4 de junho de 2026

Leandro Matos estabelece novos diálogos com o samba, por Augusto Diniz

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No 1° CD Leandro Matos estabelece novos diálogos com o samba

por Augusto Diniz

Leandro Matos é um jovem de mão cheia: toca cavaco com maestria, compõe, canta, produz, arranja e orquestra. Um músico atualizadíssimo com os novos tempos – tratei disso sobre ele nessa coluna certa vez (ler aqui).

Agora, ele prepara para lançar seu primeiro CD – registro fonográfico sai nas plataformas digitais em janeiro -, com músicas suas, depois de se envolver em vários projetos. Leandro Matos assumiu o trabalho de ponta a ponta, como era de se esperar, estabelecendo diálogos modernos com o samba, num disco de bom nível.

“Esse trabalho representa o início de uma missão no comprometimento com o samba. É o preâmbulo de uma longa história”, afirma.

O disco “Arautos da tirania” tem 12 faixas e abre com “Sargento” (Robson Batuta, Leandro Matos), uma homenagem a Nelson Sargento. Composta em 2004, Leandro Matos disse que chegou a apresentá-la em um show com a presença do homenageado.

“Lembro que na ocasião, diante dos aplausos, o Nelson pediu silêncio à plateia e proferiu: ‘Quero apenas dizer que o samba que esse garoto fez em minha homenagem me eternizou’”, conta Leandro. “Quando o maestro atacou a música seguinte, nós estávamos tocando e chorando…”.

Depois vem “Com seus balangandãs” (Marcelo Leandro, Leandro Matos, Lula Matos, Pablo Amaral), ótimo samba que Leandro chegou a lançar como single em 2015. ‘Na ocasião do lançamento, promovi um encontro com amigos queridos na comunidade de Vila Palmares (bairro de Santo André, no ABC paulista) onde fui criado e aprendi a ser sambista com o meu mentor Robson Batuta”, relata.

Em seguida vem a faixa-título “Arautos da tirania” (Inácio Rios, Leandro Matos, Rappin Hood), com a participação dos parceiros de Leandro na composição. Este samba, segundo ele, foi escrito por um reflexo da sociedade racista e excludente. “É um desabafo, um brado de indignação, mas munido principalmente de muita esperança”, afirma.

Segundo o músico, o samba sempre esteve engajado nas questões sociais e movimentos de resistência. “Hoje se escuta cada vez menos canções com essa temática, dando lugar em amplitude desproporcional a música romantizada, sem responsabilidade social e inclinação ao modismo”, avalia.

A quarta faixa do CD de Leandro Matos é o samba com excelente arranjo “Entrelinhas” (Marcelo Leandro, Leandro Matos), seguida pelo samba-choro “Meu violão” (Chiquinho dos Santos, Leandro Matos), com participação do jovem grupo de choro Quarteto Pizindim (Rafael Esteves – bandolim, Emerson Bernardes – cavaquinho, Rodrigo Carneiro – violão 7, Koka Pereira – cajón e pandeiro); e o samba-afro “O Coração do Brasil” (Gerson da Banda, Leandro Matos, Robson Batuta).

Na sequência, vem as músicas “Outdoor” (Vitor Pessoa, Leandro Matos) e “Sensual sabor” (Leandro Matos, Vitor Pessoa). Aqui, Leandro Matos colocou o samba para dialogar com o jazz, de forma caprichada.

“As culturas oriundas da diáspora (africana) têm que se manter próximas, dialogando, transando as informações; uma influenciando, adornando e abraçando a outra”, explica a fusão.

As duas músicas que encerram o álbum também têm referências do samba-jazz. Uma é “Madiba” (Leandro Matos, Jonatas Petróleo), com participação do trompetista Sidmar Vieira – a música é uma homenagem a Nelson Mandela e os heróis que o inspiraram; a outra é a bela instrumental “Chamada geral” (Leandro Matos, Eduardo Salmaso).

A nona faixa é um pot-pourri com dois excelentes partidos-alto: “Tabela perfeito” (Cleverson Luiz, Eder Miguel, Leandro Matos), com participação dos parceiros da composição; e “Se ela chegar” (Lula Matos, Leandro Matos, Gerson da Banda), também com a presença dos parceiros nessa música.

“O Lula é um militante, defensor do samba carioca; o Renato é um cantor e compositor do morro, que transita com o novo samba carioca; o Cleverson e o Eder são artistas consagrados no cenário do samba paulista romântico – todos eles são da nova geração e trajam o samba de formas diferentes”, explica Leandro. Ele acredita que unir esses sambistas agregou conceitos ao trabalho.

A décima faixa é “Ilê de vovó” (Leandro Matos, Chiquinho dos Santos), com participação de Chiquinho dos Santos – “Ele versou comigo malandramente nesse partido para lá de bom”, define.

As duas últimas que encerram esse trabalho já foram mencionadas anteriormente.

O disco é cuidadoso. Leandro Matos preocupou-se com a qualidade musical em meio a composições fora do padrão tradicional do samba, da batucada de roda, das levadas dos tantãs. O resultado do CD é bom e original.

Os músicos que gravaram “Arautos da tirania” de Leandro Matos foram: Emerson Bernardes (cavaco), Sandoval, Didi Pinheiro (banjo), Waldir Jr, Weverton Martins (violão 6), Rodrigo Carneiro, Gabriel Borges (violão 7), Anderson Rato (pandeiro, ganzá, tamborim), Bruno Silva (repique, congas, tamborim), Fernando Jarrão (tanta, reco, tamborim, surdo), Diego Gimenez (surdo, agogô, tamborim), Fernando Cesar (piano), Danilo Vianna (baixo), Eduardo Salmaso (bateria), Ed Trombone (trombone) e Eber Cardoso (sax, flauta e cavaco solo). Gravaram ainda na faixa 12 Marcelo Martins (cavaco bandolim), Betinho Ripa (percussão), Wilbone (saxofone, trompete, trombone) e Waldir Jr. (guitarra).

Coral: Grazzi Brasil, Fefa, Fabiana, Tekinha, Flávia, Jorginho, Ébony Karen, Robson Batuta, Robson Capela, Delei Martins, Tami Uchoa, Helen Cristina, Carol Oliver, Jônatas Petróleo, Eleandro Pinheiro, Graça Braga, Dri Lima e Dani Olinka. 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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