A ilusão de uma trégua humanitária na Faixa de Gaza esconde uma realidade de violência contínua contra a população civil mais jovem. Um levantamento publicado pela Unicef nesta sexta-feira (19) revela que, desde o estabelecimento do suposto “cessar-fogo” no território palestino, a média de mortes infantis é de uma por dia. Os dados foram divulgados pelo jornalista Jamil Chade, no ICL Notícias.
No total, desde outubro de 2025, 265 crianças palestinas perderam a vida em Gaza. O porta-voz da agência da ONU para a infância, James Elder, classificou o cenário como “absurdo e devastador“, apontando que as vítimas foram atingidas em locais que deveriam ser seguros.
Crise de credibilidade internacional
O relatório da Unicef traz relatos de episódios ocorridos nesta semana, incluindo a morte de um menino de 13 anos baleado dentro de sua tenda e de um garoto de 5 anos vítima de um ataque israelense ao lado do pai. Uma menina de 12 anos foi atingida no peito por munição real disparada por um guindaste armado, e outra, de apenas 3 anos, foi baleada no rosto por um drone dentro de sua residência.
A frequência das ocorrências levou a organização a questionar a própria terminologia utilizada pela diplomacia internacional para definir o estágio atual do conflito.
Sequelas físicas e trauma crônico
Além das vítimas fatais, o levantamento aponta que mais de 400 crianças foram feridas no mesmo período, muitas delas com quadros graves que incluem hemorragias cerebrais, traumas abdominais e amputações. O atendimento médico adequado esbarra em restrições severas à entrada de medicamentos essenciais, o que eleva o risco de infecções e aumenta o sofrimento dos pacientes. Centenas de menores necessitam de evacuação médica urgente, mas não conseguem autorização para deixar a área.
O impacto psicológico também é severo. De acordo com o relatório, o estado de alerta constante alterou o cotidiano e o desenvolvimento biológico dos menores na região, resultando em distúrbios de sono e agravamento de quadros de desnutrição devido à dificuldade de alimentação motivada pela angústia extrema.
Reflexos no Líbano e falta de vontade política
A crise humanitária decorrente dos confrontos na região estende-se também ao território libanês. A Unicef monitorou os efeitos das hostilidades no Líbano ao longo de um período de pouco mais de três meses. Desde o dia 2 de março, o balanço no país contabiliza 247 crianças mortas e 992 feridas, uma taxa média de 12 menores mortos ou mutilados diariamente, mesmo sob termos de cessar-fogo declarados.
Para a Unicef, a persistência desses indicadores reflete a omissão de órgãos de governança e de potências globais perante as normas do direito internacional. A entidade cobra uma reação assertiva dos governos contra o que define como a institucionalização da violência contra menores.
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