O governo brasileiro rebateu nesta quinta-feira (16) as acusações de Washington de que não teria negociado de “boa-fé” para evitar a imposição de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos. Para contestar a versão norte-americana, o governo Lula (PT) divulgou um levantamento que contabiliza 30 reuniões bilaterais sobre o tema desde o ano passado, segundo informações de Gustavo Uribe, da CNN Brasil.
O embate diplomático subiu de tom após declarações de autoridades do governo de Donald Trump. Na quarta-feira (15), o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, responsabilizou diretamente o Executivo brasileiro pelo impasse.
“Não haja confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé“, declarou Rubio.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, endossou a posição, embora tenha mantido uma porta aberta para o diálogo. “As extensas negociações com o Brasil ao longo do último ano não resolveram essas questões, mas continuamos abertos a prosseguir com as negociações com o Brasil“, afirmou Greer.
A lista de contatos do Planalto
Segundo os dados compilados pelo Palácio do Planalto, as 30 reuniões bilaterais ocorreram de forma presencial e virtual, envolvendo equipes técnicas e ministros de ambos os países. Do total de encontros, 11 foram realizados diretamente com Rubio ou com Greer.
Assessores da presidência argumentam que o volume de reuniões comprova o empenho do Brasil em encontrar uma saída negociada para evitar o tarifaço e rechaçam a narrativa de omissão ou intransigência por parte de Brasília.
Reciprocidade e próximos passos
Diante das novas taxas impostas pelos EUA, o Palácio do Planalto anunciou que planeja acionar os mecanismos de retaliação previstos na Lei de Reciprocidade Econômica. O dispositivo jurídico autoriza o governo brasileiro a adotar barreiras comerciais proporcionais contra nações que impuserem restrições aos produtos e serviços nacionais.
Apesar da reação e da possibilidade de contra-ataque comercial, interlocutores do governo brasileiro afirmam que o país ainda prioriza a via diplomática e pretende manter os canais de negociação abertos com a Casa Branca para tentar reverter as medidas.
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