A Polícia Federal (PF) instaurou processos administrativos disciplinares (PADs) contra policiais investigados na Operação Compliance Zero, que apura as atividades de uma organização criminosa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao banco Master. A abertura dos procedimentos, revelada pelo ICL Notícias e publicada no boletim eletrônico da corporação, representa um novo desdobramento interno nas investigações sobre o grupo.
Os alvos da medida são o agente Anderson Wander da Silva Lima, lotado no Rio de Janeiro, e a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva. De acordo com as investigações, ambos são suspeitos de realizar consultas indevidas em sistemas restritos da PF e de repassar informações sigilosas para os investigados.
O PAD é o instrumento oficial utilizado pela administração pública para apurar infrações funcionais de servidores. Conduzido de forma independente do inquérito criminal, o procedimento administrativo pode resultar em sanções que variam desde uma advertência até a demissão dos cargos públicos. A instauração não significa condenação prévia, mas atesta que a corregedoria encontrou indícios suficientes para a abertura de uma apuração formal.
Acesso a sistemas e vazamento de operações
A Operação Compliance Zero identificou um núcleo específico dentro da corporação encarregado de obter dados protegidos por sigilo. Conforme os autos, o agente Anderson Wander atuava diretamente na consulta a bases de dados oficiais da PF. A delegada Valéria Vieira, por sua vez, teria acessado o conteúdo de procedimentos que estavam fora de sua atribuição funcional regular.
As suspeitas e os indícios colhidos ao longo da apuração motivaram medidas cautelares severas durante as fases da operação autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), culminando na prisão do agente e no afastamento judicial da delegada de suas funções. A PF aponta que os integrantes da organização criminosa utilizavam o canal ilegal para obter informações antecipadas sobre diligências, buscas e outras medidas investigativas em curso, o que blindava as atividades do grupo.
Próximos passos na Corregedoria
Com a abertura dos PADs, a Polícia Federal inicia uma frente administrativa paralela ao processo criminal que tramita no STF. A tramitação dos processos internos ficará sob a responsabilidade da corregedoria da instituição, que avaliará a conduta e a responsabilidade funcional de cada servidor envolvido.
Até o momento, a corporação mantém sob sigilo o número total de funcionários públicos que podem estar envolvidos na rede de vazamentos, assim como os prazos previstos para a conclusão dos trabalhos das comissões disciplinares.
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