O sistema de saúde da Venezuela opera no limite após dois fortes terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingirem o país na semana passada. De acordo com balanço divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça-feira (30), o fluxo de atendimento nos hospitais remanescentes é caótico, agravado pela infraestrutura danificada e pelo desaparecimento de equipes médicas.
Os tremores deixaram ao menos 1.719 mortos, 5.034 feridos e mais de 15 mil desalojados, segundo dados oficiais do governo venezuelano. A destruição de centenas de edifícios concentrou-se na costa leste, afetando severamente a capital, Caracas, e a cidade portuária de La Guaira. O aeroporto internacional de Maiquetía segue fechado.
Infraestrutura danificada e falta de especialistas
O relatório da OMS, baseado na vistoria de 21 unidades de saúde, aponta que pelo menos três hospitais sofreram colapso estrutural crítico e outros seis funcionam de forma parcial. No epicentro da crise, pacientes recebem tratamento improvisado em estacionamentos, enquanto corpos aguardam identificação nas calçadas.
“Os demais permanecem operacionais (mas) sob forte pressão“, afirmou o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, em entrevista coletiva em Genebra. “Constatações preliminares revelam prestação de serviços caótica e fluxo de pacientes desorganizado, marcado por superlotação e aumento do acúmulo de cirurgias“, acrescentou.
A escassez de recursos humanos agrava o cenário de emergência. Em La Guaira, a ausência de obstetras e pediatras interrompeu o atendimento básico a gestantes e recém-nascidos.
Risco sanitário e buscas por sobreviventes
Além do colapso imediato nos prontos-socorros, a OMS manifestou preocupação com as condições sanitárias dos acampamentos improvisados. A baixa cobertura vacinal na região eleva o risco de epidemias de febre amarela e dengue entre os desabrigados.
As equipes de resgate, reforçadas por missões estrangeiras, mantêm as buscas pelo sexto dia consecutivo. Projeções da Organização Internacional para as Migrações (OIM) indicam que o total de afetados pode superar 6 milhões de pessoas, com estimativa de até 50 mil desaparecidos sob os escombros.
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