O presidente Lula se manifestou sobre e a crise que atingiu o Supremo Tribunal Federal (STF) após as revelações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes: “É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém doa a quem doer.” A tão aguardada fala ocorre após estudos da equipe de campanha do presidente para impedir que o envolvimento de Moraes respingue nos votos para as eleições 2026.
Em vídeo divulgado nesta quinta-feira (03), Lula defendeu que todos os envolvidos no caso Banco Master sejam investigados, “doa a quem doer”, e cobrou do STF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) uma resposta capaz de preservar a confiança nas instituições.
A manifestação ocorre depois de dois dias de cautela pública do presidente. Até então, Lula vinha sendo aconselhado por auxiliares e aliados a evitar comentários sobre as mensagens reveladas pela Polícia Federal, sob o argumento de que a crise dizia respeito ao Supremo e não diretamente ao governo ou à campanha presidencial. Nos bastidores, o presidente indicava a intenção de manter uma “distância calculada” de Moraes, justamente para impedir que a associação entre os dois contaminasse sua candidatura à reeleição.
Nesta semana, a campanha de Lula teria encomendado pesquisas qualitativas para medir como o eleitorado está percebendo a crise e orientar o discurso. A preocupação dos aliados é que a imagem de Moraes esteja excessivamente associada à de Lula, em razão da convergência contra o bolsonarismo.
No vídeo, o presidente também classificou o caso Banco Master como “o maior roubo da história do Brasil”, afirmando que milhões de pessoas foram prejudicadas e lembrando que o banqueiro Daniel Vorcaro foi preso e teve o banco fechado durante seu governo. Lula ressaltou ainda que existem suspeitas envolvendo políticos e agentes públicos e advertiu que a democracia não pode ficar subordinada a vazamentos seletivos.
Lula cobra resposta institucional
Sem mencionar diretamente Alexandre de Moraes, Lula cobrou ações pela via institucional, pelo presidente do STF e a PGR.
“Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações”, afirmou.
A crise se intensificou depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de relatório da Polícia Federal contendo mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. Segundo as informações divulgadas, os diálogos indicariam uma relação próxima entre o banqueiro e o ministro, além de referências a operações policiais e outros assuntos relacionados ao caso.
O episódio desencadeou uma disputa dentro do próprio Supremo sobre o relator André Mendonça, que remetem às práticas da Operação Lava Jato, com vazamentos seletivos e condução ilegal das investigações.
Antes do vídeo de manifestação pública, nesta semana, Lula recebeu o ministro Gilmar Mendes e o presidente do STF, Edson Fachin, no Palácio do Planalto. A reunião com Gilmar não constava da agenda oficial e, segundo o Metrópoles, teve como pauta a crise interna. Após os encontros, a equipe de Lula trabalhou em uma resposta que atuasse na necessidade de preservar a credibilidade das instituições, cobrando investigações.
Campanha adota discurso de ‘reforma das instituições’
O presidente abraçou em sua fala um discurso coletivo da opinião pública de “reforma das instituições”: “A democracia precisa de instituições fortes e respeitadas. Fica claro que nosso sistema político e Judiciário precisam de reformas profundas”, afirmou.
Um dia antes, o presidente do PT e coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva, havia publicado um vídeo nas redes sociais, em gesto de testar este tom de crítica às instituições – discurso comumente assumido pelo eleitorado da direita e pelo bolsonarismo. A diferença, contudo, é que Lula pretende levar a crítica para uma reformulação na própria defesa e respeito das instituições, e não o fim delas.
Tanto o vídeo mais explícito de Edinho, que chegou a falar que o sistema “apodreceu”, quanto a linguagem institucional de Lula fazem parte da estratégia da equipe eleitoral de levar à televisão e às redes sociais a mensagem de que “ninguém está acima da lei”, associada à defesa de reformas nos sistemas político e judicial.
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