As negociações entre os Estados Unidos e o Irã avançaram de forma decisiva para encerrar meses de conflito armado no Oriente Médio. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como um dos principais mediadores do diálogo, anunciou neste sábado (13) que Washington e Teerã aceitaram os termos de um memorando de entendimento. A expectativa é que uma assinatura eletrônica ocorra ainda neste fim de semana.
“Gostaríamos de agradecer aos Estados Unidos da América e à República Islâmica do Irã por seu compromisso contínuo durante as negociações e estendemos nosso sincero agradecimento aos nossos irmãos na região por seu apoio. Estamos confiantes de que este acordo de paz histórico formará uma base sólida para uma paz duradoura“, publicou Sharif em seu perfil na rede social X.
Se o cronograma for mantido, delegações técnicas de ambos os países devem se reunir na próxima semana para definir os detalhes operacionais do tratado. O presidente norte-americano, Donald Trump, já havia sinalizado na quinta-feira (11) que os negociadores tinham chegado a um consenso e indicou que o documento final pode ser assinado na Europa, com a presença do vice-presidente dos EUA, JD Vance.
Divergências e bastidores diplomáticos
A consolidação do pacto ocorre após dias de declarações contraditórias. Logo após o anúncio inicial de Trump na quinta-feira, agências estatais iranianas negaram que o texto estivesse aprovado. O cenário mudou na sexta-feira (12), quando o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abás Araqchi, afirmou que um desfecho positivo “nunca esteve tão próximo“, mensagem que foi compartilhada pelo próprio mandatário norte-americano.
Antes da convergência, Trump chegou a usar sua rede social, Truth Social, para criticar vazamentos de informações pela imprensa, chamando os dirigentes iranianos de “pessoas muito desonrosas para se negociar“. Ele completou: “Com eles, não existe negociação de boa fé. INCRÍVEL! É melhor eles se organizarem, e RÁPIDO!“. Horas depois, contudo, o tom beligerante deu lugar à retórica diplomática.
Termos do armistício em discussão
Embora as duas potências não tenham divulgado formalmente o teor do documento, fontes diplomáticas e relatórios da imprensa internacional apontam as bases do compromisso.
Pelo lado norte-americano, autoridades confirmam que a estrutura do plano exige o desmantelamento do programa nuclear iraniano e a retenção de ativos financeiros congelados até que Teerã cumpra as metas estabelecidas. Resta pendente a definição técnica de como será feita a remoção do estoque de urânio altamente enriquecido em solo iraniano.
Em contrapartida, o governo dos EUA se compromete a suspender o bloqueio naval na entrada do Estreito de Ormuz e a flexibilizar progressivamente as sanções econômicas contra o país persa.
Fontes ligadas ao regime de Teerã enfatizam que o memorando estabelece a interrupção imediata das hostilidades militares em todas as frentes — o que inclui o território do Líbano —, um novo cessar-fogo de 60 dias e a retirada de forças navais norte-americanas posicionadas nas proximidades do Golfo Pérsico. O livre trânsito de embarcações comerciais em Ormuz deve ser restabelecido integralmente em até 30 dias, sem a cobrança de taxas por parte do Irã.
Escalada militar precedeu conversas
O avanço diplomático surge imediatamente após uma sequência de confrontos diretos que ameaçavam anular o cessar-fogo anterior. A crise recente começou com a queda de um helicóptero militar dos EUA no Estreito de Ormuz. Washington atribuiu o incidente a um ataque iraniano e iniciou uma retaliação com bombardeios a sistemas de radares e de defesa aérea em território iraniano.
Teerã respondeu disparando mísseis contra uma base militar dos EUA no Bahrein e alvos no Golfo Pérsico, além de decretar o fechamento temporário de Ormuz, principal via de escoamento de petróleo do mundo. Diante do risco de uma guerra total, a terceira noite de bombardeios planejada pelos EUA foi cancelada por Trump para dar lugar à redação final do acordo de paz.
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