Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta (5) mostra sinais de leve recuperação (oscilação dentro da margem de erro) do candidato à presidência Flávio Bolsonaro, enquanto o presidente Lula, que buscará a reeleição em outubro, parece ter desacelerado os ganhos marginais junto ao eleitorado com suas políticas econômicas.
De acordo com a pesquisa, Flávio Bolsonaro oscilou de 28% de intenções de voto em julho, no cenário estimulado para o primeiro turno, para 30% em agosto, enquanto Lula oscilou de 40% para 39%. Ronaldo Caiado e Renan Santos somam 4% das intenções de voto cada, e Romeu Zema agora tem 2%. Eleitores indecisos somam 10%, e os votos brancos, nulos e abstenções totalizam 8%. A aprovação geral do governo Lula permanece estável em 48%, enquanto a desaprovação situa-se em 47%.

Pela análise publicada no blog da Quaest, as projeções para o segundo turno tornam o afunilamento mais evidente. Flávio avançou de 37% para 39%, e Lula oscilou de 45% para 44%. Com isso, a vantagem do atual presidente encolheu 3 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, passando de 8 para 5 pontos. Nesse cenário, brancos, nulos e abstenções somam 13%, enquanto 4% permanecem indecisos.

Segundo o instituto, a recuperação de Flávio decorre “de uma recombinação de fatores internos do campo oposicionista e de reações a decisões do Judiciário”. Para 52% dos entrevistados, a proibição imposta pelo Supremo Tribunal Federal de visitas de Flávio ao pai Jair Bolsonaro foi considerada errada, enquanto 41% a classificaram como correta.
Entre os fatores que influenciam a movimentaçã, estão: a consolidação da base conservadora (o apoio a Flávio saltou de 74% para 81% entre os eleitores que se identificam como “direita não-bolsonarista” e de 91% para 95% entre os “bolsonaristas”) e a retração de Lula entre os eleitores ditos “independentes” (a vantagem de Lula, que era de 13 pontos em julho [40% a 27%], reduziu-se para 4 pontos em agosto [33% a 29%]).
Já a reconciliação pública entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi avaliada de forma positiva por 59% do eleitorado geral. Agora, 46% dos brasileiros acreditam que o apoio direto de Michelle, que disputará o Senado pelo Distrito Federal, aumenta as chances de vitória de Flávio. Antes, eram 38%. Entre os bolsonaristas, esse índice saltou de 45% para 79%; na direita não-bolsonarista, saiu de 53% para 70%.
Por outro lado, a Quaest identificou uma “estabilização dos indicadores” positivos de Lula na economia, que “ocorre em um momento no qual os programas sociais e econômicos passam a produzir menor retorno político marginal”. A isenção do imposto de renda, por exemplo, não foi sentida por 46% dos entrevistados gerais (antes eram 39%), enquanto os que relataram aumento significativo na renda caíram de 24% para 21%.
“A essa acomodação interna soma-se o efeito do cenário externo. A reação do governo federal às novas tarifas de importação impostas por Donald Trump (“tarifaço”) passou a registrar saldo negativo de avaliação. Em maio, 39% avaliavam a resposta de Lula como boa e 36% como má (+3). Em agosto, 43% consideram que o governo reagiu mal e 38% que reagiu bem (-5)”, analisou o instituto.
Enquanto isso, os candidatos que tentam ocupar a terceira via reduzidem paulatinamente a distância para Lula no segundo turno. A desvantagem de Ronaldo Caiado em relação ao atual presidente encolheu para 8 pontos percentuais (45% Lula x 37% Caiado). Renan Santos mantém uma trajetória consistente de aproximação, reduzindo a diferença de 17 pontos em maio (45% a 28%) para 10 pontos em agosto (45% a 35%). Somente Romeu Zema perdeu tração e ampliou a distância para Lula, fixando-se em 12 pontos percentuais (46% Lula x 34% Zema).
A pesquisa Quaest ouviu 2.004 pessoas presencialmente entre os dias 31 de julho e 3 de agosto de 2026. O nível de confiança do estudo é de 95%, e a margem máxima de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e encontra-se registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06591/2026.
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