralhadoras – a empresa também produz capacetes para motociclistas. Os dados constam das prestações de contas à Justiça Eleitoral. No ano passado, as doações passaram a ser restritas a pessoas físicas. 

Nas eleições de 2010, a então Forjas Taurus – atual Taurus Armas S/A – fez apenas sete doações, apenas a candidatos do Rio Grande do Sul, onde tem instalada uma fábrica, no município de São Leopoldo. Duas foram para Onyx, que concorreu a deputado federal pelo DEM: foram R$ 100 mil por meio de transferência eletrônica e R$ 50 mil via depósito em espécie, conforme a Justiça Eleitoral.

Em 2010, uma das doações foi de R$ 50 mil em espécie

Em 2014, Onyx foi novamente contemplado, mas com valor menor. Desta vez, teve R$ 50 mil, também por transferência eletrônica. A empresa fez doações a mais candidatos, inclusive de outros estados. Ainda nesse ano, a Companhia Brasileira de Cartuchos doou R$ 50 mil. Foi quando a CBC passou a ser o acionista controlador da Taurus.

Na eleição do ano passado, já não era permitida doação de empresas, apenas de pessoas jurídicas. Os principais doadores de Onyx foram Carlos Jereissati (do grupo que controla o Shopping Iguatemi), com R$ 300 mil, Rubens Ometto Silveira Mello (Cosan), R$ 200 mil, e José Sallim Mattar Junior (Rent a Car), com mais R$ 100 mil. O total chegou a pouco mais de R$ 1,6 milhão, sendo R$ 1 milhão do próprio partido do candidato.

Criada há 80 anos, a Taurus, em período de renegociação de dívidas, teve receita líquida de R$ 623,5 milhões de janeiro a setembro do ano passado (último dado disponível), crescimento de 16% em relação a igual período de 2017. Do total, R$ 516,6 milhões referem-se ao mercado externo, com destaque para os Estados Unidos, principal mercado da empresa. Mas o melhor desempenho, em 2018, foi no Brasil, onde a Taurus registrou alta de 51% na receita, ante 10,7% no exterior.

O principal executivo da companhia, Salesio Nuhs, é também o presidente da Associação Nacional de Armas e Munições (Aniam). Na divulgação dos resultados do terceiro trimestre, ele projetou uma produção de aproximadamente 1,3 milhão de armas para o ano passado. Nuhn esteve presente na posse de Jair Bolsonaro.

 

por Vitor Nuzzi, da RBA 

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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  1. Rui Ribeiro

    19 de janeiro de 2019 5:58 pm

    Foi para enriquecimento pessoal?
    Se o dinheiro foi para enriquecimento ilícito do Onyx, o $érgio Moro perdoa. Agora se o produto da corrupção foi para financiamento ilícito de campanha eleitoral, aí é crime imperdoável, pois o $érgio Moro já decretou que:

    “Temos que falar a verdade. Caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia. Me causa espécie quando alguns sugerem fazer uma distinção entre a corrupção para fins de enriquecimento ilícito e a corrupção para fins de financiamento ilícito de campanha eleitoral. Para mim a corrupção para financiamento de campanha é pior que para o enriquecimento ilícito. Se eu peguei essa propina e coloquei em uma conta na $uiça, isso é um crime, mas esse dinheiro está lá, não está mais fazendo mal a ninguém naquele momento. Agora, se eu utilizo para ganhar uma eleição, para trapacear uma eleição, isso para mim é terrível. Eu não estou me referindo a nenhuma campanha eleitoral específica, estou falando em geral”.

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