30 de setembro de 2026

Vídeo revela vínculo de Flávio Bolsonaro com policial que assassinou menina de 5 anos

Presidenciável advogou no caso Ana Clara, por um policial representado por Flávio; episódio relembra ainda ligação com Adriano da Nóbrega e caso Marielle
Crédito: Arquivo pessoal

Ana Clara, de 5 anos, foi morta a tiros em Niterói; policial Bruno Delaroli responde pelo caso desde 2021.
Flávio Bolsonaro atua na defesa de Delaroli, recorrendo de decisões e adiando julgamento previsto para 2027.
Mãe teme influência política no processo e quer que justiça seja feita pelo assassinato da filha.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Cristiane Gomes da Silva, a mãe de Ana Clara Gomes Machado, menina de 5 anos baleada e morta em Niterói (RJ), afirmou que teme que o julgamento do policial acusado de matar sua filha não aconteça, uma vez que o processo se arrasta há mais de cinco anos e ganhou um novo capítulo quando o senador Flávio Bolsonaro passou a atuar na defesa do acusado.

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“É surreal de acreditar como que uma pessoa, querendo ser o presidente do Brasil, defendeu um cara que é sem escrúpulo nenhum, defendeu um monstro desse, que ele é um monstro. Ele assumiu o caso de um assassino, ele tentou anular o júri do cara que matou minha filha. Ele tentou anular o júri de um cara que impediu uma criança de 5 anos de viver.”

Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara Gomes Machado

A história foi apresentada no programa Revelando, que viralizou nas redes sociais ao remontar o envolvimento do senador e presidenciável no caso Master. A menina Ana Clara estava em casa na manhã de 2 de fevereiro de 2021 quando foi atingida por dois disparos. O policial militar Bruno Delaroli foi preso em flagrante e passou a responder pelo caso.

A investigação policial apontou Delaroli como responsável pelos disparos. A defesa, por outro lado, sustenta que houve uma situação de confronto com homens armados que estavam nas proximidades da residência da menina.

A perícia encontrou no local apenas munições de calibre 7,62, compatíveis com o fuzil utilizado pelo policial, sem registros de munição de pistola. A mãe de Ana Clara também afirma que não houve troca de tiros.

Delaroli chegou a ser preso, mas foi colocado em liberdade em novembro de 2021 e passou a responder ao processo fora da prisão. O julgamento pelo Tribunal do Júri foi adiado duas vezes em 2026 e está previsto para 5 de maio de 2027.

Flávio Bolsonaro na defesa

O episódio destaca que Flávio Bolsonaro passou a atuar na defesa de Delaroli depois de uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que manteve o entendimento de que o policial deveria ser submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.

O senador, então, apresentou um requerimento para tentar reverter a decisão. Desde então, a defesa teria recorrido de diferentes decisões, prolongando o processo.

Cristiane afirma que ficou surpresa ao descobrir que Flávio Bolsonaro atuava no caso.

“Ele sendo o pai de uma menina, assim, ele podia tentar se colocar no meu lugar de mãe, né? E se fosse a filha dele, será que ia ser anulada assim? Será que ele ia defender o assassino de alguém que matou alguém da família dele? Essa mesma pessoa que está defendendo o atirador, ele que diz que vai fazer a segurança pública? Eu não acredito. Eu não acredito que um defensor de bandido vai fazer algum tipo de segurança”

“Eu não quero vingança”, disse ela durante a entrevista. Segundo a mulher, seu desejo é que o responsável pela morte da filha seja julgado e, caso condenado, cumpra a pena. “Eu só quero que a justiça seja feita.”

Justiça

Durante a entrevista, Cristiane relembrou a filha e afirmou que a menina sonhava em ser médica e dizia que queria cuidar de crianças. Ela também relatou os momentos imediatamente posteriores aos disparos. Segundo seu depoimento, ouviu tiros e encontrou a filha baleada. A mulher rejeita a versão de que teria ocorrido uma troca de tiros e afirma que a perícia não encontrou evidências de disparos feitos por outras armas.

A entrevistada também registra que a mãe teme que uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República possa afetar o andamento do processo. “O que você mais tem medo hoje em dia?”, pergunta a atriz Camila Pitanga, apresentadora do episódio. “Do Flávio vir como presidente e a justiça pela vida da minha filha não ser feita. Ele, sem ser presidente, ele tá fazendo o que tá fazendo. Como senador, ele tentou anular o júri de um assassino”, respondeu a mãe.

Cristiane ressalta ainda que espera que o filho mais novo possa crescer sabendo que o responsável pela morte de sua irmã foi responsabilizado pela Justiça.

Adriano da Nóbrega

O episódio também relaciona a atuação de Flávio Bolsonaro no caso de Ana Clara a episódios anteriores envolvendo o ex-policial militar Adriano da Nóbrega. Flávio, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, concedeu uma homenagem a Adriano enquanto ele estava preso sob acusação de homicídio. O ex-PM posteriormente foi condenado em primeira instância, mas acabou absolvido em segunda instância.

Adriano da Nóbrega se tornou posteriormente suspeito de chefiar um grupo de matadores de aluguel conhecido como Escritório do Crime. Ele morreu em 2020, durante uma operação policial na Bahia.

O programa também menciona que a mãe e a mulher de Adriano trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro por anos. Os vínculos entre o parlamentar e familiares do ex-PM já foram alvo de investigações e reportagens.

Marielle Franco

Outro episódio citado na produção é o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018. O ex-policial identificado como Robson Calisto, conhecido como “Peixe”, teria solicitado recursos públicos a uma assessora parlamentar e que o pedido teria sido encaminhado ao senador Flávio Bolsonaro. Posteriormente, foi destinada uma emenda de quase R$ 200 mil para um projeto esportivo na Taquara, no Rio de Janeiro.

A produção relembra ainda que uma investigação apontou desvios dos recursos, mas ressalta que não houve eventual responsabilização criminal de Flávio Bolsonaro relacionada a esse episódio.

Os executores do assassinato de Marielle e Anderson foram condenados, enquanto os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, apontados como mandantes, também foram condenados posteriormente, conforme mencionado no programa.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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