O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (13) que o governo americano passará a cobrar um pedágio de 20% sobre toda a carga transportada no Estreito de Ormuz. A medida acompanha o restabelecimento do bloqueio naval aos portos do Irã, elevando a tensão militar e geopolítica na região do Golfo.
Em publicação na Truth Social, Trump declarou que os EUA assumem o papel de defensores da via marítima, por onde circula cerca de um quinto do petróleo e do gás mundial. “Estamos restabelecendo o BLOQUEIO IRANIANO, assim denominado porque impede apenas a entrada e saída de navios ou clientes iranianos“, escreveu o presidente, assegurando que o livre trânsito permanece autorizado para as demais nações.
“Os EUA serão, a partir deste momento, conhecidos como “O GUARDIÃO DO ESTREITO DE ORMUZ”, mas, como tal, e por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo“, afirmou o republicano.
Em entrevista à emissora Fox News, Trump justificou a ofensiva econômica e militar pelo suposto descumprimento de termos diplomáticos por parte do governo iraniano. “Nós os atingimos com muita força na noite passada. Toda vez que eles enviam um drone, nós os atingimos com muita força. Mas nós tínhamos um acordo. O que ninguém sabe é que tínhamos um acordo. Era um acordo fechado, e então eles o romperam. Eles sempre o rompem. Já fizemos 10 acordos com esse pessoal, então vamos simplesmente atingi-los com muita força“, declarou no programa Fox & Friends.
O anúncio do pedágio ocorre após as forças armadas norte-americanas intensificarem os bombardeios no território iraniano. Nas últimas 24 horas, o Comando Central dos EUA atacou 140 alvos militares, elevando o total para mais de 300 instalações atingidas em três dias.
Nesta segunda-feira (13), a agência de notícias irariana Tasnim informou que novos mísseis atingiram três pontos na cidade de Abadan, no sudoeste do Irã, deixando ao menos dois mortos e três feridos. Explosões também foram registradas perto de Bandar Abbas e na ilha de Qeshm. Segundo os militares americanos, o objetivo é degradar a capacidade de Teerã de atacar navios comerciais.
Contestação e ameaça regional
O governo do Irã contesta a versão de Washington sobre a abertura do canal e afirma que o Estreito de Ormuz foi fechado no sábado (11) após a onda de bombardeios americanos. A Guarda Revolucionária iraniana justificou o bloqueio após interceptar embarcações que supostamente seguiam rotas não autorizadas com sistemas de monitoramento desligados.
“Várias embarcações tentaram seguir uma rota não autorizada e ignoraram nossos avisos e sinais. Uma embarcação que comprometeu a segurança marítima ao desativar seus sistemas foi atingida por tiros de advertência e detida“, informou a corporação em nota, emendando que “o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até segunda ordem e até a conclusão das operações dos EUA na região. Nenhuma embarcação terá permissão para passar“.
O comando militar iraniano rechaçou formalmente a cobrança de tarifas e a gerência norte-americana do canal. Em nota oficial, Teerã alertou que “não permitirá que os EUA intervenham na administração do Estreito de Ormuz. Qualquer tentativa dos EUA de transitar pelo estreito sem a autorização iraniana será fortemente contestada“. O comunicado também estendeu a advertência aos países vizinhos: “Aos líderes dos países da região, qualquer cooperação com os EUA será considerada guerra contra o Irã“.
Como reação aos bombardeios coordenados por Washington e Israel desde o início do conflito em 28 de fevereiro, o Irã lançou contra-ataques a instalações no Bahrein, Kuwait, Catar, Jordânia e Omã, nações que abrigam bases militares dos EUA ou possuem relevância logística no tráfego marítimo regional.
O negociador-chefe e presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, endossou o fim definitivo das tratativas pacíficas bilaterais. “A era dos acordos unilaterais acabou”, publicou em sua rede social. “Nós dissemos: cumpra sua palavra ou pague o preço. A realidade está batendo à porta“.
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