14 de junho de 2026

Ernesto Araújo anuncia parceria com EUA “por uma ordem internacional diferente”

No primeiro dia de atividades como Ministro das Relações Exterior, chanceler se encontrou com secretário de Estado norte-americano 
 
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
 
Jornal GGN – O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse que o Brasil e os Estados Unidos iniciam uma nova etapa nas relações bilaterais.
 
A declaração foi feita nesta quarta-feira (02), logo após seu primeiro encontro com um representante dos EUA, como chanceler, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo.
 
“Trocamos ideias sobre nossa visão de mundo, de como trabalhar juntos pelo bem, por uma ordem internacional diferente, que corresponda aos valores dos nossos povos”.
 
Ainda, segundo o ministro, a “nova relação” com os EUA é uma consequência desse “realinhamento interno do Brasil e com outros países igualmente”. 
 
Pompeo também falou com a imprensa, destacando que o presidente Donald Trump quer estreitar laços com o governo Bolsonaro em diversas áreas: “Às vezes é difícil para americanos fazerem negócios no Brasil e, às vezes, é difícil para brasileiros fazerem negócios nos Estados Unidos também”, disse o representante daquele país enviado para assistir a posse de novo presidente brasileiro.
 
Ernesto Araújo disse ter certeza de que a “nova fase” das relações exteriores entre os dois países “será muito produtiva”:
 
“Uma etapa que criará instrumentos concretos, que vão ajudar nossa economia, a gerar empregos, novas oportunidades de negócios, novas iniciativas em todas as áreas”, prometeu.
 
O chanceler foi perguntado sobre um eventual conflito entre os interesses comerciais, respondendo que o país não tem esse problema, arrematando:
 
“O Brasil tem que se colocar como um país grande. Um país grande precisa, ao mesmo tempo, trabalhar no mundo em favor de seus valores e trabalhar pelo crescimento econômico, fazer negócios e gerar oportunidades comerciais.” 
 
O governo Bolsonaro reafirmou, por exemplo, que irá transferir a embaixada do Brasil em Israel, hoje em Tel Aviv, para Jerusalém. A ação é analisada por especialista em relações exteriores e em mercado como um risco às relações comerciais com os países árabes, 5º principal destino dos produtos brasileiros. Eles compraram US$ 10 bilhões do país, entre janeiro e setembro do ano passado, segundo dados do Sistema Integrado de Comércio Exterior Brasileiro (Siscomex). 
 
Araújo foi indicado pelo filósofo de extrema-direita Olavo de Carvalho e é um crítico do “marxismo cultural” e da globalização, que chama de “globalismo”. 
 
Em um artigo que será publicado na edição de janeiro da revista americana The News Criterion, o chanceler brasileiro escreveu que “Deus está de volta” no Brasil e que a sua providência “uniu as ideias de Olavo de Carvalho à determinação e ao patriotismo de Jair Bolsonaro”. 
 
Ele ainda declarou que Olavo, Bolsonaro e a Operação Lava Jato foram responsáveis por salvar o Brasil do “marxismo cultural”. 
 
Em 2017, o chanceler foi autor de outro artigo, de 36 páginas, que circulou nas redes sociais logo após ser anunciado para compor a equipe de Bolsonaro. No texto, intitulado Trump e o Ocidente, elogia o presidente norte-americano como uma espécie de salvador da identidade do Ocidente no mundo moderno.
 
“Trump propõe uma visão do Ocidente não baseada no capitalismo e na democracia liberal, mas na recuperação do passado simbólico, da história e da cultura das nações ocidentais”, escreveu. 
 
Em outro texto, publicado em seu blog, explicou: “Parte importante do projeto globalista é transferir poder econômico do Ocidente para o regime chinês; parte fundamental do projeto de Trump é interromper esse processo, o que já está ocorrendo”. 
 
 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

17 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. André Oliveira

    2 de janeiro de 2019 7:32 pm

    E o que seria um “passado
    E o que seria um “passado simbólico”??

  2. LF Pereira

    2 de janeiro de 2019 7:42 pm

    Sério? Tá errado

    Lamentável. O alinhamento deve ser com a Venezuela, Nicarágua e todas as Guianas, num abraço de doentes.

    1. Jorge Luis

      2 de janeiro de 2019 10:28 pm

      Quando eu precisar dar um

      Quando eu precisar dar um exemplo de pensamento binário, vou usar seu comentário.

    2. marxlenin ferrado da silva

      2 de janeiro de 2019 10:28 pm

      Mulambento desprezando países do terceiro mundo

      Mesmo neste conceituado blog sempre aparece um mulambento (conceito do vice jumento Mourão) para defender a subordinação deste país de merda (conceito do facínora Trump) em favor do império .

  3. Wilton Santos

    2 de janeiro de 2019 7:45 pm

    Agora que o Trump perdeu a

    Agora que o Trump perdeu a maioria na Câmara dos Deputados americana seu processo de impeachment se torna cada dia mais provável. Mesmo entre os Republicanos há muita insatisfação com as políticas do presidente americano. Pelo visto a patriotada brasileira chegará no fim da festa do governo Trump.

     

  4. Nabantino Gonçalves

    2 de janeiro de 2019 7:48 pm

    “Inteligência”
    Pelo visto a “inteligência” ressuscitada pelo general Heleno, “derretida” pela Dilma, sentou praça entre os neo-comentadores do GGN.

    1. Lucinei

      2 de janeiro de 2019 8:16 pm

      É impressionante.
      De 2008 a
      É impressionante.

      De 2008 a 2014 partiu da União a iniciativa de aprimorar ossetrores de inteligência e integrar as várias agências de segurança, GGIs (Gabinetes de Gestão Integrada). O Centro de Comando e Controle do Rio de Janeiro, por exemplo, foi feito com bastante dinheiro federal.

      O que esses neuróticos de guerra fria chamam de “inteligência é pura arapongagem.

  5. Marcos K

    2 de janeiro de 2019 7:57 pm

    A nova parceria vai ser do

    A nova parceria vai ser do tipo “erótica”. O Brasil baixa as calças e fica de quatro… Enquanto isso os EUA… Bom, você já entendeu…

  6. ML

    2 de janeiro de 2019 8:23 pm

    Se se confirmar a política

    Se se confirmar a política externa anunciada (e algumas declarações da área econômica e outros setores do governo), o Brasil terá sérios problemas econômicos.

     

    1) Como destacado na matéria, problemas com exportações para países árabes e com o Ira;

     

    2) Risco para as exportações do produtos industriais para o mercosul (principalmente a indústria automobilística);

     

    3) Enfraquecimento das relações econômicas com os RICS;

     

    4) Risco das exportações para a UE (este em decorrência da política ambiental).

     

    5) Os EUA são rivais, e não parceiros, do Brasil no agronegócio. Se houver um acordo EUA / China, a soja e outros produtos serão afetados;

     

    6) A política de Trump visa o fortalecimento da economia doméstica dos EUA; não haverá disposição para aumentar importações do Brasil;

     

    7) O que podemos esperar dos EUA é a compra de nossos ativos (tipo EMBRAER, que já foi); se essa venda será acompanhada de investimentos nas empresas alienadas é duvidoso, em virtude da orientação da política econômica dos EUA.

     

    Há fortes suspeitas no mercado que o câmbio está num nível insustentável, e boatos que o Paulo Guedes quer vender reservas cambiais.

     

    Os dados sobre a economia internacional são preocupantes, principalmente em relação à China e aos EUA (vejam, a respeito, o artigo https://jornalggn.com.br/noticia/o-voo-de-icaro-da-economia-norte-americana-por-eleuterio-prado

     

    que reúne opiniões de economistas ortodoxos).

     

    Sobre a China, há indicações de que o setor manufatureiro está se contraindo. Ademais, tudo indica que a China irá priorizar, a qualquer custo, suas relações com a Ásia e a Eurásia. E, se for possível, um acordo com os EUA.

     

    O Brasil caminha a passos largos para se tornar uma economia de terceira linha do ponto de vista internacional.

     

  7. WG

    2 de janeiro de 2019 10:17 pm

    O Ernesto deve ter se

    O Ernesto deve ter se ins(pirado) no faroeste americano ao falar do passado simbólico.  Quanto à China, deve estar confundindo mal com Mao.

  8. Fábio de Oliveira Ribeiro

    2 de janeiro de 2019 11:05 pm

    Os gringos entram com a rola

    Os gringos entram com a rola e os machos do governo Bolsonaro ficam de quatro oferecendo suas bundas. No meu tempo isso era chamado de veadagem e não parceria.

  9. Jackson da Viola

    2 de janeiro de 2019 11:08 pm

    A bem da verdade…..

    Se o “sinistro das refeições exteriores” fosse sincero, pararia com essa bobagem de “relações bilaterais”…….tem isso não….é “relações unilaterais” mesmo…..é so pro lado dos USA…nos entramos com a galinha frita, a polenta,cerveja,goiabada com queijo e cafezinho… os outros trazem só a vontade de comer…..se isso é “relações bilaterais”…….

  10. AMORAIZA

    2 de janeiro de 2019 11:43 pm

    Visão histórica

    e o nosso “passado simbólico”

     

  11. Marcos Antônio

    3 de janeiro de 2019 12:09 am

    Nesse tabuleiro, os EUA são

    Nesse tabuleiro, os EUA são um expectador privilegiado…

    Se ele nos forçar a tomar qualquer medida contra a Venezuela, a Rússia pode entrar e ai o Brasil dança e nossos vizinhos todos podem querer tirar uma casquinha, até a Bolívia vai reivindicar uma saída para o mar…

    Se agir contra a China, a China pode simplesmente trocar de importador de matérias primas…

    Ai vamos ficar de quatro para os EUA!

    Em qualquer situação quer seja com a Russia, quer seja com a China – o Brasil dança e fica de quatro para os EUA!

    Dia desse, vi um vídeo em que Chico Xavier dizia que o Brasil seria habitado por povos de países vizinhos em 2019!

    Quem sabe não seja uma pata quada de querer ser o que não somos –  não somos uma potência militar…

    Fiquem quietos e vamos preocupar em criar empregos!

     

  12. Frederico Firmo

    3 de janeiro de 2019 12:36 am

    Trump gargalha e conta os cobres que vai ganhar.

    E com aquele ar de deboche bate palmas para o discurso de Bolsonaro, antes mesmo da tradução.

  13. Frederico Firmo

    3 de janeiro de 2019 12:41 am

    E o Itamarati que se cuide.

    A limpeza ideológica ( seja lá o que isto signifique) vai começar pelas embaixadas. Segundo o presidente, vai fazer tudo sem nenhum viés ideológico!!!!  O MP já indica que o corpo diplomático além da casa civil será o primeiro a sentir a mão da repressão. A coisa vai ser punk!!!!!

    PS: Alguém se lembra do nome daquele ex embaixador que aparecia no programa de Waack, criticando a política externa do PT.  Não lembro do nome, porque ele anda sumido sem dar nenhum pitaco.

  14. Não é o Bob Woodward

    3 de janeiro de 2019 1:12 am

    Sabe aquele puxa-saco que

    Sabe aquele puxa-saco que curte ficar ao lado do chefinho, é explorado por ele e quanto mais acontece mais adora?

Recomendados para você

Recomendados