13 de outubro de 2026

O Amazonas está queimando, por Augusto Rocha

Não podemos tolerar esta condição de quietude em meio este cenário de destruição, cheio de focos de incêndio, de fumaça e de fogo.
Ibama - Reprodução

Incêndios no entorno de Manaus deixam o ar insalubre em Autazes, Borba, Codajás, Manicoré e Nova Olinda do Norte.
Área queimada soma 136.651 km², equivalente ao território da Grécia, afetando a qualidade do ar e saúde local.
Autor alerta para falta de ações efetivas e sensibilização nacional diante da crise ambiental no Amazonas.

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O Amazonas está queimando

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por Augusto Cesar Barreto Rocha

              O Amazonas está em meio a uma condição de respiração inaceitável. Há vários incêndios no entorno de Manaus. Cidades como: Autazes, Borba, Codajás, Manicoré e Nova Olinda do Norte estão com o Índice de Qualidade do Ar insalubre ou muito insalubre. Não parece haver ações contundentes para sanar a condição. O recurso que aparece dá a impressão de ser insuficiente e muito distante do que é necessário. Parece que não temos ambientalistas quando mais precisamos deles. Não percebo a ampliação de suas vozes neste momento alarmante.

              Se não conseguimos ficar tristes com esta condição de respiração, se estamos estáticos neste momento, há algo muito errado na estrutura social. Perdemos a capacidade de dialogar e enfrentar um problema que afeta o ponto mais básico do chamado “pulmão do mundo”: o ar que se respira. A poluição das queimadas não pode ser normalizada. Estamos em meio à várias grandes queimadas.

              O território somado destes municípios é de 136.651 quilômetros quadrados. Esta área é praticamente a mesma da Grécia inteira, maior que a Islândia e Bélgica somadas. Temos um território equivalente a um ou mais países sendo tragado pelo ar sem qualidade para respiração humana e estamos assistindo a isso sem transformar o fato numa operação de guerra no combate das queimadas. A dessensibilização é uma das características mais danosas de corrosão do tecido democrático. Boaventura de Sousa Santos analisa esta crise do contrato social, quando o coletivo deixa de ter importância.

              É como se respirar um ar puro fosse um privilégio indevido. Respirar um ar saudável é uma necessidade e todo os esforços deveriam estar voltados para isso. Mas não vemos um movimento amplo e determinado nesta direção. Jason Stanley também discute isso, quando ampliamos a tolerância para estes temas intoleráveis. Não faz sentido normalizar a queimada. Não faz sentido aceitarmos passivamente esta situação. Já passou da hora, mas nunca é tarde. É necessário enfrentar esta crise. Falta dar o nome de crise para uma condição inaceitável que temos. Um pré-requisito para a barbárie é a remoção da sensibilização social. Não podemos tolerar esta condição de quietude em meio este cenário de destruição, cheio de focos de incêndio, de fumaça e de fogo.

              O alarme local é tímido. O alarme nacional menos ainda. Todavia, olho pela janela e só vejo fumaça. Faz dias que estamos assim. A cidade toda. Sem trégua. É inaceitável que este assunto não ganhe um enfrentamento apropriado. Por onde andam os jornalistas e ambientalistas com drones. Cobrimos eventos de incêndio nos EUA ou Europa, mas somos incapazes de dar importância para o território brasileiro pegando fogo. Quem são os interessados nestes incêndios? Por que eles acontecem? Qual a dificuldade dos órgãos competentes? O Ministério Público já considerou analisar a questão?

              Há uma emergência. Esta dessensibilização das mídias e das massas é um dos elementos mais danosos para uma democracia. Precisamos colocar luz nesta questão e dar importância, porque o Brasil é mais do que o litoral. As queimadas que temos estão distantes das pequenas preparações de pasto ou de área para plantio. Enquanto não houver um entendimento das causas das queimadas e um conjunto de ações para evitar que elas voltem a acontecer, ficaremos destruindo a floresta e a saúde de milhões de pessoas. Qual a razão da paralisia?

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

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Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

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