4 de setembro de 2026

Brasil contesta suspensão de carne e ameaça UE com retaliação

Governo brasileiro afirma que não havia necessidade de auditoria; Comissão afirma que país não apresentou garantias exigidas
Foto de Sergey Kotenev na Unsplash

União Europeia suspende importação de carne brasileira por falta de garantias sobre uso de antimicrobianos.
Brasil contesta decisão e diz ter apresentado garantias; embaixador alerta que resposta pode ser ampliada.
Medida europeia visa combater resistência antimicrobiana e exige conformidade em todo ciclo de vida do gado.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

A suspensão das importações de carne brasileira pela União Europeia entrou em vigor nesta quinta-feira (3), o que aumentou a tensão comercial entre o governo brasileiro e os europeus no momento em que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e o bloco europeu começa a ser aplicado provisoriamente.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A posição brasileira ocorre depois de a Comissão Europeia retirar o Brasil da lista de países considerados em conformidade com as regras do bloco sobre antimicrobianos. Com isso, as importações de determinados produtos de origem animal foram suspensas a partir de quinta-feira.

Enquanto o governo brasileiro destaca que já apresentou as garantias suficientes sobre a conformidade de seus produtos, a União Europeia sustenta que o Brasil não apresentou as informações necessárias para comprovar o cumprimento das regras europeias sobre o uso de antimicrobianos.

A posição brasileira ocorre depois de a Comissão Europeia retirar o Brasil da lista de países considerados em conformidade com as regras do bloco sobre antimicrobianos. Com isso, as importações de determinados produtos de origem animal foram suspensas a partir de quinta-feira.

Em entrevista à Euronews, o embaixador brasileiro junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, afirmou que não havia necessidade de uma auditoria sobre a carne brasileira.

“Não havia necessidade de uma auditoria, nem para aves, nem para mel, nem para carne bovina”, disse o diplomata, segundo a publicação. Para ele, outros países não foram submetidos ao mesmo procedimento e o Brasil já teria apresentado garantias suficientes.

O governo brasileiro ainda mantém as negociações técnicas com a Comissão Europeia, mas o embaixador sinalizou que a resposta de Brasília poderá ser ampliada caso a suspensão continue. Segundo da Costa e Silva, “todas as opções estão sobre a mesa” caso as importações não sejam retomadas.

A Comissão Europeia, entretanto, rejeita a acusação de tratamento desigual. O vice-porta-voz-chefe da instituição, Olof Gill, afirmou nesta sexta-feira que a abordagem europeia é “não discriminatória” e que os parceiros comerciais receberam tempo e informações suficientes para se adaptar às novas exigências.

Exigência europeia envolve todo o ciclo de vida dos bovinos

A medida europeia está relacionada às regras adotadas pelo bloco para combater a resistência antimicrobiana.

As normas foram introduzidas pela União Europeia em 2018, passaram a ser aplicadas aos produtores europeus em 2022 e, desde esta semana, também alcançam importadores de países terceiros. A suspensão atinge produtos brasileiros como carne bovina, aves, ovos e mel.

Entretanto, existe uma diferença no tratamento dado aos produtos. Auditorias sobre aves e mel já estão em andamento depois que o Brasil apresentou garantias por escrito de conformidade com as regras europeias.

Para a carne bovina, segundo a Comissão Europeia, Brasília não apresentou garantias consideradas suficientes para a realização da auditoria. Neste caso, as garantias precisam abranger o ciclo de vida completo dos animais, que é naturalmente mais longo no caso do gado.

A Comissão afirma que, sem essas garantias, não é possível comprovar que a produção brasileira atende aos padrões europeus relacionados ao uso de antimicrobianos.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados