No próximo dia 9 de outubro, no Campus da Unicamp, pesquisadores e especialistas se reunirão para discutir um dos temas mais estratégicos da geopolítica contemporânea na mesa redonda “Terras raras em debate: disputas de poder e os sentidos do desenvolvimento no Brasil”. O encontro pretende analisar o impacto desses minerais críticos — essenciais para a transição energética e a digitalização global — na economia política e na soberania nacional.
Coordenado pelo professor José Marcos Nayme Novelli (UFSCar), o debate contará com as exposições de Arthur Oscar Guimarães (NPCTS/CEAM/UnB), Diógenes Moura Breda (IERI-UFU/IE-Unicamp) e Edna Aparecida da Silva (IREL-UnB/INCT-INEU). Os comentários e a mediação serão realizados por Silvia Aparecida de Sousa Fernandes (TerritoriAl-Unesp IPPRI).
Recursos estratégicos e inserção internacional
A atividade parte do diagnóstico de que, embora as expressivas reservas brasileiras projetem o país no centro das disputas tecnológicas globais, há uma preocupante ausência de uma estratégia nacional articulada para o setor. Os palestrantes discutirão como as iniciativas atuais, focadas prioritariamente na atração de investimentos de curto prazo por meio de incentivos fiscais e flexibilização regulatória, trazem de volta o risco do neoextrativismo. Esse modelo foca na exportação de recursos primários brutos e perpetua um padrão histórico de dependência econômica e baixa agregação de valor.
O objetivo do evento é tensionar abordagens estritamente focadas em competitividade mercadológica e propor reflexões de longo prazo. Entre as principais questões que guiarão a mesa estão as capacidades estatais necessárias para vincular a exploração mineral à inovação tecnológica e como utilizar esses recursos minerais como alavanca para uma industrialização soberana.
Dimensão socioambiental em foco
Outro eixo fundamental do encontro será a análise dos impactos territoriais e ecológicos decorrentes da expansão da mineração. A mesa abordará de que forma os custos e benefícios dessa atividade se distribuem no território, alertando que populações locais e comunidades tradicionais são as que mais concentram os impactos negativos e as pressões sobre os recursos naturais.
Sob uma perspectiva crítica e multidisciplinar das Ciências Sociais, o debate também fará um resgate histórico das contradições da política ambiental brasileira nos últimos 30 anos. Serão debatidos momentos que vão desde o ativismo legislativo dos anos 1990 sob as amarras do Consenso de Washington até o processo recente de “desnormatização” e desmonte de agências fiscalizatórias, que hoje passam por um cenário de reconstrução frente a pressões do Legislativo e do agronegócio.
Fundamentado em teorias como a economia política do desenvolvimento e a teoria da dependência, o evento busca, em última análise, refletir sobre quais projetos de país estão em disputa a partir das decisões tomadas hoje sobre o futuro dos recursos naturais brasileiros.

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