18 de junho de 2026

Guerra no Oriente Médio redesenha economia e acelera disputas globais

Conflito envolvendo EUA, Israel e Irã mudou mercado energético, ampliou influência da China e impôs maior inflação e crescimento mais lento
Foto: @CENTCOM - via fotospublicas.com

Guerra entre EUA, Israel e Irã causou choque energético global, elevando preços e expondo vulnerabilidade de países importadores.
Conflito enfraqueceu Opep+ e beneficiou Rússia e China, que lidera produção de tecnologias para energias renováveis.
Segurança das rotas comerciais no Oriente Médio está ameaçada; Banco Mundial revisa crescimento global para 2,5% em 2024.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã não provocou apenas uma crise militar no Oriente Médio como também desencadeou transformações profundas na economia global que devem persistir mesmo após um eventual acordo de paz.

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A principal consequência está no setor energético. A interrupção parcial dos fluxos de petróleo e gás do Golfo Pérsico provocou uma disparada dos preços internacionais e expôs, mais uma vez, a vulnerabilidade de países altamente dependentes de energia importada. O episódio representa o segundo grande choque energético em apenas quatro anos, depois da invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

Diante desse cenário, governos e empresas aceleraram a busca por alternativas capazes de reduzir a dependência dos combustíveis fósseis produzidos no Oriente Médio. Em algumas economias asiáticas, como Japão e Coreia do Sul, a resposta imediata foi ampliar o uso de carvão para garantir segurança energética.

No entanto, especialistas avaliam que, no médio e longo prazo, o resultado tende a ser justamente o fortalecimento das fontes renováveis e da energia nuclear.  A avaliação é que tecnologias como energia solar, eólica, armazenamento em baterias e veículos elétricos alcançaram um nível de competitividade muito superior ao observado durante crises anteriores.

Ao mesmo tempo, o conflito alterou o equilíbrio de forças entre os principais produtores globais de energia. De acordo com análise divulgada pelo jornal The New York Times, e divergências entre Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos foram aprofundadas durante a guerra, contribuindo para o enfraquecimento da coordenação dentro do grupo Opep+. A situação abre espaço para maior volatilidade nos preços internacionais do petróleo.

Outro beneficiário indireto da crise é a Rússia. Com a valorização das commodities energéticas e o relaxamento temporário de algumas sanções por parte do governo dos Estados Unidos, Moscou ampliou sua capacidade de gerar receitas com exportações de petróleo e gás, mesmo enfrentando dificuldades econômicas internas.

A nova configuração do mercado favoreceu diretamente a China, uma vez que o país lidera com folga a produção de equipamentos essenciais para a transição energética, incluindo painéis solares, turbinas eólicas, baterias, cabos de transmissão e sistemas de gestão de energia.

Essa vantagem industrial tende a se converter também em influência geopolítica. À medida que mais países investem em energias renováveis para reduzir sua vulnerabilidade a choques externos, a dependência de tecnologias produzidas pela China aumenta, fortalecendo o papel do país na economia internacional.

Além das mudanças no setor energético, a guerra também colocou em xeque a segurança das rotas comerciais internacionais. Especialistas ouvidos pelo jornal avaliam que a confiança na livre navegação pela região dificilmente retornará aos níveis anteriores ao conflito. A simples demonstração de que o Irã possui capacidade para interromper ou encarecer o tráfego marítimo já eleva permanentemente os riscos para o comércio internacional.

Os impactos econômicos já aparecem nas projeções internacionais. Conforme citado pelo The New York Times, o Banco Mundial revisou para baixo suas estimativas de crescimento global. A instituição agora prevê expansão de 2,5% da economia mundial neste ano, abaixo dos 2,9% registrados anteriormente.

Ao mesmo tempo, a inflação voltou a ganhar força em diversas economias. O aumento dos preços da energia e dos custos logísticos tem pressionado bancos centrais a manter juros elevados por mais tempo, dificultando investimentos, encarecendo o crédito e ampliando o peso das dívidas públicas.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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