Uma investigação publicada neste sábado (11) pelo jornal britânico The Guardian revela que o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) viveu uma ampla campanha de intimidação contra servidores de carreira durante os últimos meses da gestão da secretária Kristi Noem e o início do comando de Markwayne Mullin. Segundo o periódico, funcionários relataram um ambiente marcado por perseguições, testes de polígrafo, ameaças de demissão e transferências forçadas para silenciar críticas às políticas de imigração do governo de Donald Trump.
De acordo com a reportagem, dezenas de atuais e ex-integrantes do DHS descreveram uma atmosfera de medo dentro da agência, responsável por áreas como imigração, controle de fronteiras e resposta a desastres. Entre os relatos estão interrogatórios que duravam até seis horas com detectores de mentiras conduzidos por militares, além de advertências de que funcionários poderiam ser presos ou perder seus cargos caso divulgassem informações internas.
O The Guardian afirma que a ofensiva atingiu especialmente servidores que levantaram objeções éticas ou jurídicas às novas diretrizes migratórias. Muitos foram removidos de suas funções, pressionados a pedir demissão ou deslocados para postos considerados irrelevantes dentro da estrutura do departamento.
A investigação também descreve um desmonte de escritórios encarregados da fiscalização de direitos civis e da supervisão interna, o que, segundo fontes ouvidas pelo jornal, reduziu significativamente os mecanismos de controle sobre a atuação da agência. Programas humanitários voltados a refugiados e solicitantes de asilo teriam sido enfraquecidos ou encerrados, enquanto políticas como separação de famílias, detenções em instalações no exterior e deportações em larga escala voltaram a ganhar força.
Entre os casos destacados está o de Wendy Hernández Reyes, deportada dos Estados Unidos e cuja filha morreu após sua expulsão do país. O episódio é citado pela reportagem como exemplo dos impactos humanos das medidas migratórias adotadas pelo governo.
Embora o novo secretário, Markwayne Mullin, tenha prometido restaurar a estabilidade administrativa, servidores ouvidos pelo The Guardian afirmam que as decisões sobre imigração continuam sendo fortemente influenciadas pelo assessor presidencial Stephen Miller, considerado o principal formulador da política migratória da Casa Branca. Na avaliação das fontes, isso reduz as perspectivas de mudanças significativas na condução do departamento.
Ainda segundo o jornal britânico, o clima de insegurança e as sucessivas mudanças administrativas provocaram forte desmotivação entre funcionários de carreira, que compararam o ambiente interno a períodos históricos de perseguição política nos Estados Unidos, como o macartismo.
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